Eu me chamo Alexander Konig Ribeiro, filho de Lindolfo Konig Ribeiro e Maria Açucena Konig Ribeiro. Meu pai nasceu e foi criado no Paraguai, mas ele é filho de alemães. Minha mãe é filha de paraguaios. Então, já havia algo para eu chegar ao Paraguai. Eles se casaram e foram morar no Rio de Janeiro. Eu já tinha três irmãos, do primeiro casamento dela; nasci na cidade de Irajá no Rio de Janeiro, no dia 12 de outubro de 1972.

Nasci na maternidade de Irajá. Meu nascimento foi um pouco inusitado. Minha mãe conta que eu nasci com um tumor no ouvido; um tumor muito grande. E os médicos fizeram vários procedimentos, mas o hospital em que eu nasci não possuía recursos para fazer uma cirurgia de extração desse tumor. Eu fiquei muito mal, e o médico desenganou. Ele disse que, se nós não nos mudássemos de lá (já que ele havia tentado tudo), não havia possibilidade de vida para mim. O meu pai se desesperou. Ele saiu do Rio de Janeiro e foi para Minas Gerais, buscar o pai dele para tentar levantar recursos para se mudar.

Minha mãe era desviada da igreja. Ela era da Igreja do Brasil Para Cristo, mas, mesmo desviada, ela tinha um temor muito grande no coração. Quando ela se viu sozinha naquela UTI neonatal e eu pronto para morrer, ela dobrou os joelhos lá, levantou as mãos e começou a orar. Ela falou que ficou envolta em uma oração por um tempo. Ela se perdeu na oração, entre lágrimas. Ela disse que veio um médico que disse: “Levanta mulher! Teu filho não vai morrer! Pode ficar tranquila! Teu filho está curado e ele vai sair daqui. Ele será uma benção para o mundo”. Depois disso, ela não viu mais o médico. Ela perguntou para outras mães que estavam lá, e uma mãe falou: “Você estava falando um idioma que eu pensei que fosse o idioma do seu marido!” Daí, ela entendeu que um anjo a visitou e a tocou. Portanto, meu nascimento foi assim: um dia, eu estava com um quadro de morte; no outro, eu estava com as malas prontas para ir para casa.

Tenho 4 irmãos: a Rosi, que é mais velha, o Edivaldo, o Flávio e a Rosana, que veio depois de mim. Eu só soube que meus irmãos não eram filhos dele, quando tinha doze anos de idade. Meu pai sempre foi cuidadoso para não confundir nossa cabeça. O nível de paternidade que ele deu para os meus irmãos foi algo impressionante. Quando eu era pequeno, minha casa era de madeira, porque meu pai queria viver no Brasil da forma que ele vivia no interior do Paraguai. Então, tínhamos uma linda casa de madeira, com uns sete pés de mangas, dois pés de abacate e bananeira.

Tínhamos todo o recurso necessário para brincar em casa; não precisávamos ir para rua. Não fomos crianças de rua. Nós brincamos bem; éramos muito caseiros. Depois, durante a adolescência, cada um pegou seu próprio estilo de vida. No entanto, aproveitamos bem a infância. Meu pai trabalhava muito para nos suprir. Ele viajou o Brasil todo, trabalhando. Como ele era alemão, às vezes, eu falava que ele era mais frio que uma pedra de gelo. Porém, essa era a maneira que ele tinha de amar os filhos. Sempre amou minha mãe, até o dia em que morreu.

Meu pai faleceu aos 76 anos, quando eu cheguei no Paraguai. Foi interessante porque nós moramos no Paraguai de 1982 a 1985. Éramos crianças. Com as circunstâncias da vida, meu pai foi ao Paraguai. Lá, nós tínhamos uma casa em uma zona urbana. Um dia, essa casa foi invadida, porque, às vezes, íamos para o interior, para a casa de uma tia do meu pai. Meu pai não conseguiu tirar ninguém da casa e acabou perdendo-a. Nós, como crianças, vimos esse quadro todo acontecer. Vimos ele ser envergonhado diante das autoridades, de não ter força de ação.

Vivemos três anos lá, na cidade de Anandarias. Lá, tinha um lago bom para pescar. Concluí o primeiro ciclo escolar no Paraguai. Eu saí do país com essa ideia, que o Paraguai não produz nada de bom, porque meu pai, mesmo com nacionalidade paraguaio, se decepcionou com o país. Ele falava assim: “O país que eu amei a vida toda me roubou; tirou a minha casa”. Então, foi uma dor muito forte para a família.

Eu estava lendo aquela citação de Sofia Miller: “Eu não tinha um chamado. Eu li e obedeci a uma ordem”. Então eu só obedeci. Quando eu percebi que havia uma inclinação, para os países de língua hispânica, eu fui. Quem me provocou a sair do país foi o Jânio em Janeiro de 2010. Ele falou assim: “Rapaz, você fala espanhol! O que você está fazendo aqui? Igreja local que segura evangelista por muito tempo começa a feder, cara! Vai embora daqui, meu amigo”. Ele estava me incentivando a ir para o campo. Em fevereiro de 2010, eu estava fora do Brasil, pregando o Evangelho na Argentina. Convites começaram a surgir e eu comecei a viajar, mas eu sempre relutei com relação ao Paraguai, por causa de tudo que tinha ouvido do meu pai, lembro-me que meu pai perdeu o trabalho. Em uma época, minha mãe desesperou e foi embora para São Paulo. Largou a gente lá, para tentar trabalho e conseguir dinheiro.

Quando eu estava em uma das viagens missionárias no Paraguai, eu recebi um e-mail para ir em uma igreja, para ministrar. Estive lá, ministrando nessa igreja. Depois disso, eu conheci uma pessoa lá e, através dela, eu comecei cultos na casa dessa pessoa – até então, na minha cabeça, não estava a ideia de ir para o Paraguai. Um dia, gravei um vídeo e levei para o pastor da igreja daquela época. Ele falou: “Olha, temos que mandar alguém para lá”. Aí eu falei: “Claro! Tem que mandar alguém para lá”. Então, ele falou: “Eu não tenho ninguém para ir… Só você”. Em um segundo, eu lembrei da casa e do meu pai.

Vi um filme das perdas que tivemos e das brigas com a minha mãe. Chegamos a dias que tínhamos apenas arroz na panela. Lembro do meu pai querendo fazer alguma coisa, para sair dessa situação. Ele era alemão; uma cultura muito forte. Foi humilhante para ele. E eu olhei bem para essas lembranças, engoli e falei assim: “Olha, é o seguinte: Você sabe que eu não tenho chamado para o Paraguai, mas eu vou em obediência à sua ordem. Você está dizendo que eu devo ir; então, eu vou!” Começamos a abrir mão de tudo que tínhamos. De tudo, tudo. E fui em obediência.

Eu e a Fabi (minha esposa) estamos juntos há 22, quase 23 anos. Tínhamos um amigo chamado Rogério. Ele era meu amigo de infância, amigo de copo e de bar. Um dia, ele falou: “Rapaz, minha mãe está viajando. Vamos fazer um churrasco em casa. Vamos lá!” Eu fui. Tinha uns parentes dele também, mas a mãe dele não estava. Morávamos na cidade de Taquacetuba, em São Paulo. Tinha muita gente lá! E foi lá que eu vi a Fabiana. Eu usava cavanhaque, e ela me olhava e perguntava: “Quem é ele?” Daí, meu amigo falou assim: “Ah, é um doido aí!” Mas nos olhamos e nos gostamos. Ficamos juntos. E aconteceu a nossa história!

Do dia que nos conhecemos até o dia do nosso casamento foi, mais ou menos, um ano. Foi rápido! Quando nos casamos, ela já tinha voltado para a igreja. Ela estava desviada. Eu, ao contrário, nunca fui crente. Minha mãe era, mas eu nunca fui. Então, a Fabi tinha se afastado, porque queria a independência dela, procurar trabalho e se manter sozinha. Depois, deu um passo errado na vida. Só que não deu um passo errado em me conhecer!

A Fabiana tem força! Ela falou assim: “Eu vim para te auxiliar Alexander Konig! Eu vim por você, né!?” Isso é legal, porque não tem drama. Não tem tempo feio. Ela comprou a visão. Veio junto. Abriu mão de tudo, dos sonhos, dos planos…. Abrimos mão de tantos projetos, para obedecermos à voz do Senhor e fazermos algo que Deus nos chamou para fazer. Eu sempre soube que, a qualquer momento, eu iria sair do Brasil. Eu criei os meus filhos, dizendo isso: “Não tem mais espaço para nós no Brasil!” Eu sempre dizia isso. Assim, quando anunciamos nossa mudança para os nossos filhos, não teve drama; não teve problema.

Temos três filhos: A Karen, que é a mais velha, ela é casada e está grávida agora. Tenho o Davi, com 19 anos, e a Manuela, com 16 anos. A Karen casou no Brasil, mora em São Paulo. Amo muito meus filhos. Eles são bênçãos na minha vida!

 

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