
Coordenadora da Feminina do Ministério Verbo da Vida
O valor de que vamos falar agora é o “serviço”. Essa palavra é muito associada a atividades na igreja, mas o exemplo que quero trazer é o de Moisés, que serviu ao Senhor servindo ao povo; de José, que serviu ao Senhor mesmo em circunstâncias adversas; de Rute, que serviu à sua sogra com fidelidade, sem esperar recompensa; de Davi, que começou a servir sua família com pequenas ações e manteve o mesmo coração quando lhe foram confiadas coisas grandes; de Neemias, um servo reconstrutor; e, sobretudo, de Jesus, o nosso maior e melhor exemplo de servo.
A ciência também entendeu que o serviço faz bem para nós. Servir ativa áreas do cérebro ligadas à recompensa e à felicidade. Quando ajudamos e servimos alguém, o cérebro libera dopamina, serotonina e ocitocina, hormônios que nos trazem tranquilidade e alegria. O serviço reduz sintomas de estresse e depressão: estudos revelam que ações voluntárias e comunitárias diminuem o nível de cortisol, o hormônio do estresse. Além disso, melhora a saúde e a longevidade. Pesquisas indicam que pessoas que servem regularmente têm melhor qualidade de vida e vivem mais tempo.
Servir vai muito além do que imaginamos.
Mulheres que serviram com o coração
“Aconteceu, depois disso, que andava Jesus de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e iam com ele os doze, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes; Susana e muitas outras, as quais os assistiam com os seus bens” (Lucas 8.1–3).
Maria Madalena é mencionada em muitos momentos, inclusive quando Jesus foi ressurreto. Ela foi a primeira a anunciar a ressurreição. Antes disso, havia sido liberta por Jesus de muitos demônios, o que nos mostra que um coração grato sempre reflete fidelidade no serviço. Joana, esposa do administrador de Herodes, também é citada. Ela possuía muitos recursos e status social, mas não se importou com sua posição: decidiu investir o que tinha no ministério de Jesus, servindo ao Senhor. Às vezes, somos como Joana e Maria, servindo com nossos recursos ou através da gratidão.
Por fim, temos Suzana, uma personagem curiosa, mencionada apenas nesse trecho da Bíblia. Isso mostra que ela atuava nos bastidores, mas ainda assim é lembrada como uma mulher que servia ao Senhor. Na simplicidade, decidiu permanecer servindo como resposta ao amor, sem se intimidar por causa das posições de outras pessoas. Jesus é a nossa maior referência em serviço.
Jesus, o maior exemplo de serviço
“Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva, e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20.26–28).
Dar a vida por uma causa maior do que a nossa é honroso, e foi isso que Jesus nos ensinou. Não podemos cair no engano de achar que certos tipos de serviço são inferiores, pois se Jesus tivesse pensado assim, jamais teria vindo à Terra. Ele deixou seu trono e sua posição de honra e glória, descendo em forma humana, e não olhou para isso com vergonha, mas com amor.
Fazer o que as pessoas esperam é bom, mas fazer além é uma demonstração de que não buscamos recompensas, e sim servimos por amor e gratidão a Deus. Esse é o verdadeiro sentido do serviço: deixar o coração no lugar certo.
Servir muda histórias
Se Rute tivesse feito cálculos, talvez não tivesse permanecido com a sogra, mas quando entendemos a quem servimos e por que fazemos o que fazemos, tudo muda. Aquilo que seria pesado se torna prazeroso. Criar nossos filhos, por exemplo, não precisa ser um fardo quando entendemos que estamos formando homens e mulheres de fé para cumprir o propósito de Deus na Terra.
“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz” (Filipenses 2.5–8).
“Tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens, cientes de que recebereis do Senhor a recompensa da herança. A Cristo, o Senhor, é que estais servindo” (Colossenses 3.23–24).
Fazer de todo o coração fala sobre a intenção do coração. Fazer algo para homens e não ser reconhecido é frustrante, mas quando envolvemos Deus, servimos com gratidão e alegria, porque Ele já fez tudo o que precisávamos: nos deu a salvação.
Não importa se somos pessoas aceleradas, resolvendo mil coisas ao mesmo tempo, desde que saibamos onde está o nosso coração. A intenção certa sempre nos colocará aos pés de Jesus, sem preocupação com reconhecimento ou recompensas. Servir com a motivação correta sempre falará mais sobre Ele do que sobre nós, porque não é sobre mim, é sobre Ele. É ser como Maria, aos pés de Jesus, com o coração grato.
Servir é deixar legado
“Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós será esse o que vos sirva, e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mateus 20.26–28).
“Deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Aproximou-se, pois, de Simão Pedro; este lhe disse: Senhor, tu me lavas os pés a mim? Respondeu-lhe Jesus: O que eu faço, tu não o sabes agora; compreendê-lo-ás depois. Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés! Respondeu-lhe Jesus: Se eu não te lavar, não tens parte comigo. Então, Pedro lhe pediu: Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça. Declarou-lhe Jesus: Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais, está todo limpo. Ora, vós estais limpos, mas não todos. Pois ele sabia quem era o traidor; foi por isso que disse: Nem todos estais limpos” (João 13.5–11).
Jesus nos ensinou que o que fazemos hoje afeta não apenas o presente, mas também as gerações futuras. Valores que permanecem são aqueles que não podem ser perdidos, como a alegria de criar filhos ou o prazer de cozinhar para a família, gerando memórias. Nada disso é desonroso. Precisamos compreender que muitas coisas simples também refletem o caráter de Cristo em nós.
O serviço que revela amor
“Depois de lhes lavar os pés, tomou as vestes e, voltando à mesa, perguntou-lhes: Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou” (João 13.12–13).
Jesus mostra que podemos, em certos momentos, nos despir de nossas posições para realizar tarefas que talvez ninguém queira fazer. Por amor, fazemos, porque isso é servir. Ele não deixou de ser “Senhor e Mestre” por realizar o que pessoas sem renome fariam. Ele nos ensinou que, às vezes, o amor se expressa em assumir posições que ninguém quer.
Não há espaço para tristeza, desonra ou humilhação quando entendemos para quem fazemos. Um coração grato sempre responderá com serviço.
“Bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, achar vigilantes; em verdade vos afirmo que ele há de cingir-se, dar-lhes lugar à mesa e, aproximando-se, os servirá” (Lucas 12.37).
*Trechos da mensagem do dia 17 de outubro de 2025, na Conferência de Mulheres.















