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Sou gaucha de Porto Alegre, mas vim para Campina Grande fazer a Escola de Missões. Eu nunca pensei que um dia conheceria o Nordeste, sempre achava isso muito distante de mim. Quando comecei a compreender o chamado do Senhor para a minha vida, ainda resisti um pouco em aceitar o chamado em si, mas, quando entrei no Verbo da Vida, sabia que era a melhor escolha que devia fazer. A Escola de Missões foi o passo que precisava ser dado, perdi o medo de pensar: “será que é da minha cabeça?” Deus me deu as direções, mas é um desafio estar aqui. Acredito que já estou quase uma paraibana.

Campina Grande, apesar de ser uma cidade pequena e do interior, é muito desenvolvida. Mesmo sendo do interior, não é como as cidades do interior do Rio Grande do Sul, que são bem pacatas, mal tem linha de ônibus, o centro é na praça que tem a igreja apenas. Aqui, parece uma região metropolitana, porque é bem movimentada. A primeira vez que vim a Campina Grande foi em 2014, fiquei quatro dias e já dava pra ver a diferença. Percebi os contrastes das cidades estou mais tranquila, o missionário não tem lugar para chamar de seu. Estou me desprendendo de lugares. Quando cheguei, sofri bastante, chorei muitas vezes. Aqui já é missões. O que gosto do povo paraibano é que eles são acolhedores, amistosos, e isso no sul não é no contexto geral.

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Nunca sai de Porto Alegre e era uma pessoa muito apegada à cultura, isso é comum nos gaúchos, somos aqueles que sabemos o hino do estado. Mas o maior desafio foi deixar a família lá. O chimarrão, a roda de conversa, o frio, o churrasco, isso tudo faz falta. O povo gaúcho é mais fechado e não gosta que tomem o espaço deles. Se uma pessoa ‘chega, chegando’ em um gaúcho, ele se fecha. Mas se você vai chegando aos poucos, tu serás o melhor amigo dele. Para nós a amizade mais intima, requer um tempo. E deve ser cultivada. É um povo mais recatado, concernente às manifestações, mas é um povo que está sendo avivado pela palavra. Não quero ficar comparando as culturas, entendo que estou em outro lugar.

3

Tenho 28 anos. Sou a filha do meio. Mas tenho um irmão chamado Diego do primeiro casamento de minha mãe, Daniela, eu e a Fernanda. Meus pais ficaram casados por um bom tempo. Se separaram e meu pai teve outro relacionamento e tenho mais dois irmãos menores. Meu pai faleceu em 2014 assassinado, foi um momento bem difícil e a forma que aconteceu eu tive que ser muito forte. Esse fato me chacoalhou, parece que todas as áreas que eu estava andando relapsa na vida, foram impactadas. Tanto no trabalho, quanto na igreja. Eu não convivia mais com ele, mas me choquei muito.

Ele era militar, desviado e nunca mais o vi voltar para Jesus, ele até frequentava a igreja, mas não queria vinculo. Ele tinha uma personalidade muito forte, se tivesse que falar, ele falava, era meio desequilibrado e por isso, acabou se envolvendo aos 50 anos em uma briga de trânsito e foi assassinado. Quando ele morreu, de imediato, não sabíamos disso, descobrimos um ano depois o porquê.

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Ele se aposentou aos 45 anos, (muito cedo) porque entrou na polícia muito jovem. Aposentou por tempo de serviço; Por mais que eu orasse por ele, sabia que se ele não mudasse poderia ter um fim trágico. Eu tinha certeza da salvação dele, mas podia morrer cedo pela conduta. Ele faleceu na madrugada se sábado para domingo, mas só na segunda soubemos. Lembro que no domingo eu não sabia que ele estava morto e fui para a igreja e estava orando e me veio muito forte orar pela salvação dele, em tom de agradecimento, eu não sabia, mas ele já estava morto. Precisei ser forte, não chorei, preferi crer que ele estava melhor do que na vida miserável que vivia.

Até hoje, sou a única lá de casa que se converteu. Sempre fui desafiada a aplicar a Palavra em minha vida por tudo que já passei. A minha vida é vencer desafios. Superei a ausência do meu pai.

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Minha mãe, Isa, é empregada doméstica e sempre foi uma guerreira. Sofreu com a minha vinda para Campina Grande, ela entende um pouco o meu chamado, mas sofre e, quando ela vê notícias sobre o Oriente Médio, diz: “você vai para campina grande, mas, depois, vai voltar para casa”, tenho orado por isso, ela é muito sensata.

Minha mãe teve um casamento bem conturbado, nada tranqüilo, porque meu pai tinha um gênio forte e ela também brigavam muito. Quando eles separaram, eu achei ate melhor, ela é uma pessoa que ajuda todos. Ajuda os netos, tem três já, ela está sempre abraçando o mundo, falo para ela cuidar dela, e não pensar só em nos.

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Há 16 anos, ela trabalha em uma mesma casa, é bem amada lá. Eu tenho muitas saudades dela. Oro pela salvação dela, que ela encontre um lugar para ouvir a Palavra, que ela viva a plenitude aqui na Terra do que Deus tem para ela.

Por muito tempo carreguei o peso deles não serem salvos, mas não depende de mim, mas deles. É uma decisão deles. Posso falar a Palavra, mas viver é a melhor coisa.

A base da minha vida foi a educação que meus pais me deram e sou grata a eles por isso.

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Meus pastores Paulinho e Sinara são referenciais de pastores, líderes de família, é muito grande meu amor por eles. Paulinho e sinara tem o coração lindos, estão colhendo a obediência pelo que plantaram lá, eu vejo que eles me inspiram, pois abriram mão de tudo para cuidar das pessoas no Sul. se eu não obedecer e ir para campina grande, seria egoísta e não posso agir assim. Sinara é paraibana ele do Espírito Santo, estão em Porto Alegre tratando as pessoas com tanto amor. Esse tempo em Campina Grande, eles me acompanham. Sempre me animam e isso me dá segurança. Porque a minha mãe não me acompanha de perto no chamado, mas eles sim.

Meu alvo é levar o amor de Cristo para o mundo árabe, muçulmanos, meu sonho é poder alcançá-los até mesmo no Brasil que já tem muçulmanos.

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Vejo uma juventude fora da igreja perdida, em engano, desequilíbrio, em vida virtual, sem interação com a família. Às vezes, penso que tem uma geração de psicopatas com muitos traços de pessoas doentias, frias que não interagem com o outro mas vivem conectados, não se importam com os pais, não sabem o que é batalhar.

Na igreja, vejo uma geração de jovens sedentos, sede de avançar no chamado. Juventude que tem se levantado para o Senhor e muitos deles dão um banho com a paixão que sentem pelo Senhor. Alguns vão para o campo missionário bem jovens são ousados, Deus está falando cedo com eles e vão longe.

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Antes do Rhema, eu não gostava de ler, mas, com o tempo, desenvolvi gosto pela leitura. Me disciplinei mesmo, se leio na cama tenho sono, mas estou me adaptando e lendo com as minhas estratégias. Se for temas como islã, eu leio mais. Gosto de ver documentários, com temas interessantes como: história, astecas, maias… Gosto dessas coisas, amo, e levo outros a verem comigo.

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Sou meio paradoxal, as vezes, palhaça, às vezes, séria, despachada, porém, careta. Na maior parte do tempo, sou forte. Quando tenho os dias frágeis, choro, mas logo volto. Sou uma pessoa que corre atrás do que acredita, fui alcançada por essa Palavra e tenho muita garra. Antes, começava as coisas e não terminava. Iniciei duas faculdades e não terminei, fui humilhada por isso, mas sabe, aquelas areas que tu é mais humilhada e fragilizada, são as áreas que Deus vai te levantar para ajudar outros. Eu penso e sei que serei conhecida por aquela que vai até o fim. A formatura do Rhema foi um marco e outros virão. Agora terminei a Escola de Missões. Sei que vão surgir projetos relacionados ao mudo muçulmano e vou até o fim, vai ter desafios, barreiras mas vou até o fim.

1 Comentário

  • Que lindo!
    Que Deus continue te abençoando missionária ungida.
    Declaro prosperidade no seu chamado, favor de Deus.
    Continue perseverando, pessoas te esperam, pessoas aguardam com expectativa o que você possui.

    Resposta

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