Sei que existem outros dons ministeriais e valorizamos todos eles, mas hoje quero focar no chamado pastoral. Sabemos que os dons ministeriais não podem ser colocados em alguém de forma humana, é uma vocação que Deus nos dá. Ele coloca uma convicção em nosso coração acerca dos chamados, algo que vem d’Ele e não do homem. Por isso, precisamos tratar esse chamado com seriedade e entendimento espiritual.
Para começar, vamos falar de personalidade. O pastor nem sempre é aquele que vai somente falar com as ovelhas “alisando”, pois o falar em amor não é só um modo de falar manso. Muitas vezes, nós víamos pastor Bud falar de forma um pouco mais dura, mas entendíamos que aquela forma de falar também tinha um propósito, uma intenção. Isso não significa que ele estava andando fora do amor, porque falou com mais veemência; pelo contrário, aquela correção sempre dava os resultados certos. E aqueles que não conseguiam lidar com o modo dele corrigir, em amor, mas com veemência, se afastavam, porém os que permaneceram cresceram rapidamente.
Cada personalidade tem um modo de falar, e nenhum nem outro modo está errado. Deus coloca um chamado em personalidades mais fortes e também em personalidades mais tranquilas, e isso faz parte da diversidade do Corpo. Porém, o chamado está além da personalidade, é uma convicção que vem no nosso coração e é divina. Deus é quem chama, e não o seu líder, nem o seu parente ou qualquer outra pessoa. Precisamos ter essa consciência para não basear o ministério em preferências humanas.
A importância da visão
Existem algumas características do chamado pastoral que são essenciais, e desejo destacar aqui. O pastor precisa ter uma visão clara do que Deus quer fazer através da sua vida e do ministério. Se você está à frente de uma igreja e não tem uma visão, não sabe para onde quer levar o povo que está sob sua liderança e não tem uma perspectiva de futuro, eu lhe dou um conselho, irmão: ore e reveja se você está realmente no lugar certo. Porque um pastor precisa ter direção, propósito e clareza espiritual.
Eu sei que, primeiramente, o nosso ministério já tem uma visão, missão e valores, e essa linha já precisa estar no seu coração. Você precisa memorizar e entender qual a visão que o seu ministério carrega, que é: “Alcançar o Brasil e as nações com a Palavra da fé e o amor”. Nós ainda não cumprimos completamente essa visão, e por isso continuamos trabalhando. As nações ainda não foram totalmente alcançadas como desejamos, então precisamos continuar avançando com intencionalidade.
Cumprindo a visão na prática
É por isso que precisamos enviar missionários, treinar pessoas e desenvolver aqueles que têm chamado. Você, como pastor, precisa estar atento a quem tem esse chamado missionário, para que possa investir, preparar e enviar. Além disso, precisa pensar como vai cumprir essa visão na sua localidade, dentro da realidade da sua igreja. Como líder, você precisa colocar em prática os valores do ministério, e seus membros precisam entender qual é a visão da igreja local.
A Bíblia diz em Provérbios 29:18 que onde não há revelação divina, o povo se desvia, mas feliz é aquele que obedece à lei. Existe uma revelação divina específica para você como pastor, e é a partir dela que você vai cumprir a missão na sua localidade. Você não pode estar à frente de uma igreja sem saber para onde está indo ou para onde está levando o povo. Isso é básico, é fundamento para quem lidera uma obra de Deus.
Estratégias e direção espiritual
Nós temos alguns caminhos que são básicos, como o Centro de Treinamento Bíblico Rhema, outras escolas e o discipulado local. Porém, existem estratégias específicas para o bairro e para a cidade onde você está inserido, e isso você precisa buscar em Deus. Cada lugar tem uma necessidade diferente, e o pastor precisa discernir isso espiritualmente. Se o povo está sendo guiado sem uma visão, ele acaba perecendo, e essa responsabilidade recai sobre a liderança.
Eu sei que existem fases difíceis, em que você não tem tantas pessoas disponíveis para ajudar e está garimpando as preciosidades que existem naquela terra. É um processo de limpar, tratar e dar polimento, como acontece em todo início de obra. Muitas vezes parece que estamos sozinhos, mas é nesse momento que Deus está formando pessoas. Você precisa confiar nelas, distribuir atividades e começar a desenvolver responsabilidades, mesmo que inicialmente sejam pequenas.
Existem responsabilidades mínimas que podem ser distribuídas no começo, e outras maiores que exigem maturidade e não podem ser entregues imediatamente. Porém, com o tempo, a obra cresce, e você precisará delegar para pessoas que foram enxergadas e levantadas. Missionários precisam levantar nativos para continuar a obra, especialmente em outros países. Se algo acontecer e você precisar sair, precisa haver alguém preparado para assumir e dar continuidade.
Se você não tem alguém para lhe substituir, você está falhando na missão que Deus colocou em suas mãos. Foi isso que o pastor Bud fez: ele treinou pessoas, levantou discípulos e investiu na vida de brasileiros, por isso o ministério continuou crescendo mesmo após sua partida. Isso faz parte da responsabilidade pastoral, levantar pessoas e formar líderes. Se você não quer essa responsabilidade, precisa reconsiderar sua posição.
Governo da igreja e da família
O governo da igreja está sobre você, pastor. Se você está sobrecarregando sua esposa com responsabilidades que são suas, você prestará contas. O papel da esposa é auxiliar, não governar. Assim como Eva foi criada para auxiliar Adão, ela não foi colocada como responsável pelo governo. Hoje vemos muitas mulheres sobrecarregadas, adoecendo, porque estão assumindo funções que não deveriam, enquanto o homem não ocupa seu lugar corretamente.
Existem muitos ministros com a casa desorganizada, mas a Bíblia é clara em 1 Timóteo 3 sobre os pré-requisitos para liderança. Um deles é governar bem a própria casa. A igreja é reflexo da casa, e se a casa não está em ordem, a igreja também sofrerá. Antes de fazer, precisamos ser. Se a nossa vida está desorganizada, tudo ao nosso redor também será afetado.
Por isso, quero finalizar reforçando que você, como pastor, precisa ter visão, levantar pessoas, ser exemplo e governar bem sua casa. Precisa também ter domínio próprio, inclusive sobre o seu corpo. Se você não consegue controlar seus próprios desejos, como quer exercer autoridade espiritual? Precisamos organizar nossa vida para não desperdiçar o que Deus nos deu, começando por nós, para que isso reflita na vida de outros.
*Trechos da ministração do dia 18 de março, de 2026, na Reunião Anual de Pastores e Diretorias.















