Alegria nas provações

O maior nível dela é quando você experimenta circunstâncias desfavoráveis.

Eu quero falar de uma alegria incomum. “Meus irmãos, tende por motivo de grande alegria o passardes por provações. Sabendo que a provação da vossa fé produz perseverança” (Tiago 2:1).

Eu quero lhe lembrar do dia 28 de janeiro, o qual houve a maior tempestade que ocorreu em Portugal. Nós recebemos uma mensagem do governo para ficarmos alertas para tempestades. Mas pensamos: “Isso é mais um ventinho”, até que recebi outra mensagem do pastor que a recebeu do Corpo de Bombeiros, e dizia: “Dessa vez é real”. Preste atenção, eu compartilhei no grupo da igreja e falei: “Pessoal, vamos nos preparar”.

Começamos a crer em Deus e, de repente, às 3h da manhã, chegou um vento que eu nunca tinha experimentado na minha vida. O telhado e as portas se mexiam, e ali eu vi que era sério. Uma hora depois, estávamos orando em línguas, aquela língua emergencial. Tudo o que sabíamos, falamos; declaramos a Palavra. Quando as coisas começaram a melhorar, recebi uma ligação. Era o segurança da igreja, dizendo que eu devia ir até o prédio.

Eu e o pastor Bruno fomos ao prédio da igreja. Um percurso de 15 minutos até lá demorou uma hora. E ali vimos a extensão da devastação: a cidade destruída, um cenário de guerra. Viemos atravessando árvores caídas e conseguimos chegar ao prédio da igreja. Cerca de 70% do telhado havia ido embora; havia chuva, água por todo lado e muita devastação.

Eu pensei: “Deus, o que está acontecendo? Somos pessoas de fé, cremos, não estamos fazendo nada errado, o que aconteceu aqui?”. Entramos no prédio, subimos as escadas, o Departamento Infantil foi destruído, mas a Palavra que veio ao meu coração foi: “Voltaremos mais fortes.”

Começamos a rir e eu falei: “Pastor Bruno, sabe o que é isso? Promoção. Fomos promovidos”. Você conhece a história. O que sobrou do prédio nós transformamos em um centro de ajuda para a cidade. O nosso culto diário era servir às pessoas água, comida e tudo o que elas precisavam. O nosso Ministério nos ajudou, sendo um grande testemunho, além da ajuda de pessoas de fora.

Até hoje vamos aos supermercados e conseguimos descontos especiais por sermos daquela igreja que ajudou as pessoas. 

Eu perguntei: “Deus, por que? O que aconteceu aqui? E o Senhor me lembrou essa passagem. 

“E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para o outro lado. E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. E disse-lhes: Por que estais tão temerosos? Como não tendes fé? E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:35-41).

Em Marcos 5.1, essa palavra “entrementes” carrega o significado de que, apesar do que havia acontecido, eles foram para o outro lado. Saíram do ponto “A” para o ponto “B”. Jesus teve a ideia brilhante de ir para a outra margem. Talvez Ele tenha falado alguma coisa para a sua vida, e você diga: “Eu sou uma pessoa de fé, vamos para a outra margem, estamos remando”. A Bíblia diz que alguns barquinhos estavam seguindo Jesus. É interessante que, na sua caminhada de fé, você nunca está só. As pessoas estão lhe observando e, quando você decide crer, outras pessoas também estão lhe observando, outras igrejas também e, principalmente, quando você diz que é uma pessoa de fé. Alguns estão celebrando, outros estão remando e dizendo: “Vamos ver onde esse negócio de fé vai dar”.

Mas, de repente, Jesus teve uma ideia: foi dormir. Mas lembre-se: somos pescadores, sabemos dos perigos do mar. Estamos na Europa ministrando há algum tempo e passamos por muitas coisas. Mas essa nós não prevíamos. Nunca tínhamos experimentado uma tempestade como aquela. O barco estava balançando, a água entrou no barco e ali vimos que era sério.

O texto diz que os discípulos olham e veem Jesus dormindo. Não estou tentando normalizar sofrimento e provações, não é normal, não veio de Deus, mas do diabo. Quando Jesus repreendeu a tempestade, Ele usou as mesmas palavras que usou no outro lado da margem. Sabemos que a tempestade aqui não veio de Deus, assim como aquela tempestade no barco não veio d’Ele. O texto fala que o barco estava cheio de água, e ao despertar Jesus, os discípulos gritaram desesperados, dizendo: “Não importa que pereçamos?”.

Essa é uma receita do que não fazer. Com essa pergunta, eles duvidavam do caráter de Deus: “Você não se importa com isso?”. Esse questionamento foi dirigido a Jesus, a imagem perfeita do Senhor. Você conhece o final da história: Cristo acalmou a tempestade, mas, depois, lidou com os discípulos. “Por que sois tão tímidos? Como não tendes fé?”. Ele não falou da tempestade, não se surpreendeu com os ventos, mas disse: “Por que vocês mesmos não fizeram nada? Vocês têm autoridade”. Isso significa que eles poderiam ter feito o que Jesus fez.

Voltando a Marinha Grande (PT), um dia depois da tempestade, Deus lidou comigo através desses versículos. A chuva depois da tempestade durou dias, e estava destruindo ainda mais as coisas, mas, eu tinha uma palavra: “Vamos mudar para a outra margem. Voltaremos mais fortes, promoção”.

Lembrei-me de uma situação: um mês antes, vi uma placa de “vende-se” no prédio ao lado. Fui falar com um irmão que é agente imobiliário e pedi que verificasse o preço daquele prédio. Ele voltou dizendo: “Pastor, o prédio custa 800 mil euros, mas o proprietário vende por 650 mil”. E eu tinha um número para crer. Fui ao gerente do banco e perguntei sobre um empréstimo imobiliário. Ele disse que eu precisava ter 20% do valor como entrada. Colocamos o assunto na prateleira, e veio a tempestade.

E estávamos numa reunião sobre consertar o telhado, e pensei: “Isso não é promoção”. Eu falei que iria comprar o prédio. E sabe quanto eu tinha no banco? Uma palavra: “Vamos voltar mais fortes”. Não queria mais um prédio danificado, queríamos algo melhor, que pudesse passar por tempestades, e eles queriam vender o prédio por 650 mil euros. Eu ofereci pagar o valor em parcelas. E ele disse: “E os juros?”. Eu falei que não voltaria mais para o prédio destruído. O dono foi falar com os seus irmãos. Seguimos fazendo o que podíamos para ajudar os membros, doando água, alimentos, tudo seguindo, os irmãos nos ajudando, todos alegres. Deus nos deu tanto livramento.

Dias depois, veio o proprietário do prédio para negociar, e voltamos à proposta. Eu falei que permanecia, e ele só falava nos juros. E eu falei: “Não tenho interesse nos juros”. E, creiam, ele falou: “Por mim, está tudo bem”. E os irmãos concordaram com a venda.

Você tem a resposta, a chave, a fé, o Espírito Santo, a resposta para a doença, para portas que parecem fechadas. Deus quer usar você, levá-lo além e muito mais longe, mas o problema é que estamos usando a nossa fé para coisas pequenas: roupas, sapatos, carros novos. Não há nada de errado nisso. Cremos na prosperidade, em comer o melhor desta terra, mas sabem de uma coisa? A maior alegria é quando você experimenta provações e circunstâncias. Esse é o maior nível de alegria.

Quando você tem tudo nas mãos para desistir, faz o que pode e nada acontece, há algo na outra margem. Olhe para o barco afundando. Parece que todos vamos morrer, mas uma Palavra de Deus pode mudar todo o curso da sua vida.

A maior alegria que há é se segurar no que Deus lhe diz, não importando a situação. Deus nunca prometeu um mar de rosas, mas prometeu um mar de graça, que vai levar você para onde precisa ir, que vai sustentá-lo e cobri-lo.

Pedro caminhou sobre as águas. Eu não sei o que vai acontecer, se o barco vai se tornar um avião, mas as palavras ditas por Deus, que é o mesmo ontem, hoje e eternamente, não serão esquecidas. As palavras d’Ele nos levarão além, na Europa ou no Oriente Médio, seja onde for. Ele nos protegerá.

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