Há países que são demarcados por muros. Esses são limites concretos e fixos que impedem a travessia, mas há limites que não são visíveis, mas os seus efeitos são bem perceptíveis. Limites podem não estar traçados no chão, mas são evidentes. Outros limites não tem placa, sinal, mas todos conhecem onde eles estão e os obedecem.
Existem decisões que são tomadas por causa dos limites, eles demarcam identidade e segurança. Como uma casa que você coloca muros que delimitam a sua propriedade, eles trazem segurança e privacidade. Um país é demarcado pela sua fronteira. Estamos vendo guerras como a da Ucrânia e sempre que essas guerras acabam, países ficam maiores, outros menores e alguns podem até deixar de existir. Pessoas nessas guerras perdem a vida simplesmente porque esses limites foram ultrapassados.
Recentemente, tive algumas conversas com algumas pessoas e as ouvi dizendo: “A gente precisa furar a bolha”. Mas essa expressão significa transcender limites para alcançar pessoas diferentes, e o argumento dessas pessoas é que estamos isolados na nossa bolha ministerial e precisamos aumentar o alcance. Isso parece ser algo bom, mas sair dessa realidade pode não ser tão bom assim.
Questionamentos como: “Por que não chamamos as mulheres de pastoras?”, outros como: “Por que não cantamos aquelas músicas tão populares?”. Às vezes, a ideia de furar a bolha implica perder nossos valores, comprometer a nossa doutrina, relativizar a nossa visão, nos envolver com polêmicas para chamar atenção das pessoas, dos algoritmos, ou ainda furar a bolha para alcançar esferas da sociedade. Eu entendo, mas tenho cuidado com esse pensamento.
Algumas esferas requerem comportamentos que não condizem com os valores que carregamos em nosso Ministério, e não podemos comprometer a nossa visão. Precisamos salvar as pessoas, mas não temos que mudar o mundo para salvar as pessoas. Nós as salvamos, mas não temos amizade com o mundo. Os limites que nos definem podem estar sendo comprometidos. Devemos ter clareza naquilo que nos identifica e nos dá segurança. Furar a bolha não vale esse preço. Nós precisamos estar convictos daquilo que fomos chamados a fazer como Verbo da Vida. O jeito Verbo da Vida já nos coloca numa bolha, temos um jeito de nos relacionar uns com os outros e isso já nos separa de muitos.
Ninguém foi chamado para fazer tudo, e quem está tentando fazer tudo não vai fazer nada direito. Nós vamos correr com a visão, mas sem nos comprometer.
“Porque as suas cartas, dizem, são graves e fortes, mas a presença do corpo é fraca, e a palavra desprezível. Pense o tal isto, que, quais somos na palavra por cartas, estando ausentes, tais seremos também por obra, estando presentes. Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento. Porém, não nos gloriaremos fora da medida, mas conforme a reta medida que Deus nos deu, para chegarmos até vós; Porque não nos estendemos além do que convém, como se não houvéssemos de chegar até vós, pois já chegamos também até vós no evangelho de Cristo, Não nos gloriando fora da medida nos trabalhos alheios; antes tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós, conforme a nossa regra, para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós e não em campo de outro, para não nos gloriarmos no que estava já preparado” (II Coríntios 10.10-16).
Paulo era perseguido por superministros da época. Ele fez uma crítica a eles. Naquela época, era comum que os filósofos que andavam de cidade em cidade, dando discursos eloquentes, atraíssem multidões, e essas pessoas, para se promoverem, criticavam os outros publicamente, levantando defeitos. Paulo fez um alerta com relação a esses ministros. Ele respeitava o limite da esfera de ação que Deus demarcou e não ultrapassava esses limites, não se gloriava com o trabalho que fazia, mas anunciava o Evangelho na sua esfera de ação.
Paulo fala no texto sobre limites e, quando ele fala sobre isso, significa metro, sem medida ou além da medida, quer dizer ultrapassar os limites. Mas não vamos além da medida.
Ele também fala sobre “esfera de ação”, que no grego significa kanōn e tem o significado de cana, que era uma medida de distância. Em corridas de estádio, havia uma raia delimitando um espaço, mas, naquela época, eles corriam no kanōn e não podiam sair dali. Era uma palavra que usavam para fronteiras.
Existe uma esfera de ação, um limite demarcado por Deus para o meu ministério. Existe uma esfera de ação que não foi o acaso que marcou para você. Deus estabeleceu uma esfera de ação, um limite para o seu ministério. Há unção na sua vida para você fazer o que precisa ser feito, mas ela só vai operar dentro da esfera de ação que Deus estabeleceu.
Nós precisamos identificar os limites que Deus traçou para o nosso chamado, para não sairmos da raia. Não gaste tempo e energia pastoreando as ovelhas de fora do seu limite. Não viva fazendo eventos para os de fora, alimente os que estão dentro da igreja. Não se desgaste em excesso, não trabalhe para o público errado, não pesque na bolha dos outros, busque os que não tem bolha. À medida que focamos nos que Deus nos confiou, Ele vai ampliando a nossa visão e alcançaremos outros.
A melhor forma de fazer a nossa bolha crescer é investindo nela e fazendo o nosso povo crescer. Estamos vendo o nosso Ministério crescer e usando-o para edificar pessoas. Vamos ampliando e alcançando mais gente, mas porque estamos dentro e focados na visão que Deus nos deu.
Existe um poder de estarmos na unidade e comunhão. Deus trabalha através de nós. Estamos fortalecendo a nossa bolha e, na pandemia, ajudamos muitos ministros. Em dias difíceis, nos unimos e juntamos para resolver os problemas que surgem. Se estivermos espalhados, não podemos ajudar outros. Foque naquilo que Deus o chamou para fazer. Seja confiante e seguro do que está fazendo, mas não seja soberbo. Eu me orgulho em ver o crescimento do meu filho, e isso é mérito dele. E não me orgulho comparando-o com outra criança, mas com ele mesmo.
Nós nos gloriamos no Senhor ao ver o crescimento do Ministério, e isso não é pela nossa habilidade, mas pela nossa obediência. Estamos fazendo o que Deus nos chamou para fazer. Nós sabemos o que o Senhor tem feito em nosso meio.
Eu sou verbo da vida. Que alegria é ver onde estávamos e onde estamos hoje, e a expectativa de onde vamos estar daqui há 10 anos. Vamos fazer a nossa bolha crescer.
Você é um galho nessa grande árvore, e das raízes vêm os nutrientes, a segurança no meio das intempéries. Esse Ministério foi construído nos ombros de muita gente que deu a sua vida por ele. Não foram apenas uma ou duas, mas milhares de pessoas se doando para construir a árvore que temos hoje. O nosso chamado só é bem-sucedido porque estamos conectados a essa árvore, e boa parte da reputação vem dela. Estamos conectados e ligados nessa árvore e, por isso, produzimos frutos. Essa árvore não te limita; ela te protege e sustenta. Aquilo que nos limita também é aquilo que nos protege. Não podemos romper os limites que Deus estabeleceu.
A sua firmeza e constância trazem segurança. Não importa o que os outros estão fazendo. Não mude a sua esfera de ação. Se Deus me guiar, eu vou. A nossa bolha nos identifica e nos protege. O justo vai florescer, porque está plantado na casa do Senhor; mesmo na velhice, vai florescer. Não fure a bolha, porque ela pode deixar de existir.
*Trechos da mensagem do dia 13 de setembro de 2026 na Conferência de Ministros Sudeste














