Thiago Freitas (Belo Horizonte-MG)

Meu nome é Thiago Marcos de Freitas. Sou natural de Contagem, município da região metropolitana de Belo Horizonte. Tenho 32 anos. Eu nasci com complicações seríssimas de saúde; nasci com o esôfago desligado do estômago. Algo que era muito raro na época. Fui operado por um médico de São Paulo, foi uma espécie de experiência, por ser um caso muito raro. A porcentagem de chance de vida era de 5%, mas eu sobrevivi. Passei a infância comendo as comidas partidas em pequenos pedaços, pois eu poderia engasgar, acabei seguindo esse hábito até hoje. Graças a Deus, não tenho nenhum tipo de sequela. Cresci sem meu pai; não o conhecia até o ano passado. Quando minha mãe engravidou, ele não quis assumir e a família não quis reconhecer. Tive um padrasto, ele foi minha figura paterna. O pai que tive na infância.

Tenho um irmão mais novo, dois anos mais novo que eu. Hoje, ele é casado e tem três filhos – duas meninas e um menino. Seu nome é Nicolas. Hoje em dia, as crianças crescem numa realidade diferente, ligadas à tecnologia. Na nossa época, não havia nada disso. Não sou tão velho assim pra falar dessa forma, mas cresci jogando bola na rua, brincando com carrinho de rolimã, como qualquer outro menino… essas coisas de criança. A gente reunia os amigos e andava muito pra chegar num córrego e pescar. Essas eram mesmo coisas de criança que a gente fazia. Eu detestava estudar. As pessoas olham e acham que tenho cara de “nerd”, mas eu digo que eu não sou inteligente, sou esforçado.

Por volta dos 14 anos, tive minha primeira experiência com o violão. Meu primo era músico e estávamos em um aniversário, um churrasco de família. Meu primo estava tocando violão e, eu achei aquilo interessante; ele me emprestou o violão e me ensinou dois ou três acordes. Ali, foi o pontapé inicial. Estudei um pouco sobre música, violão e baixo. Comecei a tocar com ele nas noites. Toquei grande parte da minha adolescência nas noites, dos 16 aos 19 anos. Até que eu me converti.

Quando ensino “Escatologia”, eu brinco que a minha relação com a “Escatologia” veio desde a conversão. Minha mãe me chamava para igreja, mas eu dizia: “Não, eu não quero saber de igreja”. Um dia, eles iriam passar um filme na igreja, minha mãe me chamou e, eu fui. Quando cheguei lá, era um filme baseado em uma série de livros de escatologia, o filme falava sobre tribulação. Eu fiquei apavorado, morrendo de medo. Naquele dia, entreguei a vida pra Jesus. Passei um tempo afastado até que, em 2005, eu realmente me firmei.

Em 2006, fiz o Seminário Teológico Carisma, em Belo Horizonte. Estudei junto com o Gleison, que hoje, é supervisor do Ministério na Europa. Em 2008, ele falou comigo sobre o Rhema, me chamando para fazer. Eu resisti, pois vinha de uma rotina muito grande de trabalho e estudos. Em 2009, o Senhor falou comigo para estudar lá. Eu sabia, no coração, que seria professor. Estudei no Rhema entre 2009 e 2010, em 2012, comecei a ensinar. Lembro que ensinei em Uberlândia, com o Pr. Ranilson, minha primeira experiência ensinando no Rhema. Fui ensinar Doutrinas Básicas. Em 2013, tive a experiência de fazer a Escola de Ministros Rhema em Belo Horizonte. Ela deu uma direção bem diferente em relação ao meu ministério. Marcos Honório Jr. também me deu uma direção que eu nem imaginava. O meu pastor iniciou um programa de treinamento de ministros e convidou o Marcos Honório pra dirigir esse trabalho. Ele me chamou para auxiliá-lo. Quando o Ministério o chamou para assumir a Coordenação Doutrinária em Campina Grande, eu dei continuidade ao trabalho em BH. Então, durantes todos esses últimos anos, estive trabalhando nesse programa de ministros.

Quando eu fiz o Seminário Carisma, a Wila, minha esposa, também fez. Tínhamos a obrigação de ler um livro por semana. Fazia parte da grade curricular. Um livro por matéria. 70% da avaliação dependia da leitura desses livros. Hoje em dia, vemos muitos líderes querendo ser levantados, mas eles não possuem uma vida disciplinada de leitura. Gosto de dizer uma frase de John Wesley: “Quem não lê não deveria estar no ministério”. Eu trabalhava numa papelaria, com a máquina de xerox. Trabalhava de 8h às 14h. Chegava em casa às 15h. Às 17h, saía de novo para pegar o ônibus e chegar no seminário às 19h. Os únicos momentos em que eu conseguia ler eram pela manhã, dentro do ônibus, indo para o trabalho e quando eu chegava à noite. Tinha que ler em pé, para não dormir. No início, é pesado e difícil, mas, depois, você toma gosto. Faz parte da nossa vida já. Temos uma estante em casa que, já não comporta mais livros.

Eu e Wila nos conhecemos através de um amigo em comum, o Rafael Luque. O primeiro contato que tive com ela foi na internet. Nós éramos amigos no Facebook por causa dos amigos em comum; havíamos nos visto pessoalmente apenas uma vez. Ela postou uma foto, comemorando porque tinha achado um comentário judaico no meio dos seus arquivos e eu comentei. Como estava me preparando para ensinar escatologia no Rhema, eu pensei: “Vou reunir um grupo de amigos que possuem interesse no assunto e vou ensinar pra eles”. Então, o Rafael a convidou para fazer parte do nosso grupo; nos conhecemos pessoalmente nessas reuniões de escatologia. No entanto, já conversávamos pela internet, desde daquele dia que comentei na foto dela, dizendo que tinha o livro e era muito bom.

Nessa época, não tínhamos nenhum contato, a não ser pelos estudos bíblicos. Com o tempo, falei do meu interesse por ela, mas ela resistiu bravamente. No entanto, eu perseverei e, namoramos por um ano e nove meses. Na época, Wila fazia o Rhema, quando ela foi falar com o pastor, achando que ele iria aconselhá-la a esperar mais um pouco, ele disse: “Espere o Rhema terminar e casa logo. Thiago é um menino muito certo e de Deus! Se eu tivesse uma filha, gostaria que ela se casasse com alguém como o Thiago. Deixe-o lhe conquistar e dê uma oportunidade”.  Eu realmente perseverei e mostrei que queria algo sério. No fim, consegui conquistá-la.

Começamos a namorar em Dezembro de 2013, mas nosso primeiro beijo foi somente em Maio de 2014. Só namorávamos de pegar na mão. Ela queria ver até onde eu realmente queria aquele relacionamento. Depois de começarmos a namorar, em Setembro de 2014, eu comecei a falar sobre casamento com ela. Por volta de Dezembro de 2014, falei para ela: “Se você não casar comigo ano que vem, vamos terminar agora! Se não for para casar, eu não quero mais namorar”. E ela aceitou casar. Quando nos casamos, eu ganhava um salário mínimo e ela era voluntária no Rhema. No entanto, a falta de dinheiro não nos impediu. Financeiramente, 2015 foi um ano bem improvável, por causa da nossa própria situação financeira e da situação financeira de nossas famílias; porém, nós realmente experimentamos o quanto Deus é a favor da manutenção de famílias. Começamos a ser presenteados com coisas que, se tivéssemos que trabalhar para tentar comprar, não teríamos condições de pagar. Casamo-nos no interior do Espírito Santo, na cidade da família dela. Quinze dias antes do casamento, possuíamos uma cama de casal, um móvel de estudo, uma cama de solteiro, um guarda-roupa e uma televisão pequena. Não dava para mobiliar uma casa inteira com isso! Durante a semana do casamento, tivemos muito desgaste, pois queríamos ver as coisas prontas, mas não possuíamos dinheiro.

Um dia, perto do casamento, eu liguei para Wila e perguntei: “Amor, você está sentada?”, ela respondeu: “Estou deitada”. Eu disse: “Tem uma irmã que está numa loja, pois ela já comprou a máquina de lavar e secar, uma lava-louça e um microondas. Ela quer saber se pode comprar o fogão de outra marca, pois, da marca que você colocou na lista, não tem na loja”. Com quinze dias, nós ganhamos tanta coisa que distribuíamos para outras pessoas. Foi uma graça de Deus muito grande. Coisas que as pessoas demoram para conquistar, nós ganhamos em quinze dias.

Wila representa coisas que eu não sabia sobre minha própria vida. Sabe quando há alguém do seu lado que desperta coisas que você não sabia que poderiam ser despertadas? Ela é meu amor, é minha vida. Ela é muito paciente para suportar o meu tempo fora de casa e para suportar as exigências da vida ministerial. De tudo que um casal experimenta ao construir uma vida juntos, o que é mais marcante é essa capacidade que ela tem de despertar coisas que eu não sabia que poderiam ser despertadas.

Eu nunca fui a criança que sofreu por não ter pai. Além do fato da minha mãe ter sido mãe e pai por muitos anos, teve um tempo na minha infância em que minha mãe foi casada. Então, meu padrasto foi minha figura de pai durante esse tempo. Ele trabalhava como pintor e me levava com ele; então, eu aprendi a pintar. Desde novo, a disciplina com as coisas dentro de casa foi ensinada por ele. É lógico que, quando você pega o seu documento, por exemplo, você não vê o nome do seu pai, mas eu não fui aquela pessoa que sofreu tanto ao longo da infância. No entanto, sempre tive aquela vontade de saber quem é meu pai. Um dia, uma amiga em comum da família do meu pai foi na loja da minha mãe. Ela comentou que o meu avô havia morrido. Ela também citou o Facebook da minha irmã, por parte de pai. Curiosamente, eu procurei; achei minha irmã, meu irmão e minha avó. No entanto, não achei o meu pai. Eu nunca tinha visto ele. Eu nem sabia como ele era. Acabei conseguindo o contato de uma tia minha, irmã do meu pai; eu liguei e falei que não tinha nenhum tipo de ressentimento e nenhuma mágoa. Falei que eu só queria recuperar o tempo perdido. Ela disse que, por parte da minha avó, eu seria muito bem-vindo, mas que ela não poderia responder pelo meu pai. Era algo que ele tinha que responder por conta própria.

Essa tia me convidou para um churrasco com a família. Querer saber quem era o meu pai não era uma coisa que mexia muito comigo a ponto de me fazer sofrer, mas, ao mesmo tempo, eu tinha curiosidade de saber quem ele era. Quando chegamos lá, minha avó me deu um abraço, disse que não havia se esquecido de mim e que me amava muito. Foi uma noite muito agradável, mas meu pai não estava, pois ele morava em Pouso Alegre.

Por volta da mesma semana, ele estava voltando de uma praia no Espírito Santo e passou por Belo Horizonte, nisso tivemos a oportunidade de nos conhecer. Nesse encontro, ele acabou explicando as razões pelas quais ele nunca havia entrado em contato. Não temos muito contato, pelo fato de não morarmos na mesma cidade, mas eu sempre falo com ele. Uma das coisas que mais me motivou a não guardar nenhuma mágoa foi lembrar da parábola do credor incompassivo.

Eu sempre entendi que a nossa vida deveria ser uma extensão da bondade de Deus. Eu sempre tive isso muito bem resolvido, só queria conhecê-lo mesmo. Foi muito importante, como homem, conhecer quem era o meu pai, ter essa imagem do meu pai.

É difícil falar sobre o meu maior sonho, pois, quando você entrega a sua vida ao Senhor, você passa a sonhar os sonhos dEle e fazer a Sua vontade. Particularmente, o que eu almejo e sonho é ter a oportunidade de tocar e de treinar pessoas. Eu tenho isso no coração. Wila também tem isso no coração, então, eu almejo fazer isso junto a ela. Quero tocar a vida de mais pessoas com o ensino da Palavra. Isso é o que temos no coração. Qualquer outra coisa virá como bônus. Sobre filhos, Wila não tem sonho de ser mãe e, eu não tenho sonho de ser pai. Filhos ainda não fazem parte dos nossos planos.

Marcos Honório Jr é um referencial. Eu costumo dizer que o que eu faço hoje, é por causa do Senhor, e do Marcos Honório. Ele possui a capacidade de olhar para você e ver o que nem você mesmo está enxergando. Ver sua posição no Ministério e vê-lo reconhecer a unção sobre a minha vida e confiar em mim é uma grande honra para mim.

Eu não poderia deixar de mencionar Manassés Guerra. Ele foi a primeira pessoa que me convidou para ensinar no Rhema. Quando eu ainda estava estudando, ele me disse: “Continue estudando, pois, quando você acabar, eu quero que você ensine”. Para mim, ele sempre foi essa referência de mestre na Palavra, sempre inspirando a minha vida.

Eu também não posso deixar de mencionar o meu amigo Paulo Pimenta, que é pastor da igreja em Montes Claros. É um cara muito inteligente. Eu o admiro muito. Também cito Canrobert Guimarães, pela confiança que ele deposita em mim. Eu tenho muita gratidão, honra e respeito por ele.

Eu sou tímido. Se deixar, eu entro mudo e saio calado. Eu gosto de passar despercebido. Reconheço que tudo que faço é pela graça de Deus, Ele é quem me habilita. Até para comer na escola, eu comia escondido dos colegas por causa da vergonha. Eu amo jogar tênis; eu também amo futebol. Eu brinco, dizendo que, se não tivesse descoberto o chamado ministerial, eu seria jornalista esportivo ou seria técnico de futebol. Eu também sou muito caseiro. No entanto, acho que minha principal característica é ser tímido. Fora do púlpito e fora da unção, eu falo e converso pouco.      

2 Comentários

  • Tiago, grande homem de Deus.
    Tive a oportunidade de conhece-lo nos bastidores, de viajar juntos para ministracoes quando ainda éramos seminaristas, sempre tive ele como um referencia, pessoa simples e humilde e que soube esperar o tempo de Deus em sua vida.

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