
Assim como a história de Davi e Golias, a trajetória de Renê Romualdo Cunha, 47 anos, começou vencendo “gigantes”. Nascido no Rio de Janeiro (RJ), Renê atleta, como é mais conhecido, chegou ao mundo enfrentando o diagnóstico de pneumonia aguda. “Os médicos falavam que as minhas perspectivas de vida eram as mínimas possíveis. E minha mãe, uma guerreira, não desistiu de mim e perseverou por muitos anos. Era mais de seis meses no hospital do que na residência em que meus pais trabalhavam como caseiros para poder sobreviver. Eles decidiram vir para o Nordeste novamente, para Pernambuco e, para grata surpresa, o clima da região favoreceu e fiquei bem melhor”, contou.
Após se mudar com seus pais para Santa Cruz do Capibaribe (PE), Renê venceu a doença, e, anos mais tarde, aos 12 anos, o ultramaratonista descobriu a habilidade de correr. Ao conhecer o esporte, vieram as primeiras conquistas. “Quando comecei a correr, meu pai não tinha condição financeira. Com 12 anos, corria descalço. A minha primeira prova foi a Corrida da Criança, a qual ganhei a primeira medalha. E não parei mais de correr. Ganhei várias provas não só na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, mas em toda a região. Em Campina Grande (PB), participei da prova General Sampaio, vencendo na categoria da juventude com 14,15 anos”, revelou.


Como em toda jornada há dificuldades, o atleta precisou fazer um hiato por questões financeiras durante alguns anos, até que conheceu sua esposa, Josecleide Cunha. Da união, o casal é pai de cinco filhos: Rayane Vitória, 18 anos; Rannan Bernardo, 13 anos; Rayssa Emanuelle, 11 anos; Rebeca Letícia, 9 anos e Raquel Maria, 4 anos. Além de constituir família, foi a esposa quem o incentivou a retornar à prática da corrida. “Voltei para fazer a meia maratona, que é 21 km; maratona, que é 42 km, e já venci algumas corridas, como a Maurício de Nassau, em Recife (PE) e a Maratona das Praias, que percorre o litoral de Pernambuco. Então, mesmo com as dificuldades, sem patrocínio, a gente consegue porque o Espírito Santo me deu essa condição”, compartilhou.

Além das corridas, Renê passou a se dedicar à ultramaratona e ao Backyard Resistance, modalidade criada nos Estados Unidos que testa a resistência física dos ultramaratonistas. Nessa prova, Renê é recordista e chegou a viajar até o estado do Tennessee (EUA) para competir. “Fui campeão brasileiro de 24 horas, bicampeão dos 100 km do Frio, campeão dos 76 km de Recife (PE) a Gravatá (PE). E conheci a Backyard Resistance, na qual fui campeão brasileiro. Venci seis provas e fui o primeiro a representar o Brasil nos Estados Unidos. Essa corrida pode durar de 10 a 50 horas. Já percorri mais de 700 km correndo nesse formato, fazendo treinamento para poder ir ao mundial”, compartilhou.

Mas o segredo por trás do sucesso e da superação dos desafios está na Palavra da Fé. Há 12 anos, Renê Romualdo e sua família congregam na Igreja Verbo da Vida em Santa Cruz do Capibaribe (PE), na qual recebem alimento espiritual e a força que supera qualquer suplementação. “Sou muito feliz, sou grato a Deus, à minha esposa, aos meus pastores Rivaildo Silva e sua esposa, Zilda Medeiros e a todos do Ministério Verbo da Vida em Campina Grande também. Todos os anos vou para as conferências e isso tem me fortalecido muito. É importante o congregar e isso me faz também ser um grande atleta porque a gente precisa focar. A corrida para mim é isso, eu sou um milagre”, expressou.
Falando em superação, Renê também busca o reconhecimento como atleta de alta performance e não mede esforços para conseguir seus maiores objetivos. “Nós vivemos em um país que infelizmente não valoriza o atleta de alto rendimento, e a gente que corre ultramaratona se esforça muito. A Confederação faz o que pode, mas a gente não recebe uma bolsa. Houve uma época em que eu a consegui, mas pretendo, se Deus quiser, voltar a representar o nosso país a nível nacional”, disse.
Sobre os objetivos e planos para o futuro, o ultramaratonista ensina que a fé e a perseverança são verdadeiros combustíveis para continuar sonhando. “O pessoal da Confederação Brasileira sempre falou para eu não desistir. Passei um ano parado por falta de patrocínio, mas por incentivo do pessoal da igreja, estou treinando. Recentemente, fui campeão outra vez em Cupira (PE), na Cupira Backyard, com 21 horas e 147 km. Fiquei muito feliz, foram mais ou menos 60 dias de treinamento e já voltei com o título. Pretendo fazer outras competições em São Paulo (SP), no Rio de Janeiro (RJ), e almejo participar dessas maratonas para entrar no meio dos 15 melhores do Brasil e tentar novamente voltar ao mundial no Tennessee”, concluiu.























3 Comentários
Esse homem é um exemplo de perseverança e fé.
Nos alegramos com a vida do irmao pelo esforço pela dedicação e pelo seu precioso testemunho
Parabenizamos o irmao e declamos ele sendo abençoado com todas as sortes de bençãos
Inspiração! Talentoso! Não desista! Você é um vencedor! Orgulho de fazer parte da nossa família VV