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Vilma Souza
Graduada da Escola de Missões

“Por isso, consolai-vos e encorajai-vos mutuamente, COMO DE FATO JÁ ESTAIS FAZENDO. Como manter o fogo do Espírito.” (I Tessalonicenses 5:11)

Você já havia percebido a parte do versículo que está grifada? Ela nos remete às ações de CONSOLAR e ENCORAJAR mutuamente uns aos outros e afirma que estas coisas nós já estamos praticando. Mas será que, realmente, estamos? Vale dar uma olhada ao nosso redor e às nossas próprias atitudes. Não é necessário muito para percebermos que, no que diz respeito a vida cristã, não temos partilhado de uma das características de Jesus para conosco: A IDENTIFICAÇÃO.

Temos visto e pregado a parte do Evangelho que fala de vitória, de estar acima das circunstâncias, de ser mais que vencedores e todas essas declarações sim, são verdadeiras. Mas, não temos conseguido ser suficientemente cristãos, a ponto de nos identificar com a dor do outro.

A fome que o outro sente já não nos motiva a comprarmos alimento; o frio que o outro sente não nos faz presentear com um casaco e um cobertor; a chuva que o outro leva no ponto do ônibus não nos impulsiona a darmos carona para o lado contrário a que estávamos seguindo; a dor da solidão não nos incentiva a sentarmos ao lado e fazermos companhia. Seja sincero: você já ouviu algum caso na Bíblia que, ao ver um irmão doente, Jesus julgou que a causa da enfermidade era pecado e o abandonou? Não, Jesus nunca fez isso.

Mas nós, ao menor de sinal de fragilidade apresentado, ficamos escandalizados, rejeitamos o outro e o consideramos um fraco na fé. Ao mesmo tempo, criamos um mundo de fantasia onde, para ser aceitos, precisamos aparentar o tempo inteiro uma força que nem sempre temos. É aquela história de fingir que nada dói, que a conta não está atrasada, que a nossa família é aquela típica de comercial de margarina. Mas nós sabemos que a vida não é assim o tempo inteiro. “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, já disse o poeta.

E nós, que temos condenado a religiosidade dos irmãos que se baseiam nas doutrinas relacionadas aos usos e costumes, não consideramos que temos vivido de religiosidade (e hipocrisia!) quando aparentamos algo que não somos. Exigimos que o outro seja uma fortaleza, quando nós conhecemos as nossas fragilidades quando fechamos a porta atrás de nós e colocamos a cabeça no travesseiro. Eu sei, você sabe. E, por isso, temos visto milhares de pessoas lindas por fora e muito fortes no espírito, mas com sérios problemas nos relacionamentos, de autoaceitação e fragilizadas em áreas da vida, por não saber lidar com ela, a temida e perigosa ALMA.

Na semana passada, conversando com uma pessoa sobre um possível abandono, ela falou que aquilo era muito “almático”. E me surpreendi que, em pleno século XXI ainda se utilize essa expressão como subterfúgio para menosprezar o sofrimento de alguém. Leigos falam como se a alma fosse algo nocivo, criado pelo diabo apenas para demonstrar o nosso lado sombrio, mas não é assim. A nossa alma foi criada por Deus! Ele nos criou com sentimentos e emoções. E, para a sua surpresa, tenho uma grande revelação: Jesus tinha alma.

Com isto não estou dizendo que devemos ser controlados pelas emoções e nem que devemos nos deixar levar por todo lixo que a vida diária, o diabo ou as pessoas queiram jogar sobre nós. Não. Mas também não podemos considerar apenas espírito e corpo, como se a nossa alma não existisse. Nós somos um espírito, possuímos uma alma e habitamos em um corpo e foi Deus que projetou para ser assim.

Portanto, quando alguém confiar a você uma fragilidade ou uma dor, não seja rápido para condenar, acusar, apontar o dedo e lançar em rosto 284 versículos bíblicos que falam a respeito daquilo. Condenação não cura ninguém. Se ela confiou em você, estenda a mão, dê um abraço, mostre para a pessoa que ela não está só, ofereça consolo, silêncio, abrace a causa. Podemos encorajar pessoas sem, necessariamente, cobrar posicionamentos delas. Às vezes, as pessoas só precisam ser ouvidas. Se não tem o que falar, apenas escute. Não menospreze e nem ridicularize a dor do outro. Lembre-se que existem dores em você que, aos olhos dos outros podem parecer besteira, mas você quer ser compreendido. Então, ofereça a mesma misericórdia que você quer encontrar quando precisar.

Sejamos como Jesus, pois, “não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas […] Portanto, acheguemo-nos com toda a confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e encontremos o poder que nos socorre no momento da necessidade.” (Hebreus 4:15,16)

 

 

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