Às vezes, fico pensando que o “espírito maternal” nos acompanha desde que nascemos. Lembra que quando pequenas, pegávamos as nossas bonecas (nosso bebês), os aconchegávamos nos braços, acalentávamos e até amamentávamos, do nosso jeito, claro. Mas, crescemos, crescemos e essa coisa maternal cresceu junto com a gente.

Engraçado é que acontece também com os animais, veja uma galinha com seus pintinhos debaixo das asas, uma gata com seus gatinhos agachados e por ai vai… Se não damos resposta como mães, ganhamos um adjetivo cruel: “mãe desnaturada”.

E, então chega o grande dia! Lembro quando a minha filha mais velha Eugênia nasceu, eu, ainda sob efeito de anestesia, quando a vi, e ouvi o seu chorinho, virei a cabeça e choramos eu e ela. Eu de alegria, feliz, ela vermelha “sujinha”, sem nada entender, chegando ao mundo. Foi assim meu ingresso no mundo maternal…

Lembro das noites acordadas com ela chorando (meu Deus como ela chorava) e se exasperava porque queria o peito, mas o leite sumiu em menos de 30 dias. As noites eram com ela nos braços e nós dançávamos tudo o que o rádio tocava, entrando pela madrugada até ela adormecer. Eu cochilava dançando. E eu aprendendo a ser mãe…

Chega então o tempo da segunda gravidez, agora de Emmanuel meu filho, foi uma gestação mais dolorosa, pois ele ficou posicionado de tal forma que estava sempre “empurrando” a minha bexiga, sofri um bocado, mas ele chegou aos 8 meses e o recebi também com muita alegria. Lembro que ainda em minha barriga, ele chorava, eu fiquei visivelmente assustada com aquilo dentro de mim chorando e a única coisa que pude fazer foi conversar com ele (isso aconteceu várias vezes) E o aprendizado continuava…

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Vitória Nóbrega
Graduada da Escola de Ministros Rhema

Enquanto Eugênia era “boa de boca”, gostava de comer e comia bem, Emmanuel era “biqueiro”, cada mamadeira preparada era um tormento, pois ele não comia direito e chorava (e eu também) . Eu “rezava” e fazia promessas (ainda não conhecia Jesus), eu criava, recriava, refazia a mamadeira e assim, ele cresceu magrinho. E a escola de mãe me ensinando…

O tempo foi passando, eles foram crescendo e lembro com saudades de quando à noite eu chegava da Empraba após 8 longas horas de trabalho, exausta, mas entre uma tarefa escolar e outras coisas, eu amava deitá-los, cobri-los, beijá-los e dizer a cada um: “Mainha ama muito viu?” Ainda soa nos meus ouvidos a voz doce de Eugênia fazendo barulho ainda pequenininha e não deixando Emmanuel dormir. Quando eu reclamava, ela dizia: “É quiança, mainha, é quiança”. E como não lembrar de Emmanuel, tão pequeno, mas enquanto eu lavava louça, brincávamos: Ele era caminhoneiro e pegava os quilos de feijão e “carregava” o seu carrinho para viajar. Com isso, as minhas compras ficavam todas espalhadas pela cozinha nessa brincadeira, mas eu amava isso.

Daqui a pouco, os dois estavam se “atracando” e eu, no meio de um fogo cruzado “tentando conciliar” as partes. Também lembro que contei para meu filho exaustivamente a historinha da queda dos muros de Jericó. Ah! Meu Deus, ele só queria ouvir essa história e eu ainda dramatizava o episódio até ele adormecer. E eu avançando na escola de mãe…

Os anos foram se passando e de repente, lá estava eu com dois lindos adolescentes. Juntos chorávamos, sorriamos, brincávamos, renunciávamos a tantas coisas por força das circunstâncias da vida. Tantos sonhos… Ainda guardo um vestidinho que a minha mãe fez para Eugênia no seu aniversário de 1 ano. De Emmanuel guardo uma camiseta de uma das copas.

Creio que meus filhos aprenderam algumas coisas comigo, como mãe para a sua bagagem na vida. Mas também posso afirmar que aprendi muito com eles nas estações da vida de cada um. Nós pais não somos detentores da verdade, salvo quando nos equipamos da Palavra que sai da boca de Deus. Sabe, eu acredito que nós mães, somos muito parecidas com Deus. Mãe faz cada oração que só Ele entende, pois existe entre nós e Ele uma interdependência e uma cumplicidade que nos assietncia e assegura.

E  ai quando nós mães erramos, falhamos nas nossas tentativas de ajustes, de acertos, ainda assim, fica compreensível que tudo o que nós desejamos é que eles sejam felizes fazendo os outros felizes. Se eles são, nós somos.

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