José Anderson Ferreira
Secretário Doutrinário

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24.14).

Um dos princípios básicos da interpretação bíblica é lermos e entendermos aquilo que está escrito dentro do seu devido contexto. Ao longo da história da Igreja, muitos homens e mulheres de Deus, tementes ao Senhor, infelizmente têm ministrado ensinos que, muitas vezes, não têm sustentação nos textos utilizados como prova, quando são analisados em seus respectivos contextos.

Para entendermos corretamente ao que Jesus se referia em Mateus 24.14, precisamos olhar com atenção todo o contexto do capítulo, o qual diz respeito ao sermão do Monte das Oliveiras que, juntamente ao texto de Daniel 9.24-27 e o livro de Apocalipse, compõem aquilo que Derek Walker chama de “profecias estruturais” ou, em outras palavras, profecias que, uma vez bem montadas e estruturadas, nos dão uma clara visão acerca do fim tempos.

Contextualizando

O capítulo começa com Jesus falando sobre a destruição do templo de Jerusalém (vs. 2), afirmando que não ficaria ali pedra sobre pedra após a destruição. No versículo seguinte, os discípulos fazem a Jesus três perguntas que vão ser respondidas no mesmo sermão (uma respondida em Lucas e duas em Mateus 24). Entender essas perguntas é extremamente importante para o estudo da escatologia, bem como para dirimir muitas dúvidas que surgem, inclusive, a citada na pergunta do título.

A primeira pergunta foi “quando serão essas coisas?”, se referindo à destruição do templo anteriormente citada por Jesus. O registro da resposta se encontra em Lucas 21.20-24, que também retrata o mesmo sermão. 

A segunda pergunta foi “qual o sinal da tua vinda?”. Nessa pergunta, os discípulos indagaram sobre o sinal da vinda de Jesus em glória (que não é o arrebatamento). Em outras palavras, Jesus vai descrever o que vai acontecer ANTES da Sua vinda em glória: os eventos da Tribulação. Essa pergunta é respondida nos versículos 7-31. E é justamente nesse contexto que aparece o versículo 14, falando sobre a pregação do Evangelho do Reino em todas as nações.

O fim da Grande Tribulação

Apenas com essa contextualização já começamos a perceber que tal passagem não diz respeito à “Era da Igreja”, mas sim ao período tribulacional, no qual a Igreja não estará mais presente (Apocalipse 3.10, 4.1-12 e 1 Tessalonicenses 1.10). Não seremos nós que pregaremos o Evangelho do Reino (cujo foco é o iminente estabelecimento do reino físico de Cristo) e também o fim referido no texto não é o arrebatamento da Igreja, mas sim o fim da Grande Tribulação com a vinda de Jesus em glória, para dar fim ao império do Anticristo (vs, 29-35, Ap. 19.11-21) e estabelecer o Reino Milenial (Apocalipse 20.1-6). 

A terceira e última pergunta diz respeito “ao sinal da consumação dos séculos” ou a consumação do atual sistema ou Era (no grego ‘sunteleias tou aionos’). A consumação dos séculos diz respeito ao período tribulacional que consuma ou encerra a era presente, dando lugar ao Reino Milenial de Cristo, sendo este uma nova dispensação. A esta pergunta Jesus respondeu nos versículos 32-44, citando o florescer da figueira (vs. 32, no qual a figueira simboliza Israel), “todas essas coisas” (vs. 33, que são as características gerais do tempo imediatamente antes do arrebatamento) e o arrebatamento da Igreja (vs. 37-44).

Ele virá!

Como vimos, o texto de Mateus 24.14 não serve de apoio para afirmamos que Jesus somente voltará para arrebatar a Sua Igreja após a evangelização do mundo inteiro. Contudo, como cristãos, sabemos da ordem clara de Jesus para que a Igreja pregue o Evangelho (Marcos 16.15-16 e Mateus 28.19-20) e essa não é uma grande opção, mas uma grande comissão! Como nascidos de novo devemos, assim como o apóstolo Paulo, dizer “ai de mim se não pregar o Evangelho” (I Coríntios 9.16). 

De fato, Marcos 10.10 nos informa sobre uma grande atividade evangelística desenvolvida pela Igreja em sua dispensação e, de fato, temos visto isso nos nossos dias!

Para encerrar, gostaria de dizer que cada um de nós deve cumprir o “Ide” do Mestre com zelo (Romanos 12.11), sendo sempre abundantes na obra do Senhor (I Coríntios 15.58), enquanto clamamos em nosso coração “Maranata!” (I Coríntios 16.22). Ele breve vem e com Ele também o nosso galardão (Apocalipse 22.1).

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