
Aluno do Centro de Treinamento Bíblico Rhema em Marabá-PA
O ato de dar (entregar, doar e demais verbos com esse mesmo sentido) está ligado à natureza humana, pois é próprio do ser, feito à imagem e semelhança de Deus, essas virtudes que são herdadas do próprio Criador, cujo DNA exala a bondade e voluntariedade de abençoar a todos.
A Bíblia fala que nós o amamos porque Ele nos amou primeiro. De igual forma somos compelidos a dar, porque Ele nos deu primeiro: a vida, o sopro da existência, a terra para nossa possessão e governo, nos deu a restauração em Cristo e também o seu Santo Espírito, como semelhantemente nos dará todas as boas dádivas e todo dom perfeito.
A Bíblia é recheada de textos que demonstram a liberalidade do Senhor, que, se entregou voluntariamente para nos resgatar dos pecados (Gálatas 1.4), em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave (Efésios 5.2), para nos remir de toda maldade e purificar para si um povo seu, consagrado às boas obras (Tito 2.14).
Não importa a época, credo ou etnia, o dar sempre foi comum aos indivíduos, ao passo que a história registra que em quase todas as civilizações antigas houve rituais de oferendas, dízimos e primícias. O homem imbuído desta qualidade divina, sempre trouxe regalos a seu deus, ainda que muitos inadvertidamente não fizeram ao Deus verdadeiro.
A propósito, o próprio Deus também nos compele pela sua palavra a promover em favor dele, uma contínua entrega. O Deus que dá é o Deus que é hábil em receber, por isso nos convida a: entregar nosso caminho, confiança, para que o mais Ele possa fazer (Salmo 37.5); lançar sobre Ele todas as nossas ansiedades, para que Ele tenha cuidado de nós (1 Pedro 5.7); dar-lhe a primazia, para seu reino e justiça, para que naturalmente haja o acréscimo das demais coisas (Mateus 6.33). Além do mais, é bíblico que dar é um exercício de adoração, forma de limpar toda avareza do coração e semente importante que nos habilita a uma colheita abundante. Deus nos gerou e nos criou para louvor de sua glória e para termos o melhor desta terra, mas a forma como lidamos com nossos talentos, habilidades e provisões dizem muito a respeito de como o adoramos.
Primeiro, porque tudo que existe é dele (Salmos 24.1), então devemos nos esvaziar da vaidade de acharmos que fora d’Ele temos ou somos alguma coisa. Certamente é a sua bondade e misericórdia que nos concede os favores desta vida.
Segundo, porque a única coisa que pode rivalizar com Deus, em nossos corações, é o dinheiro. Por isso, Cristo foi enfático quando disse que ninguém pode servir ao Deus vivo e ao deus das riquezas, vedou-se uma dualidade de senhores (Mateus 6.24). Desta forma, como lidamos com o nosso dinheiro retrata a saúde do nosso coração. Logo, devemos evitar a avareza, pois isso é a idolatria (Colossenses 3.5).
Paradoxalmente, quanto mais damos mais obtemos favores, em virtude de existir uma lei universal e espiritual que contraria a lógica matemática. Pela aritmética, se damos, tendemos a ficar com menos, todavia, no contexto bíblico quando mais damos mais obtemos, até porque, mais bem-aventurado é aquele que entrega do que o que recebe (Atos 20.35).
Na contabilidade celeste, o acréscimo não está em acumular, ao contrário, mais teremos se aprendermos a dispensar. Talvez porque a mesquinharia do ajuntar contraria a essência do próprio Deus, que além de Senhor de tudo é sabidamente conhecido por sua bondade e generosidade. Então, quer inspirar em nós um desapego aos tesouros materiais e uma confiança irrestrita na sua provisão. Como diz o salmista, uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós devemos confiar no Senhor nosso Deus (Salmos 20.7).
No mundo ocidental, vigora o regime capitalista, onde o mercado é livre e as pessoas podem empreender da forma que lhes convier e não há limites na obtenção de lucros. A Bíblia não é contra o lucro ou as riquezas, apesar de muitos cristãos incautos assim acreditarem, muito pelo contrário, Deus já liberou prosperidade para todos os seus filhos. O que se veda é o amor ao dinheiro, que é causa raiz de muitos males, principalmente a apostasia da fé (1 Timóteo 6:10).
Além de não contrariar os dividendos e produtos financeiros, a própria Bíblia traz uma importante recomendação de investimento: diz que devemos juntar tesouros, porém não devemos fazê-lo na terra, onde existe a possibilidade real de perdas, destruição e roubo. Na verdade, devemos amontoar tesouros no céu, cujo investimento estará blindado da desvalorização e deterioração, divinamente protegido e imune de prejuízos. E principalmente, colocaremos o nosso coração no lugar certo, pois aonde estiver o nosso tesouro, também estará o nosso coração (Mateus 6:19-21).
E finalmente, ainda sobre o dar, a forma como é realizado a entrega, pode atrair bênçãos sem medidas. “A quem dá liberalmente, ainda se acrescenta mais e mais; ao passo que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda” (Provérbios 11:24).
Por mais óbvio que parece, não basta simplesmente dar, mas deve ser feito com liberalidade. Liberalmente, no jargão do Direito, significa voluntariamente, sem nenhuma obrigação, simplesmente porque quis. Seria o caso de uma doação que uma pessoa faz a outra, onde o beneficiário receberá o legado mesmo sem ter feito nada para o doador. Temos muitas razões para adorar e devolver a Deus, motivos inclusive morais, religiosos e cívicos. De alguma forma periodicamente contribuímos, a depender da causa, somos mais propensos a ajudar, pois há projetos interessantes que reclamam nossa maior contribuição de tempo, dedicação, dons e talentos.
Ainda que toda colaboração possa ser contabilizada, nos parece pela Palavra de Deus, que há um acréscimo progressivo e infinito (mais e mais), quando fazemos com liberalidade, isto é, quando não temos a obrigação de dar, mas ainda sim somos convencidos pelo amor a fazê-lo, não visando obtenção de proveitos pessoais, mas entendendo a necessidade de semear no reino de Deus. Essa liberalidade é semelhante ao que o próprio Jesus fez e que o apóstolo Paulo nos recomendou a ter o mesmo sentimento. Assim como Cristo Jesus, que, “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:5-8).
Jesus não precisava ter feito o sacrífico por nós, mas gentilmente se voluntariou e por liberalidade, se deu em nosso lugar. Não esperava receber nada em troca, muito pelo contrário, o fez como expressão máxima do amor. Todavia, em razão do princípio da liberalidade, algo extraordinário aconteceu, como foi dito por Paulo em Filipenses 2:9-11.
Assim, em razão da entrega voluntária, liberal, o nome de Jesus foi alçado ao topo de todos os nomes e mais que isso, foi lhe acrescentado “mais e mais”, progressivamente, pois veio como unigênito e se tornou primogênito (Colossenses 1.15), ao passo que se tornou o cabeça do corpo, da igreja e em tudo tenha a preeminência (Colossenses 1.18).
Desta forma, tal como Jesus se deu liberalmente, que possamos entender o poder de dar com essa qualidade. Que possamos contribuir graciosamente com o coração, não com tristeza ou por necessidade, cientes que Deus ama ao que dá com alegria (2 Coríntios 9.7).







1 Comentário
O que Darei eu ao Senhor por tudo que fez por nós.