O “sanduíche” do serviço

Ao servir o Senhor, não podemos servir como se fosse um tipo de trabalho comum; precisamos servir com paixão, como Jesus.
Simon Potter
Coordenador do Centro de Oração do Ministério Verbo da Vida

Quero viajar com vocês, logo no início. Entramos em um restaurante na Inglaterra, esperando os rapazes nos atenderem, e eles estavam sentados, com aquele olhar de “receptividade”, com aquele vento frio soprando bem forte. Então pedimos: “Tem peixe com batata frita?”. E, por conta da globalização, temos a oportunidade de avaliar o restaurante. Quando cheguei aos Estados Unidos, os atendentes eram simpáticos e nos tratavam bem. No Japão, eles se curvam e nos cumprimentam. Glória a Deus, podemos servir, mas com excelência.

“Amem-se de forma cordial uns aos outros com amor fraternal, preferindo-se em honra uns aos outros. Não sejam negligentes no zelo; sejam fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Romanos 12.10-11).

O SANDUÍCHE DO SERVIÇO

Vamos pensar no ministério como se fosse um sanduíche: no meio dele está o serviço ao Senhor e o “pão”, que o envolve, é o vigor. Como o apóstolo Paulo nos ensinou, devemos servir com alegria, dando o nosso melhor, pois é para Deus. Paulo tinha a consciência de saber e dizer que era um escravo do Senhor, servindo com amor.

“Seja o modo de pensar de vocês o mesmo de Cristo Jesus, que, apesar de ser Deus (ou existindo na forma de Deus), não considerou que a sua igualdade com Deus era algo que deveria ser usado como vantagem; antes, esvaziou a si mesmo, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens” (Filipenses 2.5-7).

“Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra; e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2.9-11).

JESUS, O SERVO QUE SE ESVAZIOU

Ele serviu com humildade, esvaziou a Si mesmo, tornou-se obediente até a morte, e morte de cruz, e acabamos de celebrar essa morte, de lembrar do seu sacrifício. Que ousadia a de nos servir, não só na vida, mas também na morte. Podemos ver como Jesus se colocou como escravo para nos servir, na ceia com Seus discípulos.

“Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus, levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se” (João 13.3-4).

“Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus vestiu a capa e voltou ao seu lugar. Então perguntou: ‘Entendem o que fiz a vocês?’” (João 13.12).

O trabalho do menor escravo da casa era lavar os pés das pessoas, mas Jesus tirou sua vestimenta de luxo para servir como um escravo e lavar os pés dos próprios escravos. Pedro, sempre sem filtro, olhou para Jesus e perguntou: “Mas Senhor, irás mesmo lavar os nossos pés?”. E Jesus o explicou com simplicidade, com o prazer de servir os discípulos. Servir é um prazer.

O SERVO ESPERADO

Podemos ver, lá em Isaías, que as pessoas estavam esperando por um rei, mas veio um servo, um servo de Deus, escolhido por Deus.

“Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios” (Isaías 42.1).

“E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mateus 3.17).

“Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste” (Salmos 40.6).

A ÁGUA PRECISA FERVER

E voltando para a minha terra, a Inglaterra: a hora do chá! Ouvindo o barulho da chaleira fervendo a água, o Senhor quer algo, e a minha pergunta é: tem água quente? Mas não a água que esquentamos no micro-ondas, e sim a água que fervemos. Vamos ferver a água! Deus não gosta de água morna, ou fria, prefere quente, mas nunca morna.

“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24.49)

O cansaço vem, quem serve sabe, e com ele vem o risco de perder o fervor. Como podemos recuperá-lo? Não podemos servir apenas com a força do nosso braço; precisamos buscar d’Ele a força e o fervor. No fim do dia, estaremos servindo ao Senhor.

“Mas recebereis o poder do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1.8).

“Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem” (Atos 2.1-4).

SERVIÇO E ESPERANÇA

Não podemos cumprir a missão que o Senhor nos deu sem o Espírito Santo. Precisamos nos vestir diariamente no Espírito: no trabalho, no intervalo, em casa, antes de dormir. É o fervor, é sermos fervorosos de espírito ao servir o Senhor. Não podemos servir às pessoas de qualquer forma, pois a outra parte do sanduíche é regozijarmo-nos na esperança.

Esperança significa confiança, pois Ele já viu o fim; Ele não só viu como escreveu o fim. Muitas vezes, no ministério, temos vontade de chorar, mas ali está a doce voz do Espírito dizendo: “Agora era um ótimo momento para rir”.

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