
Graduado na Escola de Ministros Rhema
“Nós, porém, não nos gloriaremos sem medida, mas respeitamos o limite da esfera de ação (regra) que Deus nos demarcou e que se estende até vós. Porque não ultrapassamos os nossos limites como se não devêssemos chegar até vós, posto que já chegamos até vós com o evangelho de Cristo; não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios e tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos sobremaneira engrandecidos entre vós, dentro da nossa esfera de ação, a fim de anunciar o evangelho para além das vossas fronteiras, sem com isto nos gloriarmos de coisas já realizadas em campo alheio” (2 Coríntios 10:13-16).
O apóstolo Paulo realmente fala sobre uma esfera de atuação ministerial — em grego, usa-se o termo κανών (kanṓn), que pode ser traduzido como “regra”, “limite” ou “medida” de atuação. A palavra “regra” (κανών – kanṓn), no contexto do Novo Testamento, denota uma área ou limite específico de responsabilidade que o Senhor determinou. Paulo está defendendo que ele e sua equipe estavam operando dentro da esfera de autoridade que Deus lhes confiou, ou seja, o seu “território espiritual” ou “jurisdição apostólica”. Ele rejeita a acusação de que estava invadindo áreas ministeriais alheias, explicando que Corinto fazia parte da esfera de atuação que Deus lhe atribuíra como apóstolo dos gentios.
A jurisdição ministerial significa a autoridade delegada pelo Senhor para um ambiente limitado por Ele, segundo a sua soberania. Há um reconhecimento de que Deus estabelece limites e campos de atuação para os ministros. O apóstolo desejava expandir a missão “além” de Corinto, mas somente após consolidar sua área atual de atuação.
Paulo não se gloria no trabalho alheio, nem tenta tomar crédito por aquilo que não realizou, ou seja, evita a comparação e competição. Portanto, o apóstolo ensina que devemos ter zelo com os limites da nossa atuação e respeito pelas vocações e designações dos outros – ética ministerial.
- Romanos 15:20 – “Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado…”
- Gálatas 2:7-9 – Paulo reconhece que a Pedro foi confiado o evangelho da circuncisão, e a ele o dos incircuncisos.
Exemplificando de modo prático a preocupação do Apóstolo Paulo, temos em Saul tal inobservância, que refletiu na ruptura da autoridade espiritual por incredulidade disfarçada de pragmatismo (1 Samuel 13:8-14). Saul aguardava Samuel em Gilgal, conforme fora orientado (1 Samuel 10:8), mas, diante da demora, do exército se dispersando e dos filisteus se aproximando, assumiu a função sacerdotal e ofereceu o sacrifício — algo que não lhe era permitido. Saul usurpou um ofício que não lhe cabia, motivado por ansiedade e incredulidade. Deus, por meio de Samuel, declara que seu reinado não permanecerá (1 Samuel 13:14). É aqui que se inicia a perda da legitimidade espiritual de Saul como rei.
Foi um ato de presunção, medo e controle humano, e não de fé. Saul não seguiu a instrução profética dada por Samuel; pelo contrário, tentou apaziguar a crise por meios carnais, desonrando o princípio da obediência. Kenneth E. Hagin ensina que fé é agir com base na Palavra, mesmo quando não se vê nada no natural. Saul, no entanto, agiu por vista: a visão dos soldados indo embora e o inimigo se aproximando ditou suas decisões. Ele escolheu o caminho do controle e da precipitação, não o da fé obediente.
E.W. Kenyon afirma que quando a fé é substituída por ansiedade e tentativa humana de controle, a Palavra é desonrada — e foi exatamente isso que ocorreu: Saul desonrou o comando do Senhor ao confiar mais em seus próprios recursos do que na fidelidade de Deus.
A crise não autoriza a quebra de princípios. Saul foi reprovado não apenas pelo que fez, mas por demonstrar que seu coração não era totalmente fiel ao Senhor. Seu reinado foi rejeitado porque a autoridade espiritual é sustentada por obediência e confiança no tempo e na direção de Deus — nunca pela força da ansiedade ou pela lógica humana.
“Porém agora o teu reino não subsistirá; já o Senhor buscou para si um homem segundo o seu coração” (1 Samuel 13:14).
A atitude de Saul em Gilgal não foi apenas uma infração ritual ou uma precipitação em um momento de crise — foi, sobretudo, uma violação grave da ordem espiritual estabelecida por Deus, pois ele tocou em um ofício e em uma unção ministerial que não lhe pertenciam. A transgressão de Saul foi invadir um ofício que não lhe foi confiado. Tocar ofícios e unções que não nos pertencem resultam na quebra da ordem divina.
IMPLICAÇÕES ESPIRITUAIS: ORDEM, VOCAÇÃO E AUTORIDADE
- Deus distribui os ofícios conforme Sua soberania: Os ministérios — apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (Efésios 4:11) — são dons distribuídos por Cristo, e cada um deve andar segundo a medida da graça recebida (Romanos 12:3-6; 1 Coríntios 12:18). Invadir a unção alheia gera disfunção no Corpo de Cristo quando alguém ocupa um lugar que Deus não lhe designou. Além de trazer juízo para si mesmo, interfere na harmonia, criando confusão, sobreposição e até escândalo.
- 2. A motivação errada: controle, vaidade ou insegurança: Saul agiu por medo de perder o apoio do povo — sua crise de identidade espiritual o levou a invadir um ofício para tentar manter o controle. O mesmo ocorre hoje, quando líderes tentam operar em dons ou funções que o Senhor não lhes confiou. A unção é funcional, não autopromocional. Ela é conferida para cumprir um propósito específico, não para status ou segurança pessoal. Quem tenta operar fora de sua medida ministerial expõe-se ao fracasso e ao juízo (mesmo que bem-intencionado). A maturidade espiritual reconhece o próprio limite e celebra o dom e a atuação dos outros, como Paulo expressa: “Não nos gloriamos fora da medida, isto é, nos trabalhos dos outros” (2 Coríntios 10:15).
A autoridade legítima vem da submissão à ordem do Senhor. Saul caiu não apenas por um erro pontual, mas porque violou um princípio espiritual eterno: Deus unge, delega e estabelece limites claros para cada vocação. Ultrapassar esses limites é desafiá-lO.
A usurpação de um ofício é, na verdade, uma rebelião contra o designo de Deus — e a unção não protege quem atua fora da vocação recebida. Em sua obra “A Autoridade do Crente”, Kenneth E. Hagin comenta sobre o ministério de William Marrion Branham — conhecido por operar poderosamente nos dons de cura e profecia — e faz a seguinte análise: Branham foi chamado como profeta, e operava com sinais e revelações notáveis. No entanto, desejou ser mestre da Palavra, algo para o qual ele não fora chamado nem equipado por Deus. Hagin afirma que o afastamento do seu chamado profético original e a insistência em ministrar como mestre lhe custaram a vida prematura, aos 38 anos, pois o Senhor o retirou antes que causasse mais dano ao Corpo de Cristo.
LIÇÃO ESPIRITUAL
O chamado é irrevogável, mas intransferível. Romanos 11:29 diz que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis — mas isso não significa que possamos trocar de ofício como se fosse uma função qualquer. Assim como Saul tocou um ofício que não lhe foi dado e perdeu a legitimidade espiritual de seu reinado (1Samuel 13:8-14), Branham abandonou o seu ofício legítimo para ocupar outro que não lhe pertencia, e isso comprometeu sua vida, ministério e legado. Por isso, é de suma importância que haja o discernimento a respeito de que cada um tem seu lugar, segundo Deus designou. Ele é quem determina função e posição no Corpo. Sair dela é rebelião velada. Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis” (1 Coríntios 12:18).
Outro ponto relevante é o fato de que o dom ou oficio ministerial não substitui o caráter, nem justifica a transição ilícita. Branham tinha dons reais e poderosos, assim como Saul tinha uma unção legítima para reinar — mas ambos foram reprovados por operar fora de sua jurisdição. Neste sentido, o desejo da alma pode mascarar-se de zelo, mas gerar morte espiritual. O desejo de Branham de ser mestre era legítimo aos olhos humanos, mas não correspondia ao plano do Senhor. Foi a inclinação da alma sobrepondo-se à direção do Espírito.
Assim sendo, é de suma importância os seguintes alertas ao Corpo de Cristo e ao Corpo Ministerial:
a) Não há promoção no Reino por ambição carnal: O que parece “mais nobre” ou “mais respeitável” aos olhos humanos pode ser desobediência aos olhos de Deus;
b) Desonrar a unção recebida tentando operar noutra traz confusão e juízo;
c) Quem permanece no ofício que Deus deu floresce com autoridade, unção e fruto duradouro. Quem sai dele pode até impressionar, mas não edifica, e corre risco espiritual.
A história de William Branham é um alerta solene para esta geração de ministros e servos de Deus. Ele é soberano na distribuição dos dons e ofícios. Não cabe ao homem escolher seu lugar no Corpo, mas discernir e permanecer fiel àquilo que recebeu do alto. “Se alguém fala, fale segundo os oráculos de Deus; se alguém ministra, ministre segundo a força que Deus dá” (1 Pedro 4:11).







2 Comentários
Muito obrigado pela mensagem. Necessária para o dia de hoje. Deus é maravilhoso!
👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻
Muito bom. Obrigado 🙏