Tenho muita história pra contar… Perdi a minha mãe e não faz muito tempo. Minha mãe foi tudo para mim. Hoje, reconheço como dei trabalho a ela. Eu achava que, por trabalhar desde cedo e ter meu dinheiro, eu era independente. Nesse sentido, fui trabalhosa. Ela dizia uma coisa, e eu não a respeitava como deveria… Essas coisas foram na fase dos 16 aos 22 anos. Trabalhava desde os 14 anos e já ajudava em casa, pois meu pai faleceu muito cedo e eu ainda era pequena. Somos 6 irmãos, nessa época a minha irmã mais velha já era casada. A minha irmã mais nova tinha apenas 7 anos e meus três irmãos procuravam emprego para também ajudarem.
Mas, quando conheci o Senhor, todos os dias que me lembrava de coisas erradas que tinha feito com a minha mãe, pedia perdão a ela. Ela dizia: “pare com isso, eu já a perdoei!”
Eu queria suprir tudo o que tinha feito de errado cuidando dela e dando tudo o que ela precisasse. Ela podia contar comigo.
Eu e minha mãe éramos parceiras. Íamos para a igreja juntas. Quando católicas, eram as missas e procissões, éramos companheiras. Ela desabafava tudo comigo. Por causa da diabetes, ela perdeu a visão. Lembro que eu estava em casa orando por ela e o Senhor me falou para ir a casa dela. Ele disse: “leia Marcos 11.23″. Eu fui li e, quando terminei, veio ao meu coração: “leia o 24 e 25”. Quando eu li, falei: “mãe, antes de orar pela senhora, vou lhe fazer uma pergunta. A senhora tem alguma mágoa?” Ela começou a chorar e eu disse: “não vou orar agora. Vou pra casa a senhor não precisa me dizer nada, mas converse com Deus e se a senhora tiver que perdoar alguém, perdoe”. Dias depois ela me ligou e disse: “venha aqui”. E, ao chegar lá, ela disse: “quero lhe contar a mágoa que eu tenho”. De imediato, achei que era algo comigo. Mas não. Foi uma pessoa que fez mal a ela e minha mãe sabia que precisava liberar perdão. Quando ela liberou perdão, ainda fez a cirurgia, mas o fato é que ela voltou a enxergar.
Eu estive com ela todos os momentos. A única tristeza que tinha era por não tê-la visto partindo para o Senhor. Meu desejo era que ela tivesse morrido nos meus braços. Minha mãe era uma mulher muito forte. Vi ela passar por circunstâncias terríveis.
às vezes, quando fico abalada com alguma circunstância, me lembro dela. Mesmo não estando mais presente , ela me ensina muito. Não choro de tristeza, quando choro é por saudades. Mas, ao mesmo tempo, estou feliz porque sei onde ela está. E sei que não está sofrendo mais como estava aqui. Como filha, ao vê-la sofrendo a liberei pra voltar pra casa. Eu tinha uma boa relação com ela.
Tenho procurado fazer o mesmo com Ana Beatriz, minha filha. Cuido dela e mostro o valor de uma mãe. De uma amiga, busco conversar com ela. Onde vou a levo, ela já viu situações terríveis de pessoas nas drogas no álcool. Mostro as situações e ensino o certo. Com isso, percebo que ela já tem uma consciência de saber que essas coisas são ruins. Ensino: “você tem a opção de escolha. Se você entrar nesse mundo, você sabe o destino”.
Como tenho um trabalho no Rhema do sistema prisional em Campina Grande, quero levá-la para mostrar o que é um presídio. Estou aguardando o tempo certo de liberação. Porque as vezes, os nossos filhos que estão na igreja não sabem como é o mundo. Não estou dizendo que eles devem conhecer o mundo, mas, se os pais tiverem a possibilidade de mostrar como são as coisas lá fora, para que eles não caiam, é bom que saibam o que está acontecendo.
Vejo que muitos jovens nascem em um lar cristão e querem conhecer o mundo. Quando conhecem o mundo, sentem-se atraídos, porque a igreja, de certa forma, camufla o que é a realidade. Os nossos filhos não podem viver em um mundo camuflado, eles precisam saber como, verdadeiramente, o mundo é. Eles não precisam provar das coisas do mundo, mas saber como é pelos pais.
Minha filha está aprendendo com a gente. Tem certas coisas que ela não admite. Por exemplo, um homem falar de certa forma com a mulher. Não admite uma pessoa fumar aqui em casa. Se alguém chegar e tentar acender um cigarro ela pergunta: “mainha, eu posso falar?” E digo: “pode“; não demora e ela diz: “na nossa casa não entra cigarro”.
Como mãe, sou realizada. Eu tinha muita vontade de ser mãe e Ana Beatriz é resposta de oração e de um presente do Rhema. Lembro quando estava no segundo ano do Rhema, Sâmia Rocha teve uma direção e ela falou para as mulheres que não podiam ter filhos que se vissem com seus filhos nos braços. Eu pensei: “será que isso é pra mim?” E peguei aquilo pra mim. E logo Ana Beatriz chegou. Ela foi a primeira neta de mulher, só tinham netos. Os primos abraçaram ela como se fosse uma irmã. Ela é obediente, não me responde, até porque ela sabe que sou rígida, sou o contrário do meu esposo, Amilton. Acho que ele faz o papel de mãe e seu faço o papel de pai no sentido de corrigir, podar. As vezes, ela diz: “mainha, posso ir a tal lugar?” E digo: “fale com seu pai”, me policio para não pegar o lugar que é dele, como pai.
Nós somos uma família feliz. Independente de situações que vivenciamos. Por causa da palavra de Deus não demoramos numa discussão. Nos respeitamos, é raro a gente discutir, quando um percebe que está errado, logo nos calamos. Ana não presencia as nossas discussões que se tornaram raras, fomos mudados pela Palavra.
Eu e Amilton estamos juntos há 24 anos. Nossa história é longa…
Sempre nos damos bem. O conheci no período junino. Somos bem diferentes. Amilton é tranqüilo, eu sou acelerada, ele me freia um pouco, isso é bom porque realmente equilibra. Tanto é que, às vezes, ele está um pouco acelerado e eu digo: e agora? Eu que vou ter que freia-lo? (risos) então, quando ele acelera, eu freio. A nossa união é grande. Nascemos de novo e recebemos o batismo no Espírito Santo no mesmo dia. Nossa comunh







