Hoje, meu post é baseado na história da mulher samaritana descrito em João 4.5-26. Esses dias, enquanto assistia uma ministração na internet, algumas coisas me fizeram meditar nesses versículos e quero destacar algumas delas.
Ao ler esse texto, eu tenho a oportunidade de imaginar a cena dessa mulher recebendo Jesus ali na beira daquele poço, numa realidade de tanto despojamento. Uma coisa que sempre me tocou nesse Evangelho foi justamente a simplicidade que a Samaritana teve de permitir a aproximação de Jesus.
Eu sempre digo que podemos sofrer de duas vaidades espirituais, dois tipos: uma é aquela que faz a gente se sentir muito melhor que os outros e a outra é aquela que faz a gente se sentir muito pior que os outros.
A samaritana, por ser uma mulher excluída da sociedade, por ter tido uma vida de erros até aquele momento, é possível que ela estivesse experimentando, ao longo de sua vida, um pouco dessa segunda vaidade espiritual. De sentir-se pior que os outros, pela sua vida que deu errado, por tudo que ela havia feito e que acarretava um fardo muito doloroso pra ser levado.
O simples fato de ser samaritana, de pertencer a um povo que não era bem vindo. Eu acredito que ela precisou vencer esse sentimento de sentir-se pior que os outros e de prestar atenção ao pedido que Jesus fazia a ela, porque às vezes, nós somos arrogantes com as nossas pobrezas.
Você já deve ter encontrado muita gente arrogante com as suas “grandezas”, pessoas que se “sentem grandes”, “vencedoras”, “famosas”. Mas também é perigoso a gente encontrar (e nem sempre sabemos identificar que é isso) aquelas pessoas que são arrogantes, porque se sentem pequenas demais. Porque se sentem miseráveis demais. É no coração de pessoas assim que Jesus precisa entrar. O texto fala que, no meio do dia, Jesus teve esse encontro com a samaritana.
Ela é surpreendida por um homem que lhe pede um favor, assim começou aquele encontro e Jesus não faz um discurso para ela, não se utiliza da autoridade religiosa que tinha porque era um profundo conhecedor das escrituras. Ele a pede um favor, e um favor inusitado. Os judeus jamais poderiam falar com os samaritanos.
As convicções religiosas do tempo de Jesus eram rigorosas. Os samaritanos eram considerados impuros. Ou seja, aquela mulher era impura, mas ao pedi-la um favor, Jesus iniciou um processo terapêutico que foi arrancando dela todas as raízes que o erro havia deixado. Ele fez isso pelo poder da palavra.
O primeiro gesto que Jesus realizou para transformar a vida daquela mulher foi pedindo-lhe um copo de água. Você quer algo mais corriqueiro do que isso? A amizade que estava nascendo ali a partir de um pedido: dá-me um copo com água. Estou com sede, mas, na verdade, o que Jesus pretendia com aquele pedido era entrar no coração daquela mulher. Ele queria abrir um espaço de confiança no coração dela.
Essa mulher precisava sentir que Ele não estava falando com ela por qualquer motivo. De fato, primeiramente, Ele demonstrou um profundo respeito por ela. Ele começou quebrando aquela regra porque tinha por direito, por ser judeu, de não dirigir a palavra a ela. Mas ele preferiu quebrar aquela regra.
Inicia com ela um discurso que foi fazendo com que aquela mulher fosse trazendo todo o passado a tona e corrigi-lo a luz de alguém que começou a amá-la. Alguém que a viu com misericórdia. Alguém que, ao pedir um copo de água, estava oferecendo uma água viva que tinha o poder de transformar profundamente o seu coração.
Jesus estava arrancando essa mulher de um contexto de coisas antigas, de realidades que já não alimentavam mais e propondo a ela uma água nova, uma água que saciava outras dimensões da vida, que não era apenas uma necessidade física que nós temos de ter água no nosso corpo, de hidratá-lo para que ele possa funcionar bem.
Ao pedir aquela mulher a água Jesus iniciou uma transição, uma transposição de um mar que era extremamente violento na vida daquela mulher. Com naturalidade, ela contou a ele que realmente não tinha marido. Todos os que haviam passado pela vida dela tinham se tornado uma ilusão,ela não foi amada e os homens não ficaram.
É interessante porque ela já tinha tido 5 maridos, o que ela tinha atualmente não era dela e ai você contabiliza seis “maridos”.
Jesus entrou na vida dessa mulher com um propósito divino e fez com que tudo aquilo que tinha sido um passado desastroso fosse reinterpretado à luz de um amor e de uma comunhão que só Deus poderia estabelecer.
Esse encontro me parece que aconteceu no meio do dia, até então aquilo que parecia desastroso até o meio dia com a chegada do Cristo, o dono da água viva, que Ele mesmo a ofereceu, essa mulher tornou-se nova. Existia uma mulher antes e outra depois de Jesus.
Nós experimentamos, diariamente, a necessidade de vivermos essa transição. Quantas vezes, nós também temos, no coração e na mente, as realidades que vem para nos oprimir, as dificuldades… Tantas vezes encontramos pessoas que não conseguem dar continuidade a sua vida, porque não conseguiram sepultar os seus erros do passado (estou falando das coisas em nossa vida que precisamos recolocar em seus devidos lugares, lavando os nossos sentimentos de todas as mágoas).
Tudo isso é passo de superação, de maturidade que essa mulher viveu e que nós precisamos viver também. Essa mulher não teve medo de falar de si mesma, porque Jesus não começou com um discurso arrogante. Ao pedi-la a água, o mestre estabeleceu um vinculo de confiança, Ele não a achou tão desprezível assim, Jesus olhou para aquela mulher e conseguiu encontrar um valor. Essa foi a experiência que ela teve com Jesus.
Ele utilizou a água para se aproximar dela, ajudando-a a recrutar o passado e dar um jeito nele.
Hoje, Deus também pede um copo de água, estabelece com a gente uma relação de amizade para nos ajudar a dar um jeito na nossa vida. Ele nos ajuda a olhar para as nossas experiências que não foram muito felizes, favoráveis, e nos permite dar um passo em direção ao crescimento, entrando em uma estrada que poderá nos levar muito mais longe do que a gente imagina.
Nós não alcançamos ainda quase nada do que podemos em nós mesmos, porque, muitas vezes, ficamos parados naquilo que não deu certo, insistimos em colocar os nossos olhos nas realidades da nossa vida que não foram favoráveis, da mesma maneira que essa mulher que tinha um passado todo estragado, mas, de repente, um favor lhe é pedido e uma grande transformação aconteceu em sua vida. Fique atento quando alguém lhe pedir um copo com água.
Todos nós, diariamente, sem exceção, precisamos vencer os medos do amanhã. Somos auxiliados pela graça e surpreendidos por esse que, muitas vezes, só nos pede um copo com água.











