Não se compare!

Cada um tem força em um propósito específico.

Cada ramo que não dá fruto é cortado, mas aquele que é podado, gera mais resultado. A poda, muitas vezes, não encontra atalhos. A falta de frutificação traz uma consequência: ser descartado. Mas, existem áreas da nossa vida que não são proveitosas e podemos fazer crescer, então, devemos estar prontos para sermos podados, e isso é para o nosso crescimento.

Somente o perfeito amor é capaz de lançar fora todo o medo, e se aquilo que fazemos não está fundamentado nele, haverá medo do futuro e de ser rejeitado. Eu e minha esposa trabalhamos promovendo o ministério de jovens e de mulheres, e para isso foi necessário preparação e algumas correções.

Atualmente ouvimos falar em mentoria, observamos os jovens e pensamos que eles precisam de afirmação, mas a juventude necessita de treinamento, e às vezes, é preciso dizer não durante esse processo. Se não o fizermos, estaremos prestando um desserviço a essa geração, pois muitas vezes, por receio de serem rejeitados, afirmamos a geração seguinte e percebemos que não estávamos prontos para treiná-los.

O ministério se assemelha aos esportes: não há nada mais perigoso do que um atleta que tem talento, mas é incapaz de ser preparado. Mais do que ensinar, é necessário treinar, e por isso, é preciso a instrução de pai e mãe. O que é fundamental para ser frutífero. Quando promovemos jovens ministros e não estamos dispostos a prepará- los, sempre será um desastre.

Precisamos ser pais de uma nova geração que se aproxima. Devemos nos tornar os pais e mães que o Senhor nos chamou, esse é o caminho da filiação. Somente esse percurso vai nos tirar da insegurança. A identidade sempre vem antes da atividade.

Quem você é não está restrito ao que faz. Aquilo que realiza não significa quem você é. Como filho de Deus, a sua natureza é imutável. O nosso ser vem antes do fazer. E quem somos acaba determinando o que faremos. Nós crescemos, mudamos, amadurecemos, mas sejamos fiéis e verdadeiros à nossa essência.

A unção do Senhor flui melhor através de nós quando não fingimos ser outra pessoa. Devemos ser líderes seguros e conscientes do nosso papel. Quando somos confiantes, transmitimos essa confiança para outros.

“Porque não ousamos classificar-nos, ou comparar-nos com alguns, que se louvam a si mesmos; mas estes que se medem a si mesmos, e se comparam consigo mesmos, estão sem entendimento” (2 Coríntios 10:12).

A comparação é uma doença e ela nunca ajuda. Não podemos nos comparar com as pessoas, nem compará-las com outros irmãos no ministério.

É preciso honrar aqueles que estão acima de nós, mas nunca devemos depender de outrem como fonte de afirmação, porque isso pode se transformar em manipulação.

A lâmina de barbear é afiada, mas ela não corta uma árvore. O machado é forte, mas não pode cortar o cabelo. Cada um tem força em um propósito específico. Nunca olhe para alguém e cobice o lugar que ele ocupa, a não ser que esteja usando os sapatos dele.

“E dou graças ao que me tem confortado, a Cristo Jesus Senhor nosso, porque me teve por fiel, pondo-me no ministério; A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade. E a graça de nosso Senhor superabundou com a fé e amor que há em Jesus Cristo. Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal. Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna. Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao Deus único, sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém” (I Timóteo 1:12-17).

No texto acima, vemos que Paulo faz várias declarações do chamado de Deus na sua vida e diz que toda honra e glória vão para o Pai. Em tudo o que Ele faz não há espaço para orgulho. O apóstolo reconheceu que foi o Senhor quem O capacitou, porque foi fiel. Isso nos comunica que se alguns são leais, é porque muitos não o são. Acredito que Deus encontrou a fidelidade em Paulo, porque ele se inclinou ao Seu amor, ao caminho da disciplina, pois é exatamente isso o que os filhos fazem.

Talvez você possa se colocar no mundo corporativo, nos esportes, mas no ministério, só Ele pode fazer. O apóstolo sabia que era um homem ruim antes de conhecer Jesus, mas obteve misericórdia. Você é grato por tê-la obtido?

Paulo nunca esqueceu de onde veio, essa consciência criou nele uma dependência do Senhor, que o trazia uma verdade honesta e humilde. Ao mesmo tempo, decidiu esquecer das coisas que passaram, no sentido de que o passado poderia trazer fracasso a sua vida. O que aconteceu não o define. Paulo encontrou a graça, que o capacitou em abundância. Da mesma forma, recebemos dons e graça da parte de Deus, e não há lugar para nos gloriarmos.

E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro. Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?”  ( I Coríntios 4:6-7).

Não há espaço para soberba, porque o que quer que tenhamos, só o possuímos porque recebemos d’Ele.

Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos. E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um nascido fora de tempo. Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Então, ou seja eu ou sejam eles, assim pregamos e assim haveis crido” (I Coríntios 15:3-11).

Estas passagens nos mostram o processo de crescimento de Paulo, e ele chega a uma confiança no Filho de Deus, a qual também como um pai na fé. Isso não é arrogância, mas segurança. Pessoas arrogantes sempre vão acusar aqueles que são confiantes de serem orgulhosos, porque eles sempre são inseguros.

Foi a graça que nos fez ser quem somos. Nela não há lugar para comparação e competição, todos somos parte de uma família. 

O autor de Coríntios lembra que o Senhor O achou fiel e por isso, a graça foi derramada sobre ele. Paulo reconheceu que trabalhou mais do que eles, mas não pela força do seu braço, e disse: “O que fiz foi confiar no Pai e me tornar parceiro do que Ele me confiou”. 

Ao observamos os discípulos, vemos que Pedro tinha uma mentalidade de escravo, Judas era um órfão e João era o filho modelo. Pedro encontrou a filiação e depois a paternidade, Judas nunca conseguiu mudar e como resultado, acabou se suicidando.

Podemos cometer suicídio ministerial. Perceba que João durou mais do que os outros, e além de filho, se tornou referência. Pedro era um escravo e tentava o tempo todo mostrar trabalho, falava quando deveria estar ouvindo, cortava a orelha do povo quando precisava estar orando. Ao ponto de dizer a Jesus: “Todo mundo pode te abandonar, mas eu não”. E sabemos o final dessa história.

Em Mateus 26 diz: “Antes que o galo cante, me negarás 3 vezes”. Quando Pedro ouviu o galo cantar, as palavras de Cristo voltaram para ele. Sabe por que esse discípulo chorou amargamente? Por perceber que desapontou o Mestre.

“Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse” (Marcos 16:7).

Deus sabia onde ele estava, não somente no lugar geográfico, mas na mentalidade, ele estava destruído e precisava dessa mensagem. Antes de Cristo aparecer aos 12, Ele apareceu para Pedro e queria restaurá-lo. É isso que um pai faz. Ele quer restabelecer o filho. 

Jesus disse a Pedro: “Apascenta as minhas ovelhas”, e isso significa supervisionar. Esse relato mostra a humanidade das pessoas, a Bíblia registra e a preserva. O Mestre desejava que ele percorresse o caminho da filiação, tirando-o da mentalidade de escravo, mas era preciso que Pedro tivesse a mentalidade de filho, para ter a mentalidade de pai.

“Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós” (I Pedro 5:5-7).

O autor faz várias afirmações nesse texto. Ele já não é mais aquele escravo e não está em busca de afirmação, mas aprendeu a se tornar um pai, sendo filho. Para chegar lá, não há atalho, é a jornada de se tornar um filho, e no processo haverá sofrimento. 

Conheço ministros que queriam estar fazendo outras atividades, mas só sabem fazer algo e precisam do dinheiro. Não seja ganancioso. Sirva a Deus por amor, de boa vontade, e faça o seu melhor dizendo sim para Ele perpetuamente. 

Precisamos viver, amar e liderar pelo exemplo. Os jovens querem se submeter, eles não são rebeldes, mas às vezes é difícil achar alguém a quem possam se submeter e que realmente seja um pai e uma mãe para eles. 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Destaques da semana​
Estude no Maior Centro de Treinamento Bíblico do Mundo!