De todos os desafios, o que foi mais difícil, e ainda é até hoje, é viver distante da minha família. Fui criada em um lar cristão e sempre fomos muito unidos. Nos juntávamos no domingo e no final de ano, nos reunirmos sempre. Quando me mudei de Londrina para Belo Horizonte(BH), tinha apenas 20 anos. Na época não tínhamos a facilidade de hoje, com relação a internet, não tinha whatsApp e a ligação telefônica era cara, então, era bem dolorida a distância. Não era fácil não ter a mãe por perto para compartilhar, não ter o carinho dos pais, nem ter as pessoas que você confia; as quais você pode falar das suas fragilidades; não estar com meu pai do lado, que sempre foi protetor. Até sentia falta de brigar com meus irmãos (e ainda sinto).
Quando achei que já estava ficando mais fácil, vieram os sobrinhos. Então, eu sou uma tia à distância. Eles acabam me conhecendo pouco. Nos vemos mais por fotos, não tenho tanto contato perto.
Família é tudo, é proteção, são os braços abertos para te receber.
Meus pais são essenciais na minha vida. As decisões que tenho que tomar, compartilho com eles. Todas as mudanças que tive que fazer nos últimos anos: Londrina para Belo Horizonte (para fazer o Rhema); Belo-Horizonte para Campina Grande (para fazer a Escola de Ministros), e depois de volta a Belo Horizonte. Todas estas mudanças foram compartilhadas com eles. Nos primeiros dois anos de Rhema, minha mãe tinha expectativas de que eu voltaria para Londrina. Não voltei. Depois fui para Campina Grande fazer a Escola de Ministros e, ao concluir, ela achava que eu voltaria, mas retornei a Belo Horizonte. E ainda em Campina Grande conversei com ela e expliquei que Londrina seria pra mim um lugar de passagem, de férias, de visitas e houve entendimento por parte dos meus pais.
Existem valores para mim que são essenciais: Família, amizade, e relacionamentos, além de casamento, são coisa bem definidas.
Minha mãe sempre dizia que os nossos amigos de verdade são o pai e a mãe, mas você vai aprendendo que existem também amigos que são essenciais na vida. Por um tempo pensava que amigos eram aqueles que só faziam coisas que te agradassem, mas fui aprendendo que amigo não é apenas isso. São aqueles que são sinceros com você, são irmãos que você escolheu. Tenho amigos que faço de tudo para que eles sejam felizes.
Aprendi a diferenciar os colegas dos amigos. Os amigos que tenho são poucos, mas são para a vida inteira. Amigos não se trocam nem se negociam.
Quero cumprir os propósitos de Deus na minha vida e quero viajar muito. Gosto de viajar, eu brincava na adolescência e dizia que um dia ia morar fora. Nunca me imaginei saindo de fato de Londrina, cheguei a pensar em viver lá para sempre. Fui criada para estudar, me formar, casar e ter filhos. Ser bem sucedida nessas coisas.
Minha mãe dizia: “eu acho que Héllen um dia vai embora“. Não sabíamos que isso ia acontecer tão cedo e nem da forma que foi. Tenho vontade de ir conhecer lugares fora do Brasil.
Héllen, às vezes é uma menina, às vezes uma mulher… Uma pessoa que precisou amadurecer rapidamente. Acho que queimei alguma etapa, deixei de aproveitar alguma estação, mas sou muito intensa, detalhista, se é pra fazer algo tem que ser pra valer, tem que marcar.
Quando quero, sou imediata naquilo, uma guria que precisa ser uma mulher diante das responsabilidades. Uma menina muito chorona, já melhorei muito, mas ainda choro.
Tem um filme que me marcou muito, não lembro o nome, mas é a história de um menino que foi criado para um propósito e era pra salvar uma cidade e quando perguntam para ele logo no começo do filme: “Você tem medo?” Ele responde: “Eu nasci para esse propósito”. Era um garoto muito novo, mas sabia do seu propósito desde cedo. Esse foi um dos filmes que mais gostei. Tem as comédias românticas que sempre gosto, mas esse foi impactante. Tem pessoas que acham que Deus não nos ensina através de filmes, mas eu aprendo muito.
Tenho poucos momentos raros de descanso, mas quando estou em casa amo estar de pijama, na sala, sem fazer nada. Como a hora que quero, pois moro sozinha, vou ao shopping, passear, só pra ver gente de fora. Quando dá para viajar um dos lugares para onde vou é Campina Grande. Sou ser humano como todo mundo, também tenho vontade de andar de pijama e descalça dentro de casa.
Moro hoje em Belo Horizonte, é o lugar do amadurecimento. Lugar que preciso ser esticada. É um dos lugares onde mais descubro a Héllen, e as coisas que preciso fazer. Quando me mudei pra lá, tinha apenas 20 anos, era a fase de começar a viver de forma independente, então, muitas das minhas descobertas como pessoa foram lá. É o lugar da responsabilidade, lugar que preciso descobrir meus sentimentos e administrá-los. É o lugar que me mostrou que eu era capaz de coisas que nunca imaginei ser capaz.
Tem alguns lugares que eu gostaria de conhecer no Brasil, como: Gramado, Fernando de Noronha, Campos do Jordão, Curitiba (por incrível que pareça, nunca fui lá);
Fora do país, tem lugares como: Paris, Itália, Estados Unidos…
Existem coisas que me alegram e me fazem sorrir: Ver as pessoas felizes; saber que fui de encontro com a necessidade de alguma pessoa; estar com a minha família, com as minhas amigas.
Agora, chorar tem muitas coisas. Estar longe dos meus pais, sentir saudades, saber que eles estão precisando de ajuda e não posso estar perto deles, me faz chorar. Mas o Senhor me ensinou a lidar com essas coisas. Para ajudar alguns, preciso estar longe de outros, é uma renuncia, mas crescemos com isso. Os desafios também, as vezes, me fazem chorar, mas tenho vencido cada um deles.
Tive duas líderes em Londrina que começaram a acreditar em mim ainda bem novinha. A Rô e a Miriam. Depois que me mudei para Belo Horizonte, e fui para o Verbo, a Bárbara Vanessa me ajudou muito, ela é minha eterna diretora. Sâmia, me acompanha de alguma forma, e me ajuda a ajustar algumas coisas dentro de mim. Ela sabe tirar essa menina e me ajuda a mostrar a mulher que eu sou, e, ela também assumiu um Rhema muito jovem, em um tempo no qual as coisas eram mais difíceis, então, se ela conseguiu eu também vou conseguir. Ela sempre me incentiva, foi uma das pessoas que mais atendeu ligações minhas chorando.
Sylvia é uma referencia pra mim. É uma mulher forte, que é a excelência em pessoa, me deu oportunidades, cuidou de mim quando eu estava em Campina Grande.
Pastor Marcelo. que acreditou em mim e, às vezes, olho pra ele e digo: “pastor tu é doido“. Ele consegue enxergar nas pessoas coisas que olhamos e não acreditamos, mas ele sempre acredita que é capaz. Ele acompanhou as minhas evoluções. Kátia, esposa do pastor Marcelo, é uma mulher sensacional que ama cuidar das pessoas. Ela é o tipo de pessoa que, se você estiver doente, ela mesmo com seus quatro filhos corre e cuidar de você. Ela hospeda professores e tem muitas coisas a fazer, mas não mede esforços para me ajudar.
Thays, que é a vice diretora do Rhema Prado, que digo que é o fruto em pessoa. As vezes estou muito agoniada com alguma coisa e ela vem com aquele jeito calmo dela. Tem a minha equipe que me apóia muito no dia a dia e me aguenta diariamente: Willa, Ana Karla e a Kátia, são pessoas que me ajudam muito.
Claro que olho para a diretoria do Ministério Verbo da Vida: Canrobert, Guto, Sylvia e penso: “se eles conseguiram, a gente não pode desistir agora”. Pastor Bud e Jan vieram dos Estados Unidos e abriram mão de tudo para trazer esta Palavra para nós. Quando penso em desistir, olho para eles e vejo que é possível!



























