Pastor supera passado e inspira com história de transformação

Em entrevista ao Portal Verbo da Vida, Piu Estrela revela como o perdão o conhecimento da Palavra da Fé redefiniram seu destino.

“Quando nos vitimizamos, colocamos em xeque a paternidade de Deus”. A frase dita pelo pastor Josenildo Ferreira Estrela, mais conhecido como Piu Estrela, retrata os desafios superados ao longo de sua vida.

Natural de Fortaleza (CE), a história do bem-humorado cearense foi permeada por desafios. Sua mãe, uma jovem reeducanda, foi abusada por um agente de custódia e ao nascer, ele foi entregue à dona Antônia Ferreira Lima, mais conhecida como Zeneida, e passou a morar no Beco dos Pintos, onde cresceu. Aos nove anos, o menino descobriu a verdade sobre seu passado. “Soube que era adotado. Ela me contou um pouco da minha história, e acabou falando: “Aconteceu um abuso com sua mãe biológica”. Mas sempre tive em mente que a gente nasce para fazer alguma coisa. Ainda não tinha a Palavra dentro de mim para constatar aquilo que pensava, mas havia essa convicção de que, se nasci, existia algo importante que devia fazer — só não sabia o que era”.

Mas o que era para ser uma história de tragédia, passou a ser motivo de maturidade e resignação. Piu afirmou com naturalidade, que apesar dessa descoberta, em nenhum momento se viu como vítima. Mas aos 16 anos, ele viveu uma verdadeira virada de chave: o jovem chegou à igreja e encontrou em Jesus a resposta para sua existência. “Foi a chegada à igreja que pegou essa peça do ‘quebra-cabeça’ que estava faltando. Então, quando cheguei lá, comecei a descobrir quem eu era, que tinha sido planejado desde o ventre e que Deus tinha um propósito, um chamado. Isso foi crescendo em mim e pensei: ‘É isso o que vou fazer’. A ajuda da igreja e do Rhema foi fundamental para ir colocando essas “peças” que faltavam na minha identidade, na família que ia ser gerada a partir de mim”.

Após se converter, o pastor revelou que ouviu sobre o perdão do Senhor e teve a oportunidade de reencontrar sua mãe biológica. “Eu a conheci pessoalmente, a gente não conseguiu conversar muito, mas ela pediu para a minha primeira mãe que ‘queria ver o menino’. E aí, ela foi lá me ver. Nunca tive em mente que ela me rejeitou. Porque sabia que não tinha sido fácil para ela, que já tinha sofrido abuso e vivido uma vida complicada. Ela era uma jovem com aproximadamente 15 anos. Nunca a culpei por isso e nem me ofendi. Então, foi muito fácil quando cheguei à igreja e ouvi sobre perdão. Eu disse: “Se Deus me perdoou pelos meus pecados, por que não posso perdoar?”.  

Piu também comentou a surpresa demonstrada por ela ao ser chamada de mãe e falou que nunca foi rebelde em sua juventude. 

Ao relembrar as oportunidades de contar sua história, ele afirmou que pessoas foram alcançadas e veem no perdão a solução para seguir em frente sem pesos. “Percebo que a gente vive em um mundo em que todo mundo tem uma cicatriz. Inclusive, um rapaz veio até mim e disse: ‘Cara, nossa história é muito parecida. E que bom lhe ouvir’. Porque isso traz esse senso de que é possível trilhar esse caminho. Muitas pessoas já se converteram — meninas que passaram pelo que a minha mãe passou, cujos filhos também foram doados, e com quem elas não tinham mais contato, mas que se arrependem do que fizeram. Então, os testemunhos são enormes. Sempre conto e procuro olhar para a minha mãe como uma heroína. Ela não me abortou, mas tornou a minha história possível de alcançar outras pessoas”.

Ao olhar para trás, o pastor reconhece que, mesmo se considerando improvável, é possível construir um futuro significativo e que realidades adversas não definem destinos, mas podem se tornar instrumentos de transformação. “As pessoas olhavam e diziam: ‘Como é que esse menino vai ser alguém na vida, com a história que ele tem?’. Eles dizem: ‘Cara, tu virou pastor, como é que pode?’. E respondo: ‘Deus sempre teve um plano. Só não sabia qual era, mas Ele já tinha uma direção’. O improvável é por isso: por não ter um caminho definido. Às vezes, a gente vê famílias estruturadas, em que todos são médicos, ou dentistas, e os filhos seguem aquela mesma trajetória. Eu não tinha um caminho assim para trilhar. Então, é nesse sentido que digo que sou improvável”.

E por falar nos planos de Deus, Piu também constituiu família. Casado com Veruska Estrela, ele é pai de Petrus e Dom Estrela, e revelou que foi ensinado pelo Senhor a ser pai. “Essa história é muito interessante, porque, por mais que eu tenha liberado perdão, tinha medo de não ser um um pai adequado por não ter convivido com meu pai. Então, havia muito receio. Um dia estava em São Paulo (SP), já havia casado e a Veruska estava grávida do Petrus, que é o meu primeiro filho. Estava pensando sobre isso e um pensamento me consumia: ‘Como é que vou criar esse menino?’. E aí, o pastor Neemias foi direcionado por Deus em um culto e liberou uma Palavra para mim. Ele disse: ‘Piu, eu quero lhe dizer que você vai ser um pai segundo o coração de Deus. Não se preocupe, Ele vai lhe ensinar a ser um pai ‘. Então, aprendi totalmente como Paulo: ‘não recebi de homem algum’. A paternidade do Senhor foi como se tivesse recebido tudo diretamente d’Ele. Era como aquele ‘software’ que estava faltando, aquela atualização que recebi diretamente de Deus”.

Mesmo após seguir em frente, Piu Estrela conclui que sua história é uma prova de que é possível deixar o passado para trás e permitir que a direção de Deus o faça avançar com confiança e convicção. “Sempre tenho o seguinte pensamento: talvez, se fosse resumir em uma palavra ou frase, seria: é possível. Às vezes, no decorrer dos nossos dias, vemos pessoas se vitimizando muito. Sei que existem injustiças, que há caminhos mais fáceis e outros mais difíceis. Até brinco com um amigo que diz: ‘Piu, a gente está no mesmo barco’. E respondo: ‘Cara, talvez a gente esteja no mesmo rio, mas os barcos são diferentes’. Talvez minha vida tenha começado numa canoa, enquanto a de outra pessoa começou em um iate, com acesso a todos os recursos. Talvez não estejamos no mesmo barco, mas estamos no mesmo rio. E ele flui’. Acredito que estejamos apenas em pontos diferentes. E não é o que me transporta que faz a diferença, porque eu não sou as coisas — eu sou quem eu sou. É possível vencer, se desenvolver como pessoa, crescer em Deus e olhar para frente e dizer: ‘Eu posso, eu sou quem a Bíblia diz que eu sou, eu tenho e vou fazer aquilo que ela diz’. É seguir em frente, deixando o passado onde ele deve ficar”, concluiu.

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