Mulher-Maravilha ou sábia?

O mundo nos influencia e nos convoca todos os dias a produzir incansavelmente fora, como mulheres multitarefas.
Stephani Borba
Integrante da Coordenação do Centro de Oração Verbo da Vida

Eu gostaria de falar um pouco sobre a heroína Mulher-Maravilha. Ela foi criada para simbolizar a beleza e o poder feminino. É uma guerreira preparada desde a infância, ágil e inspiradora, cheia de habilidades e poderes. Mas vivemos em um mundo que está chamando a mulher para exercer esses poderes e habilidades muito mais fora do que dentro de sua própria casa.

O mundo nos influencia e nos convoca todos os dias a produzir incansavelmente fora, como mulheres multitarefas. Somos estimuladas a ser essa “mulher maravilha” que faz tudo ao mesmo tempo, que abraça o mundo com os próprios braços. No entanto, Deus não nos chamou para uma vida de enfado e sobrecarga. Se nós, como filhas de Deus, não tomarmos cuidado, acabaremos sendo influenciadas por esse chamado do mundo, que tem sido exaustivo para muitas mulheres.

Síndrome da Mulher-Maravilha

Existe uma condição chamada “Síndrome da Mulher-Maravilha”. Trata-se de um termo psicológico e social usado para descrever o comportamento de mulheres que tentam ser boas em tudo, assumindo diversas funções e responsabilidades ao mesmo tempo, buscando dar conta de todas com perfeição. Dessa forma, muitas acabam ficando ansiosas e sobrecarregadas, mas esse não é o chamado de Deus para nós. Ele não nos criou para isso.

Ademais, a mulher que sofre dessa síndrome sente que deve ser perfeita em todas as áreas da vida, como esposa, mãe, dona de casa e serva fiel na igreja. Isso começa a afetar sua vida emocional e física. Muitas vezes, podemos estar vivendo essa síndrome sem perceber, dentro de nossa rotina acelerada.

Cansaço extremo, ansiedade, estresse, dificuldade em pedir ajuda e problemas físicos começam a aparecer, como dores musculares e fadiga crônica. E todas essas características, muitas vezes, têm origem em um desejo genuíno de amar e servir, mas que aos poucos se transforma em autocobrança extrema.

Chamadas para dentro

Agora, Deus está nos chamando para um lugar chamado equilíbrio.

“Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mateus 11.30).

Jesus está nos chamando para nos unirmos a Ele e nos submetermos à Sua vontade. Quando nos submetemos ao jugo de Jesus, nos unimos a Ele. Deus quer que nos coloquemos debaixo do Seu comando e da Sua direção. Pegar o jugo de Jesus é aceitar o Seu ensino e viver conforme a Sua orientação. O jugo d’Ele é suave e leve porque é Ele quem dita o ritmo e divide o peso da vida conosco. Quando decidimos deixar o nosso próprio ritmo de lado, Ele torna as coisas leves para nós.

O descanso que Jesus promete não é ausência de responsabilidade, mas sim aprendizado para ditar o ritmo certo, aquele que não nos sobrecarrega. Muitas vezes, colocamos sobre nós responsabilidades que não nos pertencem.

O mundo nos chama para produzir fora, mas a Palavra nos chama para dentro, para a presença de Deus, para o nosso lar, para o nosso lugar de descanso. Quando entramos nesse descanso, passamos a depender d’Ele. Deus não é contra as mulheres que produzem fora, mas precisamos entender que temos uma responsabilidade inicial: ser auxiliadoras idôneas, sábias, edificadoras e mães presentes. Ele não nos pediu para preenchermos todos os espaços.

Qual é a sua prioridade?

Além disso, quando tentamos fazer tudo, acabamos não fazendo o essencial e fazemos o que não é eterno. A Palavra diz que a mulher sábia edifica o lar. A mulher sábia está atenta aos relacionamentos de dentro antes dos de fora. A sabedoria de Deus nos ajuda a discernir o que é essencial em cada fase da vida. Qual é a prioridade da nova estação da sua vida?

“Que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (I Timóteo 3.4).

Tudo começa em casa. É o seu laboratório, o lugar que vai te forjar verdadeiramente. A maternidade nos molda. Não fuja das responsabilidades que você tem como mãe, pois elas te treinam para o que acontece fora e te dão preparo para viver o que Deus tem para você. Não veja o estar e o produzir em casa como um peso.

Em Provérbios 31, identificamos muitas características da mulher virtuosa. Ela é forte e produtiva, mas uma das que mais chamam a atenção é o fato de estar atenta ao que acontece dentro de casa e à sua família.

Transmitindo os valores certos

Muitas vezes o ritmo está tão desenfreado fora que a nossa família acaba recebendo os cacos. O olhar atento sobre a sua casa não deve vir primeiro da secretária, e as necessidades do seu filho não devem ser percebidas primeiro pela professora, mas por você. A mulher virtuosa tem um olhar atento. Ela sabe como vai o bom andamento de sua casa.

“Levantam-se seus filhos e chamam-na bem-aventurada” (Provérbios 31.28).

Essa mulher é reconhecida dentro de sua casa. Em um mundo de redes sociais, suas curtidas de aprovação estão vindo mais de pessoas de fora ou da sua própria família?

Precisamos deixar um legado para nossos filhos, porque são eles que continuarão o caminho que estamos trilhando. São eles que manterão os valores da Palavra e da família. A vida é feita de fases. Saiba a hora de dizer “sim” e também a hora de dizer “não”. Saiba quando acelerar e quando desacelerar.

Jesus precisa fazer nossos olhos brilharem todos os dias.

Em que fase você está?

“E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado; e certa mulher, chamada Marta, hospedou-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços; então se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta, Marta, andas inquieta e te preocupas com muitas coisas; entretanto, pouco é necessário, ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lucas 10.38–42).

Jesus não repreendeu Marta por estar errada em sua atitude, mas quis que ela atentasse para o que era essencial naquele momento: desacelerar para cuidar das coisas de dentro. O essencial ali era o relacionamento. Muitas vezes não estamos ouvindo o que precisamos porque estamos aceleradas demais. O que Jesus instruiu a Marta não foi deixar de fazer, mas ter sabedoria para discernir a fase e o essencial de cada momento.

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