Joseane de França (Campina Grande -PB)

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Tenho muita história pra contar… Perdi a minha mãe e não faz muito tempo. Minha mãe foi tudo para mim. Hoje, reconheço como dei trabalho a ela. Eu achava que, por trabalhar desde cedo e ter meu dinheiro, eu era independente. Nesse sentido, fui trabalhosa. Ela dizia uma coisa, e eu não a respeitava como deveria… Essas coisas foram na fase dos 16 aos 22 anos. Trabalhava desde os 14 anos e já ajudava em casa, pois meu pai faleceu muito cedo e eu ainda era pequena. Somos 6 irmãos, nessa época a minha irmã mais velha já era casada. A minha irmã mais nova tinha apenas 7 anos e meus três irmãos procuravam emprego para também ajudarem.

Mas, quando conheci o Senhor, todos os dias que me lembrava de coisas erradas que tinha feito com a minha mãe, pedia perdão a ela. Ela dizia: “pare com isso, eu já a perdoei!”

Eu queria suprir tudo o que tinha feito de errado cuidando dela e dando tudo o que ela precisasse. Ela podia contar comigo.

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Eu e minha mãe éramos parceiras. Íamos para a igreja juntas. Quando católicas, eram as missas e procissões, éramos companheiras. Ela desabafava tudo comigo. Por causa da diabetes, ela perdeu a visão. Lembro que eu estava em casa orando por ela e o Senhor me falou para ir a casa dela. Ele disse: “leia Marcos 11.23″. Eu fui li e, quando terminei, veio ao meu coração: “leia o 24 e 25”. Quando eu li, falei: “mãe, antes de orar pela senhora, vou lhe fazer uma pergunta. A senhora tem alguma mágoa?”  Ela começou a chorar e eu disse: “não vou orar agora. Vou pra casa a senhor não precisa me dizer nada, mas converse com Deus e se a senhora tiver que perdoar alguém, perdoe”. Dias depois ela me ligou e disse: “venha aqui”. E, ao chegar lá, ela disse: “quero lhe contar a mágoa que eu tenho”. De imediato, achei que era algo comigo. Mas não. Foi uma pessoa que fez mal a ela e minha mãe sabia que precisava liberar perdão. Quando ela liberou perdão, ainda fez a cirurgia, mas o fato é que ela voltou a enxergar.

Eu estive com ela todos os momentos. A única tristeza que tinha era por não tê-la visto partindo para o Senhor.  Meu desejo era que ela tivesse morrido nos meus braços. Minha mãe era uma mulher muito forte. Vi ela passar por circunstâncias terríveis.

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às vezes, quando fico abalada com alguma circunstância, me lembro dela. Mesmo não estando mais presente , ela me ensina muito. Não choro de tristeza, quando choro é por saudades. Mas, ao mesmo tempo, estou feliz porque sei onde ela está. E sei que não está sofrendo mais como estava aqui. Como filha, ao vê-la sofrendo a liberei pra voltar pra casa. Eu tinha uma boa relação com ela.

Tenho procurado fazer o mesmo com Ana Beatriz, minha filha. Cuido dela e mostro o valor de uma mãe. De uma amiga, busco conversar com ela. Onde vou a levo, ela já viu situações terríveis de pessoas nas drogas no álcool. Mostro as situações e ensino o certo. Com isso, percebo que ela já tem uma consciência de saber que essas coisas são ruins. Ensino: “você tem a opção de escolha. Se você entrar nesse mundo, você sabe o destino”.

Como tenho um trabalho no Rhema do sistema prisional em Campina Grande, quero levá-la para mostrar o que é um presídio. Estou aguardando o tempo certo de liberação. Porque as vezes, os nossos filhos que estão na igreja não sabem como é o mundo. Não estou dizendo que eles devem conhecer o mundo, mas, se os pais tiverem a possibilidade de mostrar como são as coisas lá fora, para que eles não caiam, é bom que saibam o que está acontecendo.

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Vejo que muitos jovens nascem em um lar cristão e querem conhecer o mundo. Quando conhecem o mundo, sentem-se atraídos, porque a igreja, de certa forma, camufla o que é a realidade. Os nossos filhos não podem viver em um mundo camuflado, eles precisam saber como, verdadeiramente, o mundo é. Eles não precisam provar das coisas do mundo, mas saber como é pelos pais.

Minha filha está aprendendo com a gente. Tem certas coisas que ela não admite. Por exemplo, um homem falar de certa forma com a  mulher. Não admite uma pessoa fumar aqui em casa. Se alguém chegar e tentar acender um cigarro ela pergunta: “mainha, eu posso falar?” E digo: “pode“; não demora e ela diz: “na nossa casa não entra cigarro”.

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Como mãe, sou realizada. Eu tinha muita vontade de ser mãe e Ana Beatriz é resposta de oração e de um presente do Rhema. Lembro quando estava no segundo ano do Rhema, Sâmia Rocha teve uma direção e ela falou para as mulheres que não podiam ter filhos que se vissem com seus filhos nos braços. Eu pensei: “será que isso é pra mim?” E peguei aquilo pra mim. E logo Ana Beatriz chegou. Ela foi a primeira neta de mulher, só tinham netos. Os primos abraçaram ela como se fosse uma irmã. Ela é obediente, não me responde, até porque ela sabe que sou rígida, sou o contrário do meu esposo, Amilton. Acho que ele faz o papel de mãe  e seu faço o papel de pai no sentido de corrigir, podar. As vezes, ela diz: “mainha, posso ir a tal lugar?” E digo: “fale com seu pai”, me policio para não pegar o lugar que é dele, como pai.

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Nós somos uma família feliz. Independente de situações que vivenciamos. Por causa da palavra de Deus não demoramos numa discussão. Nos respeitamos, é raro a gente discutir, quando um percebe que está errado, logo nos calamos. Ana não presencia as nossas discussões que se tornaram raras, fomos mudados pela Palavra.

Eu e Amilton estamos juntos há 24 anos. Nossa história é longa…

Sempre nos damos bem. O conheci no período junino. Somos bem diferentes. Amilton é tranqüilo, eu sou acelerada, ele me freia um pouco, isso é bom porque realmente equilibra. Tanto é que, às vezes, ele está um pouco acelerado e eu digo: e agora? Eu que vou ter que freia-lo? (risos) então, quando ele acelera, eu freio. A nossa união é grande. Nascemos de novo e recebemos o batismo no Espírito Santo no mesmo dia. Nossa comunh