Você pode se perguntar? Tenho mesmo um chamado para o Japão, ou só gosto da cultura? Eu amo o povo japonês, ou só aquilo que eles produzem?
Lembro quando criança de ver meu pai lendo sobre cultura e história japonesa. Ele tinha plena convicção de que o chamado dele era para o Japão. Não foi por anime, nem por sushi foi por amor. Um amor que se traduziu em estudo, entrega, perseverança.
Hoje, quando converso com pessoas que dizem ter chamado para o Japão, vejo algo em comum: “Cresci em contato com a cultura japonesa”. Seja por animes, culinária, jogos ou eletrônicos: “Sempre fui fascinado pelo Japão.” Mas basta perguntar sobre o Japão pós-guerra. Sobre a cultura da vergonha. Sobre geografia, raízes espirituais, ou até mesmo sobre as religiões predominantes. E quase ninguém sabe responder.
Lembro do meu pai, há quase 15 anos, estudando tudo isso por livros. Ele não tinha acesso fácil a cursos ou vídeos, mas estudava com profundidade, não para parecer interessado, mas porque amava de verdade. Hoje, pela minha formação, talvez eu conheça mais do que ele nessa área. Mas por muito tempo, era com ele que eu tirava dúvidas sobre a cultura e história do Japão.
E aqui está o ponto: gostar da cultura japonesa não é errado. Pelo contrário, há nela aspectos extraordinários. Mas, como qualquer outra, também carrega marcas, traumas, e realidades que precisam ser discernidas com maturidade.
Talvez você nem goste de sushi. Talvez nunca tenha assistido a um anime. E, ainda assim, talvez seu coração queime pelo povo japonês. Porque chamado não nasce só de afinidade. Chamado nasce da cruz. Nasce da renúncia. Nasce do fogo que queima por um povo que talvez nunca vá entender você, a menos que você decida aprender a linguagem dele não apenas com palavras, mas com a vida.
Todo amor verdadeiro exige esforço. Se quisermos ganhar aquela nação, não basta emoção. Precisamos de preparo. Precisamos nos aprimorar culturalmente, espiritualmente, emocionalmente. Precisamos amar o Japão com entendimento, porque só quem ama de verdade, decide se tornar acessível. E só quem decide se entregar, é capaz de transformar.
















1 Comentário
É isso mesmo! Amar de verdade exige mais do que palavras bonitas. Precisa de preparo, dedicação e entrega. Se quisermos alcançar uma nação como o Japão, temos que aprender a amar com entendimento e estar dispostos a nos doar. Só assim o amor se torna real e transforma vidas.