Vivendo a alegria do chamado

Quando a alegria indizível nos possui, nós enfrentamos até a morte de cabeça erguida, animado e cheio de gozo.

Quando Deus tirou o povo do Egito, Ele estabeleceu três festas obrigatórias: a Festa da Páscoa, dos Primeiros Frutos e da Colheita. Em razão da participação nessas festas, eles ficavam isentos da inveja dos inimigos e o seu território era alargado. Quando deixamos os princípios de Deus serem acolhidos como instrução, isso abre portas. Estamos sendo abençoados com proteção e expansão. 

O EXEMPLO DE SAUL

Em I Timóteo 4:16, Deus aponta esse cuidado de si mesmo, esse olhar além do que fazemos e do que somos pessoalmente. Me veio a lembrança de Saul, que foi encontrado pelo Senhor. Ele foi apresentado como príncipe escolhido por Deus. Ele recebeu a unção e a indicação de ir para determinado lugar. E ele foi para vários lugares, como se fossem eventos. Ele ouviu o sofrimento do povo de Israel, e assumiu a missão que Deus o colocou. Desde então, ele ficou maravilhado quando percebeu que foi capaz de ser usado por Deus, mesmo com as deficiências que tinha. 

Saul ficou motivado, assumiu o governo, começou a dar ordens mais severas e houve outros desafios. Debaixo da pressão de uma batalha, teve vitórias extraordinárias. Às vezes, vamos ficando viciados em um comportamento que está dando certo e ficamos empolgados com os superpoderes que começam a ser notados em nossas vidas, que antes não existiam. E parece que colocamos a nossa devoção a esse ritmo de trabalho, de alcance e de eventos. 

O rei já não tinha mais paciência de esperar porque o ímpeto da batalha o aguçava. Enquanto desse certo, ia em frente, deixando de fazer algumas recomendações e começava a fazer como ele entendia que era o certo. Isso mostra como podemos estar mergulhados em um desvio e não ter percepção para ter o devido cuidado de ajustar. Quando o profeta alertou Saul que ele errou loucamente, ele falou que, pelo contrário, agiu certo e obedecia ao Senhor. E o Espírito de Deus não agia mais sobre ele. Daí para a frente, ele entrou em um grau depressivo tão alto que chegava a se confundir com possessão, mas continuava exercendo o ministério.

Saul teve o favor de ter Davi o acompanhando para suprir a sua carência. Mas, quando ele ouviu que ele matava os milhares e Davi os dez milhares, isso o descontrolou, e ele passou a viver o inimigo imaginário. A ocupação ministerial de Saul era administrar uma ofensa que o desestabilizou em todas as suas ações. Mas, ainda assim, ele se achava apto no ministério, achando que estava fazendo a vontade de Deus, sendo um guardião dos ataques do seu ministério pessoal e dos inimigos que se levantaram contra ele.

Ele não se deu conta de que deixou lacunas na vida e não foi responsável com a vida pessoal. Ele se descuidou da base que possibilita uma vida ministerial. Paulo dizia: “Cuide de si mesmo, pois, cumprindo esses deveres, estás abençoando os outros”.

TESTEMUNHO PESSOAL

No meu testemunho, eu tenho fatos negativos, mas graças a Deus não fui insensato como Saul, que não deu ouvidos à correção do Senhor. E tive a oportunidade de alinhar os meus passos e também me diverti nesse experimento ministerial, de onde Deus me alcançou e onde Ele me colocou. Esses experimentos desses poderes extraordinários de capacidade, de influência, de perceber que algo bom sai de você e abençoa.

Eu mergulhei na vida ministerial de uma forma intensa, ao ponto, que confesso, de negligenciar cuidados pessoais, não só físico e família, mas, principalmente, a comunhão com Deus, adoração, parar para organizar a consagração, que leva tempo. Muitas vezes, esse tempo na cabeça de alguém muito ocupado atrasa, quebra o ritmo e a sequência. E fazemos como Saul: desistimos da consagração e vamos para a obra.

Lembro de ter sido pego, após Jannayna me chamar para almoçar e eu dizer: “Almoçar como? Como é que almoça? Almoça aí. Eu não posso não”. Ou seja, a construção me batizou. Eu estava ali, imerso. Antes do expediente, eu já estava lá ansioso e só conseguia dormir tarde da noite pensando no que seria amanhã. Mas eu pensava: “Eu não estou errando não. Pelo contrário, Deus está muito alegre comigo”.

Até que um dia, minha saúde começou a falhar, ao fiscalizar essa própria construção. Me veio um desmaio, um “escurecimento de vista”. E eu pensei que isso não poderia acontecer comigo, pois eu estava na obra do Senhor. Eu me levantei e entrei em uma sala, tida como o gabinete, chorei e fiz uma oração: “O Senhor vai deixar eu morrer? Eu estou me dando para a Sua obra. Eu estou batizado nesse compromisso”. E Deus falou: “Você está andando em vaidade. E você está se estribando em seu próprio entendimento”.

Então, Deus não estava apoiando aquele esforço exagerado. Eu trilhei o caminho da loucura e, muitas vezes, esse caminho tem fragilizado o nosso potencial. Porque temos ido sozinhos nesse perigo e nos expomos a uma loucura, que nos coloca em competição, em desconfiança e faz com que nossa equipe perca o referencial, porque estamos tomados de um sentimento que não serve de referência. E vamos permitindo conceitos e respaldando esse desvio.

ESCOLHAS ERRADAS

Certa vez, um amigo que estava vivendo a fase da consequência de não saber administrar as escolhas falou: “Eu acho que eu errei. Eu me dediquei demais ao ministério e esqueci de mim”. Ele estava querendo dizer que o tempo que ele gastou na vida ministerial comprometeu o seu desempenho pessoal, profissional, conquista de bens e agora estava encostado à beira do caminho, tomado de um desânimo com esse conceito: “Errei em me dedicar”. 

Na verdade, o quadro que ele estava experimentando não era porque ele se dedicou demais ao ministério ou serviu ao Senhor. É porque ele se esqueceu de acompanhar com esse cuidado pessoal, de deixar de fortalecer coisas que não podem ser deixadas em segundo plano. Deus nunca vai exigir a sua família no altar em nome do seu serviço ministerial.

Essa falta de habilidade e maturidade tem levado a gente a estragar aquilo que poderia ser belo. Segundo as Escrituras, o planejamento de Deus para nós é que vivamos em um reino agora. E a proposta desse reino é justiça, paz e alegria no Espírito Santo. É um lugar de alegria. Se não é com alegria, não é Verbo da Vida, não é a bolha que participamos. Quantos ministros pesados e bem-sucedidos ministerialmente, mas eles mesmos estão se afundando?

Quando olhamos para a Palavra, eu me envergonho de olhar para Paulo me exortando a me alegrar, quando está em uma cadeia, ministrar a nos alegrarmos sempre. Como é possível estar preso e se alegrar? É preciso uma estrutura pessoal bem estabelecida. Ele não era um bom ministro bem-sucedido no ministério. Ele era bem-sucedido pessoalmente. Ele fez escolhas assertivas que fizeram dele uma fortaleza, a ponto de ele comunicar um tipo de alegria indizível.

Quando você olha para Paulo de forma natural, você pode pensar: “Que decisão errada Paulo tomou! Ele era uma pessoa influente. Na bolha que fazia parte, ele era admirado. Mas, ao se voltar para o Evangelho, passou a ser um perseguido, um desacreditado, ao ponto de ser açoitado, apedrejado e passar a maior parte da vida preso”. Mas ele era um homem altamente realizado e feliz, porque ele não pensava só em ser um servo de Deus. Ele era também um adorador, um homem que gozava do acesso, da comunhão e do refrigério.

ESCOLHENDO A MELHOR PARTE

Outro coitado aos olhos naturais era João. Ele se esforçou para ter um nível de acesso a Deus e isso lhe deixou empolgado. Ele foi lançado em uma ilha e lá ele ouvia: “João, sobe aqui”. Isso para ele era um deleite. Com certeza, ele preferia ficar ali do que ir para a Disney. Ele não vivia uma vida desgraçada naquela ilha. Deus reservou para ele um lugar de coisas indizíveis, de revelações gloriosas porque optou em servir a Deus.

O DIABO QUER NOS CEGAR

Estamos perdendo porque ficamos maravilhados com a obra e temos tido a loucura de desistir de trazer a Presença, a Arca e de permitir esse acompanhamento. Confundimos unção com estrutura pessoal e achamos que depois de um desempenho bom na igreja, Deus está aprovando a nossa vida. Deus está apenas confirmando o chamado na sua vida porque o propósito é para pessoas. Mas o Senhor pode não estar aprovando a sua vida. Se você continuar nesse relaxamento, pode ser que ele cegue os seus olhos e você pode amargar um tipo de vida que não foi a que Deus pensou para você. Não estava no plano d’Ele Sansão ser cego. É intenção do diabo cegar os olhos do entendimento. 

Muitos de nós estamos no cargo, na função, mas não temos mais ousadia. O nosso povo está contaminado por limites. Como vamos perceber direções diferentes se ficamos tão maravilhados com a obra que saímos correndo para fazer e não temos mais um ouvido submisso para ouvir as instruções? E dizemos que foi Deus que nos lançou esse encargo pesado e agora está comprometendo a nossa saúde e a nossa família. Para Deus, ministério é para ser gozo inefável, é poder viver o bem-estar, alegria e resultados cobrindo nossa vida e família.

Eu preciso possibilitar que a minha vida pessoal dê respaldo para a unção me dar sabedoria para as decisões diárias, debaixo de uma instrução. Deus não vai ficar correndo atrás das suas decisões para estar oferecendo ajuda. Aquilo que você decidiu sozinho você faz sozinho e o que só pode ser feito com a ajuda de Deus vai deixar você estressado mesmo. Tem gente vivendo uma expectativa horrível de juízo quando poderia viver uma vida de gozo inefável. 

Precisamos salmodiar como fez Davi. Pastores estão em cultos cultuando problemas. Enquanto o louvor está cantando, ele está queimando a cabeça. Levante as mãos, salmodie. Um salmo é diferente porque exige a sua autoria. Fale da sua realidade, do seu contexto, da posição que você se encontra. Esses salmos abrem a porta para você ser atualizado por Deus, para instrução, para força, para encorajamento.

Vale a pena ver o nosso estado, como estamos na obra. Se você não está bem, você precisa de ajuda. E a ajuda vem daqueles que Deus constituiu sobre a nossa vida. Não é fraqueza pedir ajuda. Eu me dei bem na transição da Igreja Sede de Campina Grande (PB) porque pedi ajuda. Bom é estar onde você foi chamado para fluir, sem estar querendo status, mas querendo corresponder ao chamado. Temos que cuidar de nós mesmos e da doutrina, para que o nosso proveito seja útil a todos.

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