
Você sabe como um evangelista lida com a família que sente a sua ausência por longos dias? Será que viajar pelo mundo e conhecer muitas pessoas é tão simples quanto parece para esses ministros? Como é a vida deles nos bastidores? Essas e outras curiosidades sobre o ministério itinerante foram reveladas pelo evangelista Jânio César em entrevista exclusiva para o Portal Verbo da Vida.
DE PESQUEIRA (PE) PARA “PESCAR” VIDAS PELO MUNDO
Jânio é um evangelista brasileiro que já percorreu mais de 40 países pregando a Palavra de Deus em eventos e cruzadas que reúnem milhares de pessoas. O que poucos sabem é que ele nasceu no agreste pernambucano, na pequena cidade de Pesqueira (PE). Ao ser questionado sobre como enxerga a jornada que o levou a avançar pelo mundo em seu ministério, Jânio respondeu emocionado:

“Essa é uma das coisas mais cruciais para a minha vida, porque não consigo me ver sem Jesus. Ainda que eu tenha vivido um tempo em que não o conhecia, quando olho para a minha jornada, vejo que Ele nunca me deixou, nunca me abandonou, mesmo que não o conhecesse. Acredito que toda jornada só é possível porque, de alguma forma, o Senhor está nos observando. No momento em que você entrega a sua vida a Cristo, Ele faz com que você dê passos que nunca imaginou serem possíveis. Então, para mim, olhar para essa jornada é entender a fidelidade de Deus e aquilo que Ele sempre desejou. O Senhor sempre esteve por perto, Ele nunca esteve longe”.
COMO NÃO CAIR NA SOBERBA
Assim como aconteceu com grandes evangelistas, Jânio tem acesso a muitos países, autoridades eclesiásticas e políticas, além de experimentar diversos privilégios por onde viaja. Ele contou sobre sua disciplina para não cair na cilada da soberba, começando por um esclarecimento fundamental: “Eu sei quem era sem Jesus. Então, nada do que conquistei, fiz ou experimentei ministerialmente ou no sobrenatural depende de quem sou, mas da dependência de quem o Senhor é”.

Depois de anos de experiência, Jânio não considera que chegou ao auge do ministério que Deus lhe confiou. Sobre o que ainda está por vir, o evangelista comentou: “Acredito claramente que estou saindo do início daquilo que seria a primeira fase do ministério, como diria Kenneth E. Hagin. Para mim, naturalmente falando, é como se acabasse de me formar na universidade do ministério. Agora comecei a prática de tudo o que tenho aprendido nesses últimos anos. Ou seja, tudo o que aprendi até hoje e o que tenho feito eram apenas estudos. Já fiz o meu estágio e agora estou começando a fazer aquilo para o qual Deus me chamou”.
PAGANDO O PREÇO DA AUSÊNCIA
O ministério itinerante requer muito tempo longe de casa. Portanto, existe um alto preço a pagar pela ausência familiar. Com Jânio não é diferente. “Me sinto em dívida com relação a isso. Quando chego de viagem, minhas filhas e minha esposa querem sair comigo, mas prefiro ficar em casa. Essa é uma questão em que o Senhor tem que me ajudar, para que eu possa proporcionar um melhor tempo para a minha família. Vou melhorar”, resumiu.

O ministro explicou que uma ajuda constante contribui nessa realidade: “Tive o privilégio de encontrar na minha esposa, a pessoa que me ajuda em tudo. O que determina o sucesso com a família, sendo um ministro que viaja muito, é com quem você se casou. Minha esposa, além de ser vice-presidente do ministério, cuida das nossas filhas, Aimee e Julie, dos livros e de muitas outras coisas”, afirmou.
Ele também compartilhou estratégias para minimizar essa situação: “Uma das coisas que faço, e que é muito legal na nossa casa, é programar viagens durante o ano com toda a família. Nós já chegamos a passar por 18 estados, viajando mais de 8 mil km dentro dos Estados Unidos, todos no mesmo quarto de hotel. É um hábito que fazemos até duas vezes por ano. Nós também temos o Dia da Família, que começa na sexta-feira, quando assistimos à uma programação juntos, com pipoca e cinema. Dessa maneira, acredito que tento ficar um pouco mais presente”.
OS DESAFIOS DO MINISTÉRIO
Jânio também respondeu sobre os momentos bons e difíceis do seu ministério. Segundo ele, embora nas fotos apareçam apenas as vitórias, o dia a dia é marcado por situações a serem superadas, aprendizados e muitas emoções. Para o ministro, o momento mais difícil no ministério é quando não se consegue enxergar aquilo que somente o Senhor vê. Ele explicou que o ser humano tem dificuldade de olhar além do que sente ou vive no momento. “Nesses momentos de dúvida sobre o próprio progresso, a mão de Deus intervém para mostrar o quanto já foi percorrido, revelando Sua bondade e fidelidade, com a certeza de que tais momentos são passageiros”.

O ministro lembrou de um momento difícil que viveu ao começar a pregar em público, em sua primeira cruzada no interior do Piauí, na qual era o único a ministrar. Ele contou que havia um carro de som, mas apenas uma pessoa se aproximou para receber Jesus — e, por estar embriagada, acabou desistindo e foi embora. Ao orar pelos enfermos, ninguém foi curado. No entanto, a má experiência não paralisou o início de seu ministério.
“Aquilo me ensinou a necessidade de perseverança e de ser guiado para saber como realizar o trabalho. Apesar de a primeira cruzada ter sido um fracasso aos olhos naturais, ela proporcionou um aprendizado valioso que permitiu ajustar o que não deu certo para as experiências seguintes. Na segunda cruzada, os locais já estavam lotados e ocorreram grandes milagres e centenas de conversões. O conselho que dou é que se aprenda com a primeira experiência evangelística para obter sucesso nas próximas vezes”, comentou.
OS GANHOS DO MINISTÉRIO

Jânio também revelou um dos momentos mais marcantes em seu ministério: a cura de uma criança que não tinha orelha. Em uma cruzada no interior do Paraguai, em 2009, levaram aquela menina até ele. Ela não tinha o duto auricular nem a cavidade auditiva. O que veio a seguir surpreendeu o evangelista:
“Naquela noite, o Senhor criou diante dos olhos das pessoas presentes todas as partes do ouvido interno e externo daquela criança. Todos nós podíamos ver sua carne rasgando e sua orelha nascendo. Nas nossas cruzadas, geralmente não vejo como os milagres acontecem porque há muita gente, mas no caso dessa menina específica, eu vi. Eu estava com as minhas mãos sobre ela quando a sua orelha começou a crescer, tocando na minha mão esquerda. Esse foi um dos momentos mais especiais para mim”.

Por falar em frutos, Jânio César também é escritor, com dois títulos em inglês e seis em português, como: Compreendendo o Caráter de Deus, Faces do Redentor, Princípios para Ser Bem-sucedido e Marcados pelo Sangue. Ele revelou que vem muito mais por aí: “Já tenho, no mínimo, quatro a cinco títulos organizados que deverão ser impressos nos próximos meses ou anos. Os temas serão sobre o favor divino, fé e justificação, entre outros”.
UMA PARCERIA INSPIRADORA

Jânio mantém atualmente uma sólida parceria com o Ministério Osborn, liderado por LaDonna Osborn, filha do evangelista T.L. Osborn. O ministro é formado pelo International Gospel Center (IGC), voltado ao evangelismo e ao treinamento de liderança, e atua hoje como um de seus auxiliares, assim como da Osborn Ministries International. Ao comentar sobre sua trajetória ligada a esse ministério, ele destacou a principal lição que aprendeu:
“Amar ao próximo e demonstrar o amor de Cristo para a humanidade. Acredito que o que mais define o ministério Osborn não são simplesmente os milagres, mas o amor às pessoas e a compaixão pelo perdido. Não existe um só dia em que eles não estejam clamando para que o mundo tenha auxílio. Em resumo, aprendi a amar mais as pessoas”, afirmou.

Ao falar sobre a família Osborn, Jânio destacou T.L. Osborn e LaDonna Osborn como algumas de suas maiores fontes de inspiração. Segundo o ministro, o conhecido evangelista o influenciou por meio de livros e vídeos, enquanto LaDonna é alguém com quem teve o privilégio de caminhar. Jânio também fez questão de citar Reinhard Bonnke, com quem teve contato pessoal em diversas grandes cruzadas. Além disso, mencionou outros nomes, como Josué Yrion, a quem considera um grande missionário, e Rubens Cunha, definido por ele como o maior evangelista brasileiro da história: “É um homem com quem tenho o privilégio de ter contato e em quem reconheço um pouco de como Jesus era aqui na terra”, observou.

O IMPACTO DO VERBO DA VIDA
Para completar sua lista de influências, ele citou três nomes do Ministério Verbo da Vida: o Apóstolo Guto Emery, que conhece há mais de 20 anos; o mestre Canrobert Guimarães, outra grande inspiração e Rozilon Lourenço, que investiu muito em sua vida e certa vez comentou: “Jânio também consegue ensinar, e não somente pregar”. O evangelista também fez um agradecimento especial a todo o Ministério:

“Uma das coisas pelas quais sou mais grato é a história de idoneidade e caráter que temos como inspiração. Em um mundo corrompido, não é fácil achar pessoas com tal integridade. Temos um ministério grandioso, com milhares de pessoas treinadas que demonstram o caráter de Cristo para as nações. Queria agradecer por tudo o que o MVV tem feito por nós”.
Jânio lembrou ainda que, desde a época do Pastor Bud Wright, ouvia: “Temos orado por você porque sabemos que és o evangelista que ainda não temos”. E completou: “Graças a Deus hoje temos vários evangelistas nesse Ministério, mas como o primeiro a despontar, sou grato por tudo o que Deus tem feito, não só em Campina Grande (PB), mas em todo o mundo. Agradeço publicamente à liderança deste Ministério em todo o Brasil”.
CONSELHOS PARA OS NOVOS

Aos que acabaram de descobrir seu dom ministerial, Jânio César aconselhou: “A primeira coisa a se fazer é encontrar um lugar na igreja local para servir. Não há sentido em ganhar o mundo sem fazer algo na igreja local. A igreja é a casa de Jesus para aquele que não o conhece. Precisamos trazer as pessoas para a comunhão com a família de Cristo. O serviço primordial para um evangelista é ser um agente de ajuda para o seu pastor”.
E acrescentou: “Diante desse serviço, estude como ser um evangelista. Estude sobre a vida de outros evangelistas, mas saiba que Deus tem algo especial para você, com o seu próprio DNA. Para isso, precisamos ser ótimos membros de igrejas, não simplesmente bons pregadores, mas pessoas de quem os outros queiram estar próximos. Devemos ser uma bênção em nossa comunidade local”.












































