Sou carioca, mas, ainda quando pequeno, eu sofri alguns problemas de saúde e o clima da cidade não me ajudava. Então, o médico recomendou que eu saísse do Rio. Aos 6 anos de idade, me mudei com a minha família. Meu pai era aeroviário, trabalhava na Varig e foi transferido para Vitória-ES. A cidade era bem diferente de hoje. Logo que cheguei, ganhei 10 kg e saí da morte para a vida, do ponto de vista natural. Fiquei até os 19 anos. Prestei concurso para a Academia Militar das Agulhas Negras, fui para uma escola preparatória e passei um ano interno em Campinas-SP. Depois, fui para a Academia Militar, me formei e passei quatro anos interno. Morei em vários lugares, voltei para o Rio de Janeiro e passei 16 anos no Exército. Lá fiz o meu último curso, uma pós-graduação, curso de aperfeiçoamento de oficiais e me tornei Major. Foi quando a minha mãe fraturou os dois fêmures, além de outras doenças, inclusive emocionais devido o abandono que sofreu do meu pai. Ela ficou bem debilitada. Eu me vi diante de dois caminhos: ou a minha carreira (minha turma hoje é tenente coronel) ou minha mãe. Nesse momento, eu também estava conhecendo a Palavra da Fé, já era convertido. Quando ouvi falar sobre honrar a família, decidi cuidar da minha mãe, por isso, saí do funcionalismo público, para cuidar dela. Em 2007, voltei para Vitória e permaneço lá até hoje.
Recentemente, passei três meses cuidando da minha mãe já bem doente, após um AVC ela foi para a UTI, depois sofreu um infarto e faleceu. Mas, cuidei dela até o final. Eu tenho apenas uma irmã mais velha, mas ela foi criada pela minha avó e não tinha muito contato com a nossa mãe. Eu não me arrependo de ter parado a minha carreira para cuidar dela. Sei que fiz o meu melhor. A tristeza veio, mas a Palavra também e contei com a graça. O Senhor me socorreu, ministrei no velório dela e falei sobre honra. Mencionei que estava com a alma triste, mas alegre por ter a Palavra e saber que ela estava em um lugar melhor. A minha tristeza era pela saudade, como filho, mas a minha consciência de cristão prevalecia.
Sou casado há 10 anos. Tenho dois filhos. Quando olho para eles, entendo um pouco como Deus nos vê. Certa vez, Daniel Lucas, o mais velho, estava no berço com apenas três meses. Eu acordava sempre mal humorado, muito tempo de exército me deixou assim, era um cara muito bravo. Mas, quando cheguei perto do berço, ele sorriu. Foi o primeiro sorriso do meu filho e foi para mim. Quando vi isso, chorei de alegria, peguei ele no colo e o Senhor tratou comigo: “Todos os dias eu lhe espero sorrir para mim, mas você só acorda mal humorado. Todos os dias estou diante do berço lhe olhando”. Aquilo mudou a minha história. Meus filhos ministram para mim a cada dia. A minha esposa é uma guerreira e os meus filhos são maravilhosos. Daniel Lucas tem sete anos e Vitor vai fazer três.
Acredito que, quando tudo se esgota no mundo natural, o último recurso é a família. Quando está tudo bem em casa, tudo ficará bem fora. Se tem algo que não concordo é com o rompimento de uma família, por qualquer motivo. Prefiro acreditar que sempre tem jeito. A Palavra de Deus tem jeito para tudo. Já há alguns anos eu não sei mais o que é “bater boca” com a minha esposa. Lá em casa, quando um se altera o outro se acalma. A família precisa ser o espelho do amor de Deus por nós.
Sou adepto da atividade física. Não é apenas por manter a forma ou por vaidade, não tem nada a ver com isso. Quando eu tinha 13 anos, quando não se falava muito nessas coisas, não tinha suplementos… estou falando da década de 90, naquela época, eu comprava lecitina de soja com os tickets de alimentação do meu pai. Eu já me cuidava. Eu nadava, fazia judô, era jogador de vôlei (levantador), era corredor de 100 metros rasos… Na família, não tinha ninguém que me influenciava para o esporte, era porque eu gostava mesmo. Depois que fui para o exercito, só ampliei, porque o vigor físico é uma característica. No exército, é necessário enfrentar situações que exigem condicionamento físico adequado.
Alimentação e atividade física caminham juntas. Em pesquisas divulgadas recentemente vemos que a obesidade diminui a sua expectativa de vida em sete anos. Mas, o que nos deixa estarrecidos é que o sedentarismo diminui em oito anos a sua vida. O sedentário morre antes do obeso, o qual morre antes do tabagista. Isso é muito sério.
Não podemos tratar com leviandade aquilo que Deus trata com seriedade. O que viria a sua cabeça se eu dissesse: “Essa semana falei mal do ministério, mal dos meus irmãos”. Você não iria rir. Agora, se eu falasse: “Essa semana eu comi demais”, muitos diriam sorrindo: “é assim mesmo”. Mas, estamos falando de pecados. Nossa mente não está adaptada para entender os valores.
Nunca me ensinaram a desistir. Desde a infância, eu lidei com muitas situações difíceis. Posso dividir a minha vida em duas etapas: Uma sem Jesus e outra com Ele. Sem Cristo, eu não desistia da vida por causa da minha formação militar, mas eu me via muito mal, achava que as coisas ruins aconteciam sempre comigo, muito embora eu saísse fortalecido dessas situações. Lembro do clichê: “O que não nos mata, nos fortalece”. Ainda que não seja absoluta, é uma verdade. Com Cristo, aprendi a lidar com as dificuldades. Jesus disse que no mundo teríamos aflições, mas nEle não. Estamos no mundo, mas respiramos o ar de Deus e ali não tem tribulação. A tribulação está no mundo, eu estou fora disso. Cada situação que vem contra mim, eu só cresço. A última situação foi a perda da minha mãe. Lido com derrotas e vitórias à luz da Bíblia. Mas, se Deus não tivesse me encontrado com essa Palavra, não sei onde eu estaria hoje.
A essência de um bom líder é saber liderar a si mesmo. Se você não controla nem o que você come, você não está se liderando. Se um líder não tem domínio próprio, eu temo que ele vá a um púlpito falar para que outros se dominem.
Um líder precisa ver as pessoas com o amor de Deus. Como tratamos aquele que limpa o chão? Como tratamos aqueles que não podem nos dar nada e nem fazer nada por nós?
Tudo se resume em duas coisas: caráter e integridade. Esses valores lhe mantém limpo diante de Deus. Como é bom quando você está com o Senhor, em secreto, e diz: “não tenho mazela nenhuma que me separe de Deus”. E também é bom ter a capacidade de tirar o véu, sempre que o rosto pare de brilhar e falar: “Pai, eu preciso de ajuda aqui”.
Quando alguém vai lá em casa, eu sou o mesmo Jorge que usa camiseta, tem tatuagem, treina, que tem um sotaque carioca forte. Assim como o nordestino fala “oxente” eu falo “cara”. O líder tem que ser ele mesmo. Precisa ser humilde, saber tratar as pessoas, mas a integridade é a moeda do ministro.
O caráter é aquilo que Deus pensa ao seu respeito, a reputação é aquilo que as pessoas sabem acerca de você. A sua reputação só tem valia quando ela é uma extensão, um transbordar, do seu caráter. Se você for uma tampa de mel num copo de fel não presta para nada. Você tem que ser você.
Quando confrontado pela vida, ou por pessoas, o novo Jorge lida de forma bem diferente. Já me coloquei de disciplina por três semanas, porque não admito ir para o púlpito com raiva. Quando entendi o perdão de Deus por mim, ficou mais fácil perdoar outros. Se eu parto do principio de que você não pode errar comigo, eu também não posso errar com Deus. Outra coisa que aprendi: enquanto as minhas expectativas estiverem nos homens, vou me decepcionar. Tem um livro de John Bevere, “A isca de Satanás”, que fala sobre construirmos pontes e não muros. Um filho pode me decepcionar, um líder que eu treino pode me abandonar, mas não vou morrer de infarto por causa disso. Não é ser frio, é se tornar reativo a Palavra que diz que a minha expectativa tem que estar no Senhor. Como seres humanos, todos nós somos falíveis. Eu acredito muito nas pessoas. Jesus chegou em minha vida e começou a brilhar. Com isso, algumas raízes do exército saíram. Tenho aprendido a corrigir da maneira que Jesus corrigia.
Eu era diácono e o pastor Eliseu Torres me chamou para uma reunião. Lá, ele falou: “Estou indo embora e você vai assumir a igreja”. Eu falei: “pastor, o senhor não está entendendo, eu terminei o Rhema no ano passado”. Então, ele disse: “Jorge, meu filho, Deus falou comigo”. Precisei crer nisso e, graças a Deus, estamos caminhando bem.
Quando vejo o que Deus fez em minha vida… Ele transformou até o meu temperamento. Aprendi a amar recebendo de Deus a essência desse amor. Entendo esse amor é o que me fez andar em fé, porque as duas coisas andam juntas. I Coríntios 13 é uma cartilha e devemos nos examinar sempre. Hoje, o amor é o fundamento da minha vida.
No meu gabinete, tem uma frase bem grande escrita: “Aqui é proibido pensar pequeno”. Eu não pago um centavo a mais para sonhar grande. Creio que existe uma balança. De um lado, estão os seus sonhos; do outro lado, a sua integridade. Quanto mais peso de integridade você tiver, mais será acrescentado do outro lado da balança. No ponto de vista de prosperidade, Deus só vai lhe acrescentar se Ele perceber que você tem o caráter para receber. Em Vitória, temos uma visão, um alvo: #Rumoaos30mil. Quando tínhamos 60 pessoas na igreja, eu falava isso, quando chegamos aos 200, continuei dizendo 30 mil. Se eu não pago para sonhar, não estou atropelando ninguém, penso grande.
Costumo conversar com os jovens e pergunto: quem será você daqui há cinco, dez anos? Nessa juventude, eu vejo muitos copiando uns aos outros, mas eles precisam ter uma projeção do seu futuro. Serem eles mesmos. Então, é proibido pensar pequeno perto de mim. Longe de mim a vaidade, mas eu quero crescer mais e mais cada dia.


























3 Comentários
Homem de Deus, foi um prazer estarmos juntos lado-a-lado, dia-a-dia. Agradeço a Deus pela sua vida pastor Jorge! O senhor me ajudou muito e nunca vou esquecer disso. Glória a Deus por todo o crescimento atual e o que ainda virá!!!
Um homem segundo coração de Deus!
#Gratidao #admiração #honra
Admiro muito esse homem de Deus.
Pastor Jorge, que o Espírito Santo lhe conduza sempre em triunfo.
Nos vemos no pódio.