
Meu pai permanece morando aqui em Campina Grande onde também moro. Meu relacionamento com ele se divide em quando ele era casado com a minha mãe e depois que ele ficou viúvo. Meus outros irmãos convivem menos com ele. Meu pai me escuta, mas nos distanciamos um pouco. Pela própria trajetória da vida.
Sou casado há 6 anos com Dayanne. A minha história com ela foi a seguinte: Eu era bem amigo de Rita que era diretora do Rhema em Angola. Na época, Dayanne que era vice diretora de Rita no país africano. Ela veio para Campina Grande participar da Conferência de Ministros e eu a vi falando algumas coisas sobre a nação angolana, me interessei por ela. Falei com Pastor Bud e disse que estava interessado em uma pessoa.
Ele disse: “Quem é?”
Falei: “Dayanne, pastor”.
Ele respondeu: “Rapaz, ela não quer você não”
Eu falei: “por quê?“
Ele disse: “porque você é igual a mim, feio e comum” (risos).
Mas ele me incentivou: “Fala com ela”. E fui conversar com ela e de certa forma, ela passou a conversar comigo. Começamos a nos conhecer melhor.
Depois disso, fui a Angola para a formatura com o pastor Bud e ele me incentivou a convidá-la para jantar, mas disse para levar Nelson junto. E foi isso que fiz. Levei ela para jantar, mas, em todas as nossas primeiras fotos Nelson está lá. Ele dirigia para nós e estava em nosso primeiro encontro.
Desenvolvemos um tempo de conhecimento e, em 2010, casamos. Dayanne é fantástica. Eu fico maravilhado com o que Deus fez. Primeiro porque ela é uma pessoa que entende o meu chamado, entende o que faço. Ser casado com um ministro é semelhante a ser casado com um médico, é necessário dividir a aquela pessoa com um monte de gente. Minha esposa também é ministra do evangelho e sabe conciliar essas coisas. Ela compreende e me ajuda, tem sido o braço forte para tudo o que tenho feito e me anima nas coisas que preciso fazer.
Nosso primeiro filho, Lucas, tem três anos e meio. Eu tinha muito desejo de ser pai. Sempre gostei de crianças. Quando Dayanne engravidou dele, experimentei um sentimento nunca vivido antes. Às vezes, quando você vê um pai falando algumas coisas, você pensa: “como ele é besta”, mas, quando você é pai, percebe que, na verdade, aquela pessoa é normal, e você faz as mesmas coisas.
Lembro quando, ainda na sala de parto, o vi pela primeira vez. Ele estava chorando, peguei ele no colo pela primeira vez… É um sentimento que as palavras não descrevem, o sentimento de ser pai. Eu tenho uma vida muito corrida e, por isso, ele acaba passando mais tempo com a mãe, mas sempre que posso brincamos juntos. Busco estar o tempo que posso com eles. Saímos da cidade uns três dias e com ele tudo é uma festa. Recentemente, tivemos mais um filho, Pedro, acho que vamos aproveitar muito mais. Antes eu tinha muito medo de quebrar e estragar o menino, mas agora já sei como funciona. Se você me pedisse para descrever meus sentimentos sendo pai mais uma vez, eu diria que é um sentimento mais apurado. Algo maravilhoso, com um sentido diferente, mas é tão bom quanto.
Aos 40 anos, acredito que cada etapa da nossa vida são ciclos. Já ouvi muito uma frase que eu não entendia: “Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje 20 anos atrás, eu era outra pessoa”. Também acho que cada ciclo que vivemos lidamos de maneira diferentes tanto com as nossas vitórias quanto as nossas derrotas. Eu estou no ministério desde 1999, de tempo integral estou há 16 anos. Nesse tempo todo tenho enfrentado diferentes estações, tanto no ministério quanto na vida pessoal, em ambos me trouxeram muito amadurecimento.
Antes, eu tinha mais dificuldades de lidar com as minhas limitações. A questão de ter perdido minha mãe muito cedo, a questão de ter nascido no Nordeste, isso pesa muito e te cerca de tal forma que limita seus desejos e pensamentos. Tenho vencido minhas limitações a cada dia. Hoje, tenho lidado muito melhor com meus fracassos, se deu certo fico muito feliz, se não der certo, bato a poeira e me levanto, seguindo o meu caminho.
Para quem não me conhece, sou uma pessoa bem séria, mas, se me conhecer, verá que sou muito brincalhão. Gosto de me divertir, tem gente que me acha ranzinza, mas eu sou apenas tímido com quem não conheço. Gostaria de ser mais (no bom sentido), “atirado’ para algumas coisas. Por exemplo, tenho oportunidades constantemente de me deparar com pessoas conhecidas e famosas que são diferentes, vejo pessoas que rapidamente criam uma ponte, eu não sei ser assim. Fico mais tímido.
Gosto muito de ler. O engraçado é que na minha família, ler nunca foi um hábito. Quando me converti, fui para uma igreja pentecostal e acabei sendo influenciado por um pastor que era presbiteriano. Fiquei muito afogueado na Assembléia de Deus, lembro que o pastor presbiteriano me dava livros e dizia: “leia isso aqui”. E comecei a me interessar pela leitura, porque percebia que era um universo maravilhoso. Esse pastor que me influenciou na leitura era um advogado aposentado e tinha um excelente nível cultural.
Ele dizia: “leia não somente livros evangélicos, mas seculares, leia revistas, veja jornal, seja antenado com tudo o que está acontecendo. Você tem um chamado, é um pregador e por isso, precisa saber o que está acontecendo no mundo. Leia. Entenda como as coisas funcionam”. Isso me pegou.
O primeiro livro que ele me deu pra ler tinha umas 200 páginas. Para quem nunca tinha lido um livro era um desafio. Logo depois, conheci o Verbo e fui influenciado pelas leituras do irmão Hagin, e era uma leitura gostosa. Os livros dele você começa e quer terminar para ver como vai ser finalizado. O primeiro livro que li do irmão Hagin foi: “O Nome de Jesus”. Era uma viagem em cada capítulo. Aos poucos fui gostando. Hoje, não leio tanto quanto gostaria, mas, pelo menos um livro por mês acabo lendo. Dei boa parte dos meus livros, tenho pelo menos 1.800 livros físicos, e não tenho noção de quantos e-books tenho.
Aprendi algo sobre leitura e vou compartilhar. Qual é o problema das pessoas para lerem? Primeiro elas pegam um livro de 300, 500 páginas, por exemplo, e dizem: “quanto tempo vou gastar para ler esse livro todo?”
Mas, um dia, eu estava dirigindo e era uma viagem longa e o Senhor me ensinou: “Não pense em Campina Grande, pensa na próxima cidade e vai por etapas”. Trouxe isso para minha vida de leitura. Quando pego um livro, penso por capítulos, e vou lendo. Leio aquele capitulo e outro até que leio o livro todo.
Outra coisa. Depois que eu leio o livro todo, dificilmente eu volto para ler aquele livro todo novamente. Com raras exceções dos livros do irmão Hagin. Então, o que eu faço eu leio um livro e tenho mais ou menos catalogado os assuntos que tenho. Quando estou estudando um assunto, geralmente pego vários livros que contenham aquele assunto e vou pesquisando. A maioria dos livros que tenho já li, mas não li todos. Os que ainda não li completos, pelo menos um capitulo já li, faço isso com todos.
Acho que um dos maiores desafios que a gente tem é SER GENTE. Conviver e trabalhar com pessoas diferentes. Muitas vezes, você tem as suas zonas de limites, dificuldades em algumas áreas, mas precisa saber conviver. Para mim, é um desafio me reinventar, quando as coisas me derrubaram, não ter permanecido no chão, mas ter me levantando em todas as situações que vivi.
Precisamos ser pessoas que sabem conviver em paz. Procuro viver assim. Tenho 40 anos e poucos inimigos (risos). A maioria das pessoas gostam de mim e, quem não gosta, não está perto, não chega junto.
Outro desafio para mim é que eu nunca quero esquecer de onde vim. Deus tem feito tantas coisas na minha vida. Os lugares que tenho tido a oportunidade de conhecer. As igrejas que já fui, e o Senhor me ensinou anos atrás a lembrar quem eu era, quem eu sou e quem me trouxe até aqui, porque certamente não fui eu.
Tenho a consciência das pessoas que Deus usou para me abençoar. Todos os lugares que fui até hoje eu jamais iria se não estivesse debaixo da unção do Ministério Verbo da Vida. Se eu não tivesse debaixo da unção do pastor Bud, mama Jan, Guto e tantos outros, eu não estaria onde estou. Sempre guardo e sou grato por isso.
Eu reconheço a importância de termos referências em nossa vida. Uma pessoa que devo muita coisa a ele. Que acreditou em mim a primeira vez foi Guto. Sempre falo que uma pessoa que não consegue conviver com Guto pode morrer. Porque ele é um cara que gosta de dar oportunidades as pessoas. Ele é um ser humano como qualquer outro, mas é um líder excelente.
Lembro que eu era voluntário na igreja em Campina Grande, estava certo dia, pintando as treliças lá, era um voluntário ajudando João Roberto.
E Guto chegou e disse: ” João, estou precisando de alguém pra ir comigo pra Olinda, tem alguém?”
João falou: “Não”.
Mas Guto disse: “passei ali fora e vi um menino pendurado pintando a igreja”.
João falou: “ele está me ajudando, é fiel se quiser chama ele”. E foi ai que surgiu a minha primeira oportunidade. Para mim, Guto e Suellen são referências fortes em minha vida.
Pastor Bud foi uma referência para todos nós. Me lembro que em 1995 eu e Manassés fomos falar com ele e ele nos atendeu tão bem sem nos conhecer, por isso passei a admirá-lo. Nunca o vi triste, tinha um caráter irretocável. Pastor tinha aquele sentimento de pai mesmo com a gente. Hoje, vejo esse sentimento de paternidade muito forte em Guto.
Mama Jan também é um grande referencial. São pessoas que marcaram e marcam a minha vida, posso citar Maneco que foi um cara que me ajudou bastante, Gilson e Sylvia. Como me ajudaram. São pessoas queridas, conversávamos sobre tantas coisas.
Manassés é uma pessoa que admiro demais pela pessoa que é. Um bom empreendedor e um líder. Amauri e Marizete que estavam comigo em momentos determinantes. Com conselhos preciosos. Poderia citar muita gente, mas cito esses querendo dizer muitos outros…
Quem é Rozilon? Essa é uma pergunta que eu me faço há 40 anos…
Estou tentando respondê-la a cada dia. Às vezes, fico pensando em algumas coisas e momentos que vivi e como me superei naquelas situações. Se você me pedir para me descrever eu diria: ‘Sou uma pessoa que não desiste facilmente’. Tenho facilidade para lembrar de onde eu vim, a minha trajetória, como eu cheguei até aqui, como Deus fez as coisas. Isso tem me ajudado bastante. Sou um cara que tenho muitos amigos, graças a Deus me relaciono muito bem.
Tenho alguns defeitos que considero graves, sou perfeccionista. Isso me atrapalha bastante, porque eu quero que tudo seja perfeito e, quando não consigo, fico frustrado comigo mesmo. Por causa disso, me cobro muito, em um nível que não precisaria. Sou chato, no sentido de que eu falo. Se uma coisa não estiver certa, vou reclamar. Se eu estiver no mercado e minha esposa está grávida e na fila preferencial tem um monte de gente eu fico com raiva, porque acho um desrespeito. Se eu ver um velhinho sendo mal tratado fico indignado.
Acho que não deveria ser assim, sou ‘cri cri’ com essas coisas, meu senso de justiça é um pouquinho mais aguçado. Uma coisa importante, apesar de tudo isso, eu consegui chegar aos 40 anos. Me considero um grande sucesso por tudo o que eu passei, enfrentei, por onde Deus tem me colocado e o que Ele tem feito em mim. Deus tem feito além do que eu pedi e pensei. Ele sempre realizou em mim assim. Não me considero um fracasso, sou bem sucedido nas coisas que tenho feito, mas tenho muito a fazer ainda.



























5 Comentários
Grande trajetória de vida,nos demonstra que com a palavra Rhema podemos superar qualquer circunstância e viver uma outra realidade na nossa vida.E que o lugar certo com influências certas nos fazem avançar no Senhor.
Tive o privilégio em conhecê-lo, ele foi convidado em algumas ocasiões para pregar na igreja que fazia parte, e faço até hoje.
Sua ministração era objetiva e cheia de conteúdo, nos deixava a pensar.
Pensava comigo, gostaria um dia, ser um pastor como ele.
Escreveu sua história semeando a melhor semente.
Hoje face-a-face contempla a majestade do Senhor!
Um grande homem de Deus. Ouvi-lo falar nos inspirava a fazer missões!
Que trajetória linda!!!Que o Espírito Santo console seus entes queridos.
Muito emocionante essa trajetória, muito bom saber de fatos novos sobre a vida desse grande homem de Deus que com certeza foi e ainda é uma referencia pra mim, fico muito grato por ter participado de um pequeno espaço de sua historia, quando ainda pastor tive a oportunidade de ser instruído por seus preciosos conselhos e desfrutar de sua companhia em alguns passeios e viagens, que Deus continue liberando bençãos mais e mais sobre sua vida em nome de Jesus.