Rafaela Andrade
Autora do livro “Filhos para a eternidade

O mundo tem dito que ser mãe é chato e pesaroso. Tem dito que não é necessário casarmos e termos filhos, mas a Bíblia fala o contrário disso. É o que aprendemos em I Timóteo 2.15, o qual diz que a mulher será preservada na missão de ser mãe. 

A palavra “mãe” em hebraico é “אֵם”, que se assemelha à escrita da palavra “íma”, em português, e significa “raízes de uma árvore, origem, proteção, identidade e valores”. Uma raiz é responsável pela nutrição e estabilidade de uma árvore. Você, como mãe e mulher, tem a responsabilidade de trazer estabilidade e nutrição para o seu lar. 

Cada árvore dá um fruto e não precisamos ser iguais umas às outras, mas desempenhar bem o papel que nos foi confiado: a maternidade, que faz parte da nossa essência. Depois que criou Adão e Eva, Deus os mandou multiplicar. O mundo diz que ter filho é caro e trabalhoso, mas filho é herança.

Nasce o filho e chega a provisão

Tenho três filhos e estou me tornando mais rica do que quando iniciei essa jornada, porque a provisão chega. Existe provisão para nós que somos filhas de Deus. Nunca mais empreste sua boca ao diabo para dizer que filho é caro e trabalhoso.

Mensalmente, você produz uma série de hormônios para que seu corpo esteja apto para ter filhos. Se você me diz que não quer ter filhos, porque Deus lhe deu esse propósito, eu aceito, mas não concordo quando damos desculpas e nos moldamos a um padrão do mundo, de que não devemos ter filhos porque é difícil. Somos distintas deste mundo!

A maternidade é a oportunidade de gerar algo eterno

A maternidade é a perpetuação da sua espécie sobre esta terra. Você pode ter muitos bens, mas nada disso sobe ao céu com você, porém seus filhos, sim. Eles são eternos. Temos a oportunidade de afiá-los para subirem ao céu conosco. O legado que podemos deixar nesta terra são os nossos filhos. 

Quero falar de três histórias bíblicas sobre mães e gerações. Se você não for mãe, você pode se identificar como mãe espiritual. Começando por Joquebede, ela estava no Egito, num cenário de escravidão para o povo hebreu. Ela engravidou nessa época e o faraó havia ordenado matar todos os homens que nascessem. O povo estava se proliferando e se tornando forte no Egito, por isso faraó queria parar os hebreus.

Quando Moisés nasceu (Êxodo 2.2), Joquebede viu um futuro, uma esperança num cenário de escravidão. Ela escondeu Moisés por três meses e comunicou a eternidade para a sua filha Miriam, a ponto que a menina colocou Moisés num cesto no rio Nilo para ser salvo.

A libertação do Egito não começou quando Moisés foi falar com faraó, mas quando uma mãe, lactante, decidiu não compactuar com o sistema do mundo e se posicionar sendo diferente. Assim, Deus honrou ela e as duas parteiras que tiveram a sua vida preservada. 

Em outra história, a de Maria, vemos que a jovem estava noiva de José, mas um anjo anunciou que o Salvador viria através da sua gravidez. Ela perguntou como seria isso e o anjo Gabriel explicou. Além disso, Gabriel ainda falou sobre Isabel e disse que ela estava grávida. Ao acabar a conversa com o anjo, Maria logo foi visitar Isabel, pois um milagre precisa se associar com outro milagre.

Aproxime-se de alguém que esteja vivendo um milagre e fortaleça a sua fé, para que você tenha o resultado dessa fé em suas mãos.

Ao chegar à casa de Isabel, ao abrir a porta, Isabel disse a Maria: “O que a mão do meu salvador está fazendo aqui?”. Foi uma confirmação de que tudo o que o anjo disse iria se concretizar, ainda que fosse desafiador. Maria ficou na casa de Isabel por três meses, nos quais elas ficaram se fortalecendo mutuamente. Mulheres de Deus colaboram umas com as outras. Não precisa haver competição, pois fazemos parte de um mesmo Reino. A disposição mental deve ser a mesma. Precisamos falar todas as mesmas coisas. Maria só saiu da casa de Isabel no nascimento de João Batista. Deus nunca mente e sempre é pontual. Chega na hora certa! 

“Recordo‑me da sua fé não fingida, que primeiro habitou em Loide, a sua avó, e na sua mãe, Eunice, e estou convencido de que também habita em você.” (II Timóteo 1.5)

Esse texto fala de Paulo se referindo a Timóteo. Vovós, passem o legado da fé pura e não fingida de geração a geração, como a avó de Timóteo, Loide, fez com ele. É a nossa responsabilidade: compartilhar a Palavra de Deus com os nossos filhos e nutri-los. Mas o que temos visto? Pais enfraquecidos e filhos instáveis. Pais negociando a Palavra de Deus.

Pais fortes geram crianças e adolescentes estáveis. Se Cristo for opcional para os pais, será dispensável para os filhos. Como você está vendo os seus filhos? 

Depende de você! Depende das suas orações e das horas em que você vai disciplinar seus filhos.

“O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez. Ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e instituiu uma lei em Israel e ordenou a nossos pais que os transmitissem a seus filhos, a fim de que a nova geração os conhecesse, filhos que ainda hão de nascer se levantassem e por sua vez os referissem aos seus descendentes; para que pusessem em Deus a sua confiança e não se esquecessem dos feitos de Deus, mas lhe observassem os mandamentos” (Salmo 78.13).

Existe uma responsabilidade de transmitir à geração seguinte o fervor do Espírito. Como mãe, você tem essa responsabilidade de propagar a Palavra da Fé. Seja um canal de propagação. Em chapa quente, a mosca não pousa! Se seu filho está afogueado, não tem mosca do inferno que pouse na vida dele. Precisamos transmitir o fervor do Espírito para a vida dos nossos filhos. Você não criou filhos para o inferno, mas para povoar o céu! Se o seu filho está servindo ao mundo, é hora de lançar essa flecha de volta. O primeiro lançamento dessa flecha não deu certo? Nada impede um segundo lançamento. Traga essa flecha para perto do peito, perto do coração, e lance-a novamente.

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Deuteronômio 6-4-8).

Devemos ensinar com zelo e perseverança, repetindo diversas vezes aquilo que precisamos transmitir. Ensine o seu filho ao deitar e levantar. Quando você estiver andando ou comendo. Em todo o tempo! O que importa é estar junto dele. O coração dos filhos deve ser convertido aos pais e o coração dos pais deve estar convertido aos filhos. Onde foi que o coração dos pais se perdeu? Quando valorizaram os bens mais do que os filhos.

A Bíblia fala de Ezequias, que foi um homem avivado, mas esse avivamento morreu com Ezequias, porque seu filho, Manassés, não andou nos mesmos valores e preceitos dos seus pais (II Reis 21). Da mesma forma, foi com o profeta Samuel, porque seus filhos não seguiram o caminho do pai. Você está enterrando a sua geração ou avivando a sua descendência?

Impressiona-me os cristãos que são a favor do aborto, pois não se aborta uma herança! Às vezes, você pode aplaudir de pé essas ideologias, mas não sabe o que significam. A Bíblia nos chama para sermos separadas, sem mácula ou confusão, firmes naquilo que a Palavra de Deus fala.

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