Do islã ao cristianismo: A trajetória de Abdullah Kassem

Buscando uma evidência palpável da existência de Deus, o ex-muçulmano viveu uma experiência sobrenatural.

Firmeza e convicção. Essas são as palavras que definem a caminhada cristã de Abdullah Kassem. Libanês de nascimento, o ex-terrorista morou na Colômbia e no Paraguai, até ser encontrado por um pastor brasileiro, que foi resposta de suas orações.  

Em sua passagem pelo centro de operações do Ministério Verbo da Vida, o professor da Escola de Missões refletiu sobre sua trajetória e a transformação promovida pelo Evangelho.

Vindo de uma família de muçulmanos xiitas, Abdullah contou que, no momento mais difícil da vida, buscava uma evidência da existência de Deus. “Minha conversão não foi uma decisão, mas uma convicção pessoal, uma resposta divina que veio a mim de uma forma palpável. Estava desesperado, sem esperança e motivo para viver. Aí, orei pedindo socorro ao Senhor para que me mostrasse onde está a verdade neste mundo, pois se não houvesse no que acreditar, achava melhor que a morte viesse. Tive problemas sérios na realidade em que vivia e, após cinco dias, um pastor cruzou a fronteira e foi no meio do mato me buscar. Normalmente pensamos que missionários vão ao campo pregar, mas ele não pregou para as pessoas, mas chamou pelo meu nome, isso é diferente. Naquele momento, lembrei da minha oração e recebi a resposta de maneira real”, contou.

Após a conversão, o início da trajetória cristã trouxe desafios. Abdullah chegou a ser recebido com desconfiança e foi desacreditado por uma liderança por causa de seu passado na religião islâmica. “Houve muito preconceito no início, de que ‘esse tipo não pode se converter’, ‘isso é absurdo’, ‘ele vai roubar e matar a gente aqui’. E meu pastor dizia: ‘Quem viver, verá’. No início, na igreja onde frequentava, havia esse tipo de comportamento, mas depois me abraçaram e isso foi muito bom. Uma vez fui rejeitado por uma congregação porque ela se sentiu ameaçada por pensar que os muçulmanos iriam tomar a igreja por minha causa, isso aconteceu em São Paulo. À meia-noite, jogaram minhas coisas fora e me deixaram dormir na rua, até que um servo de Deus me trouxe a uma mansão”, revelou.

Questionado se houve uma desconstrução da doutrina islâmica, o professor foi categórico ao afirmar que a disciplina ensinada o fez ser um cristão melhor. “O islã me ajudou a ser a pessoa que sou hoje, usei todas essas ferramentas, aplicando o ensino no discipulado cristão de forma mais eficaz. Porque o muçulmano não ensina sobre uma palavra, ele discipula de forma palpável: com disciplina, castigo e repreensão. Quando os líderes que estavam fazendo o meu discipulado, viram minha disponibilidade em aceitar a repreensão sem questionar, por causa do amor a Cristo, eles trabalharam nisso. É certo que usei a forma disciplinária do islamismo, mas não usei nada dele, pelo contrário, usei tudo da Bíblia para que esse ensino fosse cem por cento embasado nas Escrituras”.

Em seus primeiros passos como cristão, Abdullah contou que não sentiu dificuldade em pedir perdão a quem feriu. “Quando você entende a Bíblia, não vai sentir dificuldade em obedecer, a não ser que não queira. Para mim, obedecer à Escritura é um privilégio, uma honra. Por isso, sempre falo: ‘Não sou simplesmente um servo de Deus, sou escravo d’Ele’, ou seja, não posso ter opinião, mas só tenho uma coisa a fazer: obedecer. Fui buscando pessoas que machuquei e pedi perdão. Uma vez, falei com uma pessoa perguntando se ela se lembrava de mim, e disse que tinha colocado uma arma na cabeça dela, assaltado, agredido e tirado a sua carteira e, assim que ela perguntou o motivo de tê-la procurado, falava: ‘Vim lhe pedir perdão’. isso é algo que é incompreensível humanamente falando, mas o Senhor não vê pelo lado da humilhação, mas pelo glorificar a Ele e obedecê-lO. Por isso, Deus honra”, enfatizou.

Ao observar o passado, o pastor demonstrou convicção ao compartilhar suas experiências com o Senhor. “Viver com o Criador que anda consigo e, no momento de dor, você O encontrar e na tristeza, Ele o alegrar, é um fato que não dá para se desfazer de Cristo. Porque Ele não é uma pessoa que conversa e depois dá as costas. Jesus o encontrou, você O recebeu e Ele já está perto. Já que Cristo está colado em você, não dá para se desfazer d’Ele de maneira alguma. Vivendo essas experiências, é impossível se afastar”.

Seguindo o mesmo pensamento, Abdullah comenta que a maior transformação que o Evangelho causou em sua vida foi o amor. “Nunca amei ninguém. Era um homem abandonado, maligno, malvado, chato, bravo, sem esperança, vida e família. Isso não é um ser humano. Mas Jesus restaurou minha dignidade, minha aliança com meu Deus e me fez um amigo, irmão e filho do Pai. Ele não tem netos, mas filhos. Cristo me trouxe para ser filho d’Ele, uma identidade que tenho o prazer e a honra de dizê-la aonde vou”.

Ao relembrar a história de como conseguiu a cidadania brasileira, o pastor crê que tudo o que aconteceu foi por um propósito do Senhor. “Deus não trabalha com coincidências, mas com plano e propósito. E quando é o propósito d’Ele, o Senhor faz tudo na hora certa. Quando entrei (no Brasil), recebi uma vacina e um cartãozinho branco. Foi esse documento que me trouxe o passaporte, cidadania, casa, registros, carro, tudo, então estou legalizado, o que me possibilita até a ser candidato à presidência da República. Isso é uma alegria e não foi uma coincidência”.

Continuando a falar sobre o Brasil, o professor observou que os brasileiros são amorosos, mas não desejam ser enviados às missões. “A Igreja brasileira é muito amorosa, contribuinte, mas falta enviar mais missionários e orar. Ela é boa em financiar, apoia a obra missionária, dá suporte nas ações sociais e não tem timidez em investir. Mas o povo não ora, não quer ir (ao campo) e fica apenas ofertando. A Igreja precisa focar mais na oração e no envio de missionários”, enfatizou.

Como um conselho aos leitores, Abdullah Kassem recomenda: “Não se conforme apenas em ouvir, mas pratique tudo o que tem escutado, pois vai valer a pena”, finalizou. 

2 Comentários

  • Gloria a Deus pela vida desse irmão os sinais maravilhas e prodigios vão acompanhar a vida desse homem de Deus, estamos felizes por esse tremendo testemunho com certeza vai impactar a sua geração.

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  • Amei, Deus abençoe sempre essa missão 🙏🙏🙏sempre a disposição para servirle 🙏🙏, um privilégio estar com a equipe da missão RHEMA Verbo da vida, trabalho sensacional e eficaz 🙏🙏🙏.

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