Meu nome é Gisely Torres Valadão e sou natural de Brasília, mas moro em Palmas, no Tocantins. Sou filha única e, na minha infância, morei em Brasília. Minha mãe era solteira e tinha dois empregos. Por ser a única filha e ficar muito tempo sozinha, só com empregados, eu não tinha com quem conversar e tive que me virar em alguns aspectos. Em Brasília, a cultura é um pouco diferente da nordestina, por exemplo. Os parentes não costumam se reunir tanto e eu não tive um grande convívio familiar. Lá, a gente amadurece muito cedo e aprende a se virar sozinho. Eu era jogadora de voleibol e fui atleta quando jovem. Os meus amigos foram como uma família e minha escola foi como uma grande casa pra mim. Em 2001, quando eu terminei o terceiro ano do ensino médio, larguei o voleibol e parti para a faculdade. Então eu deixei todos os esportes que eu praticava, inclusive o voleibol, e até hoje não voltei. Sinto falta dos esportes, era uma vida bem diferente, mas outras coisas foram chegando, outras responsabilidades, outra vida e aí algumas ocupações não se encaixam mais. Acredito que a gente deve viver bem cada momento, porque eles vão passar e tem coisas que a gente não vai conseguir levar adiante, mesmo que goste delas.

Minha mãe é uma grande inspiração para minha vida em todos os sentidos. O nome dela é Maria Ledes, ela é fantástica. Uma mulher muito forte que me criou sem meninices, sabendo respeitar as pessoas e os limites. Sempre tive uma relação muito boa com ela. Apesar dos seus dois empregos, eu não tenho nenhuma doença na minha alma, nem problema emocional quanto a isso. Ela carrega em si uma certa condenação por não ter estado presente e hoje eu entendo isso, pois sou mãe e a gente carrega mesmo algumas condenações que os filhos nem sabem. Mas eu não senti a ausência dela, porque sempre esteve muito presente e foi muito marcante na minha vida. Ela era meu único referencial. Já que eu não tive pai presente, minha mãe foi um pai para mim e supriu todas as demandas muito bem. Ela é uma grande mulher, é resolvida, guerreira, batalhadora, digna, íntegra e forte. Dentre a minha família por parte de mãe, ela é um espelho para os outros familiares. Minha mãe é completa e eu espero ser um pouquinho dela.

A falta de um pai é algo complicado, porque a gente precisa de um pai, por mais desenrolado, resolvido ou objetivo que você seja. O pilar do pai fica em falta… Algumas áreas da nossa vida ficam comprometidas sem essa figura, até que a gente conheça o Pai celestial. Quando a gente O conhece e Ele se revela para nós, então somem todos os pesos que a gente carregava, todos os “bichos papões”, as carências e todas as faltas. Um pai é aquele que é responsável por dar projeção aos filhos e empurrá-los pra frente, em direção ao futuro, então quando esse pilar não está no lugar dele, o futuro da pessoa vai estar comprometido, naturalmente falando. Quando conhecemos a Deus, percebemos que essa limitação não existe mais porque o Pai maravilhoso, que é o Senhor, entra nesse lugar e vai suprindo as necessidades específicas. Fui eu quem ganhei o meu pai natural para Jesus. No seu leito de morte, eu o entreguei ao Senhor. Honro muito a posição dele de pai, apesar dele não ter sido presente.

Conheci ao Senhor em 2004, quando eu comecei a namorar com meu marido. Ele era cristão e eu era “tudo” (risos). Passei pelo espiritismo, por exemplo, mas quando eu conheci meu marido, eu era Católica Ortodoxa Romana. Ele não abria mão de ir para a igreja evangélica e começou a me levar. Eu detestava a igreja. Não gostava de nada, mas ia para ficar com ele. Um belo dia, não lembro como foi, mas o Senhor me alcançou naquele lugar, em 2004, e desde então eu nunca mais deixei esse caminho… me achei.

Meu marido era um homem de Deus, mas, nessa época, ainda não estava firme. Assim, a gente se conheceu através de amigos em um restaurante e, uma semana depois, começamos a namorar em Brasília, mas ele é de Minas Gerais. Nunca mais a gente se separou e eu acho que o Senhor uniu bem os propósitos em nossas vidas. Fabiano é um grande homem de Deus, precisa de muita auxílio e muita ajuda no ministério. Ele é a melhor pessoa que eu conheço. A mais forte, a mais radical e é altamente decidido. Houve uma época em que ele era alcoólatra e não sabia, mas quando decidiu seguir os caminhos do Senhor, disse que não ia mais beber e realmente nunca mais bebeu nada. Eu era noiva dele e ele mudou a nossa vida, pois fez com que eu mudasse os meus costumes também. A gente saía e fazia coisas que não eram do Senhor, mas quando ele decidiu seguir os caminhos d’Ele, eu comecei a viver essa vida também. Ele é firme e não negocia, é muito obediente, um grande homem de Deus. Meu maior referencial de cristão na terra é o meu marido, que é também meu pastor.

Desde janeiro de 2018, estou à frente da Igreja Verbo da Vida na cidade, junto ao meu esposo Fabiano Valadão. Ele não era pastor antes de ir para Palmas, mas ele tem um chamado apostólico muito evidente. Já abriu outras igrejas e levantou alguém para ficar à frente, mas Palmas não foi ele quem abriu, foi outro casal que precisou ir embora e nós fomos direcionados para lá. Nunca me imaginava como esposa de pastor. Meu sonho era ser professora do Rhema. Nunca me vi fazendo aquilo que estou fazendo hoje, nunca desejei, mas aprouve ao Senhor e Ele tem dado graça e me esticado bastante. Ser esposa de pastor não é fácil. Meu olhar para essas mulheres que lideram na igreja mudou. Na verdade, meu olhar se abriu, pois as mulheres são como a força motriz de uma igreja. A sensibilidade, a atmosfera do local e a questão organizacional na igreja, ficam muito a cargo da mulher. Apesar do meu esposo ser um exímio administrador e pastor, essa outra parte fica muito para mim. É muito trabalhoso e nós precisamos realmente depender de Deus, tendo a habilidade natural que tiver. Não é rápido e fácil como dizem por aí, exige muito, mas é também muito gratificante. Acho que todo mundo que deseja cumprir um chamado, fazer missões, deveria primeiro ter uma experiência pastoreando. Isso porque, assim, se sabe realmente o que é o trabalho de um pastor e de sua esposa. Um trabalho de total entrega de si, da sua família, do seu dinheiro, de tudo. Se não for assim, não é pastoreio.

Temos duas filhas, Marina de 11 anos e Gabriela de oito anos. A Marina já é professora do departamento de crianças e se identifica muito com isto. Gabi já começa a dar seus sinais, pois canta muito bem. Elas duas são muito envolvidas. Minhas filhas são um grande presente de Deus. São um projeto maravilhoso que o Senhor deu a mim e ao meu esposo com o objetivo de ensiná-las e lançá-las. Eu enxergo nelas um propósito divino. Eu e o meu esposo somos guardiões desse propósito, responsáveis por proporcionar aquilo que Deus tem na vida delas e isso requer muita oração, empenho e dedicação para que elas cheguem onde o Senhor deseja, porque elas são d’Ele. Elas são maravilhosas e já nasceram prontas (risos). Queria mais um filho, mas se tudo continuar no ritmo que está, talvez não se encaixe mais uma criança e eu já estou bem satisfeita com minhas duas filhas.

Cursei faculdade de Engenharia de Telecomunicações em Brasília e estive nesse curso porque queria fazer uma pós-graduação em Gastronomia, que era o meu alvo. Precisava ter uma faculdade para fazer essa pós, mas acabou que eu não cursei. As coisas mudaram muito e eu saí do ramo da engenharia, não atuo mais, e agora devo começar Psicologia para atender o reino de Deus. Provavelmente, em janeiro eu começo essa faculdade.

Sou uma menina… sou muito grata ao Senhor e por tudo o que Ele fez na minha vida. Sempre tive muitos planos e sonhos, mas hoje eu busco atender o anseio do meu Pai e o que Ele quer que eu seja e faça. Entendo que Ele deu tudo o que é por mim e é justo que eu entregue tudo o que eu sou para Ele. Essa sou eu, alguém que quer que a vida fale e seja um instrumento do Senhor para tocar em alguém e fazer a diferença. Sou disposta e disponível para fazer tudo aquilo que Deus quiser e onde Ele quiser. Ele sabe disso.

Quanto as minhas outras características, tenho alguns amigos que me dizem que eu deveria fazer stand up. Não me identifico muito, mas as pessoas me veem como alguém bem humorada. Eu sou muito prática, muito amorosa. Acredito muito no que o amor é capaz de fazer. O amor pode constranger, construir e reconstruir. Eu creio, de verdade, que o amor não falha e primo por andar nele e me policiar muito para ter sempre a motivação certa em meu coração. Sou muito dócil, apesar de ser muito rígida. Tive uma criação assim, bem rígida, e fui criada por minha avó, que era como uma generala. Assim, apesar de ser bem humorada, sou bastante rígida e reservada. Eu amo as pessoas e tenho muita compaixão pelo próximo… Sou uma mole (risos). Uma coisa eu sei, eu preciso melhorar em tudo. Em relacionamentos, por exemplo, sou bastante reservada, até por causa da cultura de onde eu venho. Preciso crescer nisso, na facilidade de agregar pessoas, me conectar às pessoas. Apesar de me doar muito, tenho uma certa inabilidade de formar pontes.

Meu grande exemplo é a Ana Helena, esposa do pastor Joselito de Brasília. Para mim, é a mulher mais sábia, prática, amorosa e firme que eu tive a oportunidade de conhecer. Ela é a minha mentora e em tudo eu olho para ela. Ana Helena me poupa muito tempo e de muitos desgastes e erros, porque eu sempre busco ter o olhar que ela teria. O conselho que ela tem para me dar nas situações, até mesmo na minha vida pessoal, sempre funciona. Ela é um exemplo de força, seriedade, integridade de vida e de fé. O meu pastor Joselito também é uma referência e ele é um pai que eu encontrei aqui na terra. Um exemplo de integridade também e que vive o que prega.

Deus mudou todos os meus sonhos (risos). Fui licenciada, aí a gente foi para Palmas. O pastor Joselito pediu para que começássemos a dar aulas nas escolas Rhema do Norte, mas vi que o povo estava precisando de nós como pastores e deixamos este sonho para depois. Ainda fui vice-diretora do Rhema no sistema prisional, em Brasília, mas, quando iam começar os trabalhos de fato, fomos enviados para Palmas. Dar aula no Rhema é um desejo meu, mas ainda não é o desejo do Senhor e, quando for, e se for, deixa Ele fazer. Minha maior satisfação é fazer algo que eu sei que Ele quer que eu faça. Além de dar aula no Rhema, meu sonho era o de ser missionária e ter uma ONG com crianças. Ainda desejo isso. Crianças é algo que arde em meu coração. A ONG será para proteger, acolher e ensiná-las, pois esse é o meu grande sonho: tirar crianças de uma situação de vulnerabilidade social e projetá-las para o futuro, para um lugar seguro, ensinando-as a Palavra. Na igreja, eu sou líder do departamento de Crianças e não pretendo abrir mão disso. Aquelas pessoas que eu não sei quem serão no futuro, mas sei que de alguma forma vou contribuir para que cheguem lá.

É algo que vem de Deus, uma compaixão que brotou em mim e que está sendo alargada. Quando estou trabalhando com crianças, percebo as suas necessidades e as suas deficiências familiares. Por isso também que eu quero fazer o curso de Psicologia, para ajudar os pais. Costumo promover eventos voltados para isso na nossa igreja. O alvo é resgatar a comunicação e os relacionamentos, pois as crianças que têm pai e mãe em casa, hoje, também estão em sofrimento, pois “têm, mas não têm seus pais”. Ainda existe uma imaturidade muito grande no projeto da ONG, por isso que eu ainda não “startei” nada. A visão ainda está muito ampla, precisa afunilar para que eu veja de Deus o que é que vai ser, mas eu já sei que o Senhor está me preparando.
Me encontro num momento muito mágico da minha vida. Palmas, para mim, tem sido uma experiência muito surreal e sobrenatural, em todos os sentidos. Eu me sinto tão presenteada e privilegiada, pois eu saí de um lugar onde tem pessoas “mega gabaritadas” para fazer muito, mas o Senhor me escolheu para estar naquele lugar, no qual eu me sinto tão privilegiada. A minha história de vida, hoje, é Palmas. Meu foco são eles e eu fico extasiada, encantada com o amor que Deus colocou no nosso coração por aquelas pessoas. Eu amo eles como uma mãe e meu marido tem uma inclinação de proteção por eles. Eu precisava viver isso e precisava dessa experiência de provar do que Deus tem feito conosco nessa estação, colocando coisas em nós para alcançar os filhos d’Ele. A maior e melhor experiência da minha vida, até então, está sendo estar com aquele povo nesse tempo. Tem sido uma experiência muito rica.















3 Comentários
Perfeita, amo você!
Perfeita, amo vc
Parabéns Gisely! Bom demais ver o crescimento de vocês e saber que os planos e propósitos de Deus para vcs estão se cumprindo. Grande exemplo!