Mesmo que os limites não sejam tão visíveis, eles existem e devem ser respeitados, inclusive as suas leis. A influência de uma fronteira existe mesmo que os limites não sejam visíveis. Esses limites servem para demarcar identidade e proteção. Os países são delimitados pelos seus limites e fronteiras. Às vezes, algumas guerras acontecem por causa desses limites que são disputados. Após uma guerra, os limites podem acabar maiores, menores e até deixarem de existir.
Observando esse raciocínio no Ministério, às vezes ouço de líderes próximos de mim dizerem: “Pastor, o nosso ministério está crescendo, mas, às vezes, precisamos furar a bolha”. Eles pensam que somos muito isolados.
Furar a bolha é transcender os limites de um público que, em condições normais, não teria condições de ter contato com aqueles indivíduos. Por mais que a intenção pareça boa, muitas vezes furar a bolha significa comprometer algumas coisas que nos identificam, como, por exemplo, mudar a nossa linguagem. Alguns podem pensar: “Será que deveríamos citar menos o Irmão Hagin? Talvez devêssemos chamar as nossas esposas de pastoras? Por que não cantamos outras músicas? Por que não falamos dos assuntos polêmicos da atualidade?”.
Às vezes, furar a bolha é flexibilizar os nossos valores. Acredito que devemos alcançar pessoas em todos os lugares, mas não podemos comprometer os nossos valores, identidades e limites, que claramente têm sido demarcados em nosso Ministério. Precisamos alcançar todas as pessoas em todos os lugares, mas não podemos nos comprometer com outras esferas.
NOSSA ESFERA DE AÇÃO
Não fomos chamados para mudar o mundo, mas para mudar as pessoas. A nossa fé vence o mundo, não muda o mundo. Não podemos ter amizade com o mundo e, por isso, os limites devem estar bem claros. Devemos influenciar o mundo, mas não podemos nos dissolver nele. Não podemos pensar que os limites que nos identificam e protegem nos impedem de alcançar os outros.
“O jeito Verbo da Vida de ser” inevitavelmente vai criar uma bolha em nós: a nossa visão, missão, valores e, graças a Deus, vivemos numa bolha que nos identifica e nos protege. O nosso Ministério é uma bênção, mas não é o único ministério no mundo. Fomos chamados para fazer a nossa parte. Quem quer foca em tudo não faz nada direito. Um grande problema de furar a bolha é que ela deixa de existir.
“Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento. Porém, não nos gloriaremos fora da medida, mas conforme a reta medida que Deus nos deu, para chegarmos até vós; Porque não nos estendemos além do que convém, como se não houvéssemos de chegar até vós, pois já chegamos também até vós no evangelho de Cristo, Não nos gloriando fora da medida nos trabalhos alheios; antes tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós, conforme a nossa regra, Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós e não em campo de outro, para não nos gloriarmos no que estava já preparado. Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor” (II Coríntios 10:12-17).
Nós não vamos nos gloriar além da medida, mas respeitamos a esfera de ação que Deus nos demarcou. Não ultrapassamos os nossos limites. O apóstolo Paulo repete algumas vezes que havia um limite claro e demarcado por Deus em seu ministério, limites que ele não ousava ultrapassar.
Ele cita ministros que o resistam, chamados de sofistas, filósofos que andavam pelas praças fazendo discursos com boa oratória. Tinham o costume de se promover publicamente e criticavam os outros para ganhar audiência e crescer. Alguns se converteram a eles e passaram a criticar os ministros das igrejas. Paulo destaca que estava sendo criticando; diziam que ele era forte nas cartas, mas “fraquinho” pessoalmente.
No verso 13, Paulo repete a expressão “além da medida”. Essa palavra, no grego, é metron. Porém, ela vem acompanhada do prefixo “a” — ametros — traduzida como “além da medida”. É possível ultrapassar a medida estabelecida, mas Paulo permanecia na esfera de ação e não ultrapassava esses limites.
CORRER A CARREIRA
Precisamos correr a nossa carreira dentro da esfera de ação que Deus estabeleceu para nós. Andamos dentro da esfera; não estamos tentando furar a bolha. Paulo tinha clareza de que Deus o havia demarcado em uma esfera de ação. Ele tinha limites e não os ultrapassava.
“Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios” (Gálatas 2:8).
Paulo entendia que uma das esferas de ação era o Evangelho para os gentios. Existe uma unção da parte de Deus que funciona quando você está trabalhando dentro dos limites que Ele demarcou. Deus não se responsabiliza por você agindo fora desses limites. Existe uma esfera de ação para o seu pastoreio; não gaste energia tentando pastorear pessoas de outras bolhas. Não há unção para isso, mas existe para as pessoas da sua esfera de ação.
Invista seu tempo, que é limitado, em alcançar pessoas que estão sem bolha, e não em atrair pessoas das bolhas dos outros. Foque nas pessoas que Deus trouxe para você e naquelas que estão sem bolha por aí. Quanto mais a nossa bolha cresce, maior é a nossa capacidade de alcançar e influenciar pessoas.
CRESCIMENTO COM IDENTIDADE
O Verbo da Vida vai para todas as nações, mas de forma orgânica e natural. À medida que crescemos e alimentamos o nosso povo, a nossa bolha aumenta. É difícil um pastor influenciar membros que admiram mais os ministros de fora do que os de dentro. Não faça as coisas só porque outros estão fazendo, mas porque Deus mandou você fazer na sua esfera de ação.
À medida que crescemos, a nossa tenda vai se alargando e a bolha vai crescendo, mas a membrana dessa bolha precisa ser reforçada, senão ela estoura. Quanto mais crescemos, mais enfáticos devemos ser com a nossa missão e com os nossos valores. Podemos nos gloriar, mas sem soberba ou orgulho.
Sou pai e, quando vejo meu filho vencendo obstáculos, sinto orgulho. Não o comparo com os outros, mas com quem ele era antes e com quem se tornou hoje. Esse é o sentimento de Paulo quando vê aqueles que ensina crescendo em Deus.
“E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio;” (Romanos 15:20)
Paulo não se achava melhor do que ninguém e nem se comparava com os outros. Ele não caía nessa armadilha, mas se alegrava em fazer aquilo que Deus o chamou para fazer. Não se gloriava em sua habilidade, mas em sua obediência. Sabia que tinha um chamado divino e celebrava a obra de Deus.
COBERTURA, ESTABILIDADE E DIREÇÃO
Você está pronto para se gloriar naquilo que Deus tem feito? Não é a sua habilidade, mas a sua obediência a Deus que produz resultados. Não é o nosso conhecimento; foi Deus, e Cristo em nós, por meio de palavras, ação e do poder do Espírito Santo, dentro da esfera de ação que Ele mesmo demarcou para nós. Quando vejo as coisas acontecendo na igreja, tenho certeza: “Eu não tenho nada a ver com isso, só pode ter sido Deus”.
Nós estamos enraizados na árvore, mas, sozinhos, não produzimos frutos. Alguns pensam que, se se lançarem para fora da árvore, produzirão frutos sendo apenas galhos, mas acabam morrendo e secando. Às vezes, como ministros, nos vemos crescendo e frutificando e pensamos: “O ministério é uma bênção, mas, se eu tivesse um pouco mais de liberdade, faria mais para o Reino de Deus”.
Porém, a nossa reputação está sendo construída sobre uma reputação ainda maior, de líderes que há anos trabalham nela, e é essa reputação que nos dá segurança. Ela nos identifica, mas também nos protege. Aquilo que te limita também te protege.
Estar debaixo de uma cobertura pode trazer limites, mas, quando a tempestade chega, esse limite protege você atrás dessas paredes. Na pandemia, nos protegemos e nos ajudamos. Ministério é lugar de proteção para a sua vida. A falsa ideia de liberdade, isolamento e independência gera sérias consequências. Não seja um galho pulando para fora da árvore; aproveite a seiva que vem das raízes.
As condições dentro da igreja são mais estáveis; a pressão é controlada. O símbolo do nosso Ministério é um farol e o farol é imóvel, estável, e isso produz confiança. Quem conhecia o Ap. Bud Wright sabe que ele pregava as mesmas coisas. Não pregava modismo; era como um farol que não saía do lugar.
Hoje existe GPS, e os navios seguem observando o GPS, mas os faróis continuam existindo. Eles são confiáveis porque não saem do lugar. Fazem aquilo para o que foram chamados: dar a direção certa.
Como ministros, vocês estão prontos para contribuir para o fortalecimento dessa identidade, pregando as mesmas coisas? Não estamos procurando crescimento artificial. Tenha clareza da esfera de ação que Deus compartilhou com você.
*Trechos da mensagem de 23 de maio de 2026, na Conferência de Ministros Centro-Oeste/Norte.













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