Como perseverar na promessa

Continue crendo e declarando a Palavra. Não é sobre entender, mas sobre crer no que o Senhor lhe prometeu.
Janio Cesar
Evangelista

Em Gênesis 15, o Senhor me deu uma palavra a respeito de como perseverar na promessa, porque temos o favor divino sobre as nossas vidas. Muitas vezes, nós achamos que as dificuldades são coisas que vieram para nos impedir e que Deus não está a fim de resolver os nossos problemas. Esquecemo-nos de que graça e favor coroam as nossas vidas.

Eu ministrava na igreja do meu irmão Saulo, lá em Paulista (PE), e disse: “Olha, nós estamos numa estação de favor. E nessa estação, mesmo que o mundo seja corrompido e coisas ruins sejam naturais de acontecer, nós estamos hoje em um novo Reino. Temos que estar prontos e preparados para que as coisas boas, fora do comum, aconteçam todos os dias”. Eu não fico na expectativa de que, por estar muito bom, algo ruim vá acontecer; fico na expectativa o tempo todo porque sou abençoado e sou um sucesso em todas as áreas. Algo grandioso ainda está para acontecer neste dia, porque graça e favor estão me cobrindo. Então, vivemos em um Reino em que as coisas boas são naturais de acontecer.

SAINDO DA TENDA

Em Gênesis 15:1-2, Deus está confirmando Sua promessa a um homem chamado Abraão, cuja história você conhece. O versículo diz assim: “Depois desses acontecimentos, veio a palavra do Senhor a Abraão numa visão e disse: ‘Não temas, Abraão. Eu sou o teu escudo e o teu galardão será sobremodo grande'”. Isso é maravilhoso. O Senhor aparece para o camarada, confirma a promessa e diz: “Ainda vou lhe recompensar por ela”. No versículo dois, respondeu Abraão: “Senhor Deus, que me haverás de dar se continuo sem filhos?”. Abraão era rico, tinha todas as coisas, mas não tinha filho.

O que faltava para ele era ter um descendente porque, para a cultura da época, você podia ser o cara mais rico do mundo, mas, sem filhos, você era considerado um amaldiçoado. Ele questiona: “Senhor, o que farás por mim? Os sites de notícias gospel estão todos falando sobre mim. Dizem que não tenho posteridade; que só prego sobre prosperidade, mas não tenho a outra parte do Evangelho”. Por quê? Porque não tenho filho e não tenho aquilo que o Senhor dá a todo mundo.

E há pessoas dizendo: “Prefiro ter filhos do que ser rico como Abraão”. Já imaginou o site gospel da época? E Abraão responde a Deus: “Eu não tenho isso e o meu herdeiro vai ser um servo, o damasceno Eliezer”. Disse mais Abraão: “A mim não concedeste descendência, e um servo nascido na minha casa será o meu herdeiro”.

A isto respondeu logo o Senhor: “Não será este o teu herdeiro; mas aquele que será gerado de ti será o teu herdeiro”. Então, conduziu-o para fora — ele estava dentro de algum lugar — e disse: “Olhe para os céus e conte as estrelas, se é que podes”. E completou: “Assim será a tua posteridade”.

Olha que coisa interessante: mesmo Abraão dizendo: “Senhor, tenho este problema e o Senhor ainda não resolveu”, a Bíblia afirma que ele creu, e isso lhe foi imputado como justiça. Isso é algo extraordinário. Você percebe que Abraão ainda não compreendia totalmente; ele ainda sentia dores no meio da promessa. E, mesmo assim, a Palavra diz que ele creu, e isso lhe foi imputado como justiça.

O Novo Testamento declara que somos filhos pela fé; somos as estrelas que Abraão contou, porque ele creu.

O PERIGO DA RECLAMAÇÃO NO MEIO DA PROMESSA

Lembro-me de quando o Anjo do Senhor — uma prefiguração de Cristo no Antigo Testamento — foi falar com Manoá sobre seu filho, Sansão. Ele já havia aparecido para a mãe e, quando Manoá o vê, fica maravilhado e diz: “Eu vi o Anjo do Senhor e não morri”. Ele quis saber o nome do anjo, e Jesus respondeu: “Não é maravilhoso o suficiente estar na Minha presença? Por que você precisa saber o Meu nome? Deleite-se na presença”.

Deus aparece para Abraão, confirma uma promessa antiga e ele, ao invés de dizer “Senhor, que coisa tão maravilhosa” — igual Pedro, querendo fazer uma tenda para o Senhor habitar — foca no que falta: “Mas eu não tenho filho”. Muitas vezes, diante do que Deus nos prometeu e confirmou pela Palavra que ouvimos todos os dias, em vez de estarmos na expectativa do favor divino trazer a grandeza da promessa, estamos dizendo: “Mas eu ainda não tenho isso ou aquilo”. Devemos entender que, no meio da caminhada, cometeremos erros, duvidaremos e não entenderemos. Mas, se tivermos o coração aberto como Abraão, nós vamos crer. Apesar das falhas e erros, vamos crer para a justiça daquilo que Deus tem para nossas vidas.

Algo divino depende de um coração sincero e de uma fé simples. Mesmo que você ainda não tenha chegado a tudo o que o Senhor prometeu, Ele fará se você descansar o seu coração. Abraão vinha de uma linhagem difícil. Segundo Josué 24:2, sua família era de idólatras. O nome do pai de Abraão era Terá, que no hebraico remete a um “lugar de parada”, mas o nome em si vem do acadiano e significa literalmente “lua”, o deus adorado em Ur dos Caldeus.

Esse era o pai de Abraão. Mas Deus pode levantar uma pessoa com uma promessa grandiosa para as nações independentemente de quem eram seus pais, de onde vive, do poder aquisitivo ou escolaridade. O Senhor pode fazer cessar as dificuldades para que a promessa chegue. Você não precisa ver e ter para crer; você só precisa acreditar que aquele encontro divino é real e que o favor de Deus está sobre você.

MESMO NO FRACASSO, PEDRO EMPRESTOU O BARCO

Fico pensando em Pedro. Ele era muito impulsivo e sempre falamos de seus erros. O apóstolo Paulo escreveu que ele era repreensível, e Pedro confirma que o que Paulo disse era verdade. Pedro tinha dificuldades, mas um coração disposto a fazer a vontade de Deus. Não importa o quanto você tentou acertar e errou, Ele levará em conta os seus acertos. Um dia, Pedro não pescou nada. Ele tinha um problema familiar: sua sogra parecia ter um problema sério com ele porque, todas as vezes que o Pedro “profissional” é citado pescando, ele não pegava nada e Jesus precisava intervir. Esse era o motivo da febre da sogra: o genro profissional não trazia nem uma piaba para casa.

Naquela manhã, enquanto Pedro lavava as redes frustrado, Cristo estava pregando para uma multidão que deveria estar no mercado comprando peixes. Aquele povo não foi ao mercado; foi ouvir as palavras de vida de Jesus. Ele, então, pediu o barco de Pedro emprestado para usar o vento como tecnologia e pregar. Cristo usou o barco daquele homem que parecia destinado ao fracasso, mas que disse em seu coração: “Mestre, pode usar o meu barco, use o que eu tenho, mesmo que eu seja um fracasso aqui no que estou fazendo”. Depois de pregar, Jesus disse: “Pedro, joga a rede do outro lado”. Pedro argumentou: “Senhor, passei a noite toda pescando e não peguei nada, mas sob Tua palavra, eu farei”.

Talvez você esteja há muito tempo sem colheita, mesmo estando em uma promessa grandiosa. Escute o Senhor. Seja guiado por aquilo que Ele está falando. “Mas eu já fiz e não deu certo”. Faça de novo! Fidelidade não é fazer apenas quando dá certo; é continuar fazendo o que Deus pede. Pedro jogou a rede e pegou uma quantidade enorme de peixes.

Jesus logo disse: “Olha, tu não tem muita vocação para isso aqui; tu vai pescar homens, porque peixe está meio complicado para você”. O ponto é: Pedro era um camarada atabalhoado e complicado, mas o seu coração dizia: “Eu vou dar ao Senhor o que tenho”. Deus recompensa essa fidelidade. Pedro pegou aquela multidão de peixes quando o mercado já estava fechado, mas Cristo trouxe o mercado até ele. Deus não está nem aí para o mercado financeiro ou para o tipo de governo. Se crermos na promessa, não importa quem é o governante, se o dólar subiu ou baixou; Jesus muda a lógica e faz a promessa chegar à sua casa. Ele faz a cura acontecer. Algo acontece quando emprestamos o que temos ao Senhor.

O ENSAIO DO MILAGRE

Precisamos saber que Deus faz coisas novas todos os dias. Me lembro que, quando comecei, não entendia que precisava “ensaiar para o milagre”. Quando o grupo de louvor ensaia, eles não ficam tão bons da noite para o dia. Eles ensaiam quando não tem plateia, quando as cortinas estão fechadas. Os erros são cometidos ali, no ensaio. Mas, na hora do culto, eles já ensaiaram o suficiente para executar com maestria. Assim é nossa caminhada com o Senhor.

Vamos tentar fazer o que Deus pediu e cometeremos erros, mas o Senhor usará isso como ensaio até que um dia Ele abra as cortinas e você possa brilhar naquilo que foi chamado. Abraão estava no ensaio da promessa. No ensaio, às vezes não entendemos a música, mas depois que aprendemos, o som se torna maravilhoso.

Minha primeira cruzada no interior do Piauí foi um dos fracassos mais terríveis. Levei carro de som, pessoas em perna de pau, paramos na praça e ninguém veio. Comecei a pregar para as paredes, fiz o apelo e veio um homem bêbado. Quando fui fazer o apelo para cura, o bêbado ficou com raiva da demora e foi embora. Na minha primeira cruzada, até o bêbado desistiu. Já na última cruzada na África, tínhamos cerca de 100 mil pessoas, com cerca de 32 mil a 35 mil conversões em um final de semana. Aleluia! Mas, sem o ensaio, você não tem a experiência de ver as janelas se abrirem. Seja constante e fiel no que Deus lhe prometeu. O favor nos alcança e leva o nosso nome aos ouvidos de quem precisa trazer a bênção.

TEMPO DE DEUS E A HUMILDADE DO CHAMADO

Moisés também tentou fazer o que o Senhor queria, que era libertar Israel, mas no tempo errado. Aos 40 anos, tomado por um sentimento, ele cometeu um crime. Ele tinha o chamado, mas errou o tempo e não controlou sua carnalidade. Moisés não queria fazer algo mau, mas agiu de maneira errada.

Para isso temos a igreja e conselheiros que nos dizem: “Olha, sei que você vai fazer, mas ainda não é o tempo”. Por causa desse erro, ele fugiu para o deserto por 40 anos. O problema de errar o tempo é que, quando erramos, sentimos o peso do fracasso. Quando Deus volta e diz: “Agora é o tempo”, respondemos: “Agora não posso, não sei falar, não tenho mais vigor físico ou paixão”. Moisés ficou amargurado. Ele, que antes queria tanto libertar o povo, agora era quem menos queria ir. Mas não ache que o seu erro no tempo anula o encontro com o Senhor na sarça.

Deus falou comigo em 2005 que eu iria para os Estados Unidos. Tinha 23 anos e disse: “Eis-me aqui”. Eu não era ninguém no Brasil, mas queria ir para as nações. Tentei de todos os jeitos, mas as portas não se abriam. Eu achava que era Deus, mas era apenas o sentimento natural de quem nasceu para aquilo. Vi que não era o tempo. Comecei a pregar no Brasil — já são 25 anos de ministério — e as coisas cresceram.

O ministério se organizou, tínhamos prédio próprio, escritório na Barra da Tijuca, carro importado e 30 colaboradores. Em 2018, durante uma conferência, o Senhor falou comigo atrás das cortinas: “Chegou o tempo, você vai para os Estados Unidos”. Respondi: “Senhor, agora não! Tenho 150 convites por mês para pregar nas maiores igrejas, faço cruzadas em 30 nações. Não preciso de Estados Unidos não, Senhor”. Não queria deixar tudo para ser um “ninguém” de novo. Mas ouvi uma voz: “Você seria humilde o suficiente para voltar a ser um ninguém? Se você for, Eu posso lhe fazer alguém que você nunca imaginou”. Entrei no palco chorando. Deus geralmente nos pega no nosso melhor momento para nos colocar em algo maior, mesmo que pareça um retrocesso. Hoje, nos últimos quatro anos, preguei em dezenas de nações. Só este ano já estive em quatro continentes e 10 países.

CONTANDO ESTRELAS

Quando você continua fiel, Deus diz que a promessa está chegando. Sua igreja vai chegar com a quantidade de membros que você sonha, seu ministério vai avançar e sua cura vai se manifestar. Apenas continue crendo e declarando a Palavra. Não é sobre entender a promessa, é sobre crer nela, como Maria creu. Quando Faraó mandou matar os meninos, a família de Moisés creu que o Senhor poderia guardá-lo. Ele foi criado pela própria filha do Faraó, e Deus fez com que o povo que queria destruí-lo o treinasse e ainda pagasse um salário para sua família amamentá-lo. Às vezes, o que parece uma situação difícil é Deus usando o inimigo para investir em você. Moisés foi patrocinado por quem deveria tê-lo matado. Davi, quando perseguido por Saul, refugiou-se entre os filisteus e prosperou onde queriam sua morte.

Quando você entender que o Senhor quer resolver algo para a humanidade e não apenas para você, descobrirá que seu problema não é tão grande. Deus quer salvar pessoas. “Saia da tenda, Abraão, e conte as estrelas”. Abraão estava querendo resolver seu problema de herança, mas o Senhor queria alcançar as nações através dele.

Você conta estrelas em qualquer lugar do mundo. Isso significa que, em qualquer lugar, o favor de Deus o alcançará. Se estiver debaixo da palavra profética, você prosperará. Dentro da tenda, você só vê a parede do sofrimento; fora, você sonha com Deus. Este Ministério em Campina Grande (PB) alcançará as nações. Quem imaginaria isso há 40 anos? Mas o Senhor diz: “Conte as estrelas”. Mesmo sem o filho em mãos, Abraão já o tinha pela fé. Não é trabalho do homem, é a fidelidade do Todo-Poderoso.

Vamos contar estrelas!

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