Deus: um Mito? Vinícius Misael apresenta razões para crer

Livro percorre ciência, filosofia e fé cristã para responder a questões sobre a existência de Deus e fortalecer cristãos diante dos desafios intelectuais.


Crer em Deus significa abrir mão da razão? Durante muito tempo, a ideia de que a fé seria incompatível com o pensamento científico e filosófico alimentou a percepção de que questionar a existência de Deus seria sinal de inteligência, enquanto crer seria resultado de ingenuidade ou fanatismo religioso.

É diante desse cenário que o pastor e escritor, Vinícius Misael, lançou Deus: um Mito?, obra que reúne anos de estudos sobre ciência, filosofia, história e fé cristã para tratar de uma das perguntas mais importantes da existência humana: Deus existe? O lançamento da obra ocorreu durante a Conferência de Ministros Sudeste, realizada em Águas de Lindóia (SP), de 11 a 14 de setembro. Na oportunidade, a Editora Rhema Brasil Publicações organizou uma sessão de dedicatória reunindo muitos leitores para adquirir a obra no local.

Durante entrevista para o Portal Verbo da Vida, o autor revelou que o interesse pelo tema não surgiu recentemente. Há vários anos, Vinícius se dedica ao estudo de ciência e filosofia e considera esse assunto algo que “queima” em seu coração. Para ele, a ideia de que o cristão seria necessariamente ignorante, enquanto o cético ou cientista seria alguém inteligente, não se sustenta quando ciência e fé são analisadas com maior profundidade.

“A ciência traz evidências e ela não é oposta à fé. A ciência é a busca pela verdade. Quando a gente busca a verdade, a gente vai chegar até Deus, porque Deus é verdade. Jesus falou que Ele é o caminho, a verdade e a vida”, afirmou.

UMA PERGUNTA QUE MUDA TODAS AS OUTRAS

No desenvolvimento do seu livro, Vinícius também confronta a ideia de que Deus seria apenas uma explicação utilizada para preencher aquilo que o ser humano ainda não consegue compreender. Segundo ele, existe o pensamento de que Deus seria uma “lacuna” ou um “preenchedor de lacunas” diante do desconhecimento humano.

Para o autor, porém, a questão sobre a existência de Deus ultrapassa uma discussão meramente intelectual. Se Deus existe, toda a compreensão sobre a própria vida é transformada. Se não existe, a existência humana seria apenas a reunião de células sobre um planeta rochoso no espaço. Mas, se Ele existe, há sentido, propósito, identidade e destino.

“Se Deus existe, tudo muda. A vida tem sentido, tem propósito. Nós estamos aqui para fazer algo”, explicou.

A partir dessa questão central, outras perguntas surgem: quem sou eu? Para onde vou? Por que estou aqui? Na compreensão apresentada por ele, essas são perguntas derivadas da primeira. Se Deus existe, Ele criou o ser humano com um propósito; se Deus existe, a vida não termina simplesmente com a existência terrena; e, se Deus existe, é possível compreender quem se é a partir daquilo que Ele revelou em Sua Palavra.

Por isso, o autor considera a pergunta “Deus existe?” a mais importante da existência humana. Para ele, a resposta para essa questão também ajuda a responder às demais perguntas fundamentais que acompanham o ser humano.

FORTALECER A FÉ E REMOVER TRAVAS INTELECTUAIS

Embora a obra trate de questões filosóficas e científicas, Vinícius não a escreveu apenas para quem não acredita em Deus. Um de seus principais objetivos é fortalecer cristãos que, diante de questionamentos, nem sempre encontram respostas para defender aquilo em que creem.

Em um cenário no qual muitos cristãos têm uma rotina de leitura concentrada em conteúdos cristãos e, por isso, podem não ter contato suficiente com argumentos relacionados às questões levantadas por ateus, agnósticos e céticos, é possível que diante de uma pergunta apresentada com certa profundidade intelectual, alguns possam não saber como responder. Nesse sentido, Deus: um Mito? foi organizado como uma ferramenta. A proposta é reunir conteúdos que ajudem o cristão a conhecer melhor as razões da própria fé e a estar preparado quando for questionado.

“Esse livro vem justamente para nos dar ferramentas. Às vezes, a gente não sabe onde procurar, e organizei esse conteúdo para que a fé do cristão possa ser fortalecida, para que ele possa argumentar”, explicou.

Ao mesmo tempo, Vinícius afirma que o livro também foi pensado para quem possui dúvidas. Ateus, agnósticos, céticos e pessoas que questionam a existência de Deus podem encontrar na obra argumentos para suas próprias perguntas. “Questionar não é ruim. Mas Deus tem respostas aos nossos questionamentos. E esse livro é para ajudar essas pessoas a vencerem esses problemas, muitas vezes, travas intelectuais”.

Para o autor, reconhecer que a existência de Deus pode ser considerada racional não elimina a dimensão da fé. Pelo contrário, argumentos podem ajudar a remover obstáculos intelectuais e abrir caminho para que uma pessoa considere a possibilidade da existência divina.

“O livro não foi escrito para convencer. Quem convence é o Espírito Santo, mas para remover travas intelectuais para que ele possa crer”.

ANOS DE ESTUDO ATÉ A PUBLICAÇÃO

A obra é resultado de um processo de estudo que se estendeu por anos. Vinícius conta que sempre teve interesse por filosofia, matemática, ciência e física e que passou a aprofundar especialmente as questões relacionadas à existência de Deus.

Entre suas influências está o pastor Tassos Lycurgo, cujo conteúdo em defesa da fé despertou seu interesse pelo tema. O primeiro contato ocorreu por meio de um vídeo antigo do “Café com Filosofia”, publicado no YouTube. Posteriormente, Vinícius acompanhou um seminário ministrado por Tassos, em Campina Grande (PB), e passou a buscar livros de diferentes autores para ampliar seus estudos.

“Empilhei livros sobre o assunto, com vários autores, e comecei a desejar estudar muito sobre esse assunto. Estudei bastante”, revelou.

Em 2021, esse conhecimento ganhou também uma dimensão ministerial, quando Vinícius recebeu o convite para abordar o tema na Escola de Ministros. O que inicialmente era um seminário, posteriormente se tornou um módulo. Atualmente, ele divide esse conteúdo com o pastor Tassos. A parceria também permanece como uma referência para seu trabalho. Vinícius o descreve como um grande parceiro e uma grande inspiração e recomenda seus materiais para quem deseja aprofundar o assunto.

RESPONDENDO ÀS QUESTÕES MAIS DIFÍCEIS

Entre os questionamentos abordados no livro está um dos desafios mais conhecidos à crença em um Deus bom: o problema do mal.

Se Deus é bom, por que existem doenças, tragédias, fome, miséria e sofrimento? Vinícius reconhece que essa é uma questão levantada por aqueles que não creem em Deus e explica que, muitas vezes, a discussão pode envolver tanto aspectos racionais quanto experiências emocionais.

Traumas, tragédias e perdas podem influenciar a maneira como uma pessoa encara a existência de Deus. O autor cita C. S. Lewis como exemplo de alguém que enfrentou esse tipo de questionamento. Antes de se tornar uma importante referência cristã, Lewis foi ateu e também refletiu sobre a aparente incompatibilidade entre um mundo marcado pelo sofrimento e a existência de um Deus bom.

Na perspectiva apresentada por Vinícius, a resposta passa pelo livre-arbítrio. Deus criou todas as coisas boas, mas o ser humano não foi criado como um robô. A liberdade concedida por Deus também envolve a possibilidade de escolhas contrárias à Sua vontade.

“Nós não somos robôs. E a implicação do livre-arbítrio é a existência do mal, a possibilidade de você cometer coisas que não vão agradar a Deus”. O autor relaciona ainda a entrada do pecado no mundo às consequências que hoje envolvem a humanidade. “Deus não criou a morte. Deus não criou a enfermidade, mas tudo isso veio como uma consequência do pecado de Adão”. A abordagem apresentada no livro não termina, porém, na explicação da origem do problema. O pastor também aponta para a esperança apresentada nas Escrituras: a promessa de que Deus renovará os céus e a terra e que o mal será definitivamente vencido.

UMA FERRAMENTA PARA ALCANÇAR VIDAS

Para Vinícius, o propósito final da obra não está apenas na discussão intelectual. Seu desejo é que o conhecimento apresentado no livro resulte em vidas alcançadas, cristãos fortalecidos e jovens preparados para enfrentar questionamentos relacionados à fé. Essa preocupação tem relação também com sua própria experiência. Por ter estudado em uma universidade federal, ele conhece de perto o ambiente em que jovens cristãos podem ser confrontados com diferentes ideias e questionamentos sobre sua fé.

“Quero dar ferramentas para esses jovens, quero dar munição para que eles possam estar com a fé deles bem alicerçada, bem fundamentada”.

Nesse contexto, a apologética ocupa um papel estratégico. Para ele, ela pode ser utilizada como ferramenta de evangelismo, mas não deve ser confundida com o objetivo final. “Apologética é uma ferramenta de evangelismo também. Ela não é o fim, ela é um meio. O fim é ganhar pessoas, o fim é abençoar pessoas”.

É com essa perspectiva que Vinícius espera que Deus: um Mito? seja utilizado para fortalecer jovens, fortalecer a Igreja e alcançar aqueles que ainda possuem dúvidas.

O propósito evangelístico da obra aparece também em seu encerramento. O livro termina com uma oração de confissão direcionada ao cético que chegou ao final da leitura e passou a questionar as próprias dúvidas. Ao final, há uma oração de entrega, apresentando a possibilidade de que o leitor, caso deseje aceitar Jesus, entregue sua vida a Ele.

Assim, a pergunta apresentada no título não é tratada apenas como um exercício intelectual. Para Vinícius Misael, investigar a existência de Deus envolve também as perguntas mais profundas sobre identidade, propósito, verdade e destino. E, ao reunir argumentos de diferentes áreas do conhecimento, ele espera oferecer ao leitor ferramentas para buscar respostas e, diante da verdade encontrada, decidir como responder a ela.

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