Livres na Palavra: curso bíblico transforma vidas em presídio

A ação tem como alvo o presídio feminino do Serrotão, em Campina Grande (PB). No local, mulheres estão sendo salvas e transformadas pelo Evangelho.

O avanço do Ministério Verbo da Vida dentro da Unidade Penitenciária Feminina do Serrotão, em Campina Grande (PB), tem produzido frutos cada vez mais visíveis na vida das reeducandas.

Por meio do Curso de Introdução Bíblica Verbo da Vida e do projeto Coisas de Mulher, o ensino sistemático da Palavra tem transformado rotinas, restaurado identidades e conduzido muitas mulheres à verdadeira liberdade: aquela que é originada do novo nascimento e da revelação da fé. Histórias de mudança se multiplicam a cada semana, e a equipe tem testemunhado que inúmeras alunas foram libertas pela Palavra, mesmo antes de cumprirem suas penas.

Tudo isso é fruto da dedicação e trabalho coordenado por Ana Militão, diretora do Curso de Introdução Bíblica dentro do presídio, e de uma equipe comprometida com a missão de apresentar o Evangelho de Cristo às internas. Além de Ana, a iniciativa conta com Miriam Silveira, vice-diretora; Allana Sheyla, secretária; e a gestora financeira, Marrosy Bandeira, bem como professores voluntários que reservam parte da rotina para ensinar.

De acordo com a diretora, o curso é dividido em três blocos de oito matérias, organizados didaticamente para proporcionar continuidade e aprofundamento. As alunas aprendem sobre o novo nascimento, o caráter de Deus, Seus atributos e a compreensão do espírito, alma e corpo.

O ensino acontece às quartas e sextas-feiras, em encontros que começam ainda no trajeto: “O carro que nos conduz se torna muitas vezes nosso escritório, onde vamos conversando, orando e até decidindo coisas”, revelou.

E é isso mesmo. É neste mesmo carro que todas as orientações, impressões e alegrias são compartilhadas durante a ida. Assim, embora em meio às atividades diárias, cada voluntário procura servir oferecendo seu melhor àquelas vidas.

“Servir ao Senhor nesse projeto é, para mim, um privilégio imenso, pois vejo Deus agindo de forma real e profunda em cada encontro. É muito bom fazer parte do que Ele está fazendo no mundo. Estar presente naquele ambiente é uma oportunidade de crescimento, entrega e propósito que levo com muita gratidão”, exprimiu Marrosy, que, na maioria das vezes, também serve no louvor e na condução e suporte das professoras.

Conforme Ana Militão, há uma percepção que se repete desde a primeira aula: “Todas as vezes que as voluntárias chegam ao presídio, elas levam ‘água fresca e limpa’ para aquelas mulheres”. Ela contou que essa metáfora se transformou em linguagem comum na equipe. “Essa água que levamos se traduz numa torneirinha que todas as aulas abrimos e damos um banhosinho em cada uma. Dessa forma, as reeducandas, que chegam feridas, condenadas pela lei dos homens e colhendo as consequências de erros passados, vão sendo lavadas pelas Escrituras em suas emoções, pensamentos e expectativas”. Assim, conforme explicou, a partir da Palavra, elas aprendem a praticar fé, a organizar a vida para uma nova estação, a liberar perdão e a reencontrar a paz. “As alunas que chegaram com semblante triste e fechado, hoje sorriem e desejam que chegue logo o horário da aula para tomar esse banhosinho da Palavra”, disse animada.

Além do ensino bíblico, as atividades incluem cursos técnicos oferecidos pela ONG Pequeninos, como corte de cabelo, design de sobrancelha, informática e, recentemente, o curso Coisas de Mulher, cujo ensino é feito por meio do livro Os 12 pensamentos poderosos, de Joyce Meyer, conduzido por Miriam Silveira com apoio de Marrosy Bandeira.

“O livro foi concluído na última aula, e agora o grupo começou a estudar o e-book 21 Dias para organizar seus pensamentos, de Juliana Borba, coordenadora geral do trabalho que tem vibrado a cada avanço. Durante esta edição, outras voluntárias se juntaram à equipe, a exemplo de Monalisa Barbosa, Jannayna Albuquerque, Elaine Alves, Geneceuda Monteiro, Gabriela Oliveira, Carol Coutinho, Gildete Leal, entre outras, que ministraram pela primeira vez no presídio e saíram profundamente impactadas pela sede espiritual das internas.


“Não fazia ideia de como seria a atmosfera dentro de um presídio, nunca tinha colocado os pés naquele lugar até o dia que recebi o convite. A princípio fui tomada por um misto de tensão e expectativas, porém, quando cruzei aquele portão e dei de cara com aquelas mulheres, experimentei verdadeiramente o amor e a compaixão que Jesus quer que sintamos pelo nosso próximo”, explicou Geneceuda Monteiro sobre sua experiência. Segundo ela, “depois das aulas você saí tão revigorado que, o frescor daquela água, citada por Ana Militão, nos banha igualmente. É contraditório o que vou dizer e até parece loucura, mas é unânime entre as voluntárias que conversei, você sente-se bem e e experimenta uma alegria enorme ao servir naquele lugar”.

Essa mesma impressão foi percebida por Elaine Cristina Alves, que também serviu no presídio feminino pela primeira vez.

“Foi uma das melhores experiências que eu tive este ano, foi tão impactante pra mim, que teve uma sexta que estava de folga, mas fiz questão de ir novamente, porque sabia que não apenas elas seriam alcançadas, mas eu também. Você vai com uma perspectiva, achando que elas não vão ter interesse, mas, pelo contrário, elas desejam receber, se sentem valorizadas e amadas pelo Senhor. Isso tem mudado a minha vida, e tenho incluído elas nas minhas orações. Creio que algo já está acontecendo em suas vidas. Vi nas aulas que elas tem sede e fome pela `Palavra”, compartilhou.

Dessa forma, com o suporte de uma equipe apaixonada, o projeto segue produzindo bons frutos e, conforme os relatos enviados, muitas reeducandas vêm encontrando clareza, esperança e propósito de vida por meio do ensino e, como se não bastasse algumas delas já tiveram seus julgamentos feitos e conquistaram a liberdade tão sonhada.

“Certa vez, enquanto ainda era vice-diretora do Rhema em Fortaleza (CE), vim em uma reunião de pastores e diretorias aqui em Campina Grande e vi o Ap. Guto Emery lendo uma carta de uma das alunas do Prisional, foi muito forte e mexeu muito comigo, então pensei: ‘Meu Deus, quero muito fazer parte desse trabalho!’. De fato é um trabalho divino, os cursos dentro do presídio estão mudando o destino de pessoas esquecidas e fazer parte desse avivamento nos presídios brasileiros é uma grande honra. Sou grata a Deus por essa visão e pela confiança do Ministério Verbo da Vida e a Juliana Borba, nossa coordenadora”, afirmou Roseane Saraiva, que lidera o time do Prisional na Coordenação do Rhema.

Gratidão é a palavra que resume o sentimento de Ana Militão. Segundo ela, a participação da diretora Anairis Almeida e das policiais penais, cuja atuação é essencial para que o projeto aconteça, é imprescindível.

“Sou muito grata à Juliana Borba, aos professores que deixam suas rotinas para servir, às policiais penais e à direção do presídio pelo acolhimento. Deus é bom. Amo esse trabalho. Ele é uma oportunidade dos céus para a vida da equipe que pega junto e partilha da mesma alegria ao servir pessoas. Servindo pessoas, estamos servindo a Deus. ‘Estive preso e me visitastes’”, concluiu a diretora satisfeita.

7 Comentários

  • Que matéria lindaaa! É gratificante e de encher o coração de felicidade o que essas mulheres fazem por outras mulheres, que nós sabemos que maioria estão lá esquecidas por muitos e discriminadas pela sociedade. E levar a palavra de Deus, mostrar que Deus ás ama, que a vida delas é importante e que existe um caminho a seguir que é o correto e que transformará a vida delas.
    Uma delas é minha mãe, Allana Sheyla. Sou prova viva ao vê minha mãe, saindo de casa para o presídio fazer a obra de Deus, com o coração cheio de amor por essas mulheres e fazendo com todo prazer pelo trabalho do Senhor! Admiro todas elas e que essa obra só aumente ❤️

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  • Graças a Deus por essa visão, pela Palavra de Deus que tem transformado tantas vidas nos presídios. É maravilhoso fazer parte dessa obra.

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  • Que trabalho tremendo, queremos pegar junto contribuindo e orando para que vidas sejam alcançadas transformadas pelo poder dessa palavra, porque o evangelho e o poder de Deus, aonde essa palavra chega cativeiro e virado, diagnostico e frustado e vidas são restauradas.
    Cremos numa intervenção divina nessas cadeias assim como aconteceu aquele terremoto e que a familia do carcereiro foi alcançada vai acontecer em todos os presidios havera um terremoto santo e a sociedade ficara impactada com o grande mover de Deus.

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  • Parabéns pelo lindo trabalho e por levar o idem do Senhor aquelas que se encontram a margem da sociedade.

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  • Eu admiro muito o trabalho que essas senhoras tem feito com as mulheres, que estão nesse momento passando por dificuldades naquele lugar, que muitas até sem pespequitivas, sem apoio de família, aí vem as voluntárias com esse projeto guiado por Deus só temos que agradecer e apoiar cada uma delas inclusive minha cunhada Alana Sheila e suas irmãs em Cristo, parabéns pra vocês, que são benção na vida dessa detentas.

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  • Amo servir nesse lugar, tenho a mais absoluta certeza do meu chamado. Me sinto privilegiada de ter sido escolhida por Deus para amar e servir a pessoas que a sociedade despreza pelo crime que elas cometeram. Escolho amar com o amor de Cristo sem procurar saber o que as levou para lá, mostrando para elas, que Cristo tem uma nova história para cada uma delas.

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  • Que notícia maravilha e impactante!
    Como é bom ver que Deus tem tocado vidas em todas as esferas da sociedade.

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