Lembro do nosso começo na igreja. Não tínhamos ar condicionado, o louvor era tão bom, mas a Palavra revelada nos atraiu e quando a temos, não precisamos buscar tantas coisas lá fora. No começo, corríamos muito, havia muitas atividades no ministério. Lembro de um dia, uma irmã me deu uma Palavra que eu talvez nem queria ouvir. Ela disse que o Senhor havia dito que o meu coração estava longe d’Ele.
Fiquei pensando: “Quem ela pensa que é?”. Não fui rude e nem grosseiro com ela, fui para casa com raiva. Separei um tempo para orar e o Deus falou comigo: “O seu coração está longe de Mim”, e não era por uma vida indecente, mas eu estava no ativismo que consumia o meu tempo. Precisei me arrepender, e comecei a perceber que precisava mudar. Não dava mais para ficar da mesma forma.
Nos dias que vivemos, existe uma grande correria, um estresse para crescer, ter números, seguidores, mas será que não estamos trocando o ouro pelo bronze?
“E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:36).
A Bíblia não diz que eles estavam exaustos porque não havia empresários ou médicos, mas porque não havia pastor. O pastoreio é um dom ministerial. A técnica é importante, mas o dom é o que lhe trouxe para o ministério. O Ap. Bud Wright veio para o Brasil, porque ele sabia no Senhor que precisava estar no chamado.
Não dependemos de técnicas, mas se formos trocar esse dom por uma habilidade natural não vai dar certo, porque o que fazemos é sobrenatural. A igreja necessita ser pautada nisso, porque senão, vamos perder a nossa essência. O dom do Espírito lhe revela coisas espirituais e não podemos brincar com elas. Devemos estar atentos.
Muitas pessoas estão deixando de querer o dom para ser youtuber. Mas isso não muda vidas. Existe um padrão e uma orientação divina.
“Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus (Romanos 1:1)”.
Apóstolo não é um título, é uma missão. Não é algo que você coloca ao lado do seu nome, é uma função. É alguém que favorece o progresso, dá impulso. As responsabilidades de um apóstolo são grandes. A gente trata as pessoas como filhos e não como seguidores.
Olhando para o apóstolo Paulo, vemos como ele atuava no ministério. Já estive no pastoreio por um tempo, e tive que lidar com membros muito “cabeça dura”. Precisei aprender a tratar com eles, aconselhá-los e ajudá-los. Vejo que alguns membros honram os de fora e não os de casa.
Hoje temos os que congregam e os que frequentam. Mas vamos crescer se estivermos plantados no lugar onde o Senhor deseja.
“Porque vós mesmos, irmãos, bem sabeis que a nossa entrada para convosco não foi vã; Mas, mesmo depois de termos antes padecido, e sido insultados em Filipos, como sabeis, tornamo-nos ousados em nosso Deus, para vos falar o evangelho de Deus com grande combate. Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com imundícia, nem com fraudulência; Mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações” (1Tessalonicenses 2:1-4).
“Vós e Deus sois testemunhas de quão santa, e justa, e irrepreensivelmente nos houvemos para convosco, os que crestes. Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2:10-12).
Paulo foi provado e aprovado a ponto de Deus confiar a ele o Evangelho. Uma vida piedosa lhe faz cuidar do seu povo de forma justa e irrepreensível. Pastoreio não é a coisa mais fácil do mundo. Governar uma igreja, lidar com coisas difíceis é desafiador. Mas busque apascentar seu povo, concentre-se nisso, esqueça os números. Se interesse genuinamente pelas vidas. Paulo tinha esse pensamento e sentimento.
“E enviamos Timóteo, nosso irmão, e ministro de Deus, e nosso cooperador no evangelho de Cristo, para vos confortar e vos exortar acerca da vossa fé; Para que ninguém se comova por estas tribulações; porque vós mesmos sabeis que para isto fomos ordenados, Pois, estando ainda convosco, vos predizíamos que havíamos de ser afligidos, como sucedeu, e vós o sabeis. Portanto, não podendo eu também esperar mais, mandei-o saber da vossa fé, temendo que o tentador vos tentasse, e o nosso trabalho viesse a ser inútil. Vindo, porém, agora Timóteo de vós para nós, e trazendo-nos boas novas da vossa fé e amor, e de como sempre tendes boa lembrança de nós, desejando muito ver-nos, como nós também a vós;” (I Tessalonicenses 3.2-6).
Penso na condição que Paulo estava em Atenas, uma cidade idólatra, e ele disse: “Eu prefiro ficar sozinho em Atenas, por causa do cuidado por vós”. Isso expressa um cuidado e atenção maior. O apóstolo Paulo tinha zelo e interesse genuíno pelas pessoas e pela sua saúde espiritual. Hoje temos tecnologia avançada, e o que temos feito? Não podemos ficar indiferentes à condição em que o povo está. O verdadeiro pastor apascenta ovelhas e não programas e eventos. Apascentar é um dom. Assim como a saúde física é detectada, a saúde espiritual também pode ser.
O alvo do diabo é confundir a fé das pessoas. Quem é o guardião da fé delas? Somos nós. Não vamos em busca do que está na moda, vamos continuar servindo ao Senhor. Nós precisamos lidar com os irmãos e os socorrer. Devemos alinhar o nosso coração e nos perguntar: “Qual o propósito que eu tenho no ministério?”.
Devemos atentar para o nosso chamado. Há uma graça para nós. Não se trata de título, mas de uma função. Meu desejo é que nos tornemos parceiros. Eu tenho companheiros no ministério, eu cuido, mas também sofro quando eles estão sofrendo. Não podemos ser pessoas que simplesmente abandonam os feridos. Somos os que cuidam e acolhem.
Não somos empresários da fé. Sei que muitos deles já descobriram o “nicho gospel”, mas existe o ouro e sua atitude deve ser a correta. Cuide dos seus ministros, ore por eles, honre-os e valorize-os, dê oportunidade, tenha o coração que os levanta. O Brasil tem tantas necessidades e somos o povo da Palavra da Fé. Não estamos no ministério para ferir pessoas, mas para ajudá-las. Temos a unção para desatar situações e ungir pessoas. As que estão ao seu redor estão cansadas e exaustas?
Nunca vi o apóstolo Bud cansado. Eu o vi saindo de casa para orar pelas pessoas. Ele estava cansado, muitas vezes, mas obedecia a Deus. Ele sabia que as ovelhas precisavam dele.
Nós não somos um clube social, somos uma igreja. Precisamos amar e ajudar as pessoas, levantando-as. Precisamos encher o nosso tanque, pois se estiver vazio, não iremos muito longe. Ficaremos inseguros e não cumpriremos o nosso objetivo. Quando estamos com o tanque cheio, algo nos ergue por dentro.
As pessoas estão indo a igreja buscando uma saída para suas vidas. Valorize sua igreja e o seu povo. Interceda por eles, declare a Palavra e daqui a pouco, elas vão se tornar o que você declarou que elas serão. Você tem autoridade sobre sua igreja, mas também tem responsabilidade.
Eu confio no chamado, no dom e naquilo que o Senhor me entregou. Jesus confiava no seu chamado e em um momento Ele abriu o livro e disse: “Deus me ungiu”. Ele lhe ungiu para pregar, curar e capacitar pessoas. Nunca deixe a igreja sem o toque e a unção do Espírito. Ela não sobrevive sem isso. Sabemos que há pessoas problemáticas, mas temos o compromisso de ajudá-las. Precisamos criar pessoas envolvidas com Deus.
Não estou buscando escândalos na igreja para abandonar Cristo. Não somos crianças. Se um irmão cair, devemos levantar a bandeira do Evangelho. A nossa segurança está no Senhor.
Oro para que possamos transmitir esse mesmo fulgor. O crescimento não vai diluir o poder entre nós. Treine as pessoas a serem homens e mulheres de Deus. Esse é um tempo de prepararmos essa geração, sendo referenciais da glória do Senhor. Se exponha a Ele e faça a vontade de Deus. Renda-se ao Senhor, se prostre, não vamos perder o fulgor de fazer a vontade do Senhor. Nada vai nos parar. Oramos por vocês, pois Deus está os preparando para coisas maiores.
*Trechos da ministração do dia 18 de março, de 2026, na Reunião Anual de Pastores e Diretorias.
















1 Comentário
Obrigado Apóstolo Guto!
Por palavras tão precisa e orientações tão necessárias.