por Elle Beethoven dos Santos Resende
Graduado em Bacharel em Teologia (FACULTE). É Analista e Desenvolvedor de Sistemas (UNITINS). Licenciado em História (UVA). Graduado no Rhema e Escola de Ministros. Mestrando em Ciências das Religiões (UFPB). Contato: [email protected]. Contato: [email protected]
No mês natalício dos 500 anos da reforma, sobreveio-me este questionamento: Que tipo de Igreja estou me tornando?
De uma forma avassaladora, essa temática começou a dialogar e a me conduzir a pontuar alguns períodos bem críticos da história que contribuiu de certa forma com a conduta da Igreja do século XXI.
Refletindo um pouco mais, fui reportado aos evangelhos e, permanecendo neste período, foi possível encontrar o primeiro e grande reformador verbalizado, andando e exercendo o seu ministério terreno, estreando n’Ele um grande processo de mudança.
Jesus fornece o caminho: E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.
É neste prisma que é delineada e perpassada pelos séculos vindouros da Era Cristã uma nova postura de como entender tal boa nova apregoada por Jesus. Com o decorrer desses sermões inigualáveis da época, percebe-se tão singular paixão em que convergiram para esta mensagem centenas de vozes apologistas.
[…] Porém, não os achando, arrastaram Jáson e alguns irmãos à presença dos magistrados da cidade, clamando: Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui […]
Tais defensores da fé não se permitiram ser silenciados em meio ao sistema do mundo, mesmo em meio às perseguições advindas por diferentes lugares. É notório que a Igreja que estava iniciando seus primeiros passos em meio de solavancos e intempéries vai se consolidando até culminar com sua oficialização no final do IV século.
A Igreja, que teve seus pilares fundantes no Evangelho de Cristo, agora, assumiu a responsabilidade em conduzir a pastos verdejantes as novas ovelhas evangelizadas. Entretanto, tal Igreja Imperial entra num processo de distanciamento da essência dos ensinamentos do Messias.
A reforma, mais uma vez, propõe vir à luz em um mundo barulhento, onde a impunidade, abusos doutrinários e intolerância religiosa a faz mergulhar em um baixo nível moral sem precedentes na história da humanidade. A mácula estava, agora, prenhe nas estruturas eclesiásticas.
Ao pensar no processo reformador do século XVI, vejo, no monge, um solista trovador na Alemanha que teve sua voz amplificada pelo poder da Palavra e pela presença do Espírito Santo. Todavia, não devemos descartar que fazia parte deste grande coral outras vozes que, mesmo separados por períodos cronológicos e também distância geográficas, marcaram suas gerações reafirmando e valorizando o poder inigualável das Escrituras. De fato, são bocas de ouro para o mundo; eles fazem parte da Igreja Triunfante.
[…] A Igreja Triunfante, de acordo com as Escrituras, retrata um corpo de crentes que não apenas conhece, mas exercita sua autoridade em Cristo, sendo assim; através de Cristo Jesus, reina vitoriosamente em vida sobre satanás, um inimigo derrotado […]
Para Martinho Lutero, a descoberta de que o justo viverá pela fé, se tornou Rhema em seu coração. Indubitavelmente, não demoraria para que a doutrina da Graça passasse a ser vivenciada com toda a sua inteireza.
Inacreditavelmente, a voz alemã trovejou.
[…] Muitos têm crido que a fé cristã é uma coisa simples e fácil, e até tem chegado a contá-la entre as virtudes. Isso ocorre porque não a têm experimentado de verdade, nem têm provado a grande força que existe na fé […]
Em 31 de outubro de 1517, é afixado, nas portas da Igreja do Castelo em Wittenberg, um manifesto público; nele, estavam 95 teses, que refletiam, não apenas indignação, mas também se percebia um coração incendiado que propunha incendiar outros corações. O mesmo sentimento de amor à Palavra já tinha sido outrora vivido por Pedro Valdo (século XII).
Não obstante, as paredes eruditas da Universidade de Oxford já tinham sido outrora tocadas pela estrela mais incandescente (John Wycliffe), que, com firmeza, proclamava que todo o poder está disponível a todos os homens que desejam se achegar a Jesus Cristo.
Na Itália as chamas Inquisitoriais silenciam a voz de Jerônimo Savonarola. Mesmo assim, o sentimento era único: a necessidade urgente de se voltar ao princípio.
Estes reformadores seguiram o exemplo de Jesus. Eles proclamaram a Palavra, enfocando que Ela continuaria sendo padrão de fé e de prática. E este padrão aferiu tanto às autoridades como às práticas religiosas em vigor de sua época.
A Reforma, antes de ser um protesto e, evidentemente de caráter protestante, é eminentemente uma reforma da Palavra. A Palavra de Cristo, através da qual vem a fé. E uma fé chamada cristã, pois é Jesus, o Cristo, quem a (re)formou.
Por fim, Deus, que é fonte de todo o bem e amor, sempre levantará Seus arautos para que, com ousadia, possam agarrar o Espírito da Fé e, com intrepidez e alegria, proclamem a Palavra Revelada, somando-se, assim, a centenas de vozes reformadoras. Forma-se, então, um grande coral, não permitindo os desvios que a sociedade hodierna tenta imprimir à Igreja.
Maranata!






