De um tempo para cá, tenho uma sinalização de atenção a respeito de uma “cultura do elogio e da afirmação” no treinamento de ministros e ministras. Técnicas humanas que estão sendo utilizadas no meio cristão e que, muitas vezes, até causam uma boa aparência no seu exterior, mas seu interior é vazio de propósito e robustez espiritual.
Devido a essa “cultura afirmativa” de aparências, quem não recebe elogios se sente inadequado. Precisamos entender algo: ainda que você tenha sido totalmente obediente ao Senhor, nem sempre receberá aplausos dos homens. Por causa disso, muitos deixam de ouvir e obedecer a Deus e, começam a se inclinar para a “pregação da moda”, o “projeto legal”, e toda uma variedade de ações ministeriais que podem ser facilmente aplaudidas; quando na verdade o que deveria mover nossas ações é a voz do Espírito Santo mediante o firme fundamento da Sua Palavra, o que nos guia no plano de Deus. E não a agenda dos homens (aquilo que está na moda, o que é “cool” ou “moderno”).
O nosso querido Bud Wright, fundador do Ministério Verbo da Vida, sempre dizia: “Você pode ter a melhor ideia do mundo, mas eu vou fazer o que Deus falou”. Ele preferia ficar com aquilo que o Senhor tinha falado ao coração dele do que a ideia de homens. Enfatizava que no Dia do Senhor, ele seria cobrado por sua obediência à voz do Pai e não pelas sugestões e opiniões dos outros. Algumas pessoas estão sendo intimidadas e impedidas de fazer o que Deus manda porque sabem que não receberão um elogio, palavra de afirmação ou incentivo de que fizeram algo bom.
“Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos” (Provérbios 27:5-6).
Há líderes que elogiam tanto que acabam “passando a mão na cabeça das pessoas” em nome do amor. Isso na verdade não é amor, é omissão. Existem alguns pastores, enganados, com um discurso de “não corrigir para não machucar” (muitas vezes com medo de perder membros da igreja), quando na verdade Deus disse: “Corrige o filho a quem ama” (Hebreus 12:6); e nesse ínterim da ação errada e da não correção, essas pessoas que estão debaixo dessas lideranças continuam no erro, pois não foram corrigidas desde o início.
Isso é triste e danoso. Constrói falsidade nas pessoas e gera uma “cultura de aparências”, no qual no exterior muitas vezes há uma “máscara” de solidariedade e altruísmo, mas no interior, intenções erradas provenientes do egoísmo e da vontade de ser aprovado e aplaudido, por exemplo.
“Toda escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).
É importante acreditar nas pessoas e enxergar o seu potencial, porém, como líderes, não podemos achar que isso significa não corrigir o caráter dos ministros e “passar a mão” em erros que aparentemente são inofensivos porque só você está vendo. Líderes que agem desta forma não estão cooperando para a transformação do caráter e ampliação de potenciais, muito menos para que o Reino de Deus venha a expandir, pois se negligenciarmos o treinamento desses ministros e ministras de acordo com os parâmetros que o Senhor aponta, como eles estarão preparados para toda boa obra? Talvez muitos desses jamais estejam aptos para desenvolver aquilo que Deus deseja, e nós seremos responsabilizados por isso.
Quando estiver no púlpito, fale o que o Senhor manda e não tente melhorar a inspiração do Espírito para ajustar ao padrão que alguém quer. Vá e fale o que Deus manda mesmo que esteja “se tremendo todo” (pois é Ele quem garante a palavra que saiu pela sua boca caso venha d’Ele). É preciso crer na unção do Espírito Santo que opera e não na eloquência ou no possível reconhecimento da parte de alguém. Pare de pensar no que os outros acham e falam; quando focamos na opinião dos outros, damos espaço para o orgulho, porque estamos mais preocupados em agradar os homens do que em obedecer a orientação de Deus. Com isso, não quero dizer para agir conforme a carne e dar espaço para desabafos, indiretas e/ou críticas pessoais, mas sim para que voltemos a falar a verdade em amor (Efésios 4:15).
É simples ser dirigido pelo Espírito, só diga: “Senhor, você sabe o que essas pessoas precisam ouvir, então, eis-me aqui”. A dependência do Espírito Santo traz a unção que o povo precisa e gera libertação. Não importa se as pessoas levantam no meio do culto e vão embora, a liderança precisa aprender a falar o que o Senhor falou e não o que elas gostam de ouvir. Às vezes, os líderes pensam: “Deixe-me ver um jeito melhor de dizer isso”, a verdade é que as pessoas não recebem porque você fala bonito ou feio, mas sim porque elas confiam em você e percebem que está sendo autêntico e falando a verdade, mesmo que elas não gostem.
A credibilidade de um líder vem pela vida que ele leva. Já ouvi alguns comentários do tipo: “Tal pessoa fala tão bonito, mas não confio em uma palavra do que ela diz”, porque há pessoas que soam tão programadas e artificiais, só para serem aceitas. Coisas sutis vão se infiltrando e a maioria começa a repetir o mesmo discurso, pois aparentemente é já aprovado e assim é mais fácil de se obter o aplauso dos homens.
O próprio pastor Bud não tinha sempre uma pregação “toda arrumadinha” com início, meio e fim. Ele falava por inspiração, por isso, suas mensagens eram carregadas de vida. Ele sempre dizia: “Estamos limitando Deus pela nossa boca. Ao invés de falar como o homem, você deve falar como Deus fala diante das situações”.
Precisamos ter vigilância sobre todas as coisas que são padrões e princípios da Palavra. Existem exigências mais altas para todo aquele que é ministro e a Bíblia nos mostra este padrão. Não é uma vida normal, mas sim dedicada aos princípios bíblicos. Quando um ministro não age de acordo com os princípios e a seriedade que as Escrituras falam, está dando margem para o erro e passando uma imagem distorcida para outras pessoas.
Amados e amadas, o ministério nunca vai ser sobre nós mesmos. Ele não começa em nós e nem termina em nós. Começa no Senhor que nos chama, passa pelas pessoas que são alvo do nosso trabalho, mas no fim, a glória volta para Deus, pois foi Ele quem começou essa obra. Então, não se engane, nunca será sobre nós! E se não estivermos dispostos a entender isso desde o começo da nossa caminhada ministerial, talvez nunca teremos condições de lutar contra esse inimigo chamado “ego” que nos impede, muitas vezes, de agirmos conforme os padrões do Senhor.
Os acertos podem e devem ser valorizados, mas os erros precisam ser corrigidos. Para isso, oriente e instrua os seus ministros e ministras. O fato de você amar a pessoa não quer dizer que terá de fazer o que ela quer, pelo contrário, o amor corrige quando precisa. Se alguém almeja o ministério, é bom que esteja disposto a aprender e servir, é preciso se deixar ser treinado e ensinado nos mínimos detalhes. Instrua, ensine, corrija. Ministério é responsabilidade e não status.














2 Comentários
Eu mesmo não teria dito melhor e com tão perfeita colocação.
Me edificou e me acendeu alertando para meus comportamentos.
Perfeito!
Glória a Deus, por estar de baixo dessa visão🙏🏻