Deus não nos deixou sós. Você já percebeu que o Senhor poderia ter nos abandonado à própria sorte? Afinal, se observarmos o comportamento do homem em relação a Deus desde a criação, parece que a humanidade tem se empenhado bastante para desobedecer às instruções do Pai. Mas, numa medida muito mais intensa, Deus também tem se empenhado para que estejamos sempre perto d’Ele.
A Bíblia diz que o Senhor falou conosco ao longo das eras de várias formas e de muitas maneiras, mas que, nos últimos dias, falou por meio do seu Filho, Jesus, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas. A própria Escritura nos ensina que o Filho estava com o Pai desde o princípio, porque, no princípio, o Verbo era Deus e o Verbo estava com Deus. E por meio do Verbo, a Palavra encarnada, tudo o que foi feito se fez. Sem dúvida, a Bíblia é um guia seguro para nos ajudar a navegar ao longo dos tempos e das eras. O Senhor não deixou você sozinho. Deus não o abandonou à própria sorte. Ele enviou o que tinha de mais precioso: Cristo veio por mim e por você.
Além disso, a Palavra de Deus é a nossa bússola nesta geração. É ela quem nos orienta, inspira, guia e instrui. A Bíblia diz que a Palavra é lâmpada para os nossos pés e luz para o nosso caminho. Agora, cabe a nós recorrermos a ela. De que adianta uma lanterna potente em casa se não a usamos quando falta luz? De que adianta, no meio da noite, tentar chegar a algum lugar tateando, se não acionamos o interruptor? Da mesma forma, para usufruirmos da luz natural — para que você esteja aqui em um ambiente claro e iluminado — alguém precisou acionar as lâmpadas. Assim também, precisamos recorrer à Palavra, porque é ela quem traz luz ao nosso caminho.
A Bíblia nos diz, em Hebreus capítulo 6, que há doutrinas básicas: ressurreição dos mortos, juízo eterno. São assuntos que Deus considera básicos. Então precisamos estar atentos, acompanhando, buscando compreender a Palavra nesse sentido.
Em 2 Pedro, capítulo 1, versos 19 a 21. A Palavra vai nos orientar sobre como abordar a profecia bíblica. Muitas vezes, quando ouvimos “profecia”, pensamos apenas em alguém se levantar no meio da igreja e trazer uma palavra da parte de Deus. Isso é possível, sim. Mas a Bíblia está recheada de profecias que nos instruem no caminho.
Em 2 Pedro 1:19, na Nova Versão Transformadora, lemos: “Além disso, temos a mensagem que os profetas proclamaram, digna de toda confiança. Prestem muita atenção ao que eles escreveram, pois suas palavras são como lâmpada que ilumina o lugar escuro, até que o dia clareie e a estrela da manhã brilhe no coração de vocês”.
Acima de tudo, saibam que nenhuma profecia das Escrituras surgiu de entendimento próprio do profeta. Outras versões dizem que nenhuma Escritura provém de particular elucidação ou interpretação pessoal. As Escrituras são inspiradas por Deus. As profecias que nos foram dadas como lâmpada que ilumina o lugar escuro foram inspiradas pelo próprio Deus. Esses homens foram impulsionados pelo Espírito Santo e falaram da parte d’Ele.
Temos aqui uma palavra muito clara: prestem muita atenção. Às vezes, quando estamos lendo e nos deparamos com uma profecia, pensamos: “Não vou entender mesmo”, e pulamos para o próximo capítulo. Mas buscar compreender as profecias nos proporciona uma caminhada segura, iluminação para os nossos pés. O apóstolo Pedro nos diz que os profetas não inventaram nada. A profecia não nasce da iniciativa humana, mas da iniciativa do Senhor. Ele inspirou pessoas, que trouxeram instruções para que eu e você tivéssemos acesso à informações seguras.
Há quem diga que a profecia é como um “furo de reportagem”: alguém soube antes o que aconteceria e nos informa para que estejamos situados. Saber antecipadamente nos permite planejar melhor a vida no século em que vivemos. Lá fora há muita gente perdida, batendo cabeça, sem saber o que fazer. Mas isso é lá fora — aqui dentro não. Aqui você é instruído, inspirado, orientado. Você tem um conjunto de instruções que lhe permite navegar com segurança, mesmo em tempos sombrios. E você acha que Deus entende das coisas? Com certeza.
Quando lia esse texto, me veio a imagem de um agente de tráfego aéreo, sinalizando para o avião pousar. Ele cruza os braços, estende os braços, levanta os braços, e o avião — gigantesco — se posiciona exatamente sobre a linha correta. Isso permite que todos os procedimentos ocorram com sucesso. A Palavra de Deus guarda essa mesma riqueza de instruções. Se você atentar para a sinalização das profecias, chegará exatamente na “linhazinha” certa, entendendo o que Deus deseja fazer nestes últimos tempos.
Às vezes, vivemos de olhos fechados, deixando a vida nos levar. Mas a Bíblia nos chama à iniciativa. Aproximadamente um terço das Escrituras é composto por profecias — cerca de 37%. E, dessas, aproximadamente a metade já se cumpriu. A outra metade ainda aguarda cumprimento. Se entendermos o que o Senhor está nos contando, compreenderemos também o que está por acontecer.
É verdade que não sabemos o dia nem a hora. Mas você acha que Deus investiria tanto texto em algo que não quisesse que conhecêssemos? Se Deus colocou ali, é para nós. Precisamos estar atentos, curiosos, interessados. Os profetas muitas vezes viam eventos como montanhas no horizonte, sem perceber o vale entre elas. Jesus trouxe a perspectiva correta. Em Lucas, ao ler Isaías, Ele diz: “Hoje se cumpriu esta Escritura”. Parte da profecia se cumpriu; outra parte ainda aguarda.
A Bíblia diz, em Atos 17, que o Senhor fixou tempos previamente estabelecidos e os limites da habitação humana. Deus está fora do tempo, mas criou o tempo. No princípio, criou Deus os céus e a terra — criou um princípio, criou o tempo. Ao longo da história, vemos marcos: a criação, o dilúvio, a vinda de Cristo. Jesus veio, morreu, ressuscitou e subiu aos céus. E do mesmo modo que subiu, voltará. Não é lenda. Ele é Deus que se fez carne. Voltará, e estabelecerá o Seu reino. E a nossa existência ganha outro sentido quando lembramos que há um dia nos esperando.
A Bíblia diz que Ele virá em um cavalo branco, com um exército de fiéis. Haverá um reino milenar. Esses eventos estão ligados a períodos determinados por Deus. De Adão a Abraão, cerca de dois mil anos. De Abraão à primeira vinda de Cristo, mais dois mil. Da primeira à segunda vinda, aproximadamente dois mil anos. Um plano que muitos estudiosos associam a um período simbólico de sete mil anos.
Entramos então na profecia das 70 semanas de Daniel. Daniel, lendo Jeremias, entendeu que o cativeiro duraria 70 anos. Enquanto orava, o anjo Gabriel veio lhe trazer entendimento sobre 70 semanas determinadas sobre o seu povo — Israel — e sobre a santa cidade, Jerusalém. 70 semanas, ou 490 anos, com seis propósitos: cessar a transgressão, dar fim aos pecados, expiar a iniquidade, trazer justiça eterna, selar a visão e a profecia, e ungir o Santo dos Santos. A própria profecia divide esse período: 7 semanas, depois 62 semanas — totalizando 69 — restando uma semana final. A contagem começa com o decreto para reconstruir Jerusalém, nos dias de Esdras e Neemias. Somando os períodos, chegamos ao tempo em que Jesus iniciou seu ministério. Deus marcou o tempo.
Mas o Ungido seria morto — e foi. Jerusalém seria novamente destruída — e foi, no ano 70 d.C. Israel seria disperso — e foi. E, de forma extraordinária, voltou a existir como nação em 1948, preservando território e idioma. Ainda resta uma semana. Um período associado a uma aliança de sete anos, que será quebrada na metade, culminando na derrota do anticristo e no estabelecimento do reino de Cristo.
Essa semana é determinada sobre o povo de Israel. E antes que a grande tribulação se estabeleça, Cristo virá buscar a Igreja. Estaremos com Ele. Depois, haverá novos céus e nova terra, porque fomos criados para viver com Deus. Por isso, volto ao texto de 2 Pedro: prestem muita atenção ao que os profetas escreveram. Suas palavras são como lâmpada que ilumina o lugar escuro até que o dia clareie e a estrela da manhã brilhe.
Haverá um dia em que não estaremos mais em trevas. Mas, enquanto esse dia não chega, precisamos dar atenção à Palavra. Pode parecer complexo. Mas, se é complexo, merece ainda mais nosso tempo, nossa dedicação e nossa atenção. Porque são assuntos assim que nos situam corretamente no plano de Deus para a terra.















