DIA 2: EVANGELISMO EM SHIBUYA
Se o primeiro dia no Japão foi marcado pela chegada a uma nova nação, o segundo me levou a experimentar algo que considero uma das partes mais interessantes desta viagem missionária: o evangelismo nas ruas de Tóquio.

Nesse dia, visitei lugares como Shinjuku e Shibuya, dois dos bairros mais conhecidos da capital japonesa. Shibuya, em especial, chamou minha atenção por seu movimento intenso, seus enormes telões e pelo famoso Shibuya Crossing, um dos cruzamentos de pedestres mais movimentados e conhecidos do mundo. Ali, milhares de pessoas circulam diariamente, vindas de diferentes lugares e com diferentes histórias.
Mas, naquele dia, nosso propósito não era apenas conhecer a cidade. Estávamos ali para compartilhar o amor de Jesus.
Uma cafeteria que se transforma em igreja
Fui participar de uma ação evangelística promovida pela igreja Awakening, localizada em Ueno. O trabalho deles em Shibuya utiliza uma estratégia que achei muito interessante: uma cafeteria que se transforma em um espaço de evangelismo.
Tudo começou de maneira aparentemente comum. Sentei-me para tomar um café com a Ingrid Oliveira (missionária em tokyo), sem imaginar que, pouco depois, aquele ambiente passaria por uma transformação completa.
Quando deu seis horas da tarde, a equipe começou a desmontar a cafeteria. O que antes era um espaço para as pessoas se sentarem e tomarem café foi sendo reorganizado. Os instrumentos começaram a tocar, o louvor tomou conta do ambiente e, de repente, aquele lugar parecia uma igreja!
Havia um palco, música e jovens se preparando para uma missão nas ruas de Shibuya.

A proposta por trás daquela cafeteria é muito significativa: criar um ambiente acolhedor, onde as pessoas possam se aproximar, tomar um café, conversar e encontrar alguém disposto a ouvi-las. E, a partir desse relacionamento, abrir espaço para compartilhar o Evangelho e apresentar Jesus àqueles que desejarem conhecê-lo.
Achei muito interessante perceber como a criatividade pode ser utilizada na evangelização. Às vezes, uma xícara de café pode se tornar o início de uma conversa que abre portas para apresentar o amor de Deus.
Mais de 113 jovens unidos por um propósito
Antes de sairmos às ruas, tivemos um momento de louvor, oração e consagração. Éramos mais de 113 jovens reunidos naquele lugar, vindos de diferentes nações e de várias igrejas evangélicas.
Havia japoneses, coreanos, brasileiros, americanos e pessoas de outras nacionalidades. Culturas diferentes, idiomas diferentes, mas um mesmo propósito: anunciar Jesus. Fiquei impressionada ao ver tantos jovens reunidos e dispostos a dedicar seu tempo para alcançar pessoas nas ruas de uma das maiores metrópoles do mundo.
Conheci um pouco do trabalho liderado pelo pastor Masamutsi, um japonês casado com e Esther Morishita, uma chinesa. Foi inspirador ver o empenho dessa liderança e a disposição daqueles jovens para realizar a obra de Deus.
Depois do período de louvor e oração, recebemos as instruções sobre como abordar as pessoas. Cada participante recebeu uma Bíblia, e nossa missão era apresentá-la como um presente à pessoa com quem estivéssemos conversando, oferecendo a oportunidade de conhecer mais sobre a história de Jesus.

Então, chegou a hora de sair do ambiente preparado e ir ao encontro das pessoas.
Evangelizar em outra língua e em outra cultura
Fui evangelizar em dupla com uma jovem do México. Eu e ela nos comunicávamos em inglês e, juntas, abordamos pessoas em meio à movimentação de Shibuya.

Nossa primeira conversa foi com um homem chinês que falava um pouco de inglês. Começamos a conversar, fiz algumas perguntas e procuramos entender um pouco da sua realidade.
Perguntamos se havia alguma situação pela qual ele gostaria de receber oração, mas ele nos disse que estava tudo bem em sua vida e em sua casa, que não precisava de oração.
Continuei a conversa e perguntei se ele conhecia Jesus. Ele respondeu que já tinha ouvido falar dele. Então, oferecemos uma Bíblia como presente, explicando que ele poderia utilizá-la para conhecer melhor a história de Jesus. A resposta dele, porém, me surpreendeu: ele disse que não aceitaria, porque sabia que não teria tempo para ler.
Naquele momento, percebi que estávamos diante de uma realidade diferente daquela com a qual eu estava acostumada no Brasil. Mesmo diante da oportunidade de receber uma Bíblia gratuitamente, ele considerou que não teria disponibilidade para dedicar tempo à leitura.
Seguimos nosso caminho e encontramos duas senhoras japonesas com quem também tentamos conversar. Como elas falavam inglês, conseguimos estabelecer um diálogo. Uma delas nos contou que era cristã, que já conhecia Jesus e que trabalhava muito. Ela explicou que aquele era um momento precioso que estava aproveitando para conversar com uma amiga. Por isso, pediu gentilmente que seguíssemos nosso caminho.
Respeitamos sua decisão e continuamos o evangelismo. Foram conversas simples, mas que me fizeram refletir bastante.
O desafio de compreender uma cultura diferente
Confesso que fiquei um pouco assustada com algumas dessas experiências.
No Brasil, estou acostumada a encontrar pessoas que, mesmo com suas dificuldades, demonstram abertura para conversar sobre Deus, receber oração ou aceitar uma Bíblia. No Japão, percebi que nem sempre essa abertura acontece da mesma maneira.
O ritmo de vida, a relação com o trabalho, a maneira de organizar o tempo e os limites que cada pessoa estabelece para suas interações são aspectos que exigem sensibilidade de quem deseja compartilhar o Evangelho.
Não significa que todas as pessoas japonesas sejam iguais, nem que não tenham interesse em questões espirituais. Significa que preciso aprender a compreender melhor o contexto cultural em que estou inserida.
E essa tem sido uma das grandes lições desta viagem: não basta querer anunciar Jesus; também precisamos aprender a ouvir, respeitar e compreender as pessoas a quem desejamos alcançar.
Evangelizar em outra cultura exige mais do que coragem para abordar alguém. Exige humildade para reconhecer que nem todos pensam como nós, que nem todos possuem a mesma disponibilidade e que precisamos respeitar as decisões de cada pessoa.
A nossa responsabilidade é compartilhar o Evangelho com amor, sabedoria e sensibilidade. A resposta de cada pessoa não está sob o nosso controle.
Aprendendo enquanto sirvo
Voltei dessa experiência com muitas reflexões. Estou no Japão para servir, mas também tenho aprendido muito.
Tenho aprendido sobre adaptação, comunicação, diferenças culturais e sobre a importância de não medir uma experiência evangelística apenas pela quantidade de pessoas que aceitam conversar ou recebem uma Bíblia. Cada encontro é uma oportunidade de aprender a amar melhor as pessoas e de compreender como podemos comunicar a mensagem de Jesus de maneira respeitosa e relevante em diferentes contextos.
Naquele dia, em meio às luzes, aos telões e à multidão de Shibuya, entendi um pouco mais sobre o desafio de compartilhar o Evangelho em uma cultura diferente da minha. Ainda tenho muito a aprender, mas sigo com o coração disposto, respeitando os limites das pessoas e buscando sabedoria para cada nova oportunidade.
Afinal, a missão não consiste apenas em atravessar oceanos e chegar a uma nova nação. Ela também envolve estar disposto a sair da nossa zona de conforto, aprender com as diferenças e continuar anunciando o amor de Deus.
E assim seguimos, um dia de cada vez, vivendo tudo aquilo que o Senhor tem preparado para nós nesta viagem.
Japão, ainda há muito para aprender, muitas pessoas para conhecer e muitas oportunidades para compartilhar o amor de Jesus. E seguimos em frente, no nome de Jesus!














