A Bíblia mostra em Hebreus 6:18-19 que: “Para que, por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta; a qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu”.
Existe uma esperança que mantém a alma no lugar, e precisamos de algumas confissões e propósitos que sejam âncoras para a vida. Em minha experiência recente em uma viagem ao Japão, chegamos ao país e nossa mala não havia chegado. Enquanto eu estava no banheiro do aeroporto, quis chorar ao receber a informação, mas ali mesmo lembrei do que Renato, meu esposo, me disse: “As pessoas são mais importantes do que as coisas”.
Acredito que, ao entrar naquele banheiro, precisava colocar a alma no lugar e me recordei: as pessoas são mais importantes. O que fomos fazer no Japão era mais relevante do que as roupas. O essencial não era como chegaria, mas que chegasse para cumprir o propósito.
Isso era o mais importante, pois as pessoas eram o objetivo da viagem. Ali, decidi aplicar algo que aprendi com o apóstolo Bud Wright: comecei a rir no banheiro, ri até sair lágrimas, lavei o rosto, escovei os dentes, voltei para junto de Renato e seguimos em frente. O Senhor providenciou todas as coisas: Renato vestiu uma camisa do Maneco que ficou apenas um pouco grande.
Comprei uma calça que ficou curta, no meio da canela, mas deu tudo certo. Consegui maquiagem emprestada, secador de cabelo, tudo de que precisava. Nada paga o momento da formatura em Tóquio — uma formatura de japoneses que passaram um ano se alimentando da Palavra da Fé. Ficamos felizes em ver o que o Senhor tem feito pelas nações e poder participar de alguma forma do avanço dessa Palavra na vida das pessoas é algo tremendo.
O que é uma mala diante de um momento como esse?
Quero tratar sobre algumas âncoras, motivos, objetivos, razões e propósitos que manterão o coração alinhado. A Bíblia é repleta de exemplos de esforços e sacrifícios feitos por amor. Observe, por exemplo, o relacionamento de Jesus com os discípulos: Ele desenvolveu Seu ministério com plena consciência de Seu propósito.
Levantou homens tão diferentes uns dos outros, que seriam aqueles que propagariam o evangelho após Sua partida. Como podemos aprender com Jesus e a forma como Ele lidava com as pessoas para não perder o foco? Já notou que os relacionamentos que Ele tinha nem sempre eram fáceis? Até mesmo com os próprios discípulos.
Alguns pensam: “Meu Deus, eu queria um curso para aprender como lidar com pessoas difíceis”. Mas a Bíblia nos ensina como fazer isso. Veja, por exemplo, como Jesus priorizava as pessoas, mesmo sabendo que havia formas mais rápidas de as coisas acontecerem. Já observou como Ele chamou Pedro para o ministério?
Os evangelhos relatam o encontro de Jesus com Pedro, mencionando a pesca maravilhosa. E a Bíblia destaca que, ao chamar Pedro, Jesus disse: “Você será pescador de homens”. O que Pedro era? Pescador. E Jesus o chama para ser pescador de homens.
Em outra passagem, quando precisavam pagar impostos, Jesus ensinou sobre abundância, provisão e a importância de seguir regras. Lembra de onde Jesus mandou Pedro tirar a provisão para os impostos? Do peixe. Observe como Ele fala com Pedro na linguagem que este entende. Não importa o conhecimento teológico que se tenha, graduação ou horas de estudo em grego; se as pessoas não entenderem o que se diz, não há sucesso na comunicação.
Muitos estão em uma nação que não é a sua. Chegam a esse lugar e as pessoas não sabem quem são. Tudo o que foi construído na cidade ou país de origem praticamente se perdeu. Tornam-se estranhos que precisam reconstruir tudo. E, muitas vezes, as pessoas nem se importam com o conhecimento que se possui. Não é necessário brigar por causa de conhecimento, nem ficar se autoafirmando. De que adianta ter viajado tanto, conhecido tanto, e perder as pessoas? De que adianta conhecer tantas palavras em grego se a mensagem não é compreendida?
A âncora é: não importa quanto conhecimento se tenha, se a mensagem não for recebida.
É necessário falar com as pessoas na linguagem que entendem. Mergulhar e amar a cultura delas, conhecer seus hábitos, palavras, expressões e amá-las. Conhecer as formas como recebem e acolhem as pessoas, e amar tudo isso.
De que adianta tanto conhecimento, tantas formações, se não se consegue transmitir a mensagem? As pessoas são mais importantes. Não adianta querer impor que, de onde se veio, tudo é melhor. Não feche a porta — o mais importante é que a pessoa receba a mensagem. Ame a comida, a cultura, as roupas, a linguagem, o clima, ame as pessoas.
No relacionamento com Pedro, Jesus precisou lidar com inseguranças. Muitos comentam sobre quando Pedro andou sobre as águas: alguns criticam sua iniciativa, outros a exaltam. Mas lembre-se: Pedro era pescador, conhecia o mar e sabia o que significava um vento forte em alto-mar. Talvez já tivesse visto tempestades. Quando disse: “Jesus, se é você, me chama para ir até você”, e Jesus respondeu “Vem!”, acha que Ele não sabia o que aquilo representava para Pedro?
Às vezes, observam-se hábitos de quem está sendo discipulado e se pensa em ingenuidade. A pessoa pode querer fazer algo para o qual ainda não está pronta. Mas Jesus valorizou a iniciativa de Pedro. E quando ele considerou o vento e começou a afundar, Jesus o chamou de homem de pequena fé, pois conhecia sua capacidade.
É preciso olhar para as pessoas ao redor e enxergar nelas a capacidade de fazer coisas extraordinárias.
Talvez alguém esteja novo na fé, ainda aprendendo sobre a visão e a doutrina, mas o olhar deve ser: “Uau, esse consegue andar sobre as águas…”. Mesmo que seja necessário repreendê-lo e dizer: “Sei que pode mais”, o pensamento deve ser sempre: “Sei que você pode. Foi para isso que Deus o criou”.
De que adianta mover-se nos dons, se as pessoas perto de nós não usufruem desse benefício? E aqui não falo do benefício de receber cura, mas de se moverem também nos dons. Em I Coríntios, Paulo fala sobre desejar os dons, e ele não diz que apenas os maduros ou experientes devam desejá-los.
O propósito deve ser conduzir a igreja à maturidade. E essa não é responsabilidade apenas do pastor ou de quem ministra a Palavra, mas de todo aquele que já entendeu que pode influenciar pessoas. Talvez ainda não tenha andado sobre as águas, mas a pessoa ao lado pode fazer isso primeiro — e não há problema nisso, pois o próprio Jesus disse que quem viesse depois faria obras maiores.
Jesus afirmou que alcançaríamos mais territórios, fluiríamos nos dons. Ele não disse: “O que fiz foi o topo, e quem vier fará menos.” É necessário olhar para as pessoas, considerar que podem ter inseguranças, que talvez não acertem de primeira, seja por sua criação, cultura ou palavras que ouviram que minaram sua fé.
E quem somos nessa história? Somos aqueles que fortalecem as pessoas, que dizem: “Venha, você pode andar sobre as águas, você vai fazer coisas maiores!”. Elas precisam saber que são amadas por Deus e entender o poder do nome de Jesus.
Somos aqueles que fortalecem e deixam as pessoas seguras.
Pedro nem sempre errou. Houve momentos em que Jesus perguntou: “O que dizem que eu sou?”, e Pedro respondeu: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Haverá momentos em que as pessoas nos trarão alegrias, acertarão, reproduzirão nosso comportamento, e nesses momentos devemos fortalecê-las ainda mais.
Aprenda a demonstrar reconhecimento, elogie. Jesus reconhecia quando os discípulos acertavam e também os repreendia quando erravam.
“E disse-lhes: A minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui, e vigiai. E, tendo ido um pouco mais adiante, prostrou-se em terra, e orou para que, se fosse possível, passasse dele aquela hora. E disse: Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice; não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres. E, chegando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, dormes? Não podes vigiar uma hora?” (Marcos 14:34-37).
Jesus, em um momento de tristeza, foi orar e pediu ajuda aos discípulos. Quando entendemos que não conseguimos fazer tudo sozinhos, desenvolvemos a consciência de que ter pessoas como parceiras é essencial. Compartilhar pedidos de oração, trazer consolo e compaixão. Jesus foi maduro o suficiente para pedir que Seus discípulos orassem com Ele. E os repreendeu por terem dormido quando deviam vigiar. Aquela foi uma fase difícil, mas Ele não abriu mão dos discípulos.
Em momentos difíceis, você abre mão das pessoas? Elas erram, às vezes com boas intenções decepcionam, ficam mornas quando deveriam ser fervorosas.
Pedro negou Jesus três vezes; pessoas podem decepcioná-lo, não entender seu coração. Qual será sua atitude diante dessas dificuldades?
“Ele, porém, disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse” (Marcos 16:6-7).
Após a ressurreição, Jesus mandou chamar os discípulos, mas fez questão de mencionar Pedro pelo nome. Ele sabia que era necessário agir assim. Depois, Pedro pregou e milhares se converteram. Foi um discípulo difícil, que errou e acertou, mas Jesus nunca desistiu dele, pois sabia que mais adiante ele faria coisas grandiosas. Jesus acreditava nas pessoas.
Talvez você tenha discipulado alguém que depois se afastou, mas essa pessoa pode ter falado de Jesus a alguém que influenciou milhares. Não temos como saber. Não importa cultura, escolhas ou imaturidade: as pessoas são mais importantes. Olhe para elas como Jesus olha para você — Ele pensa: vale a pena!
As pessoas valem mais do que as coisas. Mais do que opiniões ou formas de fazer. Mais do que todos os anos de conhecimento que se possa ter.
Dê o melhor às pessoas. Não desista delas, assim como o Senhor não desistiu de você quando foi imaturo e insensato.
*Trechos da mensagem do dia 04 de julho de 2025, na Conferência de Ministros Europa.






