Tenho 30 anos. Me formei em medicina em agosto de 2015. Mas a minha história na medicina é um pouco diferente da maioria das pessoas. Sempre tive um desejo muito grande de ajudar pessoas. Acho que todos que fazem medicina falam isso. Tenho o desejo de estar em contato com pessoas desde pequena. Por causa das coisas do Senhor, do chamado, mesmo não entendendo muito como funcionava ainda. Eu estudava na época com Jessyca, (esposa do Jânio Cesar), que também é bem amigo do meu esposo Edilson de Lira. Éramos da mesma escola. Eu e ela queríamos fazer algo na área de saúde, ela fisioterapia e eu enfermagem, por saber que a enfermeira tinha um contato maior com os pacientes.
Na época eu não pensava em medicina. Não por causa do curso, mas pela minha história, parte da minha vida estudei em escola pública e outra em particular. Fiz o vestibular e passei em duas Universidades. A Universidade Federal do Recife e UPE. De tanto que eu falava em enfermagem, Jessyca mudou sua opção e desejou fazer enfermagem também, ela é formada na área.
Quando comecei a fazer o curso via todos felizes na sala de aula, comemorando e eu não estava naquela felicidade e pensava: Tem alguma coisa errada, passei em uma boa universidade em um bom curso, mas não estou feliz. Lembrando que para mim, estar aprovada já era uma realidade muito distante. Ninguém mais próximo na minha família tinha se formado. Lembro que fui morar na capital pernambucana e dividia apartamento com Aurélia, (jovem que é esposa do pastor Jackson em Mossoró, RN). Ela fazia a universidade também. Mas, acredite, com uma semana de curso, eu desisti.
Lembro que comecei a chorar e fui falar com meu noivo Dinho, ele me entendeu. Voltei para Caruaru e fui conversar com a minha mãe. Eu só chorava, não falava que queria outro curso, mas quando começava a falar sobre o queria, Dinho dizia: “O que você quer é medicina”. Minha mãe me apoiou, ela sempre foi uma mulher de muita fé que me ajuda em tudo. Ela sabia que eu teria que voltar a fazer cursinho em Recife e é muito caro, mas pegou junto comigo e me ajudou a voltar para Recife em 2007. Na mesma época a Escola de Ministros itinerante abriu sua primeira turma em Recife e comecei a fazer.
Lembro que o diretor do cursinho tinha me dito para desistir da Escola de Ministros, e isso era algo que eu não queria. Ele me encontrou um dia no hotel onde a escola funcionava e eu estava toda arrumada e ele disse: “O que você está fazendo aqui?”. Falei: “um curso”. Eu corria o risco de perder a bolsa que tinha no preparatório para o vestibular, então expliquei que aquilo fazia parte da minha vida. Muitos pensam em medicina como a única perspectiva para a vida inteira, mas, no meu caso, eu tinha mais coisas além disso para fazer. Fiz o cursinho e dois anos seguidos prestei vestibular para medicina (sem êxito). Eu queria muito, mas não era o grande sonho da minha vida. Eu sabia que a medicina era um meio de alcançar pessoas, mas não era a única forma de fazer isso.
Geralmente quem faz vestibular para medicina faz em vários lugares, mas eu sempre fazia apenas em Recife. Em 2009, resolvi fazer em Petrolina. Eu e Dinho sempre conversávamos sobre os nosso planos para o futuro e falei do desejo de ir estudar lá. Na ocasião, sabia que tinha uma decisão séria a tomar, porque não podia mais fazer em duas universidades. Eu fiz e só errei duas questões na primeira fase e fiquei com a média 9,8. Fiquei feliz. Mas saiu o resultado do vestibular em Petrolina e eu não passei.
Me senti injustiçada, me falaram pra entrar na justiça, mas não conhecia os trâmites e não fui atrás. Orei e falei Senhor: eu estudei, fiz a minha parte, mas fui injustiçada. E o Senhor me disse: “você vai passar!”. Voltei para o cursinho e as pessoas olhavam para mim sem entender. Fiquei na posição 32 do remanejamento e era uma turma de 40, então, praticamente uma turma inteira tinha que desistir para eu entrar. Era uma universidade nova, muito desejada, e poucos entravam em remanejamento. Mas o Senhor me disse: “essa vaga é sua”.
Tinha um sonho de estudar espanhol e comecei a fazer um curso e me preparar para uma viagem para um país de língua espanhola mesmo sem dinheiro, também continuei no cursinho. No meio do ano eu estava no ônibus com Fernando Leal resolvendo as coisas da viagem e recebi uma ligação: “Mizia, doutora Mizia”, eu disse: “como?” e falaram: “Aqui é da faculdade, estou querendo lhe informar que você foi aprovada na nossa universidade”.
Eu comecei a gritar: “moço pare esse ônibus eu passei em medicina”. Sempre fui muito espalhafatosa (risos), mas não conseguia conter a minha alegria. Comecei a chorar e o povo do ônibus começou a aplaudir, sai no meio da Avenida ‘Agamenon Magalhães’, gritei quando cheguei no condomínio onde morava e foi uma felicidade. Dinho estava fazendo estagio no hospital e liguei para ele muito feliz. Fomos para a casa dos meus pais dar a boa noticia e foi maravilhoso!
Em 2009 me mudei para Petrolina e foram 12 períodos. Seis anos de estudo. Amei a universidade. Tudo bem novinho e organizado. Professores próximos dos alunos. Foi um presente de Deus. Me apaixonei pelo curso, era isso que queria, sou grata ao Senhor e a minha mãe por ter me apoiado sempre. Ela é uma leoa, uma mulher de muita fibra. Também sou grata ao meu noivo. Sem eles eu não teria conseguido. Porque eu precisava do apoio não apenas financeiro, muitos me chamaram de louca, por ter ido em busca desse sonho. Eu me encontrei e fiquei feliz.
Nasci em um lar cristão, apesar do meu pai não ser crente até hoje, tenho uma mãe guerreira que me ensinou os caminhos do Senhor. Tenho um irmão mais velho, Jonatas, e uma mais jovem, Talita. Desde pequena Minha mãe se reunia conosco e lia versículos, contava histórias, nos ajoelhávamos na cadeira da cozinha para orar. Tinha uma escadinha pra ir ao quintal e subíamos nela pegávamos um cabo de vassoura e cada um cantava uma música. Tinha o cantor e o backing, às vezes, brigávamos pra ver quem seria o cantor do dia (risos). Esses foram os primeiros contatos que tive com a Palavra .
Mesmo passando por muitas situações minha mãe me ensinou a ficar firme na Palavra. Era difícil ver algumas coisas em casa e na minha família. As realidades dos casamentos em nossa família no geral eram difíceis. Comecei a crescer e entender as coisas e sempre disse: “eu não quero viver dessa forma”. Não quero repetir essas histórias, não nasci para isso. Lembro quando eu orava a Deus eu anotava as coisas que eu orava e quando Deus falava comigo eu também anotava, porque eu não queria esquecer daquelas coisas. Quando me deparava com a realidade era tudo tão diferente, muitas vezes, eu precisei voltar as minhas anotações para lembrar do que Deus tinha dito para mim.
Quando eu tinha 8 anos, a minha professora do departamento infantil na escola dominical era uma senhora de mais de 80 anos e um dia ela me tirou da aulinha, me levou na sala dela e me disse: “filha, você é muito novinha e talvez não entenda agora o que vou te dizer. Mas Deus tem algo para fazer na sua vida, um dia você vai falar para muitas pessoas e você não pode deixar de vir para a igreja por nada“.
Depois disso, passei uns 15 dias sem ir na igreja e essa mulher andou quilômetros a pé e foi na minha casa para saber porque eu não tido ido mais a igreja e me lembrou daquelas palavras… Aquilo ficou gravado no meu coração e hoje todas as coisas que eu faço envolvem pessoas.
Minha mãe é uma conselheira, uma mulher de oração. Ainda hoje, sempre que viajo para minhas atividades, ou alguma coisa mais delicada no meu trabalho na universidade, eu ligo para ela, ela fica intercedendo ate obter a resposta. Ela é uma mãe, uma amiga, hoje eu me sinto na responsabilidade de amá-la mais do que já amei quando estava com ela na mesma casa. Quero dar a ela o meu melhor, ela é muito amada. Os dias que eu estiver aqui na Terra ela terá uma filha que a honra e considera sua vida.
Sou casada há 7 anos. Meu casamento é exatamente a definição daquilo que a Bíblia diz, sem demagogia. Fico emocionada, porque vivo hoje tudo aquilo que eu declarei e desenhei para a minha vida. Nós somos aquele casal que se conheceu muito jovem. Éramos da mesma igreja e por estar na mesma igreja fomos descobrindo as coisas de Deus juntos. Conversávamos sobre as coisas que estavam em nosso coração, sejam profissionais ou ministeriais, o que nós vivemos hoje são coisas que falávamos naquela época e pareciam distantes, vivemos coisas ainda melhores. Sou casada com um grande amigo, um cúmplice, com alguém que torce por mim e eu torço por ele. Somos muito parceiros e companheiros. O sonho de um passou a ser o sonho dos dois. Tem sido assim desde a nossa adolescência.
Ele se formou em dezembro de 2009 e nos casamos em janeiro de 2010. Vivemos a bondade de Deus na nossa casa. Casamos e fomos morar em uma cidade distante das nossas famílias e amigos. Então, no inicio do nosso casamento era só eu e ele e tivemos que construir tudo juntos. Construímos a nossa casa literalmente, estamos nos construindo juntos, se descobrindo juntos. Sou um ser completo, um independente do outro, mas tem muitas características que não sabemos mais de quem veio, não sabemos se é coisa minha que está nele ou coisa dele que está em mim por causa da convivência e intimidade. Sou grata a Deus todos os dias por cada detalhe, pelo cuidado dele em minha vida.

Com três anos de namoro eu sonhei com meu casamento e ele foi exatamente como sonhei. Todas as pessoas estavam chorando, mas realizadas. O pastor Isaac e Sayonara são como pais para nós, eles viram o começo do namoro e noivado e realizaram a cerimônia do casamento. Isso foi presente de Deus para nós.
Dinho é alguém com quem aprendo todos os dias. Alguém que abre mão para que eu faça algo que está em meu coração. O fato de eu ter sido aprovada em medicina e ter ido para Petrolina ele me apoiou muito. Ele sempre foi muito estudioso e nessa mesma época ele tinha sido aprovado em uma residência na USP em Ribeirão Preto, São Paulo. Isso para ele era um sonho, ele fez a prova mesmo antes de se formar e soube do resultado. Perto da formatura ele ligou pra mim e disse: “filha, passei na residência”, eu pensei: “ah meu Deus, vou esperar mais um tempo para casar”, mas fiquei calada. Disse “filho, que coisa maravilhosa“. E ele falou: “mas eu vou para Petrolina, nós vamos casar”.
E ele abandonou as duas residências para casar, porque também foi aprovado em uma no Rio de Janeiro. Eu sei que foi uma renúncia da parte dele, ele me viu feliz e empenhada naquilo que eu estava fazendo, e ele não queria me tirar daquele contexto, daquilo que eu estava fazendo. Isso e outras tantas provas de carinho e cuidado na minha vida me fizeram perceber que ele é, não só o meu esposo, mas um companheiro de verdade.
Dentro de casa somos dois meninos. Às vezes as pessoas acham que ele é muito sério, mas dentro de casa ele é muito brincalhão. Temos apelidos, brincamos muito, assistimos filmes, fazemos coisas bobas e conservamos coisas do tempo de namoro. Me sinto muito bem de estar perto dele todos os dias. Mesmo uma viagem curta ligamos e compartilhamos. Quando viajamos sozinhos, e algo acontece, contamos para o outro e queremos fazer aquela viagem juntos para podermos compartilhar daqueles momentos.
O amor é algo que acontece, mas é algo que precisa ser regado. É semelhante a uma planta, se você não alimenta e não cuida, vai morrer. Às vezes, a poda acontece e é necessária, ela por vezes dói. Assim como o corte a poda também dói. Mas a finalidade da poda é diferente da do corte. Você corta uma planta e isso traz morte, mas quando você poda, apesar da dor, aquilo traz mais crescimento e edificação.
Eu e o Dinho sempre tiramos tempo para ajustar coisa em nós. Muitas delas não percebemos ao longo do dia, não nos damos conta, mas elas precisam ser reorganizadas e reajustadas e nos organizamos para tirar um dia na semana ou uma tarde, uma noite. Mesmo que a gente não vá para um restaurante nem viaje, ficamos juntos um tempo, para não falar de nada além de nós.
Estamos conversando e nos organizando para ter um bebê. Eu já estou quase mãe (risos). Estou na fase de fazer teste de gravidez, porque o desejo é tão grande, mas esse negócio de ser médico sabe como é… Estou fazendo alguns exames e consultas, me preparando. Em breve vamos liberar para os bebês e creio em gêmeos. Detalhe: algumas pessoas começaram a sonhar que eu estava grávida de gêmeos, mas acho que o desejo também explica isso um pouco.
Um missionário ligou para meu marido e disse que havia sentido cheiro de bebe e que eu iria ter bebe e não apenas um. Estamos nos preparando para ser papai e mamãe. Estamos felizes com essa fase.
Eu sou muito grata a Deus pelas pessoas que Ele colocou em minha vida. Mas existem alguns que Deus nos presenteou como mimo, um exagero de Deus. Fomos criados na Igreja em Caruaru, cujos primeiros pastores foram Isaac e Sayonara Almeida (hoje são missionários em Portugal). Aprendemos a honrar as pessoas que Deus colocou ao nosso lado. As pessoas que viriam e as que já estavam. Eu e Dinho nem nos entendíamos por gente ainda, eu tinha 12 anos quando conheci Isaac e Sayonara não sabia das possibilidades em Deus que eu teria.
Eles foram os primeiros que acreditaram quando nem nós acreditávamos ainda. Na verdade, tudo começou quando estávamos reunidos como um grupo de estudos. Um casal que veio a Campina Grande inicialmente e conheceu o Rhema, os livros do irmão Hagin e começou a nos reunir para estudar a Palavra. Falou sobre o batismo no Espírito Santo e fui batizada na sala da minha casa. Esse grupo que eu fazia parte entrou em contato com o ministério pedindo um pastor. Isaac e Sayonara tinham acabado de se formar no Rhema e vieram para Caruaru estabelecer a obra, tudo começou aí.
Lembro quando eles chegaram, pastor Isaac com uma camisa azul, Nara com aqueles cabelos cacheados e as meninas pequenas ainda. E todos diziam: “olha, aqueles são os nossos pastores”. Estávamos como filhos esperando os pais chegarem. Eram no Máximo 50 pessoas, fazíamos de tudo.
Isaac e Sayonara arrancaram de dentro da gente verdades e possibilidades que não sabíamos que existiam. Eles acreditaram antes da gente e viram o que não conseguíamos ver. Gosto de olhar para trás e dizer: “Você nunca vai crescer tanto ao ponto de esquecer das pessoas que Deus colocou para te ajudar. A honra nunca pode ser esquecida”.
Hoje, estamos cuidando de um povo, mas sempre buscamos ouvir e nos expor, porque aquele que está isolado pode cometer erros mais facilmente. Ele pode nesse isolamento não perceber coisas que precisam ser ajustadas, porque não tem quem diga, mas quando você está exposto diante de outros, quando busca a outros e dá liberdade, você continua crescendo. Sempre que podemos entramos e contato com eles. Estivemos congregando em Caruaru por sete anos. Graças a Deus pelos ensinamentos e correções do pastor Isaac e Sayonara. Hoje, temos mais firmeza e segurança. Quando você acha que está acertando, lá na frente talvez seu erro seja maior e mais visto. Talvez danifique pessoas. Mas, se ajustar mais no começo, tudo o que você faz terá um impacto na vida de alguém.
Além deles, temos o pastor Humberto que também nos ajuda muito. Ele nos treinou por cinco anos também. Sempre que podemos, damos um pulo em Recife e o ouvimos. Temos grande consideração por ele. Compartilhamos dos nossos projetos com ele e nos alegramos em alinhar os nossos corações com os deles. Quero fazer o meu melhor.
Me defino como uma aprendiz. Eu decidi me entregar a Deus sem nenhuma reserva. Sou uma pessoa que não sabe como vai ser todas as coisas, não sei tudo o que Deus tem, mas sei que preciso me entregar a isso e no final vai ser aquilo que agrada o coração dEle, mas que também está no meu.
Somos muito interessados no final das coisas, mas o importante é o que a gente vive ao longo do caminho e quem a gente se transforma durante esse caminho até o destino final. Quero aprender, me transformar, me mudar e me tornar uma pessoa melhor. Tomei uma decisão logo cedo: “Todas as pessoas podem me ensinar”. Eu quero aprender com todas elas. Das pequenas, me refiro as crianças; às mais velhas, quero ser uma pessoa que crescer porque aprende. Quero chegar àquilo que Deus tem para mim, mas quero levar o máximo de pessoas comigo, não quero chegar nessa reta final sozinha.



























