Serviço em Tóquio gerou mais crescimento e firmeza doutrinária

O quarto dia da nossa jornada missionária no Japão foi um domingo especial. Depois de conhecer um pouco da cidade, participar do evangelismo nas ruas e viver experiências que marcaram meus primeiros dias nessa nação, chegou o momento de servir à igreja local. Estar no Japão como missionária não significa apenas conhecer uma nova cultura ou visitar lugares diferentes. Significa também colocar à disposição aquilo que Deus nos confiou, servindo às pessoas e à igreja com os dons e talentos que carregamos.

Naquele domingo, tive a honra de servir à igreja Verbo da Vida em Tóquio tocando violão durante a programação. Para mim, foi muito significativo poder contribuir dessa maneira, utilizando a música como instrumento de serviço e adoração em uma nação tão distante do Brasil. Pode parecer algo simples, mas existe uma alegria especial em perceber que aquilo que aprendemos e desenvolvemos ao longo da vida também pode ser útil na obra de Deus em outros lugares do mundo. E foi assim que participei daquele culto: com gratidão pela oportunidade de servir e com o coração atento a tudo o que o Senhor estava fazendo naquela igreja.

Um domingo de Santa Ceia

A programação daquele dia também contou com a celebração da Santa Ceia, ministrada pelo missionário Tyler Tetrault, que também conduziu o momento dos dízimos e ofertas. A Santa Ceia é um momento especial para a igreja, pois nos leva a recordar o sacrifício de Jesus e a obra que Ele realizou por nós. Em meio à experiência missionária, participar dessa celebração em Tóquio trouxe novamente à minha memória que, apesar das diferenças de idioma, cultura e nacionalidade, pertencemos a uma mesma família da fé.

Estávamos reunidos em uma igreja no Japão, mas a mensagem que celebrávamos era a mesma que conhecemos no Brasil: Jesus Cristo e a obra da redenção. É muito significativo perceber como o Evangelho ultrapassa fronteiras. O idioma pode mudar, os costumes podem ser diferentes e o ambiente pode ser completamente novo, mas a Palavra de Deus continua sendo o fundamento da nossa fé. Depois desses momentos, o pastor Jefter deu continuidade ao culto, ministrando sobre um dos valores do Ministério Verbo da Vida: a firmeza doutrinária. E aquela mensagem trouxe ensinamentos muito importantes.

Firmeza doutrinária: conhecer a Palavra para viver a verdade

Durante a ministração, o pastor Jefter destacou a importância de todo cristão conhecer profundamente as Escrituras. A doutrina não é um assunto reservado aos pastores, professores ou pessoas que ocupam posições de liderança na igreja. Ela é essencial para a vida de cada filho de Deus. Uma das referências abordadas foi Oseias 4:6, que declara que o povo é destruído por falta de conhecimento. Essa passagem nos alerta para uma realidade importante: não basta termos boas intenções ou simplesmente frequentarmos uma igreja. Precisamos conhecer a verdade da Palavra de Deus para que nossa fé esteja fundamentada nela. A falta de conhecimento pode nos tornar vulneráveis, pois, sem conhecer o que Deus diz, corremos o risco de acreditar em ideias que não estão de acordo com as Escrituras.

Também fomos lembrados de Mateus 22:29, quando Jesus confronta aqueles que erravam por não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus. Esse texto nos mostra que precisamos conhecer tanto a Palavra quanto o poder de Deus. Não podemos construir nossa vida cristã apenas sobre opiniões pessoais, experiências isoladas ou aquilo que ouvimos de outras pessoas. Nossa convicção precisa estar firmada no que Deus revelou em Sua Palavra. A mensagem também me fez refletir sobre como Jesus enfrentou a tentação utilizando as Escrituras. Ele conhecia a Palavra e permaneceu firme diante das investidas do inimigo. Isso nos ensina que conhecer a Bíblia não é apenas acumular informações. É aprender a pensar, decidir e agir de acordo com a verdade que ela apresenta.

A firmeza doutrinária nos dá convicção sobre aquilo em que cremos e nos ajuda a permanecer firmes, mesmo quando somos confrontados por circunstâncias contrárias.

Não podemos nos contentar em permanecer na imaturidade

Outro ponto importante da mensagem foi o alerta contra uma vida cristã que se contenta apenas com o fato de ter sido salva, sem prosseguir no conhecimento de Deus. A salvação é o início da nossa caminhada cristã, não o limite do nosso crescimento. Hebreus 5:11 nos chama a atenção para a dificuldade de transmitir determinados ensinamentos àqueles que se tornaram tardios em ouvir. O contexto dessa passagem nos leva a refletir sobre a necessidade de amadurecimento espiritual.

Deus deseja que cresçamos. Ele quer que avancemos no conhecimento das Escrituras, desenvolvamos discernimento e aprendamos a viver de maneira cada vez mais alinhada com Sua vontade. O problema é quando nos acostumamos a permanecer sempre no mesmo lugar, dependendo continuamente de outras pessoas para nos orientar, sem assumir a responsabilidade de estudar, aprender e praticar a Palavra.

Durante a mensagem, uma ideia me chamou particularmente a atenção: existem cristãos que vivem constantemente pedindo que orem por eles, mas ainda não compreenderam que também podem amadurecer para se tornarem pessoas que oram por outros e os ajudam a permanecer firmes na fé. Não há problema algum em pedir oração. Precisamos uns dos outros e somos chamados a carregar os fardos uns dos outros. A questão é não fazer da imaturidade uma condição permanente.

À medida que crescemos no conhecimento da Palavra, aprendemos a enfrentar situações com mais segurança, a reconhecer o que as Escrituras ensinam e a servir melhor às pessoas ao nosso redor. Em vez de depender sempre de alguém que nos diga o que fazer, começamos a desenvolver convicções fundamentadas na verdade e a nos tornar instrumentos de edificação na vida de outras pessoas.

Deus não nos chamou apenas para recebermos cuidado, mas também para crescermos e nos tornarmos capazes de cuidar, servir e fortalecer outras pessoas.

Uma mensagem que acompanha a missão

Enquanto ouvia aquela ministração, pensei na importância de levar o Evangelho às nações sem perder de vista a necessidade de ensinar a Palavra com fidelidade. Evangelizar é fundamental. Apresentar Jesus às pessoas é parte essencial da missão. Mas o nosso compromisso não termina quando alguém ouve a mensagem ou toma uma decisão de fé. Também precisamos compreender a importância do ensino bíblico, do discipulado e do crescimento espiritual.

Uma igreja fortalecida na Palavra possui fundamentos para permanecer firme. Cristãos que conhecem as Escrituras têm condições de avaliar aquilo que ouvem, desenvolver convicções e viver sua fé com maturidade. Foi muito significativo ouvir uma mensagem sobre firmeza doutrinária durante minha passagem pela igreja em Tóquio. A experiência me lembrou de que a obra missionária envolve tanto anunciar o Evangelho quanto valorizar o ensino correto das Escrituras.

Não basta levar uma mensagem que emociona momentaneamente. Precisamos permanecer comprometidos com a verdade da Palavra de Deus, ensinando-a e vivendo de acordo com ela. Afinal, o conhecimento bíblico não deve permanecer apenas em nossas anotações ou em nossas memórias. Ele precisa produzir mudanças reais na maneira como vivemos e nos relacionamos com as pessoas.

Servir, aprender e continuar crescendo

Aquele domingo reuniu duas experiências importantes para mim: a alegria de servir à igreja com o violão e a oportunidade de receber ensinamentos que reforçam a importância de uma vida fundamentada na Palavra. Estou no Japão para servir, mas também estou aqui para aprender. Cada igreja, cada encontro e cada ministração acrescentam algo à minha experiência missionária. Tenho percebido que estar em outra nação amplia nossa perspectiva. Passamos a observar a obra de Deus em contextos diferentes e somos lembrados de que ainda há muito a aprender, tanto sobre as pessoas quanto sobre a maneira de servi-las. Saí daquele culto com gratidão pela oportunidade de contribuir com aquilo que sei fazer e com o desejo de continuar crescendo no conhecimento das Escrituras.

A viagem missionária continua, e cada dia tem revelado uma nova oportunidade de servir, aprender e colocar em prática aquilo que temos recebido. Se nos primeiros dias meus olhos estavam atentos às ruas, à cultura e às experiências de evangelismo, naquele domingo meu coração também foi direcionado para a importância dos fundamentos que sustentam a nossa caminhada cristã. Porque a missão não consiste apenas em chegar a lugares distantes. Ela também exige que permaneçamos firmes na verdade que anunciamos.

Seguimos no Japão, servindo com aquilo que Deus nos confiou, crescendo no conhecimento da Sua Palavra e desejando que o Evangelho alcance vidas e produza frutos duradouros nesta nação.

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