Somos o Israel de Deus?

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Por: Thiago Freitas

Um erro comum, que alguns cristãos tem cometido, e que tem dificultado uma interpretação saudável das Escrituras, é acreditar que somos o Israel de Deus. A alegação que tem sido feita, é que a Igreja tem ocupado o lugar de Israel. Essa falsa doutrina é chamada de “teologia da substituição”.

O que é a teologia da substituição?

Kenneth Gentry, define a “teologia da substituição” da seguinte maneira: “cremos que a Igreja sucedeu, para sempre, o Israel nacional como a instituição para a adminstração da benção divina ao mundo”.

À sua afirmação inicial, Gentry adiciona o seguinte embasamento: “Ou seja, cremos que, no desenrolar do plano divino na história, a Igreja cristã é a exata realização do propósito redentivo de Deus. Como tal, a Igreja sucede o Israel nacional como ponto de focalização do reino de Deus. Na verdade cremos que a Igreja se torna o “Israel de Deus” (Gl 6:16)…

A teologia da substituição, ensina que os Judeus foram rejeitados por Deus, e não são mais o seu povo escolhido. Aqueles que assumem esse ponto de vista, rejeitam qualquer futuro étnico para o povo Judeu em relação as alianças bíblicas. Paulo, é claro, ao ensinar em Romanos 11, diz que apesar da incredulidade da nação de Israel ter levado eles, como ramos naturais, serem cortados, ele também garante que no futuro, quando vier, de Sião, o libertador, por amor aos patriarcas, por ser os dons e a vocação de Deus irrevogáveis, todo o Israel será salvo (Rm 11:25-29). Em outras palavras, o fato de a geração da primeira vinda de Jesus ter sido infiel ao senhor, sua descrença não tem o poder de anular o que Deus prometeu incondicionalmente aos patriarcas.

Gálatas 6:16, tem sido o texto em que os defensores da teologia da substituição tem se apoiado para seus argumentos.“E, a todos que andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles e sobre o Israel de Deus”. Para eles, Gl 6:16 ensina que a Igreja sucedeu Israel: ”Se Abraão pode ter gentios como sua “descendência espiritual”, por que não deveria haver um Israel espiritual? De fato, os cristãos são chamados pelo nome “Israel”. (3)

O “Israel espiritual” realmente existe. Esse termo refere-se aos Judeus que confiaram em Jesus como o seu Messias. “Porque não é Judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém Judeu é aquele que o é INTERIORMENTE, e circuncisão, a que é do coração, no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus (Rm 2:28-29). A Igreja no entanto, nunca é chamada de “Israel espiritual”. O Novo testamento não muda ou espiritualiza o sentido de Israel. Há 77 referências a Israel ou Israelita, e tais expressões nunca foram usadas como sinônimo de Igreja.

O texto em Gálatas 6:16 é simples e claro. A primeira parte do versículo 16: “E, a todos quantos andarem de conformidade com esta regra”,  refere-se à regra recém mencionada por Paulo no verso 15: “Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser NOVA CRIATURA” (Gl 6:15). Esta é uma categoria espiritual que engloba todos os crentes, para os quais Paulo pronuncia uma benção: “paz e misericórdia sejam sobre eles”. A ela segue-se se comentário adicional: “e sobre o Israel de Deus”.

Se a intenção de Paulo fosse identificar “eles” como o “Israel de Deus”, então, porque não eliminou simplesmente o “e” após o “eles”? O resultado seria muito mais apropriado, caso Paulo tivesse identificado o pronome “eles”, ou seja, a Igreja, com o termo “Israel”. Nesse caso, o versículo seria traduzido da seguinte forma: “E, a todos que andarem de conformidade com esta regra, paz e misericórdia sejam sobre eles, o Israel de Deus… Entretanto, Paulo não eliminou o “e”, deixando claro que ao invés de identificar a Igreja como o Israel de Deus, se o próprio Israel de Deus, andar de conformidade com o ser Nova Criatura, experimentará de paz e misericórdia.

Gálatas refere-se a gentios que procuravam alcançar a salvação pela lei. Eles estavam sendo enganados pelos Judaizantes – Judeus que exigiam a adesão à lei de Moisés. Para estes, um gentio tinha de converter-se primeiro ao Judaísmo a fim de ser qualificado para a salvação em Cristo. Paulo argumenta que o que realmente é necessário para a salvação é a fé. Ele pronuncia uma benção sobre dois grupos de pessoas que deveriam seguir essa regra para a salvação. O primeiro grupo, referido na passagem pelo pronome “eles”, é o dos Cristãos gentios, a quem ele havia dedicado a maior parte da Epístola. O segundo grupo, é denominado de “o” Israel de Deus. Nesse caso, trata-se dos Cristãos Hebreus que, em contraste com os judaizantes, seguiam a regra da salvação unicamente pela fé.

Para concluir, vale mencionar o fato de que a Igreja só surge após a ressurreição do Senhor. Deus o ressuscitou e fez dele o cabeça do corpo, que é a Igreja, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (Ef 1:19-23). Não podemos nos esquecer que a Igreja era um mistério na Antiga Aliança (Rm 16:25-27 – ICo 2:6-10 – Ef 3:1-13 – Cl 1:24-29), e que ela, como já mencionado, se distingue de Israel em todo o Novo Testamento. No livro de Atos, tanto Israel como a Igreja existem simultaneamente. O termo Israel é usado 29 vezes, e o termo “ekklesia” (Igreja) é usado 19 vezes. Por fim, os capítulos 9 a 11 de Romanos nos proíbe de falar da Igreja como tendo tomado o lugar do povo Judeu, por isso, não empregue a linguagem da substituição de Israel pela Igreja.

2 COMENTÁRIOS

  1. “Que Não Haja No Meio De Tí Israel Pobres E Mendigos. Se O Teu Irmão Empobrecer Dá-lhe De Tudo O Que Necessita E Não Esperes Restituição Dele Pois Eu O Eterno Te Recompensarei Por Tudo O Que Fazes Por Ele.” O Seffer Devarim (Livro de Deuteronômio – Tradução Da TANAH HEBRAICA) Assim Está Escrito לא שיש להיות ביניכם ישראל מסכנת וקבצנים. אם אחיך הופך עני מה נותן לך כל מה שאתה צריך ואל תצפה ממנו פיצויים על שאני הגמול הנצחי טה על כל מה שאתם עושים את זה בשבילו. Bênçãos E Riquezas Pertencem A Israel. São Promessas Do Eterno, Juradas A Abraão, Para O Seu Filho Primogênito YeShurum (Israel).

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