O que fazer com o abandono? 

Não podemos deixar que isso nos paralise. O ministério pressupõe confiar e esperar o melhor das pessoas.

Quantos de nós já passamos pela experiência de depositar confiança em alguém? Investir, treinar, depositar tempo e recursos, enxergar potencial que a pessoa não enxergou, que não foi visto por outros lugares por onde ela passou, mas você teve aquele olhar de apreço?  

Tudo ia muito bem quando no meio do processo de treinamento, a pessoa simplesmente foi embora. Fique tranquilo, porque não foi só você quem já passou por isso. Homens como o Ap. Bud Wright e o apóstolo Guto Emery também já passaram. 

E agora? saiu. O que é que eu faço? Como vou lidar com isso pessoalmente? Afinal de contas, uma situação como essa traz frustração, ingratidão e deslealdade. Sei que isso acontece com você também. Aquela pessoa pode fazer falta e pode trazer dano para a igreja, e as pessoas que ficaram? Como lidar com isso? Como lidar com a influência de alguém que saiu sobre as pessoas que ficaram?

A Bíblia traz luz para nós. A primeira coisa a fazer é nos avaliar. Será que fiz algo que possa ter contribuído para o acontecimento ou levado aquela pessoa a ter um comportamento reprovável? Será que da minha parte houve intenção? Preciso ser honesto comigo mesmo. Não quero ficar com a consciência pesada e nem quero ter parte no que aconteceu de ruim com ela.

Na multidão de conselhos há sabedoria. Vou me avaliar, buscar ser avaliado pela minha liderança e pelos meus pares. Depois disso, vou ver se errei e se caso falhei, vou ajustar minha conduta. Se for necessário, peço perdão a quem for preciso e seguirei adiante. E se não tiver errado, depois desse auto exame, ainda assim sei que algumas pessoas podem sair por motivos que não dependam de mim.

Como vou lidar com o trabalho? Sabemos que a igreja não pode depender de você, e nem de ninguém da sua equipe. Se eu sair, as coisas precisam continuar bem. Se a saída de alguém causou dano significativo, preciso reavaliar como estou trabalhando com as minhas equipes. Nós precisamos aprender a seguir, mesmo quando as pessoas saem por bons ou maus motivos. Se o vento soprar e alguém for embora, há pessoas pronta para avançar.

Como tratar o assunto com as pessoas que ficaram? 

“Procura vir ter comigo depressa, Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica, Crescente para Galácia, Tito para Dalmácia. Só Lucas está comigo. Toma Marcos, e traze-o contigo, porque me é muito útil para o Ministério.  Também enviei Tíquico a Éfeso.  Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos.  Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras. Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado” (II Timóteo 4:9-16).

Podemos observar situações em que Paulo narra para Timóteo sobre Demas, Alexandre e todos. De cada um desses homens, Paulo fala que eles o abandonaram, causaram muitos males e disse que o Senhor o retribua conforme as suas obras. O apóstolo fala de um grupo de irmãos que estavam em Roma e ele tinha expectativa que eles estivessem presentes e testemunhassem em seu favor. E ele diz que eles o abandonaram e finaliza que isso não lhe seja posto em conta. Nem todo mundo sai do mesmo jeito e não posso tratar todos que saem de forma igual. Até mesmo a minha oração é diferente para cada pessoa. Cada uma delas tem seus motivos e preciso fazer essa distinção e ser justo com cada situação. 

É justo tratar de formas diferentes quem sai de forma diferente. E sobre aqueles que ficaram, não posso tratar pela régua de quem saiu.   Paulo poderia pensar: “Será que Timóteo será o próximo?” Não agimos assim.

O ministério pressupõe confiar e esperar o melhor das pessoas e a minha confiança nelas não pode ser abalada por uma experiência ruim. Mesmo que muitos errem, mesmo que aconteça com o próximo, vou ser surpreendido, porque espero o melhor das pessoas . 

Se você quer se proteger de relacionamentos, precisa repensar o ministério. Se nem Paulo, apóstolo Bud e apóstolo Guto se livraram, você quer se livrar? Nós aprendemos muito com Paulo e com o texto descrito acima. Paulo não perdeu a confiança nas pessoas. Além de tratar de forma justa os que saíram e tratar bem os que ficaram, ainda preciso estar aberto para receber de volta. Se alguém quiser voltar, venha.

Você está pronto para receber de volta quem já lhe abandonou? Esse é o nosso coração, porque nós somos da fé, somos daqueles que confiam, que dão oportunidades, que estão sempre prontos para acolher de novo. Não importa o que aconteça, não vamos perder a capacidade de confiar em pessoas.

“Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão.  E o Senhor me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém” (II Timóteo 4:17,18).

Não importa o que aconteça com você, com quem você se decepcione. Isso não vai interromper o plano e propósito que o Senhor tem na sua vida. Não importa o que aconteça, nem a decisão que as pessoas queiram tomar. O maior merecedor da sua entrega e confiança é Deus.

2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Destaques da semana​
Estude no Maior Centro de Treinamento Bíblico do Mundo!