Não empreste a sua boca ao inimigo

14047325_1093454340732256_7250815901575686612_oLucas Arruda

Graduado do Rhema

Certa vez, eu estava assistindo a um filme e me deparei com uma cena em que um dos personagens falou a outro o seguinte: “palavras são nossa maior fonte de poder, podendo causar problemas e também remediá-los”. Ao ouvir tal afirmação, logo lembrei que havia uma verdade bíblica por trás disso. Em Provérbios 18:20-21, a Palavra do Senhor nos diz assim: “Do fruto da boca de cada um se fartará o seu ventre; dos renovos dos seus lábios se fartará. A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto”. Com mais clareza, a versão Nova Tradução na Linguagem de Hoje diz, a respeito do mesmo texto: “ Você terá de aguentar as consequências de tudo o que disser. O que você diz pode salvar ou destruir uma vida; portanto, use bem suas palavras e você será recompensado”. Uau! Irmãos, é maravilhoso sermos tratados pela Palavra de Deus. Percebam o quão importante é o discernimento das palavras que saem das nossas bocas. De maneira nenhuma, a mensagem de Deus tem o intuito de nos condenar, mas sim, de nos advertir e de nos incutir a responsabilidade sobre aquilo que falamos.

Trazendo essa mensagem para um lado prático, imaginemos a seguinte situação: uma pessoa conduz seu veículo em meio a um trânsito forte; diga-se de passagem, um dos melhores lugares para se exercer o domínio próprio e outros frutos do Espírito Santo é no trânsito. O motorista está concentrado em guiar o seu carro, quando, de repente, é “fechado” por outro veículo. Nessa ocasião, ele possui duas alternativas: deixar o outro motorista passar e seguir o seu caminho ou gritar alguma palavra que pode gerar confusão. Caso ele opte pela segunda alternativa, ele estará “emprestando sua boca ao inimigo”. Talvez nós não tenhamos a noção de tantos incidentes que já aconteceram, pelo simples fato de que as pessoas não souberam se calar no momento certo. Não fomos chamados para a confusão; fomos chamados para a solução.

Os nascidos de novo no Senhor têm que ter sempre em mente que “a boca fala daquilo que o coração está cheio”, conforme está escrito na Palavra, em Mateus 12:34. Ora, se a boca fala do que o coração está cheio, do que está cheio o seu coração? Uma vida diante do Pai revela o caráter de Cristo pelo modo de agir, pensar e falar. Nós temos revelado Jesus através de nossos lábios? Sabem, queridos, nós temos um manual de instruções chamado “Bíblia”, que nos ensina exatamente “o caminho das pedras” para o sucesso. Esse manual nos aconselha a guardarmos os nossos corações, pois deles procedem as fontes da vida. Nós falaremos e deixaremos jorrar aquilo que se encontra na fonte dos nossos corações; portanto, guarde o seu coração para que a sua boca seja um instrumento que traga vigor aos cansados e vida aos aflitos.

Você já se imaginou como uma árvore? Talvez pareça que essa pergunta fuja um pouco do contexto, mas há um propósito nela: te despertar para os frutos que uma árvore pode dar. “Pois cada árvore é conhecida pelas frutas que ela produz. Não é possível colher figos de espinheiros, nem colher uvas de pés de urtiga. A pessoa boa tira o bem do depósito de coisas boas que tem no seu coração. E a pessoa má tira o mal do depósito de coisas más. Pois a boca fala do que o coração está cheio”. Nessa passagem, em Lucas 6:44-45, Jesus utilizou uma metáfora para ilustrar que as pessoas são conhecidas pelo que elas produzem, como uma árvore é conhecida pelos seus frutos.

Alguém que vive na plenitude da presença do Espírito Santo certamente sabe que louvar é muito melhor que murmurar. Logo, se vemos uma pessoa rendendo graças e abrindo a boca para exaltar o nome do Senhor constantemente, podemos até arriscar em dizer que ela é crente. Mas, se há uma pessoa ao nosso lado que só abre a boca para reproduzir as incredulidades que ela tem ouvido nos noticiários, certamente saberemos onde está o coração dela. Tendo essa observação como base da questão, como será que seus colegas de trabalho, faculdade, escolas e outros lugares têm te enxergado a partir do que você tem falado? Assinale a alternativa:

A) você é um crente “007” – aquele do tipo discreto que ninguém sabe que você é crente;

B) um crente “do avesso” – que vive praticando o contrário daquilo que tem aprendido sobre o que falar e, quando tem a oportunidade, está na rodada de fofocas, conta piadas impróprias e fala palavrão; e

C) crente “árvore de bons frutos” – que tem produzido frutos atrativos e gostosos para quem desfruta; sua presença é agradável no recinto que você está, pois sempre tem uma palavra útil que pode ajudar a solucionar um problema ou confortar um coração em um momento difícil, estando disponível a falar uma palavra de fé que quebre o negativismo ao seu redor.

Gabarito: se a resposta for A, é melhor se posicionar. É importante que as pessoas mais próximas de você possam desfrutar de uma palavra positiva que o Espírito Santo, que habita em você, pode proporcionar. Se encha do Espírito e flua nEle. Seja um canal de bênçãos. Se a sua resposta for C, você é um crente de sucesso. Precisa permanecer constante na caminhada e sempre “afogueado”. Que as palavras que saem da sua boca possam sempre revelar a graça e bondade de Deus. Se você conhece alguém que a resposta é a letra B, alerte essa pessoa para a importância de gerar bons frutos. Um filho de Deus genuíno deve falar apenas daquilo que ele ouve do Pai, assim como Jesus fazia aqui na terra. Certamente não ouviremos palavras torpes saindo da boca do nosso Pai. Palavras torpes não são apenas palavrões; se atente, também, quanto à murmuração e a palavras de incredulidade, como “eu não consigo”, “eu não posso”, “ó céus, ó vida”. Fique atento quando alguém chegar para te contar alguma coisa que comece com “não é pra contar pra ninguém; é pra orar…”, pois há grande possibilidade de não ser algo muito construtivo.

Para não emprestar minha boca ao inimigo, do que eu devo falar? Em Filipenses 4:8, está escrito: “Portanto, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente”. Essa mensagem nos remete ao que devemos pensar. Então, quando a circunstância vier, as palavras que devem sair de nossas bocas, como reação, devem corresponder ao que a Palavra nos pede para dizer.

Como desfecho dessa mensagem, deixo um pequeno trecho do livro “Não fale negativo”, do apóstolo e pastor Bud Wright: “Precisamos ter cuidado com o que falamos, porque isso afeta nossas vidas e determina aquilo em que vamos crer e o que vamos fazer ou colher. Palavras são sementes. Elas podem afetar, de maneira boa ou má, a vida de quem as fala e a vida de quem as ouve”. Portanto, meus queridos irmãos, não emprestem suas bocas ao inimigo. Persistam na prática da Palavra, produzindo bons frutos.

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