
Pastor auxiliar na Igreja Verbo da Vida Okazaki no Japão
“E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Deuteronômio 6: 6-7).
Fui para o Japão com 8 anos de idade, e ficava observando os pastores e professores do Rhema quando chegavam lá. Como criança, sempre observava, porque a minha referência eram meus pais. Queria saber se aqueles ministros realmente viviam o que pregavam e como eram as conversas do dia a dia quando sentavam à mesa. Tê-los por perto significava estar próximo da cultura brasileira.
A maioria deles viviam o que pregavam, e cresci com um desejo de ser como eles, mas a pergunta é: “Será que quero me submeter para que um dia eu chegue à essa posição?
Lembro de quando era adolescente e recebemos a visita do pastor Raimundo e sua esposa, Vânia. Eles nos convidaram para um tempo de oração por uma hora. Me envolvi naquele propósito, e uma hora parecia uma eternidade, porque aquilo ainda não era algo comum para mim. Orávamos e só havia passado meia hora. Ali, aprendi a lição de que posso evoluir e crescer.
Dou graças a Deus por ser filho de pastor e naquela nação, eles não têm uma boa fama. As pessoas perguntam para mim: “Josué, como superou a pressão de ser filho do líder da igreja? Vou a acampamentos e os filhos deles me perguntam a mesma coisa, mas nunca passei por essa tensão, porque sou filho do irmão Jusciê e não ia à congregação porque meu pai era pastor e iria pregar, mas sempre cultuamos ao Senhor em família, porque isso é algo que fazemos juntos em casa.
Meus pais me ensinaram a congregar desde pequeno, mesmo quando não queria ir ao culto. Nunca foi estranho frequentar a igreja com poucas pessoas, pois já era acostumado a ter a família apenas em cultos domésticos. Meu pai me ensinou ainda criança sobre identidade. Recebi Jesus em uma ministração que ele fez cultuando a Deus em família e cresci o vendo orar e correr pelo quintal. Isso era habitual para mim. Fui batizado no Espírito Santo em um quintal e comecei a correr como ele. Desde então, entendi que não vivo pelo que sinto.
Você tem uma grande responsabilidade com sua família. Por isso, não pode negar a correção e disciplina em casa. Pessoas olham para mim e admiram o dom que o Senhor me deu para falar em japonês, mas sabe que a habilidade para mim era o nome do cinto do meu pai? Sei que esse idioma não é simples, estudei muito e repeti bastante até aprender. Quando aprendi, comecei a resolver as coisas da família no território japonês e passei a traduzi-los no cotidiano, mesmo não gostando daquilo.
No contexto local, acredito que alguns podem pensar: “O pastor me coloca para fazer coisas que não gosto”. Nem sempre quando nos pedem algo, iremos fazer querendo.
Lembre-se de que pessoas sem objetivo vão ficar à toa na vida. Seu filho precisa ser ensinado, porque ele não sabe de todas as coisas. Sou um fruto do Departamento Infantil, mas não adianta receber a Palavra e não ter continuidade em casa. Se você não vive uma vida normal, a educação dos seus filhos também não será, é preciso ser forjado para suportar o ministério.
No Japão, as crianças são ensinadas a saber lidar com terremotos, pois elas vivem em constante tensão. Se vivo em um ambiente difícil, me moldo para superar isso.
Se o Senhor O colocou no chamado, aprenda a superar as dificuldades e a lidar com as responsabilidades.
A média de idade dos líderes eclesiásticos na nação nipônica é de 70 anos. No começo, pensava: “que povo esquisito”, mas aprendi a lidar com eles. Em um país no qual temos milhões de pessoas para impactar com o Evangelho, é necessário estar firme em Deus.
Se aproxime das pessoas e leve a Escritura até elas, pois assim como você, elas também precisam de Jesus. Graças ao Senhor, meus pais me ensinaram a viver o Evangelho. O treinamento que tive desde pequeno me forjou para isso, sou a geração que necessita de pais espirituais, mas atualmente vejo homens fracos e sem vigor.
Precisamos saber quais ideias os nossos líderes defendem, pois ao sermos afrontados, iremos saber nos defender de acordo com os princípios bíblicos. A minha geração tem acesso à internet: eles pesquisam, analisam e são diferentes. Ficar neutro não convence. O que nós defendemos? Não negamos princípios. Estão nos observando e desejo me inspirar no meu pastor. Não quero me inspirar nos homens do mundo, mas nos de Deus.
Como você se posiciona?
Líderes, se conectem com seus jovens. Sejam criteriosos ao escolher a liderança deles.
Sou da geração que ensinou os pais a recuperarem a conta do Facebook e a criar um acesso ao Instagram, mas isso não quer dizer que sou mais sábio que eles. A geração Z busca uma igreja que tem participação na sociedade. Ajudar pessoas não é coisa de direita ou esquerda, mas de Jesus.
Vocês viveram a época de grandes pregadores, ministros, líderes que falavam alto e o poder acontecia, mas nesta época buscamos pessoas que saibam conversar e se conectar. Isso é cultural e é preciso saber disso.
Por vezes, meu pai me colocava para traduzir e eu não queria, porque é algo cansativo, falar um idioma e traduzir são coisas diferentes. Ele sabe que é desconfortável, mas meu ofício de tradução marca a vida de alguém. Às vezes, há coisas no propósito que são desconfortáveis, mas trarão salvação para uma pessoa. Aprenda a confiar em quem está lhe preparando. Eu não entendia o motivo de aprender o japonês, estudá-lo não era confortável e levou tempo.
Sou grato por ter sido aperfeiçoado pela fé, houveram dias em que queria chutar o “pau da barraca”, mas não o fiz. No entanto, aos poucos as coisas começaram a acontecer. Sei o que é viver os desafios de uma vida missionária, ver meus pais sendo desafiados a crer em todo tempo. Vi a minha mãe crer e o Senhor fazer milagres, como achar dinheiro dentro de um livro e suprir a nossa alimentação da semana.
As missões estão acontecendo, seja participando delas ou ofertando. Ele está suprindo os Seus servos e as coisas estão acontecendo.
Hoje em dia chamam meu pai de ousado, mas por muito tempo, ele era chamado de louco. Sei o poder que essa Palavra tem para as nações. Eu vivo missões!
Trechos da mensagem de 22 de setembro de 2025, na Conferência de Ministros Sudeste.















