
Nasci em 1987, em Campina Grande-PB. Tenho 29 anos. Minha mãe engravidou de mim bem cedo, ainda na adolescência dela, com apenas 17 anos. Ela ainda pensou em me abortar, meu pai chegou a comprar remédio , mas ela não tomou. Como ela viveu em um lar cristão, acredito que a consciência da Palavra estava lá. Ela fugiu ao engravidar, mas tinha temor a Deus e, hoje em dia, quando ela conta, eu penso: “nossa, nem acredito que eu ia ser abortada”. Mas Deus não deixou.
Como criança aproveitei tudo o que podia. Jogava baleada, vôlei, era um tempo bom. Lembro que eu ia muito à praia, todo fim de semana estava lá.

Minha família é a minha base. Minha referência e influência. As pessoas me veem hoje, mas não conhecem a minha história, a minha raiz. Minha mãe sempre foi aquela mulher protetora. Aquela que dizia: “falou, está dito”. Sempre me protegeu em oração, foi muito firme e isso me guardou de muitos perigos.
Meu pai sempre foi calado, até por conta da criação dele. Sempre muito reservado, é um exemplo de pai, provisão e cuidado.
Percebo que a minha família é meu equilíbrio, cada um a sua maneira e com seu jeito. Tenho certeza que fui presenteada por Deus por ter essa família. Somos quatro irmãos. Eu sou a mais velha.
Michael é um irmão mais novo que eu, fomos muito apegados na infância. Na verdade, eu mandava em Michael (risos). Hoje, rimos nos lembrando do que eu fazia com ele. Porque ele é muito doador, ele quer servir você, te ouve, é carinhoso e, ao mesmo tempo, carente; ele dá atenção e quer atenção.
Minha irmã, Melissa, vai fazer 15 anos. Ela é centrada, inteligente e muito estudiosa. É um exemplo para mim na questão de conhecimento, estudos, e dedicação.
Eu tenho um irmão bem mais novo, na idade da minha filha. Ele veio para abalar as estruturas da família. É destemido. Não sei nem descrever João… Mesmo pequeno, ele é uma influência para mim, porque é muito ousado.

Amizade é algo raro. Na verdade, eu perdi muitos “amigos” por dizer “não”, por não me conformar com algumas coisas, e tudo isso por causa acerca daquilo que Deus tinha colocado em meu coração. A palavra amizade é muito forte. Posso considerar que tenho muitos colegas, mas amigos, tenho poucos. Por causa das coisas que Deus havia compartilhado comigo desde a adolescência. Perdi muitas pessoas que eu achava que eram amigas. Eu queria seguir uma linha. Na verdade, se você não está na mesma linha/visão que eu, no aspecto de crer acreditar e confiar; se vejo que aquela pessoa não consegue, nem se esforça e nem tem a minha linha de pensamento, não vai andar comigo.
A música entrou na minha vida desde quando “me entendo por gente” (risos). Meu pai ele era cinegrafista, e, hoje, vejo vídeos meus de quando eu era criança e percebo que vem desde lá. Eu cantava todas as músicas das propagandas da TV, amava fazer paródias das músicas, já era compositora e não sabia. Na adolescência, desenvolvi isso na igreja, ainda em outra congregação. Lembro que minha mãe ia para a igreja comigo e, na fileira da frente, ficavam só os senhores, os mais idosos, naqueles bancos de madeira e eu no meio deles, de vestido, só para ver o período de música. Era bem envolvida, batendo palmas, cantando, aceitei a Jesus com apenas 8 anos.
Aos 14 anos, comecei a cantar na igreja, quando me deram uma oportunidade, e, foi quando entrei no Verbo no bairro Jardim Paulistano, então comecei a fazer backing vocal.

Costumo compor mais quando estou triste. É incrível como a inspiração vem nesses momentos. É assim: quando saio daquela tristeza e começo a confessar o contrário daquilo que estou vendo/vivendo naquele momento, é como se Deus me presenteasse pela minha atitude de confiança nEle, e pela atitude de fé; então a música flui. A maioria das canções foram em momentos difíceis mesmo.
A música “Só vai melhorar” foi escrita em um momento que eu gritei para a minha alma mesma ouvir, em fé, que o novo tempo estava chegando, diante de uma situação muito difícil e delicada que eu estava. Me levantei e declarava: “só vai melhorar!” E daí fluiu… Portanto, geralmente as músicas vêm em momentos difíceis.

Quando me casei, tinha 21 anos e, pela idade, era bem jovem, mas era madura quanto ao que queria. Desejava casar cedo, foi escolha minha, o que vivo agora, Deus compartilhou comigo ainda bem jovem. Orei por um marido músico que tocasse especificamente violão. Desejei isso, queria casar cedo, ter filhos cedo, porque pensava: “se eu demorar para casar, talvez afete algumas coisas que preciso fazer no futuro“. Eu não quis ser como Paulo, ele não quis casar, mas eu queria. Queria construir a minha família.
No início, como todo casamento, a adaptação não foi fácil. As diferenças são complicadas. Maércio foi meu primeiro namorado. Eu sempre tive um temor a Deus e, não só porque a minha mãe me ensinou, mas sempre tive o cuidado de não estar namorando para ver se ia casar ou não. Começamos a namorar em 2005, fizemos o Rhema e nos formamos em 2007, e casamos no ano seguinte.
O casamento é o complemento da minha base, eu precisava decolar junto com ele e, sei que tudo foi de Deus.
Maércio é aquele que promove, levanta, motiva e dá suporte. Acho que ele acredita mais em mim do que eu mesma, em muitos momentos. Ele chacoalha o que tem que chacoalhar. Ele é a alegria da nossa casa, é muito brincalhão. É o amor da minha vida, meu irmão, meu amigo. É muito equilibrado. Eu sou mais acelerada, tenho certeza que fiz a escolha certa.

Temos dois filhos: Heloisa é muito pra frente, parece com Maércio e, como meu irmão pequeno, também é muito ousada; quando ela nasceu, o médico colocou ela perto de mim e, quando olhei pelo espelho, ela estava com um olhar ativo e esperto. Era brava, determinada, é muito carinhosa… Desenrolada, animada, se você estiver triste, ela te anima. Porém, é bem e teimosa, acredito que lá na frente, isso vai se transformar em persistência.
Calebe é muito centrado, carinhoso e generoso. Ninguém pede, ele vai e faz. Ele é o equilíbrio para Heloisa e ela para ele. Quando ele precisa ir mais rápido, ela empurra ele e ,ele freia ela. Generosidade, tranquilidade e organização, essas palavras definem bem Calebe.
Cantava para meus filhos dormirem, para Heloisa cantava muito as músicas da Ana Paula Valadão: “você é linda demais, perfeita aos olhos do pai, alguém igual a você não vi jamais”…
Calebe nasceu em uma fase bem corrida da nossa vida, estávamos trabalhando intensamente na obra e acho que orava mais por ele do que cantava, mas ouvia muito as canções da Nívea Soares e gostava muito de canções mais maduras. Era a fase que eu estava vivendo…

Em casa nos divertimos muito. Quando Maercio está trabalhando, Heloisa costuma pegar a escova de cabelo e Calebe pega o violão e eu fico só na torcida e, quando colocamos o CD, os dois começam a correr na casa. Temos momentos de festa, momentos de parar e ver filmes, desenho animado; nossa vida é assim… compartilhamos a Palavra, antes de dormir oramos juntos… A família é divertida! Aproveitamos ao máximo cada estação da vida deles e da nossa também.
Amamos viajar no tempo livre. Juntamos as malas, colocamos os meninos no carro e vamos para a praia. Quando não podemos, vamos para o sofá, mas, desfrutamos o dia de forma simples. Não tem muito segredo, é usufruir da comunhão.
Percebo a música presente na vida dos meninos e não é algo forçado, é espontâneo. Às vezes, os filhos seguem outra direção. No nosso caso, ensaiamos em casa. Heloisa sempre observava, e Calebe sempre pegava o violão, mas é algo que já estava neles e estão desenvolvendo apenas olhando para nós.

Recentemente, gravei meu primeiro CD. Quando olho para ele, parece um sonho… Passa um filme na minha mente, a própria capa é uma inspiração para mim. Foi um CD planejado e, na verdade, eu abortei isso por um tempo com medo, insegurança; acabei esperando alguns anos. O que me causava temor era a rejeição das pessoas, porque alguns são bem críticos, existem as exigências… Vi no meio musical alguns que cantam muito e tocam bem demais e, quando olhava para isso, pensava: “como vou gravar um CD se não canto nesse nível?” Eu mesma me cobrava e me julgava. Nesse tempo de imaturidade, vi tantas coisas negativas e outras positivas, mas eu deixava que as negativas cobrissem o que eu ouvia.
Na verdade, o que faltava era eu acreditar em mim mesma; no dom de Deus que estava em mim. Não era apenas uma voz bonita, e a gente sabe que tem que ter sim uma voz afinada. Música desafinada ninguém quer ouvir, mas fui percebendo os frutos na minha vida, que me despertaram e marcaram a minha trajetória. Testemunhos que recebi foram fundamentais.
A música gratidão é uma música muito forte e ela foi desenvolvida em um momento de perdão genuíno. Lembro de uma noite que não conseguia dormir e o Senhor falou comigo a cerca da honra, gratidão e reconhecimento. E eu questionei Deus, mas veio algo forte: “esforce-te e tende bom ânimo. Eu estou aqui”. Então, eu precisava colocar para fora. Eu precisava perdoar pela fé. Lembro que chorei e disse a mim mesma que só pararia de orar quando não tivesse mais nada no coração. De repente, veio uma compaixão e, da compaixão, o Senhor começou a trazer à minha memória uma história que foi formada… Coisas que foram geradas, que pessoas plantaram na minha vida, investiram e sei que, hoje, estou aqui por causa dessas pessoas também.
A gratidão abre portas, ela te livra, nela você está protegida. Na mesma noite, escrevi a letra e melodia da música. Essa música está destravando pessoas.
Canções inspiradas por Deus surgem em momentos de desafios mesmo, em situações que você não sabe como fazer, Ele transforma caos em benção.

Eu sou forte. Por dentro me considero forte, já passei por muitas coisas não com a minha força, mas com a força do Senhor em mim. Sou determinada e justa, sou desenrolada, tenho falhas; luto com a timidez… Amo chocolate, gosto de ajudar as pessoas, sou compassiva, me coloco no lugar das pessoas.
Eu gosto de honrar e reconhecer as pessoas. Queria honrar a minha liderança, sou grata a todos eles. O Senhor me mandou cantar para eles essa canção de gratidão e fiz isso. Guto e Suellen foram nosso apoio, foram usados por Deus para nos abençoar. Eles amam ajudar e cuidar das pessoas. Guto simbolizou uma nova fase na minha vida. Com toda palavra de motivação, promoveu crescimento.














