Espiando a terra: missionária contou desafios antes do “ide”

Fernanda Barbosa pisou na "Terra Prometida" e contou como foi importante viver cada processo da espera até o cumprimento da promessa.

Hoje, a matéria especial da série Missões trata sobre a preparação necessária para o campo missionário. De forma muito clara, a missionária Fernanda Barbosa recebeu uma instrução do Senhor para “espiar a terra” que Deus colocou em seu coração: Moçambique, um país ao sul do continente africano.

Após 10 anos de espera, que ela chama de processo, Fernanda finalmente pisou naquela nação e contou para nós os desafios e as alegrias nesse tempo de espera; e como aguarda com expectativa a forma e a hora correta para estar lá definitivamente. Acompanhe:

“Foi lá em Moçambique que entendi claramente que foi o ‘processo’ que me fez não só chegar lá, mas desfrutar da plenitude da promessa, submetendo-me, não fugindo ou desviando dele e, principalmente, não forçando portas e nem fazendo do meu jeito. O processo não é fácil, cada um sabe do seu. Ele nos tira totalmente da zona de conforto e é doloroso, mas nos faz fortes, mais dependentes de Deus e nos faz viver o novo.

Um dos maiores desafios foi a compra da passagem, pois era um valor muito elevado. E num desses momentos, buscando o Senhor, Ele falou: ‘Filha, tanto faz um real como um milhão, dinheiro é só papel. Eu me movo por propósito’. Então, fui agilizando as outras coisas: passaporte, planejamento das atividades em Moçambique, divulgação do projeto.

Faltando uma semana para a viagem, os recursos que estavam chegando sequer se aproximavam do valor da passagem. Foi aí que dei um passo ousado de fé e comprei a passagem num cartão de crédito, crendo que os recursos se manifestariam. E já adianto: não só se manifestaram como transbordaram.

Todos nós somos desafiados em algum momento da caminhada e digo a você: “Confie no que Deus falou contigo e dê passos de fé. Ou o mar vai se abrir ou você andará sobre as águas. Deus é fiel para cumprir o que prometeu. Não é do seu jeito. Deixe Ele surpreendê-lo!”.
E por falar em surpreender, estava fazendo o planejamento das ações em Moçambique, junto à liderança local, e à medida que planejava, Deus falava para não me sobrecarregar de atividades a ponto de não viver aquilo que Ele planejou, e também de desfrutar da experiência local com o povo e o seu dia a dia. Afinal, estava indo espiar a terra e sondar, precisava perceber as pessoas e o lugar.

É importantíssimo planejar e afinar as coisas com a liderança local, mas também é importante se permitir viver o novo, deixar o Espírito nos conduzir e estar aberto para isso, até para não se frustrar, achando que não cumpriu com a missão porque não saiu como planejado. 

Chegando a Moçambique, passei por todas as fases do choque cultural, mas, para glória de Deus, e por conta dos ‘processos’ — e um dos mais importantes: a Escola de Missões Rhema — pude passar de forma leve, quase imperceptível. No início, tudo era novidade, era como uma lua de mel. Filmava e tirava foto de tudo, queria compartilhar a viagem com o máximo de pessoas. Com o passar do tempo fui vendo e sentido na pele as diferenças culturais e claro que incomoda, confronta e até assusta. Mas também consegui chegar na fase da adaptação, na qual percebia melhor as coisas e buscava solução, lidando com mais leveza. Essas são as fases do choque cultural que todo missionário passa, uns de forma mais severa e outros de forma mais leve, como foi o meu caso. Pois, no Brasil, me submeti aos ‘processos’.

Falando agora do lugar e das pessoas, é realmente uma experiência única, que desejo para todos. A maioria acha que a África é só pobreza e miséria, mas estão enganados. Há também muita riqueza, nos países, na cultura e principalmente nas pessoas, em especial nas crianças e nas mulheres. Sim, as crianças e as mulheres são extremamente fortes e alegres.

Há um confronto muito grande entre riqueza e pobreza, as duas estão convivendo juntas, cara a cara. Você está, por exemplo, em um supermercado que vende produtos de várias marcas excelentes e, logo que você sai, depara-se com aglomerados de pessoas vendendo de tudo nas calçadas; pessoas lavando objetos ou até mesmo se banhando em água de canais e por aí vai…



Também pude ter várias experiências locais: fiz visitas em casas; servi às crianças no Projeto Saber (que dá reforço escolar às crianças, ensina a Palavra e oferece uma refeição) e na igreja; realizei treinamentos; ministrei; fui evangelizar e levar suprimentos em uma aldeia que tinha passado por uma grande enchente; estive por três vezes num orfanato; realizamos bazar, culto de mulheres; presenciei parto na rua e realizei muitos trabalhos de bastidores, varrendo, lavando, tirando fotos, confeccionando materiais, carregando cadeiras, montando e desmontando a estrutura da igreja a cada culto ou evento, enfim, de tudo um pouco.

E ainda tive dois grandes presentes: realizar minha festa de aniversário com as crianças do projeto e cuidar de Rebeca, filha do casal que lidera a igreja: Pr. Ricardo e Katy Ramalho. Rebeca foi um grande presente de Deus na minha vida, ela ministrou muito ao meu coração, fazendo-me sentir um amor sem igual.


Todo esse tempo estive hospedada na casa da missionária Célia Conserva, que me recebeu como uma filha e me constrangeu com tanto amor, cuidado e zelo pelas coisas do Senhor.
Todo esse tempo lá, eu, de verdade, sentia-me em casa. Quando viajamos e ficamos longe de casa, costumamos sentir falta do nosso lar, das nossas coisas. Mas era impressionante que em nenhum momento eu senti saudades. Aquele lugar era a minha casa, aquele povo era a minha família.

Jamais conseguiria compartilhar o que vivi nesses quase três meses em palavras. Mas o meu desejo mesmo é encorajar você a seguir o plano de Deus. Vale a pena se submeter aos ‘processos’ e esperar o tempo d’Ele para sua vida, pois para cada promessa existe um tempo para que você possa desfrutar na plenitude dessas promessas. E, para cada tipo de chamado, há níveis de renúncia e dependência do Senhor. Não se compare a ninguém, você é único! Dependa de Deus e não force portas. Ele é o maior interessado em que as promessas se cumpram na sua vida.

Finalizo com o coração transbordando de gratidão a Deus: o meu Pai fiel e amado. Grata também a minha liderança, que acreditou no meu chamado e confiou em mim (cito o Ap. Guto e Suellen Emery, que são os principais e representam cada um deles), a minha mãe amada, que não mede esforços, e a cada um que acreditou, orou, investiu e me encorajou.
Com amor e gratidão,
Fernanda Barbosa”.

Você pode ler mais sobre a preparação da missionária Fernanda para essa missão clicando aqui.

Clique e confira a matéria anterior.

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