Anna Carla Vieira (Lisboa, Portugal)

Eu tenho 30 anos. Nasci em São Miguel do Araguaia, no interior do estado de Goiás. Eu saí de lá bem pequenininha e fui para Goiânia, onde eu vivi até os meus 18 anos. Onde eu estudei, fiz colegial. Aos 18 anos, foi a primeira vez que eu saí do Brasil. Desde 2004, moro fora do Brasil.

 

Minha mãe foi morar em Londres e foi quando eu e minha irmã fomos para lá. Meus pais viajavam muito. Tivemos muito firmeza na nossa criação; porém, muitas vezes, à distância. Então, eu acredito que a firmeza na criação realmente existia porque, mesmo eles passando muito tempo fora de casa, eu e minha irmã continuamos na linha. Meu pai só dava uma olhada, e eu entendia o recado!

Estudávamos em uma escola perto de casa. Desde pequenininha até a oitava série, eu e minha irmã estudamos na mesma escola. No Brasil, é comum morarmos muito tempo no mesmo endereço, no mesmo lugar. Foi o que aconteceu. Moramos no mesmo prédio durante grande parte da nossa vida em Goiânia – por volta de 13/15 anos. Como todo bom brasileiro.

Eu era meio moleca! Quando eu era pequena, gostava de brincar com todo mundo, menino ou menina. Gostava de ir para rua, jogar bola. Eu era bem sapeca mesmo! Como meus pais viajavam muito, eles não gostavam que a gente fosse brincar à noite na rua. Porém, às vezes, eu dava uma escapada. Eles sempre descobriam. Eu levava uma ‘pea’ e, depois, já não fazia de novo. Minha infância foi muito boa! Como morávamos em apartamento, eu gostava de sair, tocando as campainhas dos vizinhos. Havia uma piscina no prédio. As meninas mais velhas ficavam em volta da piscina, tomando sol; esse era o momento em que eu chegava, pulava dentro da piscina e molhava todo mundo até o porteiro ter que interfonar lá em casa e mandar vir me buscar, pois eu estava incontrolável. Era bem pestinha mesmo! Tenho alguns cortes de algumas quedas durante brincadeiras.

Quando eu estava terminando o segundo o grau, minha mãe foi para Londres. Ela queria muito que fôssemos. Nessa época, meu pai já morava no Pará. Eu e minha irmã morávamos nesse mesmo apartamento, que moramos a vida toda. Nessa época, eu não estava com muita perspectiva de futuro, no sentido de não saber o que fazer na faculdade. Eu estava meio sem rumo! Então, minha mãe falou: “Eu quero que venham, porque eu não quero vocês longe de mim”. Nosso foco de uns seis meses/um ano antes de ir foi estudar inglês. Eu não era tão firme nos estudos de inglês, mas foi o suficiente para aprender o básico.

 

Ao chegar em Londres, não gostava de inglês de jeito nenhum. Começamos a trabalhar com uma ou duas semanas estando lá. Nesse tempo, comecei a sentir necessidade de aprender mais a língua. Eu queria conversar com as pessoas! Eu tinha aquele medo de falar errado; daí, demorei um pouco a desenvolver o inglês, pois queria ter certeza do que estava falando. Depois, fiquei apaixonada pela língua. Morei seis anos e meio lá. Quando fui passar férias no Brasil, tive um problema na documentação, um problemas na minha saída. Para mim, foi um momento muito triste, porque eu estava mesmo ligada a Londres. No entanto, eu estava muito distante do senhor. Então, aquilo que parecia ruim, na verdade, acabou se tornando bom, pois conheci ao Senhor na minha volta ao Brasil. Minha vida mudou totalmente. Na primeira semana que eu voltei para São Paulo, eu conheci o Verbo da Vida em Guarulhos. Isso foi em 2010.

Eu voltei para o Brasil em julho de 2010, não sabia nada de oração, de consagração, não sabia nada disso. Tinha acabado de nascer de novo, eu não tinha nem assistido um culto direito. Na verdade, ia assistir, mas adoeci, então, estava passando mal indo para o hospital e fiz uma oração: “Senhor, eu sei que eu tenho muita vontade de voltar para Londres, mas eu te peço que não permita que eu saia daqui se não for o tempo certo, porque no que depender de mim, eu vou fazer de tudo para voltar, mas eu reconheço que lá não é bom pra mim agora”. E realmente funcionou, mesmo sem saber o que eu estava fazendo, foi uma oração e ali eu entreguei o meu coração ao senhor. Fiquei no Brasil nove meses e surgiu a oportunidade de vir para Portugal. Eu já sabia que o Pr. Isaac ia estar aqui com Sayonara. Levou alguns meses para eu conseguir ir ao primeiro culto, mas, depois do primeiro culto, neu nunca mais fui a mesma.

Eu conheci o verbo em Guarulhos-SP, mas em Portugal fui me envolver e saber o que é o serviço na igreja, amar a obra do senhor ao ponto de querer viver pra isso. O primeiro culto foi muito impactante para mim. Lembro que, quando eu cheguei na igreja, o louvor era playback ainda. Para mim era tudo lindo, era tudo maravilhoso e eu fiquei muito impactada. Até então, eu tinha dificuldades para encontrar trabalhos com folga no domingo e, por isso, eu tinha demorado tanto tempo para ir ao culto. Quando finalmente eu fui, falei “meu deus eu não posso mais faltar”. Lembro que, ao chegar em casa, a minha primeira oração foi “senhor, eu não posso, eu não quero nunca mais faltar nenhum culto. Não sei como que vai acontecer, mas eu não quero”. Eu estava com dificuldades para conseguir trabalho e também precisava de um contrato para conseguir minha documentação para ficar legal no país e estava difícil. No dia seguinte, saí de Cascais (região onde eu morava) andando e deixando currículo em vários lugares.Na mesma semana, alguém me ligou de um restaurante. Eu tinha experiência de restaurantes em Londres, mas não dentro da área que eles precisavam. A mulher que me ligou conversou comigo e expliquei e ela falou assim: “Não, eu quero. Lhe dou o contrato e você vem. O único dia que a gente fecha é no domingo” (risos)

Eu não queria usar minhas férias para qualquer outra coisa, senão para trabalhar na igreja. Então, eu queria estar envolvida em tudo lá. Eu só conseguia pensar em estar envolvida com a igreja até que surgiu a oportunidade para eu trabalhar dentro da igreja. Para mim aquilo foi incrível. Hoje estou envolvida com tudo dentro da igreja,  dentro do meu horário de trabalho ou fora do horário de trabalho. É o meu contexto, sou apaixonada por isso.

 

Então, eu na verdade a…. o primeiro lugar assim que eu.. o que eu vejo, o que o senhor coloca dentro do meu coração da maneira como eu… como eu e o meu esposo vamos ser usados e a maneira como ele vai nos usar, como ele vai alcançar. A…a maneira como eu me vejo ministrando e alcançando pessoas. Eu acredito que esse seja o meu maior sonho: alcançar aquilo que o senhor colocou dentro do meu coração, porque eu sei que esse é o sonho dele pra mim. Então todos os dias nós… nós aprendemos a um tempo atrás sobre o nosso devocional diário e isso mudou realmente a nossa vida, porque as vezes a…. o cristão tem uma dificuldade de tá orando todos os dias e de tá lendo a bíblia todos os dias, infelizmente isso é uma realidade dentro do… do mundo cristão. E nós aprendemos com o Pastor Isaac e isso realmente revolucionou a nossa vida no sentido de tá nos consagrando ao senhor todos os dias e isso me levou a desejar ainda mais me entregar ao senhor cada dia mais. Eu… o meu desejo, no meu coração é fazer a vontade de Deus, é mesmo. Eu não quero desviar os meus olhos nem pra direita, nem pra esquerda. Posso dizer que o…. o que consome o meu coração é o entender pra minha vida, pra eu viver essa vontade na minha vida.

Além do Senhor, meu marido é tudo para mim. Ele foi o meu maior presente. Sempre falo para Deus: “Senhor, eu sei que o senhor vai me presentear muito, mas nenhum presente vai superar o meu marido”, porque ele mudou até a minha maneira de servir ao senhor. Lembro que eu queria me aproximar dele, porque eu pensava assim: “poxa, o coração dele é enorme”. Havia uma maneira como eu conseguia perceber isso na vida dele, a paixão dele pelo senhor… e eu desejei estar perto dele por causa disso. E foi muito além disso né (risos). Ele é meu equilíbrio e uma segurança para mim. Eu não tenho medo de ir para lugar nenhum e, por causa dele, eu quero ser sensata, quero ser a esposa virtuosa para ele, a verdadeira ajudadora. Eu desejo negar a mim mesma, negar as minhas vontades para ajudá-lo, fazer ele crescer e alcançar em Deus aquilo que Deus tem para ele.

Existem pessoas que nós assistimos e que inspiram a nossa vida. A mulher que impactou a minha vida e que eu olhei e falei assim: “Nossa eu quero falar nessa ousadia, eu quero andar nessa ousadia, eu quero pensar com essa sabedoria”, foi Sayonara. A maneira como eu cheguei na igreja, a maneira como eu me vestia, como eu via a mim mesma, é totalmente diferente de hoje. O que eu sou hoje é fruto de ter aberto o meu coração e me exposto à influência dela. Ela mudou a minha maneira de pensar, a minha maneira de vestir e de ser. Hoje, muitas vezes quando eu estou me maquiando, me arrumando, quando vou comprar uma roupa nova, ou alguma coisa assim, eu lembro dela. Foi ela quem me fez desejar falar com ousadia, com convicção da Palavra de Deus,  de ser usada na hora de ministrar para tocar na vida das pessoas. Eu posso dizer que ela é a grande mulher de referência na minha vida. É lógico que  existem outras pessoas que vão sendo acrescentadas, que vão tocando na nossa vida, mas ela foi a principal.

O desejo do meu coração é agradar ao senhor. Eu sei que, se a gente se distrair um pouco ou se envolver com as circunstâncias do dia-a-dia, com as pressões, a gente pode acabar tomando decisões erradas, podemos nos desviar do propósito e o que me entristeceria muito seria sair da vontade de Deus, perder foco, o alvo. E minha grande alegria seria totalmente o oposto: Eu alcançar no senhor, mesmo dentro das pressões, ter a certeza de que estou no centro da vontade dEle e que, seja lá qual é a pressão que eu estou passando, estou no centro da vontade de Deus. Meu desejo é me concentrar nisso, isso… isso me alegra, me faz querer continuar e passar por cima do que vier.

Tenho aprendido a descansar mais no senhor e não deixar que essas coisas me afetem tanto e descobri que não é as coisas sumindo ou as atividades diminuindo, que vão fazer com que eu não me estresse. A intensidade com que eu me entrego para o Senhor é que vai fazer toda a diferença no meio da pressão, no meio das muitas atividades. Às vezes, a gente tende a achar que o descanso é você fazer menos, trabalhar menos, é você ter mais tempo para descansar e não necessariamente é assim.Às vezes podemos ter um monte de coisas para fazer, mas, se o nosso coração está no lugar certo, se estamos rendidos ao Senhor, se estamos sabendo permanecer na presença dEle, essas muitas coisas não são pesadas. Muitas vezes, cinco minutinhos que encontramos no meio da pressão, cinco minutinhos que nos concentramos e descansamos na presença do senhor, são o suficiente para continuar o dia, fazem toda a diferença. Deus é maravilhoso.

 

Eu costumo ler dois, três, quatro livros ao mesmo tempo (risos) De acordo com o tema que está proposto para mim aquela semana, para aquele mês; por causa da pregação ou por alguma coisa assim. A igreja está sempre lendo juntos um livro da Bíblia, dentro daquele mês que o pastor indica. Eu gosto muito de ler, na verdade, eu queria ler ainda mais. Meus sonhos são relacionados a ter uma Biblioteca, um escritório cheio de livros, um monte de livros e Bíblias. E me vejo fazendo isso. Meu tempo não permite que eu leia o quanto eu quero, mas uma coisa que eu descobri desde cedo é que a gente pode ser fiel no pouco tempo que a gente tem e o Senhor acrescenta mais. É meia hora que eu tenho hoje? Então, é meia hora que eu vou ler. É meia hora que eu vou estudar e eu sei que vai chegar o dia quando eu vou ter mais tempo.

Ana é uma mulher que ainda está se descobrindo em Deus.  Tenho me surpreendido a cada dia em ver em quem o senhor me tornou; as habilidades que Ele colocou dentro de mim. A Ana antiga, achava que não podia. A Ana antiga, achava que não conseguia. A Ana antiga, não tinha. Na verdade, a Ana, hoje, tem descoberto que tem tudo isso e que isso vai crescer ainda mais. A Ana, hoje, sabe que, por mais que eu tenha alcançado muitas coisas, o Senhor vai me levar a lugares muito mais longes, eu sei que eu vou me descobrir muito mais. A Ana vai ser uma mulher cada dia mais sábia.

Eu  me achava bem tímida antes. Algumas pessoas de fora, falam que não. Que a Ana não é tímida, que a Ana é ousada e eu sei que eu tenho crescido nessa ousadia. Apesar de ter força e firmeza, a Ana é doce, eu vejo a Ana como uma menina doce. Posso dizer que eu sou teimosa, hoje, com o conhecimento da Bíblia eu digo que eu sou perseverante. Eu acho que isso faz toda a diferença e, essa perseverança em mim, eu sei que alcançou a vida do meu marido e eu sei que isso tocou e influenciou a vida dele também. Sou aquela que não desiste, não deixa, não esquece. Às vezes até desanimo, mas persevero e me reanimo. Acho que sou engraçada, na medida do possível (risos) com os de casa. Sou alegre e eu me vejo como uma incentivadora, uma motivadora; eu gosto muito de servir, muito mesmo. Em qualquer coisa que eu vá fazer é normal eu me sacrificar para alcançar uma pessoa ou satisfazer o que uma pessoa precisa, mesmo que eu “me aperte”, isso está em mim, eu gosto, eu tenho prazer em servir.

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