Não despreze sua juventude

Toda jornada tem um início, e é necessário coragem para dar os primeiros passos, confiando que Deus abre as portas certas e conduz cada etapa.

Timóteo estava em sua juventude quando Paulo lhe escreveu. E o que Paulo disse a ele continua sendo relevante para todos os jovens. Em sua carta, Paulo escreveu: “Ninguém despreze a tua mocidade.” Essa orientação pressupõe que, em algum momento, a juventude seria alvo de desprezo, e por isso era necessário estar preparado.

Timóteo tinha cerca de 30 anos quando recebeu essa instrução. Se naquela idade já enfrentava resistência por causa da juventude, o que dizer dos que têm menos de 20? É comum que lideranças jovens sejam desacreditadas. Experiências pessoais revelam que a idade muitas vezes é motivo de menosprezo, seja por olhares, palavras, piadas ou atitudes. Mas a verdade é que, se foi Deus quem chamou, Ele não está preocupado com a idade. Ele conhece as limitações, mas ainda assim chama, capacita e envia. E quando se entende isso, é possível agir com ousadia, mesmo diante da insegurança alheia.

Paulo, ao dizer “Ninguém despreze a tua mocidade”, também incluía o próprio jovem nessa advertência. Às vezes, o desprezo mais paralisante vem de dentro, da autodepreciação, do medo de não estar pronto. Mas ninguém começa experiente. Toda jornada tem um início, e é necessário coragem para dar os primeiros passos, confiando que Deus abre as portas certas e conduz cada etapa.

Juventude x imaturidade espiritual

Paulo também adverte sobre o perigo de confundir juventude com imaturidade espiritual. Em sua carta, ele orienta que aquele que deseja o episcopado não deve ser neófito, termo que significa recém-plantado, ou seja, novo na fé, e não necessariamente jovem em idade. Maturidade espiritual não é determinada pelo tempo de vida, mas pela profundidade da consagração, obediência e fidelidade.

Hoje, muitos jovens estão sendo treinados desde cedo para servir a Deus. Alguns, antes mesmo da vida adulta, já se dedicam à leitura da Palavra, ao ensino e ao ministério. O importante não é a idade, mas o quanto se permite ser moldado, instruído e guiado por Deus.

Paulo instrui: “Torna-te padrão dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” A melhor resposta às críticas não é dada com argumentos, mas com testemunho de vida. Frutos falam mais alto do que palavras. Integridade, compromisso e constância são marcas que silenciam qualquer acusação.

É necessário aplicar-se à leitura, à exortação, ao ensino. O acesso às Escrituras nunca foi tão amplo, e ainda assim muitos negligenciam sua leitura. Pesquisas mostram que grande parte dos adolescentes cristãos nunca leu a Bíblia, e entre os adultos, os números não são muito melhores. Isso revela um problema de prioridade: o Reino de Deus requer diligência.

A plenitude da vontade de Deus

Negligenciar o dom que há em nós é ignorar o potencial que Deus depositou em nossas vidas. Desde o ventre, cada pessoa recebeu um dom, que vai se revelando à medida que se caminha com Deus. Assim como os heróis dos filmes descobrem seus poderes com o tempo, os filhos de Deus também descobrem seus dons conforme são fiéis em sua jornada. E esses dons não existem para autopromoção, mas para servir e abençoar outras pessoas.

Ser negligente com o dom é privar os outros das bênçãos que Deus deseja transmitir através de nós. Por isso, é preciso ser diligente, estar atento, esforçado e entregar-se inteiramente àquilo que Deus confiou. A plenitude da vontade de Deus não é alcançada por acaso, mas por decisão consciente e determinada.

Muitos se perguntam como alguém pode começar tão cedo no ministério. Uma das respostas está na consciência da eternidade. A vida passa rapidamente. Seja qual for a idade, não se pode desperdiçar tempo. Não se deve adiar o chamado de Deus esperando por um momento ideal. Deus quer usar seus filhos onde estão, como estão, no tempo presente.

Isso não anula a necessidade de maturação. Certos níveis de responsabilidade exigem preparo. Mas preparar-se não é ficar parado. No Reino de Deus, paciência não é passividade, é ação contínua, mesmo quando os resultados ainda não são visíveis.


Um agir de fé

Há quem deseje se casar, por exemplo, mas não se prepara emocional, espiritual, física ou financeiramente. Reclama-se da demora, mas muitas vezes a questão não é o tempo de Deus, e sim a falta de preparo pessoal. Curas precisam ser recebidas, traumas tratados, dívidas eliminadas, corpo cuidado. O processo de preparo é parte do agir de fé.

Fé não é ansiedade disfarçada, é confiança manifesta em atitudes. A fé se vê no semblante, nas palavras, nas ações. Por isso, aquele que crê, prepara-se. E a preparação é ampla: envolve caráter, estabilidade emocional, responsabilidade e santidade.

Deus quer usar você. E quer usar agora. Talvez você ainda não saiba muito, mas o pouco que sabe deve ser vivido com fidelidade. Seja diligente, entregue-se de todo o coração, e Deus prosperará o seu caminho.

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