
Sempre que alguém fala em família, penso em aconchego. A família remete a um ninho, lugar de amor, paz, cooperação e ajuda. Eu sou casada há 22 anos com o Caoxande. Temos dois filhos: o Gabriel, que fez 17 anos, e a Giovanna, de 15. Como mãe, curto cada fase dos meus filhos. Vivi intensamente a fase de aleitamento, crescimento, escola… Hoje, estamos curtindo a adolescência deles. Essa é a fase do vigor, do estar junto, do andar em grupo, da descoberta, aventura e intensidade, porque eles são intensos.
Daqui a pouco, serão jovens e vou buscar atendê-los na juventude. Com isso, me renovo também. Muitos dizem que essa é a fase dos problemas, mas nós olhamos o lado positivo de cada fase. Procuro estar junto deles, sair sempre que possível. Também respeito o espaço deles, sem ser ausente no momento que é preciso. Busco equilibrar isso. Claro que nenhuma família é perfeita. Estamos crescendo.
Eles são bem diferentes. Gabriel é mais calado e a Giovanna conta tudo nos mínimos detalhes. Fisicamente, ele parece mais com o pai, mas de temperamento parece mais comigo. Já ela é o contrário, de temperamento parece com o pai e, fisicamente, um pouco comigo. Se bem que, em uma análise total, eu saio perdendo, porque os dois parecem mais com o pai (risos).

É fácil falar do meu marido. Afinal, são 22 anos de casados. Namoramos 5 anos. Então, é bastante tempo de convívio. É simples falar dele, porque ele é ele. Caoxande não tem casca ou compartimentos secretos. É sincero, talentoso, compreensivo demais. O que mais me atraiu, que deu “o start”, foi ele me inspirar confiança. Isso para mim foi fundamental. Queria um homem em quem eu pudesse confiar, e ele é assim. Ele é íntegro em tudo o que faz, é conciliador. Quando eu não me entendo, às vezes, ele me explica. Ele me descreve para mim mesma. Descrevendo as minhas atitudes, ele acha comigo uma solução. É meu marido lindo… um presente!
Sou carioca da gema, meus pais são do Rio. Se for para definir um carioca em uma palavra seria: “espaçoso”, em muitos aspectos. No abraço, na forma como ele chega em um lugar e se relaciona, seja na praia, no transporte público, no restaurante… Morar no Rio é uma benção, mas a gente nem lembra dos lugares que as pessoas gostariam de visitar e conhecer. Acredito que isso ocorre porque é rotineiro para nós. É comum.
Os turistas, em sua maioria, quando chegam, eles se impressionam com as montanhas dentro da cidade, mas para nós é normal, porque saímos de casa a damos de cara com a montanha. Na minha cozinha, por exemplo, logo na porta, quando a abro, dou de cara com uma montanha. Olho para ela o dia inteiro (risos).

Reconheço que o turista realça as qualidades do Rio de Janeiro para nós, porque não observamos essas coisas, vivemos os dias de forma comum: acordamos, vamos para o trabalho, etc… Claro, quando temos o nosso momento de lazer, uma vez na semana, curtimos a cidade. Gosto do mar, então, quando posso, vou à praia. O carioca ama praia. Mas, quando tiramos férias, nós saímos do Rio.
Quando estou livre, literalmente, não faço nada, não tenho hora para acordar nem para comer. Amo esses dias de não fazer nada! Se bem que o dia de folga para a mulher é o momento dela resolver coisas com o marido e os filhos, fazer compras, ir ao shopping… Então, dia de não fazer nada eu não faço mesmo. Dia de lazer é dia de lazer!

Quando penso em algo que não pode faltar em uma mulher, lembro-me de Integridade. De fato, não pode faltar em nenhum ser humano. Ela integra muitos valores. A integridade deixa você ousada, corajosa, segura, humana e calorosa. Integro é completo. O que é uma coisa integral? É uma coisa que não perdeu a sua origem. A mulher íntegra reúne atributos e princípios.

Tenho 18 anos de convertida, me converti em meio a uma perda muito grande. Perdi um filho. Sempre fui uma pessoa linear na profissão, no casamento e em todas as áreas. Aquela pessoa que casou certinha, planejou a gravidez, planejou a vida profissional, tudo muito planejado. Tive uma gravidez tranquila, mas o meu primeiro filho morreu logo depois do parto. Naquele momento, o mundo caiu para mim e eu entendi que mesmo tão planejada e segura, eu precisava de Deus. A vida fugiu do meu controle.
Há um tempo, recebi uma palavra e ela tem balizado a minha vida. Ressoa dia após dia: “Ser forte e corajosa”. Marcela é uma pessoa que aprendeu a superar as dificuldades com força e coragem.

Quando perdi o meu filho, já tinha perdido a minha mãe e isso também foi muito traumático. Eu era filha única, já havia lidado com a ausência do meu pai que se separou dela tempos atrás. Então, eu era filha única, meu pai saiu de casa e a minha mãe faleceu. O meu castelo ruiu. Fiquei sozinha e tive que me reinventar, redescobrir-me. Eu me superei, vi força e coragem se levantarem dentro de mim.
Casei e, não demorou muito, perdi o meu primeiro filho. E essa foi uma perda maior. Existe uma dor muito grande em perder a mãe, como filha única a dor é maior, mas, quando eu perdi um filho, descobri que havia uma dor pior.
Fui buscar do Senhor o motivo. Por quê comigo? Eu fiz tudo certo… Mas, ao conhecer Deus, descobri o amor dEle e percebi que eu não estava sozinha. Depois dessa perda, eu perdi outras coisas, mas então eu tinha Deus. Existe o perder sem Deus e o perder com Deus. E com Ele, você tenta de novo. Você não desiste. Deus lhe nos voltar o olhar para o monte (como diz o Salmos 121) e descobrir de onde vem o nosso socorro.

A melhor definição de amor que conheço é doação. O verdadeiro amor é o “Ágape”, e esse Amor é doação. Isso baliza a todas as outras coisas. Com a doação, você não visa os seus próprios interesses, dá-se mais uma chance, coloca-se no lugar do outro e tudo isso é amar. É você se dar, o tempo todo, sem expectativas de receber, porque quando você gera expectativas em receber, frustrações podem chegar. As frustrações da nossa vida começam nas expectativas que condicionamos à outra pessoa, mas pode ser que algumas delas não lhe atendam e nem as correspondam.
O amor de Deus é completo porque Ele deu. Ele não desiste. Esse é o amor que precisa nortear as nossas relações, seja na família sanguínea ou na família da fé, no trabalho, na profissão, ele é o que nos diferencia e nos marca nesta vida.

Vou completar 48 anos e tenho mais sonhos e metas hoje do que eu tinha aos 20. Algumas metas são subjetivas. Eu ajudo o meu marido na igreja local, onde ele é pastor, e o nosso plano é que aquela igreja cresça, não apenas em números, mas espiritualmente. Que as pessoas que estão ali avancem em Deus, no seu caráter e ministério… Que a minha vida possa tocar e impactar a vida de mais pessoas.
Sonho em fazer um casamento coletivo na minha igreja, pois alguns que se converteram depois, nunca casaram oficialmente e hoje um casamento no civil no Rio de Janeiro custa de R$800,00 a R$1.000,00, isso impede algumas pessoas de legalizarem os seus relacionamentos. Eu desejo muito isso. Sei que vai realizar tantos sonhos e pessoas.

Acredito que, em nossa vida, todos nós precisamos ter boas referências. Se não as tivermos, nós nos perderemos no meio do caminho. Como está escrito em Hebreus: “estamos rodeados de uma grande nuvem de testemunhas”. Esses testemunhos são indicadores para a nossa vida. Temos mentores. Jesus é o nosso maior exemplo, o nosso espelho, mas existem pessoas que são carregadores da Palavra e podemos olhar para elas e ver a Palavra se cumprir e funcionar na vida delas. Existem pessoas que tocaram a minha vida e tocam até hoje.
Quando penso nos meus influenciadores, não tem como deixar de citar o pastor Edimilson Nunes (Supervisor do Ministério Verbo da Vida e pastor da Igreja de Pedra de Guaratiba). Ele que me treinou e me ensinou muitas coisas. Inclusive, a minha conversão tem a presença dele. Ele me acompanhou quando o meu filho morreu, esteve junto o tempo todo. Lá em Pedra de Guaratiba as pessoas brincam dizendo que eu sou o Pastor Edimilson “de saia” (risos).

Mas, não posso deixar de reverenciar o meu amor maior: Deus. Ele é Pai. Lá na igreja, eles sempre brincam que, quando falo sobre Deus e dou uma aula de “Caráter de Deus”, sempre falo: “Deus é Pai”. O Pai perfeito, no qual a gente não pode projetar o nosso pai natural, mas sim projetá-lo como perfeito. Quando crianças, as nossas expectativas no pai não eram corrompidas. Então, devemos ser como uma criança, com uma fé genuína. Na infância, o pai é um herói, então, quando olho para Deus, penso nesse pai. Quando penso em Deus, penso no Pai herói que vai me guardar, proteger, suprir e ensinar, que não falha e jamais me abandonará.
















1 Comentário
Marcela é show! Mulher elegante, direta, clara e objetiva. Gosto dela!