por Thiago Garcia
Timóteo era um jovem diferente. Em sua criação, ele teve a presença forte de duas mulheres: sua mãe e avó (II Timóteo 1.15). Ele sofria preconceito por ser filho de um pai grego com uma mãe judia (Atos 16.1), portanto, não se enquadrava muito bem em nenhum dos padrões da sociedade da época. Além disso, Paulo fala que Timóteo deveria se atentar à saúde, pois ele era alvo de constantes enfermidades (I Timóteo 5.23). Era como uma pessoa frágil, que sempre estava doente e, provavelmente, sua aparência transmitia fragilidade.
Timóteo foi discriminado pelos estudiosos e sábios da época, mas Paulo o via por uma ótica diferente. Paulo disse que não tinha ninguém de igual sentimento que sinceramente cuidasse dos seus. Ele disse que Timóteo o serviu no trabalho ao Evangelho como um filho ao lado de seu pai.
“Espero no Senhor Jesus enviar-lhes Timóteo brevemente, para que eu também me sinta animado quando receber notícias de vocês. Não tenho ninguém como ele, que tenha interesse sincero pelo bem-estar de vocês, pois todos buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo. Mas vocês sabem que Timóteo foi aprovado, porque serviu comigo no trabalho do evangelho como um filho ao lado de seu pai. Portanto, é ele quem espero enviar, tão logo me certifique da minha situação, confiando no Senhor que em breve também poderei ir” (Filipenses 2.19-24).
Paulo também disse que Timóteo o animava. Já conversou com alguém que só dá respostas desanimadas? Pelo visto, esse não era o perfil de Timóteo. A despeito do cenário que ele encontrasse, traria notícias de ânimo. Deus quer que nos animemos para juntos fazermos a vontade do Pai. Ele nos criou para andarmos em família, e não isolados.
Quem se isola, procura os próprios interesses. Isto, além de egoísmo, é tolice. Timóteo tinha um coração leal, porque na maneira como um pai e um filho se relacionam, existe um vínculo de lealdade. Precisamos cultivar sentimentos saudáveis, de lealdade.
Todos somos leais. A questão é que alguns de nós somos leais apenas a nós mesmos.
Timóteo era um jovem que aparentava ser frágil por fora, mas que por dentro se mostrava fiel e leal. Paulo, nessas passagens, disse que enviaria Timóteo, mas fico pensando: “Será que ele perguntou a Timóteo se ele gostaria de ir?”.
Paulo sabia que na hora que ele precisasse de Timóteo, se precisasse deslocar ele, enviar para diversos lugares, pastorear em outro lugar, o que fosse, ele sabia que Timóteo era “pau pra toda obra”, que ele estava disposto a tudo, que tinha um coração para servir, independente das circunstâncias.
Não importava se era uma boa oportunidade ou não. Paulo sabia que se pedisse a Timóteo, ele iria. No ministério, temos a oportunidade de caminhar por uns anos e vemos de tudo. Já tive a oportunidade de sentar com o apóstolo Guto Emery e ver ele apontar uma visão para alguém: “Preciso que você vá em tal cidade, fazer tal coisa. Deus está me trazendo essa orientação em meu coração, de que é importante que você esteja ali”. Então, vi a pessoa responder: “Apóstolo, eu vou orar, porque não sinto paz de fazer isso não”.
Fico pensando na situação de Paulo se fosse hoje, que temos WhatsApp, telefone, etc. A gente pode dizer que vai para algum lugar e ainda ligar para avisar se for atrasar ou algo do tipo. Se não der pra ir, ligamos e dizemos que não vai dar pra ir, mas Paulo escreveu aos Filipenses, a carta iria viajar para longe, demorar para chegar. Já pensou se quando chegasse todos ficassem animados porque Timóteo estaria indo e, então, Paulo já escrevesse outra carta pedindo desculpa e explicando que falou com Timóteo e ele disse que não gostaria de ir, porque queria fazer outra coisa?
Faz, basicamente, 30 anos que minha família está conectada a esta visão. Há 30 anos atrás, essa palavra transformou a nossa vida, mudou nossa família e nossa história. Nossa família caminhava em um rumo, ela até estava estabilizada, mas existia um ponto de destruição que nos aguardava no final da caminhada. Pequenas dificuldades iam se somando e, se a nossa trajetória não tivesse sido interrompida, talvez a nossa família hoje não estivesse unida, muito menos servindo a Deus.
Muitas vezes, não sabemos que o futuro nos reserva um momento de destruição mais adiante. Podemos pensar que não precisamos de Deus, mas Ele é tão maravilhoso que, conhecendo o nosso futuro, ele mudou o nosso passado.
A Palavra de Deus interveio na trajetória da minha família e, quando caminhávamos para um momento de destruição, essa Palavra mudou o nosso rumo. São 30 anos servindo a Deus, a este ministério, às pessoas.
A gente serve a Deus servindo as pessoas.
Nós morávamos em Campina Grande (PB) naquela época. É uma cidade maravilhosa, nascemos ali, cresci ali até os meus primeiros 16 anos, servindo na igreja, até que, em certo ponto da nossa história, surgiu uma necessidade de que a nossa família se mudasse para João Pessoa – a capital da Paraíba.
Fica a uma hora e meia de Campina Grande e é o ponto mais a leste do mapa do Brasil. Nos mudamos para lá por uma necessidade ministerial e moramos ali por 12 anos. No começo foi muito difícil, chegamos em um momento de problemas e o pastor local teve dificuldade para nos aceitar. Eu e meus irmãos éramos jovens. Eu sou o mais velho, tenho uma irmã do meio e meu irmão caçula. Em João Pessoa, terminamos de estudar, fizemos faculdade e minha irmã se casou. Tudo aconteceu ali.
Então, 12 anos depois, meu pai já cuidava de seis igrejas como pastor. Vivíamos um tempo de bonança e fartura. Até que em um jantar, após uma aula da Escola de Ministros Rhema itinerante em João Pessoa, em 2012, Guto estava lá. Conversando conosco despretensiosamente, de uma maneira bem simples, ele falou com meu pai, Amauri, que estava com uma dificuldade em São Paulo e que precisava que saíssemos de João Pessoa e fossemos para lá.
São aproximadamente 3 mil quilômetros de distância, mas foram 3 mil quilômetros resolvidos em um jantar. Lembro muito bem das palavras do meu pai ao Guto, porque ficaram marcadas em meu coração: “Não estamos no Verbo da Vida para seguir uma visão nossa. A gente nem tem uma visão própria. Deus nos chamou para estarmos aqui para servir a visão que Deus tem colocado no coração do pastor Bud Wright e no seu coração. Se você precisa de nós aqui em João Pessoa, mas amanhã precisa de nós em São Paulo, amanhã vamos pra São Paulo, né pessoal?”, finalizou ele, se voltando a perguntar para nós da família.
Nos olhamos na mesa e dissemos “vamos lá”. Ocorreram outros desdobramentos nessa história, eu acabei parando em Campina Grande, não fui para São Paulo com a minha família, mas as palavras do meu pai me marcaram: “Eu não tenho uma visão própria, mas estou aqui para servir a visão que Deus colocou no coração do Pastor Bud”. De fato, não dá para termos uma visão própria, pois se temos mais de uma visão, se torna divisão.
Se andamos em submissão, estamos sub (abaixo de) uma visão. Apenas uma visão. Muitas vezes, as pessoas pensam: “Ah, mas é porque pensar em ser como Timóteo me desanima, eu quero ser é um Paulo”. “Ah, Timóteo serviu como o filho serve ao pai, mas eu quero ser o pai. Se tem um filho e um pai na história, eu prefiro ser o pai”. Mas a Bíblia diz que tem alguém procurando por corações como o de Timóteo, que estejam dispostos a servir a uma visão.
Sabe por que Paulo viu em Timóteo alguém pronto para o ministério? Porque Timóteo tinha disposição de abraçar a visão que Paulo carregava.
Se Timóteo tivesse sua própria visão, ele tinha saído para outro canto, mas ele serviu fielmente a Paulo, de maneira leal, como um filho que serve ao pai. Não deixe o estereótipo de Timóteo desanimar você. “Ah, alguém que serve é alguém fraquinho”, você poderia pensar. Mas não é não!
Precisamos estar no lugar onde Deus deseja que estejamos. Precisamos servir da maneira que Deus deseja que sirvamos.
Às vezes, essa imagem de Timóteo como alguém frágil e inseguro nos deixa sem querer ter o mesmo coração de Timóteo. Quando Deus levanta um homem, ele precisa de uma equipe para carregar com ele aquela visão. Só vamos fazer parte de uma boa equipe se estivermos com um coração leal.
O Apóstolo Guto é como Timóteo. Ele serviu ao Apóstolo Bud por 20 anos como um filho que servia ao pai. Ele sempre disse que estava ali para fazer acontecer a visão que Deus colocou no coração do Ap. Bud.
Apóstolo Bud partiu e, depois da partida dele, Guto se tornou o Apóstolo do Ministério Verbo da Vida e ele poderia ter dito: “Agora é a minha hora, agora faço o que é meu e agora vai ser do meu jeito. Agora quem manda sou eu!”. Mas ele continua fazendo o que o pastor Bud foi chamado para fazer, continua servindo à Mama Jan do mesmo jeito, continua com o mesmo coração de servo e com a mesma lealdade. Deus está procurando em todo lugar, corações leais como esses!
*Trechos da mensagem do dia 30 de julho de 2022, na Conferência de Ministros na África.















